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quinta-feira, 13 de junho de 2019

"Perfume da Paixão" de Jude Deveraux [Opinião]


Perfume da Paixão é o terceiro volume da série passada em Edilean.

Depois de ter gostado imenso dos volumes anteriores, fiquei entusiasmada quando chegou a oportunidade de ler mais um livro desta série. No entanto, acabei por ter uma surpresa.

Iniciei a leitura deste livro logo após ter terminado Uma Mulher Respeitável, da Célia Correia Loureiro e, embora acreditasse que não estava a sofrer de nenhuma ressaca literária, mais tarde percebi que o livro da Célia me afetara de alguma forma.

Depois de ler um livro tão bem escrito, foi extremamente difícil pegar neste, cuja escrita é absolutamente simples. Pensei que me ajudaria a relaxar mas aconteceu o contrário. Era como se o meu cérebro se recusasse a cooperar e tivesse perdido a capacidade de ler algo mais simples.

Juntamente com este problema, não consegui sentir grande afinidade com as personagens. Interessou-me o mistério inicial e as situações caricatas que iam aparecendo mantiveram-me atenta à leitura.


O romance que foi surgindo entre Sara e Mike era um bocado previsível, mas gostei da forma como eles se foram aproximando. Porém, esta relação não é muito aprofundada e, a partir de um determinado momento, torna-se demasiado física, como se eles fossem incapazes de se largar.

Senti-me mais esperançada à medida que chegava ao final mas a desilusão atingiu-me mais uma vez. Os planos que as personagens fizeram e se fartaram de repetir acabaram por não acontecer e o livro teve um desfecho bem mais calmo do que eu esperava.

Foi uma leitura que me custou um pouco, talvez devido à escrita simples, ou talvez eu não estivesse com o estado de espírito ideal para ler este livro. Fiquei com pena, uma vez que tinha apreciado bastante os volumes anteriores da série. Não perdi, contudo, a vontade de explorar outros romances da autora e dar continuidade a esta série. O quarto volume volta a decorrer no passado e talvez seja mais capaz de me encher as medidas.

Classificação: 2/5 estrelas

quinta-feira, 6 de junho de 2019

"Traz-me de Volta" de B. A. Paris [Opinião]


Traz-me de Volta é o terceiro livro de B. A. Paris, autora que fez bastante sucesso com o seu romance Ao Fechar a Porta e me cativou completamente desde esse momento.
O seu segundo livro, À Beira do Colapso, não foi tão intenso como o primeiro, contudo, continuei com grandes expectativas assim que este foi publicado.

Antes de mais, deixo-vos um aviso: não leiam os agradecimentos da autora, uma vez que há lá uma frase que contém um pequeno spoiler que poderá fazer-vos adivinhar o final do livro e estragar-vos o prazer da leitura. Não sejam curiosos como eu!

A narrativa centra-se em Finn, um jovem cuja namorada, Layla, desapareceu. Passados 12 anos sem qualquer pista, Finn refez a sua vida e está prestes a casar com Ellen, irmã de Layla. No entanto, quando surgem pistas de que Layla poderá afinal estar viva, a vida de Finn é virada do avesso e ele é obrigado a confrontar os acontecimentos do seu passado.

Ao contrário dos livros anteriores, que foram escritos sob a perspetiva da protagonista feminina, desta vez a autora conta-nos a história através da visão de Finn, embora, a partir de uma determinada fase da narrativa, vá alternando com alguns capítulos que nos dão a perspetiva de Layla.
A narrativa alterna-se também entre o passado e o presente, o que nos permite conhecer melhor como toda a história se desenrolou. Admito que gosto imenso de encontrar estes saltos temporais nos livros, pois acredito que as histórias se tornam muito mais dinâmicas.



Este livro revelou-se um verdadeiro page-turner; li-o precisamente num momento em que os livros não me estavam a cativar e este veio dar-me ânimo. Ou, mais concretamente, fez-me ler como uma tola pela noite dentro. E quando um livro consegue distrair-me desta forma, permitindo-me ler compulsivamente, só por isso já merece pontos!

A narrativa apresenta alguns momentos de grande tensão. Ao mesmo tempo que Finn começa a receber uns e-mails estranhos, encontra também objetos simbólicos relacionados com Layla. Estes acontecimentos instalam um clima de desconfiança nas nossas personagens e isso acaba por passar também para o leitor.
Outro aspeto que adorei neste livro foi o facto da autora me conseguir fazer duvidar de todas as personagens.

Gostei bastante do final que não se mostrou totalmente inesperado para mim, uma vez que há uma frase nos agradecimentos da autora que me fez desconfiar do rumo que esta história levaria. Mesmo assim, não deixei de me sentir surpreendida com as últimas páginas.

Não posso dizer que este livro seja tão bom como o Ao Fechar a Porta, embora a comparação seja inevitável. Uma palavra que o caracteriza na perfeição é viciante; o livro é mesmo muito viciante e lê-se quase de uma assentada. Se apreciam thrillers psicológicos, não deixem de experimentar este livro!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 30 de maio de 2019

"A Batalha da Escuridão - As Crónicas de Byllard Iddo" de Bruno Martins Soares [Opinião]


A sugestão literária de hoje é para todos os fãs de ficção científica e fantasia, embora qualquer leitor esteja convidado a conhecer este romance de Bruno Martins Soares.

Este autor português conta já com bastantes trabalhos publicados, tendo-se tornado mais conhecido no panorama português com a publicação de A Saga de Alex 9, pela Saída de Emergência.

Publicou em inglês a série The Dark Sea War Chronicles, em três volumes, que foram agora traduzidos e adaptados para português. Assim, pelas mãos da Editorial Divergência, nasceu A Batalha da Escuridão, um livro completo que agrupa os três volumes da série.

Tive oportunidade de colaborar neste manuscrito como revisora, li-o duas vezes de início ao fim e, apesar de não poder fazer uma leitura mais descansada, dado que era necessário prestar atenção a todo o conteúdo escrito e corrigir tudo o que fosse necessário, posso assegurar-vos que, mesmo assim, consegui vibrar com esta leitura.


A narrativa acompanha Byllard Iddo, um jovem que se junta à Marinha Espacial num momento em que, num distante sistema solar, rebenta a guerra entre a União de Webbur, o Reino de Torrance, e o seu rival, a República de Axx.

O romance tem uma escrita muito apelativa, sem floreados e onde prevalece a ação. Nesta narrativa de entretenimento puro, o autor conduz-nos pelas mais variadas aventuras, batalhas entre navios espaciais, perseguições e fugas, desastres, drama, sacrifício, morte e, claro, uma pitada de amor.

Este livro fez-me lembrar os filmes de Star Trek. Nunca tinha lido nada passado no espaço e confesso que fui agradavelmente surpreendida. Portanto, se acham que este livro se encaixa nas vossas preferências literárias ou se simplesmente sentem curiosidade, experimentem. Arrisquem!
Vamos apoiar os nossos autores e ler o que se escreve em Portugal!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 23 de maio de 2019

"Uma Mulher Respeitável" de Célia Correia Loureiro [Opinião]


Uma Mulher Respeitável é o segundo romance histórico de Célia Correia Loureiro e surge no seguimento do livro A Filha do Barão. O romance retoma um mistério que ficou em aberto no final do livro anterior embora, na minha opinião, possa ser lido individualmente.

Li o primeiro livro em 2016 e confesso que, volvidos três anos, já não me recordo inteiramente de muitos pormenores da história. Recordo-me, sim, de ter demorado quase um mês a concluir a leitura, uma vez que é um livro bastante denso. Por essa razão, receava que este novo livro me tomasse também todo esse tempo.
Deixem-me dizer-vos que não há qualquer problema em demorar duas, três ou quatro semanas a ler um livro. Pessoalmente, não gosto de demorar muito tempo, pois fico com a sensação de que, quanto mais tempo passa, mais me sinto desligada da história e das personagens.

Felizmente, nada disso aconteceu com este livro que, logo desde o primeiro capítulo, me surpreendeu por ser tão cativante e por me deixar imediatamente interessada.

A única desvantagem deste livro é a letra exageradamente pequena, o que poderá dificultar a leitura a algumas pessoas. No meu caso, ultrapassei rapidamente essa dificuldade e não demorou muito tempo até me sentir transportada para dentro destas páginas.


Mariana de Albuquerque e Turner regressa passados 50 anos. E que bom que foi reencontrar esta personagem! Desta vez, recebe uma pista de que uma reclusa que se encontra na prisão poderá ser a filha que ela perdeu em 1809.
Determinada a descobrir a verdade, Mariana tudo fará para conseguir que esta mulher fale e lhe revele a sua história.

O livro está organizado em capítulos curtos, que apelam à leitura, e é através de avanços e recuos no tempo que vamos descobrindo tudo acerca de Leonor Sanches, ou Evelyn St. Clair. Adorei a forma como a autora nos apresentou a história; aprecio imenso estas viagens entre presente e passado, permitindo-nos descobrir um acontecimento de cada vez e, desta forma, manter a curiosidade mais viva do que nunca.
Acredito que para alguns leitores poderá ser confuso estar sempre a saltar no tempo, mas este é um aspeto que me agrada nos livros, principalmente se houver organização, o que é totalmente o caso deste livro.

Leonor Sanches é uma personagem incrível. Embora, à primeira vista, na prisão, nos pareça apática e desinteressante, mais tarde compreendemos que isso se deve a tudo o que passou na sua vida. E não foi pouco! As desgraças e o sofrimento que vivenciou fizeram dela uma mulher implacável e movida por um insaciável desejo de vingança.
Tenho de confessar que adoro a temática da vingança nos livros e, por essa razão, senti esta história com outra intensidade.
O final não foi feliz e deixou-me com um sentimento melancólico, porém a realidade é que a vida também tem os seus momentos negros, e este livro mostra-nos as consequências graves que os desencontros podem ter nas relações humanas.

Li que este livro é o segundo de uma trilogia, mas não tenho a certeza se a autora vai mesmo escrever um terceiro livro. Contudo, deixo aqui a minha dica: adorava conhecer melhor o Victor St. Clair.

Ontem, dia 22 de maio, comemorou-se o Dia do Autor Português. Deixo-vos esta sugestão de leitura, um livro realmente bom, com uma escrita soberba e adequada à época, de uma das melhores autoras que temos atualmente na geração mais jovem. Por favor, leiam os livros da Célia Correio Loureiro! Apoiem o que é português!

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 17 de maio de 2019

"A Ilusão de Merit" de Colleen Hoover [Opinião]


Fico sempre entusiasmada quando é publicado um novo livro da Colleen Hoover em Portugal. Curiosamente, estava convencida de que iriam publicar o seu mais recente livro, um thriller, e só descobri que não era o caso depois de ler a sinopse.

Este livro conta-nos a história de Merit, uma jovem de 17 anos que vive numa igreja reconvertida com a sua família disfuncional. A mãe, sobrevivente de cancro, vive num quarto na cave; o pai é casado com a antiga enfermeira da mãe; a sua irmã gémea e o irmão mais velho são a imagem da perfeição. E Merit sente que nunca conseguirá ser como eles.

Mergulhei nesta história sem qualquer receio; confio totalmente que a autora nos traz livros cativantes e que nos enchem o coração.

A primeira metade do livro foi divertidíssima. Senti-me conquistada logo desde o primeiro capítulo e, tal como tem sido habitual, adorei a forma como a autora me conseguiu prender de imediato. As situações caricatas foram inúmeras e ri-me tanto que, durante momentos, consegui alhear-me de tudo ao meu redor.


Contudo, sendo um livro da Colleen, sabemos que o drama não pode faltar e foi isso que começou a acontecer assim que ultrapassei a metade do livro. Ficou mais sério e capaz de nos fazer refletir.

Acabei por não me sentir tão fascinada por este livro como me senti com os anteriores da autora, talvez devido à faixa etária dos protagonistas. Dado que são jovens entre os 17 e os 20 anos, creio que terá sido normal não me ter identificado tanto com eles.

Sendo contado na perspetiva de Merit, somos levados a ver a sua família tal como ela a vê, o que pode não ser também a visão certa, uma vez que ela é uma jovem que se sente um pouco perdida e, de certa forma, invisível, no meio de toda aquela gente.

O livro aborda temas interessantes, tais como a depressão na adolescência, a imagem que os jovens têm do que é a perfeição e de como é importante compreendermos os outros e colocarmo-nos no papel deles antes de os julgarmos. Aborda ainda a sexualidade, a saúde mental e a importância de conversar e de abraçar.

Não é um dos melhores livros da autora, mas acredito que será uma leitura importante para os mais jovens.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 6 de maio de 2019

"A Metade Sombria" de Stephen King [Opinião]


Já imaginaram como seria se o pseudónimo de um autor ganhasse vida própria? Esta é a premissa base em que assenta este livro de Stephen King.

Thad Beaumont é um escritor que já publicou diversos livros. Contudo, aqueles que mais fizeram sucesso foram os livros de terror que ele assinou com o seu pseudónimo, George Stark.
Mas é quando ele decide revelar a verdade e deixar de escrever sob esse pseudónimo, que coisas terríveis começam a acontecer.

Achei este livro um pouco diferente de outros que já li do autor. Creio que este se insere mais na categoria de horror, uma vez que apresenta descrições mais grotestas, assassinatos cruéis e visualmente sangrentos e repugnantes.

O propósito deste livro não é descobrir o assassino, dado que desde cedo sabemos quem ele é. O que precisamos de saber é o que pretende ele de Thad e como é que este poderá vencê-lo, antes que toda a sua família apareça morta.

Assim, A Metade Sombria é uma espécie de híbrido que mistura crime e horror, o que me agradou imenso. Existe investigação policial, os procedimentos estão muito interessantes, bem como o que é descoberto acerca do suspeito.


George Stark é um vilão extremamente repugnante e assustou-me por diversas vezes, embora, na minha opinião, não seja tão assustador quanto Annie Wilkes, de Misery, personagem que se tornou inesquecível para mim.

Penso que Stephen King consegue fazer uma reflexão curiosa acerca do que é escrever sob um pseudónimo, uma vez que ele próprio também já escreveu sob o pseudónimo de Richard Bachman. Será que quem o faz tem mais liberdade e à vontade para escrever sobre temas que provavelmente não abordaria se tivesse de assinar com o próprio nome? Serão os livros mais autênticos se o autor caracterizar o máximo possível o seu pseudónimo, pensando nele como se fosse uma pessoa real? Afinal, poderemos ser outra pessoa quando escrevemos sob pseudónimo?

Em suma, é mais um bom livro do mestre do terror que deveria, sem dúvida, receber mais atenção por parte dos fãs do autor.

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 1 de maio de 2019

"O Segredo da Cascata dos Murmúrios" de Ana Nunes [Opinião]


Este é o segundo livro da coleção 4 Quadrantes, da autora Ana Nunes, publicada pela Coolbooks.

Os nossos 5 amigos vão passar férias à pequena aldeia de Pitões das Júnias, situada no concelho de Montalegre, norte de Portugal. Julgavam eles que iriam ter uma férias pacatas, num local onde não acontece nada, mas bem que se enganaram. É neste belo local que vão viver mais uma aventura.

Gosto imenso do facto de a autora aproveitar para dar a conhecer aos jovens locais do nosso país que podem não ser do conhecimento de todos. Confesso que fiquei agradada com as descrições dadas pela autora e, mais tarde, dei comigo a pesquisar no google imagens da bela cascata e das paisagens que esta pequena aldeia tem para oferecer. Acho que deve ser um local maravilhoso para visitar, para todos aqueles que adoram estar em contacto com a natureza.


A par disso, somos ainda brindados com costumes e festas locais, com linguagem típica e até com lendas. A capa do livro é lindíssima e ilustra na perfeição a lenda do duende e a cascata.

É um livro que certamente cativará os mais jovens por conjugar uma linguagem acessível para a sua idade com as novas tecnologias, nomeadamente as redes sociais.

Apenas achei que o final, a resolução do mistério, foi semelhante ao do livro anterior e que a autora poderia ter apostado em algo diferente. Mas, apesar disso, foi uma leitura leve e que gostei de conhecer.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 11 de abril de 2019

"Fantasmas da Mente" de Paul Tremblay [Opinião]


Quando vi este livro nas novidades editoriais da Topseller, soube de imediato que o queria ler. Duas coisas me atraíram nele: a sinopse, que nos prometia uma história com a temática do exorcismo, e a crítica de Stephen King que pode ser lida na capa do livro. Nem todos os autores se podem gabar de ter visto um livro seu ser elogiado pelo mestre do terror, ainda mais afirmando que a história o assustou verdadeiramente.

Desta forma, contactei a Topseller, que de imediato acedeu a disponibilizar-me um exemplar para leitura, a quem agradeço desde já a gentileza e a simpatia.

A narrativa de Fantasmas da Mente inicia-se quinze anos depois da tragédia se ter abatido sobre a família Barrett. Tudo começou quando a jovem Marjorie, de 14 anos, começou a demonstrar sinais de esquizofrenia aguda. Os médicos não conseguiam ajudá-la e, então, a família recorre à orientação de um padre católico, que acredita que ela está possuída por um demónio e que a única solução é executar um exorcismo.
A pedido do padre, que está interessado em documentar a presença demoníaca, toda a situação é transformada num reality show, que acaba por tornar-se um sucesso.

A história é-nos contada na perspetiva de Merry, a irmã mais nova de Marjorie, que na altura tinha apenas 8 anos. Uma autora pretende desenterrar a história e é através do testemunho de Merry que temos acesso a uma narrativa repleta de terror.

O livro inclui também algumas publicações num blogue que pretende analisar com algum humor e desconstruir os episódios da série televisiva.


O livro cativou-me bastante, embora o início mais lento tenha dificultado o meu envolvimento com a história. A verdade é que eu estava em pulgas por começar a descobrir os indícios de possessão demoníaca na jovem Marjorie.

Creio que o que mais gostei neste livro foi a voz da pequena Merry. Foi muito interessante ver como uma história tão trágica era contada pela perspetiva de uma criança.
Gostei igualmente da relação entre as duas irmãs e talvez o que mais me perturbou foi a forma como Marjorie assustava a irmã com o seu comportamento bizarro.

Este livro fala-nos também de dinâmicas familiares. Aqui, a família tem um papel importante e, no decorrer dos acontecimentos, vemos como estes podem afetar seriamente uma família que era considerada "normal". À medida que Marjorie piora, também os pais entram em colapso. Mais tarde, a presença das câmaras de televisão só vêm piorar ainda mais a situação.

O que eu achei mais interessante neste livro é a forma como ele permite que cada leitor tire as suas próprias conclusões. Estaremos na realidade na presença de algo sobrenatural? Ou estará Marjorie psicologicamente perturbada? O mal existe mesmo ou será um produto da natureza humana?

Nem todas as perguntas poderão ser respondidas. Eu própria ainda estou com dúvidas na forma como interpreto este livro e gostava imenso de poder discutir o mesmo com outros leitores que também o tenham lido.

Em conclusão, esta é uma história trágica sobre uma família em crise emocional a lidar com algo que não consegue compreender verdadeiramente.
Posso ainda afirmar que não considero o livro muito assustador, embora tenha algumas cenas mais chocantes e em que certamente ficarão boquiabertos. O terror está presente de forma mais subtil, portanto fica o desafio: atrevam-se a lê-lo!

Fantasmas da Mente é uma interessante aposta da Topseller que me deixou com vontade de descobrir outros trabalhos de Paul Tremblay.

Classificação: 4/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

domingo, 7 de abril de 2019

"Desaparecidas" de Tess Gerritsen [Opinião]


Tess Gerritsen é uma daquelas autoras cujos livros eu seria capaz de ler uns atrás dos outros sem me cansar.
Tem sido excelente acompanhar esta série e fiquei com pena de não ter relido os três primeiros volumes, uma vez que os livros são realmente bons.

Em Duplo Crime, o quarto volume da série, a história centrou-se sobretudo na doutora Maura Isles. Neste livro temos o regresso da detetive Jane Rizzoli.

Tudo começa na morgue quando um cadáver abre os olhos, provocando um susto terrível a Maura. Mas se pensam que isto já é suficientemente assustador, enganam-se. Pouco depois de levarem essa mulher desconhecida para o hospital, ela mata um segurança e faz alguns reféns. Um deles é Jane, prestes a entrar em trabalho de parto.

Este sequestro foi uma das partes que mais me causou aflição neste livro. Isto prolongou-se por mais de 200 páginas e cheguei mesmo a sentir-me agoniada e claustrofóbica enquanto, no exterior, a polícia e os negociadores decidiam a melhor forma de agir.

Para piorar tudo, seria extremamente perigoso para Jane se os sequestradores descobrissem que um dos reféns é uma agente policial.
Antes de tudo terminar, a mulher desconhecida diz a Jane três únicas palavras: «A Mila sabe».

Quem é Mila? Qual é o segredo que esconde?
Mesmo depois de dar à luz, Jane não descansa enquanto não resolve este mistério.


A autora abordou muito bem as dificuldades que as mães sentem após o parto, o cansaço, as poucas horas de sono, o sentimento de não ser capaz de perceber o seu bebé. Jane é uma mulher que não nasceu para estar em casa a cuidar dos filhos e o que mais deseja é poder voltar ao trabalho, voltar a perseguir criminosos. Contudo, por outro lado, não deixa de se sentir culpada por querer "fugir" da filha.

Acompanhamos também os novos medos de Gabriel, marido de Jane, que subitamente passa a não gostar tanto do trabalho da mulher.

Este livro tornou-se o meu preferido da série, o que não é difícil de acontecer visto que eles têm sido todos excelentes.
É uma leitura extremamente arrepiante e que se lê de um único fôlego.
Estou radiante por saber que tenho os três volumes seguintes ali na minha estante e estou desejosa de me atirar a eles.

Se ainda não leram Tess Gerritsen, não percam mais tempo. Experimentem! É uma autora que vale muito a pena!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 30 de março de 2019

"O Dia em que Perdemos a Cabeça" de Javier Castillo [Opinião]


No início deste ano, a Suma de Letras apresentou-nos o primeiro romance de Javier Castillo, numa campanha que certamente terá chamado a atenção de muitos leitores. A editora lançou o desafio: atreve-te a descobrir o mistério do ano sem perder a cabeça.

A campanha publicitária funcionou comigo. Fiquei imediatamente curiosa e comprei o livro. E esse foi o dia em que perdi a cabeça.

O livro apresenta-nos uma premissa promissora. A pequena introdução de duas páginas deixa-nos completamente agarrados. Como é possível resistir à imagem de um homem nu, a caminhar pelas ruas, transportando uma cabeça decepada nas mãos?

Tenho de admitir que o livro é realmente viciante no início. Li as primeiras 200 páginas quase de um só fôlego. Contudo, depois do entusiasmo inicial, comecei a aperceber-me de imensas coisas que não faziam sentido neste livro.

A história tem o seu início num centro psiquiátrico, o que me pareceu desde logo uma ideia ambiciosa. O Dr. Jenkins é o psicólogo que dirige o local e vai ser ajudado por Stella Hyden, uma agente do FBI especializada em perfis criminais.
Desde este momento que o autor releva que não se deu sequer ao trabalho de investigar o que é a psicologia, como funciona um hospital psiquiátrico, como se faz um perfil criminal e, muito menos, o que é uma avaliação psicológica.

Temos um psicólogo rude, que maltrata os seus funcionários e que não faz mais nada além de ameaçar que vai aplicar terapia de choques até o alegado assassino decidir começar a falar. E depois temos a especialista em perfis criminais que quase desata a chorar só de estar frente a frente com o temível homem que segurava a cabeça decepada.

Cheguei a ler uma opinião que dizia que é um livro de ficção, logo os procedimentos não têm de ocorrer tal como são na realidade. Não concordo. Nota-se num livro quando o autor pesquisou, falou com profissionais e procurou fazer uma abordagem mais real dos temas.
Eu, tal como certamente muitos outros leitores, gosto de ler procedimentos policiais corretos, gosto de livros que me possam ensinar alguma coisa, seja sobre um determinado tema ou sobre a época em que se inserem.
Este é um livro contemporâneo, por isso pareceu-me um pouco ridículo quando o autor começou a fantasiar. Se eu quisesse ler fantasia, teria procurado outro livro.


O livro vai alternando entre três espaços temporais: o presente, o passado (dezassete anos) e o passado recente (um dia antes). A mim não me fez muita confusão e até gostei desta estrutura, mas é necessário alguma ginástica mental para acompanhar, principalmente para quem for ler o livro de forma compulsiva.

As personagens estão mal construídas e apresentam comportamentos completamente incongruentes. Não senti qualquer afinidade com nenhuma das personagens e muito menos fui capaz de compreender as suas motivações para os crimes que aconteceram neste livro.

Os diálogos são risíveis. Todas as personagens falam exatamente da mesma maneira, não importando se é um advogado, um psicólogo, uma criança de 8 anos ou uma adolescente. Não há falas distintivas nem que separem os seus traços de personalidade. Muitos dos diálogos parecem até não servir para nada, a não ser para revelar alguma informação necessária naquele exato momento.

Como referi acima, a primeira metade do livro lê-se num ritmo alucinante. No entanto, a segunda metade do livro perde o ritmo e precisei de um pouco mais de esforço para me determinar a chegar ao final, esperando que este fosse suficientemente recompensador.

O final foi certamente um dos piores finais que já encontrei num thriller. É completamente ridículo e nada credível. Algumas coisas são explicadas de forma muito tosca e outras são deixadas em aberto. Há um segundo livro (que já está publicado em Espanha) que dá continuidade a esta história e que eu não tenciono ler nem que seja o último livro disponível à face da Terra.

Muitos destes aspetos que referi ao longo da minha opinião até se perdoariam num livro lançado em edição de autor - que foi o que aconteceu a este livro antes de ser publicado numa editora. Já não é tão compreensível que, depois de o autor ter trabalhado com editores, estes tenham achado que este livro teria potencial.

O que me arreliou mais foi o ter ido comprar o livro de imediato, acreditando que seria incrível, conforme nos prometia a campanha publicitária. Devia ter sido mais ponderada, ter ido pesquisar opiniões primeiro, para não apanhar uma desilusão tão grande.

Eu respeito o trabalho dos autores, sei o que custa, sei que são necessárias horas de dedicação. Mas também não gosto de cair em publicidades enganosas. E este livro fez-me sentir insultada. É um daqueles caso em que apenas interessa vender, mesmo que a qualidade seja quase inexistente.

Peço desculpa se a minha opinião soou um pouco mais agressiva, mas gosto de ser honesta e sinto-me muito mais aliviada e com uma sensação de liberdade depois de ter escrito estas palavras. Continuo interessada em conhecer as vossas opiniões, que podem obviamente ser diferentes da minha. Espero até que tenham tido uma experiência de leitura mais agradável do que a que eu tive.
Classificação: 1/5 estrelas

segunda-feira, 25 de março de 2019

"O Enigma do Castelo Assombrado" de Ana Nunes [Opinião]


O Enigma do Castelo Assombrado é o primeiro volume da coleção Os 4 Quadrantes, que está a ser publicada pela Coolbooks.
O livro faz-me lembrar as coleções Uma Aventura e Triângulo Jota que eu adorei ler na minha juventude.

Comprei-o para oferecer a uma menina e não resisti a lê-lo primeiro. O seu formato pequeno e a linda capa fazem dele um livro amoroso e cativante.

Neste primeiro volume, temos o primeiro contacto com os nossos protagonistas - Ema, Lucas, Vicente, Constança, e o amigo de quatro patas, Sam - e assistimos à forma como eles se conheceram e se viram no meio da sua primeira investigação.


É um livro que muito facilmente cativará o público mais jovem e em especial aqueles que conhecem Sesimbra, o local onde se passa a ação.

A escrita de Ana Nunes é simples e cuidada, com bastantes apontamentos de humor, imprimindo leveza a esta leitura, que é o que se quer, tendo em conta o público-alvo a quem se dirige o livro.

Outro aspeto interessante é a introdução das novas tecnologias, algo que nos dias de hoje está muito presente na vida dos jovens e que mais facilmente os ajudará a sentirem-se cativados para a leitura.

No geral, foi um livro que me permitiu descontrair e que gostei de conhecer. Fiquei com vontade de ler os livros seguintes da coleção, também já publicados, e espero fazê-lo em breve.

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 16 de março de 2019

"Segue o Coração - Não Olhes Para Trás" de Lesley Pearse [Opinião]


Fiquei fã de Lesley Pearse desde que a Silvana me começou a emprestar alguns dos livros da autora. Desde aí, tenho vindo a descobrir personagens e histórias maravilhosas.

Segue o Coração - Não Olhes Para Trás conta-nos a história de Matilda Jennings, uma pobre vendedora de flores que vive num dos bairros degradados de Londres. Um dia, uma boa ação mudará toda a sua vida. Matilda recebe a oportunidade de ir viver para a América, viver todas as aventuras que o Novo Mundo lhe proporciona e dar um rumo à sua vida.

Matilda é uma personagem inesquecível, assim como este romance, que acompanha todos os seus passos, desde que é uma jovem de 16 anos até ao fim da sua vida.
O tamanho do livro pode intimidar (afinal, são quase 800 páginas) mas a escrita de Lesley é tão cativante que bastam poucas páginas para o leitor se sentir transportado para o mundo destas personagens.


A história inicia-se em 1842 e, ao longo de todo o livro, somos brindados com algumas descrições do contexto histórico e social, o que torna a leitura bastante interessante. Nota-se o trabalho de pesquisa que a autora fez e acredito que não deve ser fácil escrever um livro deste género.

Matilda é uma mulher excecional e talvez uma daquelas personagens que nunca esquecerei. Ela passa por tantas tragédias, perdas, desilusões, e mesmo assim não perde a sua resiliência, não se deixa abater nem fica prostrada no chão a chorar. É realmente um exemplo a forma como ela encontra sempre uma forma de superar.

Apesar de se ler muito bem, é uma narrativa densa e com uma grande carga dramática, o que por vezes pode fazer com que o leitor se sinta um pouco cansado e deprimido com a leitura. A morte está muito presente ao longo de toda a trama e, embora seja doloroso dizer adeus a muitas personagens queridas, são estes acontecimentos que fazem a ação avançar e levam Matilda a dar sempre um passo em frente.

Foram imensas as personagens que me apaixonaram: o jovem Sidney e a forma exemplar como mudou de vida e esteve sempre ao lado de Matilda, Tabitha e a sua persistência em tornar-se médica, Giles, por ter dado uma vida nova a Matilda, Zandra e os seus valiosos conhecimentos, e o capitão James Russell, por tudo o que ele significou para Matilda. E estas são apenas algumas das que mais me marcaram.

Em conclusão, é uma leitura que vale realmente a pena para quem gostar de histórias dramáticas e que vos deixam de coração apertado. Mal posso esperar pela oportunidade de voltar a ler Lesley Pearse.

Classificação: 5/5 estrelas

segunda-feira, 4 de março de 2019

"Regras para Descolagem" de Carolina Paiva [Opinião]


Sentia algum entusiasmo por ir conhecer uma nova autora portuguesa, a Carolina Paiva, que, antes de ser publicada, já era conhecida na blogosfera (embora eu nunca me tivesse cruzado com o seu blogue).

Contudo, há opiniões um pouco ingratas de escrever e esta é uma delas. Sei que a escrita implica muito trabalho e dedicação, muita frustração e luta, e creio que qualquer escritor gosta de ouvir críticas positivas ao seu trabalho e de saber que os leitores desfrutaram realmente do que leram.

A minha relação com este livro, infelizmente, não foi das melhores. Não sei se terá sido por tê-lo lido a seguir a uma leitura muito boa, talvez estivesse ainda um pouco ressacada e não consegui entrar nesta história tão bem como desejava.

Em Regras para Descolagem conhecemos Lourenço, um detetive privado que está a trabalhar naquele que decidiu ser o seu último caso. É durante um voo, com a ajuda de um companheiro de viagem, que ele irá passar por um período de reflexão, procurando resolver o seu passado.


A escrita da Carolina é muito clara e cuidada, um ponto a seu favor e que nem sempre se encontra na primeira obra de um autor. Foi o aspeto que mais me agradou no livro.

Não gostei muito do registo em que a história nos foi contada. A maior parte da narrativa centrou-se nos pensamentos do Lourenço e nas suas reflexões e arrependimentos acerca da sua vida. Foi muito contar e não mostrar e, dessa forma, não consegui sentir-me cativada. Certamente a história teria resultado bem melhor se tivesse um registo um pouco diferente.

Não tive dificuldades com os recuos e avanços no tempo, consegui sempre situar-me bem. Compreendo que muitos leitores necessitem que o tempo esteja bem delimitado, mas a forma como a autora estruturou a história a nível temporal funcionou comigo.

Por outro lado, senti dificuldades nos diálogos. Achei-os pouco claros, com pouca expressividade e, com frequência, dava comigo perdida, sem saber quem estava a falar e a ter de voltar atrás para ler novamente. Creio que fazia falta trabalhar um pouco mais os diálogos, de forma a colmatar estas pequenas faltas.

Gostava de tecer comentários mais positivos a este livro, no entanto, a minha experiência com esta leitura deixou-me um pouco desiludida e acho importante ser sincera.

Espero que a autora continue a escrever, a aperfeiçoar os seus trabalhos e que em breve possa presentear os seus leitores com outra história da sua autoria, quem sabe até num registo diferente.

Classificação: 1/5 estrelas

sábado, 23 de fevereiro de 2019

"Duplo Crime" de Tess Gerritsen [Opinião]


Passaram mais de dez anos desde que li os três primeiros livros da série Rizzoli & Isles, de Tess Gerritsen. Lembro-me de, nessa altura, ter ficado fascinada com esses livros que, possivelmente, foram dos primeiros policiais que li.

Só mais recentemente comecei a comprar os volumes que me faltavam e, com eles na estante, decidi que chegara o momento de dar continuidade à série. Peguei em Duplo Crime, que é o quarto livro, mesmo sem ter relido os anteriores (achei que seria um desperdício de tempo, tendo em conta a quantidade de livros que tenho para ler).

Bastaram os primeiros capítulos para e sentir totalmente cativada pela história. Este livro foca-se em Maura Isles, a médica-legista, e tudo começa quando é encontrado um cadáver de uma mulher exatamente igual a ela. A partir daqui, será também descoberto um crime do passado e, juntamente com a detetive Jane Rizzoli, Maura irá partir numa tenebrosa excursão ao seu passado, acabando por descobrir uma verdade dolorosa.


Gostei bastante de conhecer um pouco mais acerca de Maura, cuja vida tinha sido ainda fugazmente abordada nos livros anteriores, pelo pouco que me recordo. A autora conseguiu mostrar-nos todos os receios e dúvidas da personagem, ao mesmo tempo que nos conduzia por uma investigação alucinante.

Tal como tem sido hábito nos policiais de Tess Gerritsen, este também dá um particular destaque aos procedimentos policiais, à análise dos locais dos crimes e à descrição das autópsias. Este último ponto é talvez o que considero mais interessante nas obras da autora, dado que as descrições vêm acompanhadas de imensos detalhes técnicos.

É uma leitura entusiasmante, que prende o leitor e o faz mergulhar numa teia de acontecimentos, à medida que a autora vai desvendando pista por pista. Um livro que reforçou a minha vontade em pegar de imediato  nos volumes seguintes desta excelente série!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 9 de fevereiro de 2019

"A Célula Adormecida" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


A Célula Adormecida é a quarta obra de autoria de Nuno Nepomuceno, livro que se seguiu à trilogia Freelancer (da qual apenas ainda li o primeiro volume).

Confesso que o Nuno é um dos autores portugueses que mais admiro e tenho procurado adquirir todos os seus livros. Além disso, adoro todo o trabalho de promoção que a sua atual editora (Cultura) tem feito com ele.

Esta obra centra-se na temática do terrorismo, procurando mostrar o que aconteceria se houvesse uma célula adormecida em Portugal. É, desta forma, um livro muito atual, se tivermos em conta os recentes atentados ocorridos na Europa.

Devido a esta temática, o livro centra-se também no Islamismo. Ao longo dos vários capítulos, o autor vai apresentando esta religião, interligando as partes informativas com a ação no decorrer da narrativa, sem se tornar aborrecido para o leitor e permitindo ainda uma leitura bastante dinâmica.
Gostei bastante de ler sobre o Islamismo e a importância do Ramadão para os crentes. Isto permitiu-me alargar os meus conhecimentos bastante vagos relativamente a esta religião.


Além destes aspetos, são igualmente abordados os temas da migração de refugiados, a guerra na Síria e a xenofobia.

O autor apresentou-nos uma família síria a viver em Portugal e foi uma das linhas narrativas que mais gostei de acompanhar, embora eles tenham sofrido demasiado.
Conhecemos também o professor Afonso Catalão que, por ser especialista em Estudos Orientais, acaba por se ver implicado na investigação do ataque terrorista que ocorre num autocarro. Gostei bastante de conhecer o Afonso e descobrir um pouco acerca do seu passado na Turquia.
Gostei de acompanhar a jornalista Diana Santos Silva, bastante tenaz e, na minha opinião, bem caracterizada. Houve um aspeto relativamente a esta personagem, que ocorreu no início do livro na Turquia (a experiência transcendente), e que eu gostaria que tivesse sido referido no final. Imaginei que algo aconteceria a esta personagem em resultado da experiência vivida, o que acabou por não se concretizar.

No que diz respeito à ação, esta ocorre em Portugal, mais especificamente em Lisboa, e na Turquia. Embora eu pouco conheça da capital portuguesa, agradou-me imenso ler algo com tantas referências à cidade.

Em geral, o ritmo da ação é bastante bom e os capítulos pequenos permitem que se imprima uma boa velocidade de leitura.

Um ponto negativo que destaco (e que já tinha referido aqui no blog) é o facto de o livro ser muito pesado, o que torna a leitura muito incómoda. A letra é bastante grande, o que dá origem a mais páginas (são quase 600) e muitas delas em branco devido aos capítulos pequenos. Acho que as editoras deviam ser um pouco mais amigas do ambiente (e do espaço nas nossas estantes) e criar edições mais equilibradas.

É uma leitura que recomendo vivamente, quer conheçam ou não o autor. É importante apoiarmos os autores nacionais e reconhecermos que há talento em muito do que se escreve em Portugal. Quanto a mim, estou ansiosa por me dedicar, em breve, ao Pecados Santos.
Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

"O Retrato de Rose Madder" de Stephen King [Opinião]


Foi no ano passado que comecei a conhecer as obras de Stephen King. Depois de ter tido uma experiência fantástica com Misery, fiquei com vontade de ler o máximo possível de livros do autor.

O Retrato de Rose Madder fala-nos de uma mulher que foge ao marido, depois de catorze anos de violência doméstica. Dá início a uma vida nova noutro local, enquanto faz algumas amizades e encontra um novo amor. Mas o medo de que o marido volte a encontrá-la está sempre presente...

O livro inicia-se com um capítulo bastante chocante, mostrando-nos logo ali que o marido de Rose é extremamente violento. Isto é comprovado ao longo da narrativa, à medida que vamos conhecendo mais aspetos do casamento de ambos.

Foi uma situação de dimensão inferior que levou Rosie a decidir fugir ao marido. Todos os seus medos e angústias estão muito bem descritos; penso que o autor fez um excelente trabalho.

Por sua vez, Norman, o marido de Rosie, é uma personagem completamente asquerosa e, se o autor fez um bom trabalho a caracterizar a personagem feminina, conseguiu-o ainda melhor a caracterizar este vilão. Norman é bem capaz de ser um dos vilões mais sádicos e arrepiantes que já encontrei.


Este romance poderia ser uma história sobre violência doméstica, como tantas outras. Contudo, o autor introduziu uma componente de fantasia que tornou este livro um pouco diferente. Sinceramente, não apreciei tanto esta vertente. Sendo o tema que é, gostava que toda a história se tivesse passado no mundo real e que não tivesse o seu clímax no mundo de fantasia que o autor criou.

Um outro aspeto interessante é que neste livro foi mencionado Paul Sheldon (personagem de Misery) e alguns dos seus romances.
Devo dizer que, a cada novo livro que leio do autor, adoro procurar referências a personagens ou elementos de obras passadas.

No geral, o livro é bastante bom pela caracterização das personagens e pelo exemplo de coragem e superação que oferece a todas as mulheres vítimas de violência.
Não é, na minha opinião, um dos mais assustadores do autor, embora apenas possa comparar com os outros dois que li.
Sem dúvida que desejo continuar a explorar as inúmeras obras do autor.

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 29 de dezembro de 2018

"Às Cegas" de Josh Malerman [Opinião]


Não sei porque demorei tanto a ler este livro. Interessei-me por ele assim que foi publicado em Portugal, consegui adquiri-lo mais tarde através de uma troca, mas depois acabei por guardá-lo na estante. Só quando vi que o filme estava prestes a estrear na Netflix é que me decidi, por fim, e lê-lo.

E foi uma leitura incrível, que devorei em apenas três tardes e que me devolveu a vontade de ler durante horas.

Às Cegas apresenta-nos um mundo pós-apocalíptico onde uma espécie de epidemia fez com que as pessoas enlouquecessem e se matassem umas às outras. Havia teorias que diziam que a loucura começava quando as pessoas viam algo. Desta forma, os sobreviventes viviam em casas com as janelas tapadas, as portas trancadas e só iam à rua de olhos vendados.

A narrativa vai alternando entre o presente - altura em que Malorie sai da sua casa segura com os dois filhos, em busca de um refúgio melhor -  e o passado - depois da epidemia se ter alastrado e onde vemos como é a vida dos que tentam sobreviver.

Embora tenha gostado de ambas as linhas da narrativa, apreciei um pouco mais a do passado. O que posso salientar é que algo é comum a todo o livro: a mestria de brincar com o terror psicológico, a forma como o autor provoca sensações quase palpáveis, que deixam o leitor verdadeiramente inquieto. Por momentos, é como se nós também estivéssemos lá, juntamente com as personagens, de olhos igualmente vendados e impossibilitados de olhar para o que nos rodeava.

Não é que o livro tenha propriamente cenas chocantes ou violentas, quase tudo isso é sugerido ao leitor, o que pode tornar-se ainda mais assustador. E talvez tenha sido por isso que achei a leitura tão viciante!


No nosso dia a dia, se calhar nem pensamos tanto em como a visão é importante. Confesso que achei quase surreal como as personagens faziam quase tudo de olhos vendados. É verdade que muitas pessoas invisuais são capazes de ter uma vida praticamente normal, contudo, neste livro, há ainda a componente medo. As personagens não podem abrir os olhos porque, se os abrirem, será tarde demais...

A audição adquire então um papel muito importante dado que, sem visão, é a audição o sentido que nos guia. Malorie treinou os filhos para ouvir e são eles que a ajudam quando se mete num barco com eles para atravessar um rio.

Quero salientar que, embora tenha achado o livro excelente, fiquei com pena de não nos ter sido explicado como tudo começou e o que provocava exatamente a loucura nas pessoas. Talvez tenha sido deixado assim para que cada leitor tentasse imaginar...
O final também acabou por ser muito calmo, o que desiludiu um pouco depois de uma leitura tão intensa. Esperava mais, embora isso não tenha comprometido o meu sentimento global em relação ao livro.

Foi, sem dúvida, um dos melhores livros que li este ano e não posso deixar de o recomendar, principalmente aos fãs de terror. Este é um género que comecei recentemente a explorar e já me sinto fã e desejosa de descobrir novas obras e autores.
Quanto a Josh Malerman, espero que continue a ser publicado em Portugal. Esta é a sua obra de estreia, o que revela que estamos perante um escritor verdadeiramente promissor.

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

"Tudo Isto Existe" de João Ventura [Opinião]


Tudo Isto Existe é uma coletânea de ficção curta de João Ventura. O livro foi apresentado no passado mês de outubro, durante o evento Fórum Fantástico.

A capa da autoria de Inês Pedro Borges é cativante e desperta o olhar. A edição interior do livro é igualmente simples e bem organizada, convidando o leitor a perder-se por entre estas páginas.

Tal como foi mencionado na sessão de lançamento, este livro pode comparar-se a uma refeição requintada.
A primeira parte apresenta-nos alguns contos muito curtos, que seriam as entradas, que pretendem começar por familiarizar o leitor com a escrita cuidada e, muitas vezes humorística, do autor. Aqui, destaco como meus preferidos: "As vírgulas perdidas de Saramago" e "A Guerra das Cores".

Seguidamente, na nossa analogia, surgem os pratos principais, um conjuntos de contos mais longos, que se estendem desde a fantasia à ficção científica. Posso destacar "A tertúlia dos que não viajam", "A Lagoa" e, o meu preferido de todos, "Leituras", que nos apresenta um mundo futurista onde os livros em papel são raros.


Por fim, encontramos as Fábulas Académicas - contos que podem ter sido inspirados na carreira académica do autor - e ainda as Hiper-curtas - pequenas ideias com sentido que culminam numa leitura leve e de grande satisfação.

Tive oportunidade de ler este livro antes de estar publicado e, mais tarde, já em papel, e das duas vezes me senti cativada pela escrita, imaginação e criatividade do autor. Alguns dos contos serão certamente do agrado dos fãs mais acérrimos de ficção científica.

Podem ainda encontrar um conto do autor na antologia O Resto é Paisagem.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 22 de dezembro de 2018

"À Conquista do Teu Coração" de Anna Bell [Opinião]


Este livro chegou-me às mãos numa altura em que eu estava mesmo a precisar de uma leitura leve e divertida. Tinha acabado de ler um livro que me provocou uma das maiores ressacas literárias que já tive, estava a trabalhar na revisão de um livro ainda mais complicado e, por isso, precisava de uma leitura que exigisse pouco de mim.

À Conquista do Teu Coração veio a revelar-se uma verdadeira lufada de ar fresco.

Abi é a personagem central da história. Quando o namorado acaba com ela, deixa-a mergulhada num poço de tristeza. Um dia, encontra uma lista com desafios que ele gostaria de fazer antes dos 40 anos e decide que, se se mostrar corajosa e realizar cada um desses desafios, conseguirá surpreendê-lo e reconquistá-lo.

É assim que inicia uma viagem com diferentes aventuras que vão exigir toda a sua determinação. Durante esse tempo, recebe a ajuda e encorajamento dos amigos, enquanto cresce e se transforma numa nova pessoa.


Mais importante do que conquistar estes desafios é que Abi vai melhorar a sua autoestima e aprender a conhecer-se melhor. De certa forma, este livro mostra-nos como é importante seguimos as nossas próprias escolhas. Se queremos fazer alguma mudança, devemos fazê-la apenas por nós próprios e não para agradar a alguém.

Ver Abi a conseguir todas estas conquistas deixou-me também com vontade de criar uma lista de objetivos para mim e certamente muitos leitores sentirão a mesma vontade.

Gostei muito da Sian, a melhor amiga de Abi, adorei o Ben e nunca simpatizei com o Joseph. Mais para o final, as atitudes dele eram realmente estúpidas, demonstrando que nunca gostara verdadeiramente de Abi.

No geral, foi um livro extremamente divertido, que me fez rir em todo o lado. Está repleto de situações caricatas e cumpre na perfeição a sua função de entreter o leitor. Recomendo e sem dúvida que gostaria de ler mais romances da autora.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

"Misery" de Stephen King [Opinião]


Quis ler este livro todo de uma vez. E, por outro lado, quis poupá-lo para que durasse o máximo de tempo possível. Acabou por ganhar a segunda opção.
Demorei duas semanas a ler este livro e foram duas semanas de verdadeiro prazer... e terror!

Bastou-me ler a sinopse para perceber que a premissa deste livro é excelente. Tinha todos os ingredientes para ser bom. Apesar da minha primeira experiência com Stephen King não ter sido espetacular, achei que devia dar-lhe outra oportunidade. Com tantas obras à disposição e sendo ele um nome incontornável dentro do género terror, certamente eu iria encontrar um livro que me agradasse. Só não esperava que fosse tão rápido!

Misery conta a história de um autor que se tornou famoso pela personagem dos seus romances cor-de-rosa. Um dia, decide matá-la. Pouco tempo depois, sofre um grave acidente e é socorrido por Annie, uma ex-enfermeira, que por acaso é também a sua maior fã e está furiosa com a morte de Misery.

Este livro retrata aquele que deve ser o pior pesadelo de um escritor: ter um fã doentiamente obcecado pelo seu trabalho.

O que mais me impressionou, logo para começar, foi o facto de que praticamente toda a ação do livro se passa no mesmo local. Acredito que serão poucos os autores que conseguem fazer isto e mesmo assim apresentar um livro tão dinâmico como este.


Se quando li A Luz senti alguns períodos de aborrecimento e dificuldade em prosseguir a leitura, neste livro isso não aconteceu. Antes pelo contrário, senti-me presa desde as primeiras páginas. E este livro já me permitiu encontrar o inegável talento de King.

As personagens estão muito bem construídas, especialmente Annie, dado que o leitor consegue sentir o mesmo medo que Paul à medida que vai compreendendo que está refém de uma louca. Quando Paul se porta mal, Annie sente que tem de o castigar. Porém, quando esses castigos começam a tornar-se mais intensos, o próprio leitor quer fechar os olhos, parar de ler, tudo para não descobrir de que é que Annie é capaz. Não imaginam as vezes que eu implorei para que ela não lhe fizesse mal.

Este livro é tão claustrofóbico que se torna aflitivo para o leitor; mesmo assim, é ainda mais doloroso parar de ler.

Houve duas cenas que me surpreenderam muito. A primeira ocorre mesmo no fim da primeira parte e é uma cena super simples que o autor prolongou por mais de dez páginas, o que me deixou completamente agarrada. A segunda ocorre no final da segunda parte e é uma das coisas mais tenebrosas que já li. Foi como se eu estivesse lá a assistir a tudo.

Por fim, gostava ainda de referir um aspeto que me agradou imenso: encontrei, neste livro, uma referência ao livro A Luz e sei que existem referências de Misery no livro O Retrato de Rose Madder (que vai ser uma das minhas próximas leituras). Segundo o que andei a investigar, parece que o autor faz isto com frequência: mencionar nos seus livros personagens ou eventos de outros livros. Acho fantástico quando um escritor faz isto e gosto ainda mais de ser capaz de as encontrar.

Como conclusão, posso afirmar que Misery foi, sem dúvida, um dos melhores livros que li este ano; talvez possa até arriscar dizer que foi mesmo o melhor do ano. Por isso, é uma leitura absolutamente recomendada para os fãs do género!

Classificação: 5/5 estrelas