Mostrar mensagens com a etiqueta Porto Editora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto Editora. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

"Corações sem Dono" de Lucy Dillon [Opinião]

Confesso que sou mais uma pessoa de gatos do que de cães, mas gosto imenso de histórias que envolvam animais domésticos. Apesar de os cães serem muito diferentes dos gatos, sei bem o que é sentir amor por um animal e não fico indiferente a um romance cujos protagonistas são os nossos amigos de quatro patas.

Neste livro, conhecemos a vida de três mulheres, embora a sinopse só mencione Rachel. Na verdade, é com ela que tudo começa, quando recebe a herança da sua tia Dorothy: um canil repleto de animais a precisar de adoção e uma casa cheia de dívidas. Para além de ter de gerir tudo isso sozinha, ainda terá de lidar com a perda do seu emprego e com o fim do namoro.
Zoe é uma mãe divorciada, com dois filhos ainda abalados com a separação dos pais, e que terá de aprender a lidar com um cachorrinho labrador.
Natalie e Johnny são um casal com problemas em conseguir engravidar e que irão ver em Bertie uma grande e leal companhia neste momento tão desesperante.

A vida destas e de outras personagens acaba por se interligar e o elo comum são os cães. Além do Gem, do Toffee e o Bertie, vamos conhecendo ainda outros animais que só pedem uma família que lhes dê amor, oferecendo em troca o seu companheirismo e lealdade. Gostei especialmente da Lulu, uma caniche elegante e altiva; achei-a fantástica!

O livro lê-se muito bem e a escrita de Lucy é agradável, proporcionando um grande prazer ao leitor. O romance não deixa de ter algumas partes comoventes mas, no geral, este é um livro feliz e que celebra a amizade que se pode encontrar entre o Homem e o seu animal de estimação.

Recomendo vivamente, quer sejam ou não fãs de animais. Este livro é uma verdadeira ternura!

Classificação: 4/5 estrelas

domingo, 23 de setembro de 2012

"O Quarto de Jack" de Emma Donoghue [Opinião]

Queria muito ler este livro desde que vi a sua sinopse e comecei a ouvir falar muito bem dele.

A história é contada na voz de Jack, um menino de 5 anos, que viveu toda a sua vida fechado num quarto, com a mãe. Para ele, o Quarto é o seu mundo e é lá que ele e a mãe comem, dormem, brincam a aprendem.
O que Jack não sabe é que este quarto onde se sente tão protegido é também uma prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade, desde que foi raptada aos 19 anos.

No início, estranhei um pouco a forma como este livro está escrito. Nunca tinha lido nada contado na perspetiva de uma criança, pelo que torci um pouco o nariz nas primeiras páginas. No entanto, todos aqueles diálogos tornam a leitura muito agradável e envolvente para o leitor, apesar de se tratar de um tema impressionante, como o rapto e a violação.

Jack dá-nos a conhecer as rotinas que existem na sua vida diária, todos os objetos do Quarto, assim como todos os seus pensamentos acerca de tudo o que acontece. Os relatos desta criança são convincentes e de uma inocência maravilhosa. Dei comigo várias vezes ora a sorrir, ora a rir à gargalhada com algumas das situações contadas pelo Jack; outras vezes senti uma lagriminha teimosa no canto do olho e uma vontade imensa de abraçar o menino.

A melhor parte do livro foi, na minha opinião, a tentativa de fuga do Quarto, que decorre de forma veloz e com algum suspense. Depois, seguiu-se a adaptação de Jack à vida no Espaço Lá Fora e acompanhamos as suas aventuras quando vê o mundo pela primeira vez. É difícil e confuso para ele, pois tudo aquilo que ele acreditava ser ficção, de repente é real.

O amor que une o Jack e a mãe é imenso e muito ternurento, e é mais um dos ingredientes que torna esta história tão especial.

Este meu primeiro contacto com a autora foi muito satisfatório; gostei imenso desta história e tenho a certeza de que me vou lembrar do Jack por muito mais tempo.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Dez Mil Guitarras" de Catherine Clément [Opinião]


E se D. Sebastião, o rei português desaparecido durante a batalha de Alcácer-Quibir, tivesse sobrevivido e tido uma vida diferente, mesmo não tendo voltado para Portugal? Foi este desaparecimento que a autora quis explorar neste romance histórico.

Não conhecia a autora e foi com muita curiosidade que comecei a ler este livro, que me conquistou logo desde o prólogo. E porquê? O que é que eu achei de tão especial neste romance? O rinoceronte.
Conhecemos uma grande variedade de personagens históricas, começando por D. Sebastião e o seu desejo pela cruzada, os reis de Espanha, o imperador Rodolfo de Habsburgo e as guerras religiosas e ainda a rainha Cristina da Suécia.

O rinoceronte, inicialmente vivo, e depois apenas o seu corno, atravessa todo o romance e vai-nos narrando, não só a sua história, mas também tudo o que vê e ouve na presença de todos estes soberanos.

Um livro muito interessante e de leitura agradável, com episódios de ficção, mas claramente com uma base histórica muito bem fundamentada. É um bom livro para os amantes de romances históricos!

Classificação: 4/5 estrelas