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sexta-feira, 21 de junho de 2019

"Pecados Santos" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


Pecados Santos foi o livro que escolhi para junho, para o meu desafio de ler pelo menos um autor português por mês.

Tal como já referi numa opinião anterior, admiro imenso o trabalho e a persistência do Nuno e procuro sempre ler as entrevistas e textos onde ele explica como é o seu processo criativo, o qual se inicia com uma grande pesquisa e, sempre que possível, a visita aos locais onde a narrativa vai decorrer.

Pecados Santos é o seu quinto romance e apresenta-nos duas histórias, duas linhas narrativas: a primeira, no presente, quando ocorrem uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos; a segunda, no passado, envolvendo um episódio da vida de Afonso Catalão.

Neste livro vamos reencontrar Afonso Catalão e Diana Santos Silva, personagens já nossas conhecidas do anterior romance, A Célula Adormecida.
Para quem decidiu estrear-se com este livro, não se preocupem por não conhecerem as personagens, uma vez que os livros podem ser lidos independentemente.

Afonso é um homem cuja vida está repleta de mistérios. Em Pecados Santos, recuamos treze anos para o acompanhar quando ele deu aulas em Cambridge e conheceu os gémeos Hannah e Jonathan. Esta linha narrativa agradou-me talvez um pouco mais do que a que decorreu no presente e mantive-me sempre curiosa por descobrir o que teria acontecido com os gémeos.

Este livro mostra-se igualmente cativante na medida em que o autor explorou a temática dos homicídios, não se coibindo de os descrever com bastantes detalhes, e apostando na sua interpretação através da ajuda de uma psicóloga criminal.

(Tomei a liberdade de incluir na fotografia um pequeno galho e uma flor de romãzeira, uma vez que a romã tem um significado especial no livro.)

A juntar a tudo isto, ao longo do livro vamo-nos apercebendo da extensa pesquisa feita pelo autor e de como ele domina os assuntos de que está a falar, nomeadamente as religiões. Enquanto, em A Célula Adormecida, nos falou do Islamismo, desta vez centra-se no Judaísmo e em vários aspetos relacionados com o surgimento desta religião. É um livro que não só entretém como também ensina, sem se tornar monótono.

O livro está estruturado em capítulos pequenos, que são dos meus preferidos e que mais facilmente impelem o leitor a ler mais e mais. Contudo, não senti que o livro me desse aquela vontade de ler compulsivamente e este é um dos aspetos que eu mais procuro num thriller. Quando pego num livro deste género, gosto de receber uma injeção de adrenalina, e este livro não me proporcionou isso. Precisava de um pouco mais de suspense, mas não significa que não seja muito bom de ler.

Gostaria, antes de terminar, de salientar dois aspetos que eu creio que mereciam mais atenção.
O primeiro é sobre a relação de Afonso e Diana. Quem leu o livro anterior, conhece as circunstâncias em que eles se conheceram. O final do livro não me deixou nenhuma pista de que eles estariam a apaixonar-se, pelo que foi uma surpresa encontrá-los juntos neste novo romance. Sei que o propósito do livro não era criar uma história de amor, mas não senti química entre ambos. Senti que estavam juntos por serem duas almas um pouco solitárias. Mesmo sendo um thriller, gostava de ter visto mais da faísca própria dos relacionamentos recentes.

O segundo aspeto prende-se por uma questão de revisão. Embora esta esteja bem feita, por diversas vezes apercebi-me do emprego exagerado da expressão "corpo seco" ou "físico seco" para caracterizar mais do que uma personagem. Provavelmente este aspeto passará despercebido à maior parte dos leitores, contudo, eu costumo fazer revisão de texto e talvez por isso tenha o olho mais apurado. Incomodou-me um pouco estar sempre a ler a mesma descrição quando, algumas delas, poderiam ser substituídas por adjetivos de significado similar.

Por fim, posso ainda referir que o final me surpreendeu mesmo muito. Eu não tinha nenhuma teoria acerca de quem seria o assassino e acabei por ficar boquiaberta com a revelação. É um final poderoso e difícil de esquecer!

Para concluir, deixo a minha recomendação caso procurem um thriller intenso e que aborda a temática da religião. Apostem nos autores portugueses e venham conhecer o trabalho de Nuno Nepomuceno!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 27 de janeiro de 2018

"Limões na Madrugada" de Carla M. Soares [Opinião]


Limões na Madrugada é o mais recente trabalho da autora Carla M. Soares, publicado no final do ano passado. Da autora, já li Alma Rebelde e A Chama ao Vento. Ainda me falta ler O Cavalheiro Inglês e O Ano da Dançarina, o que farei assim que surgir oportunidade.

Comprei este livro no Natal para poder começar o novo ano a ler em português e também porque acho importante apoiarmos os nossos autores.

A autora tem-se destacado pelos seus romances históricos e de época, e agora apresenta-nos uma história num registo diferente, mais contemporâneo.
Apresenta-nos Adriana, que vive na Argentina, terra da sua mãe. A sua família paterna vivia no Porto, local onde nasceu. Quando recebe uma pequena herança, os últimos quadros que o seu tio pintou, regressa a Portugal para os vir buscar e conhecer a casa da sua família, assim como a sua história e os seus segredos.


Quando se inicia a leitura deste romance, é impossível o leitor não reparar de imediato na escrita sublime da autora. Uma escrita lindíssima, trabalhada mas deliciosa de ler, com um toque próprio da autora.
Ainda não li os dois romances históricos anteriores a este, mas sem dúvida que se nota uma evolução enorme, em comparação com o primeiro livro publicado.

Em capítulos pequenos, de leitura muito agradável, a autora vai desvendando o passado e o presente de Adriana, oferecendo-nos, aos poucos, a história desta mulher um pouco reticente em desvendar o passado da sua família. Também conhecemos os seus amigos, Chloe e Javier, e a sua família.

A autora foi mantendo o mistério até ao fim, cativando o leitor até que finalmente descobrimos o que de tão terrível aconteceu no seio daquela família e o que terá levado os pais de Adriana a fugir à pressa para a Argentina. Infelizmente, é uma temática muito atual ainda nos dias de hoje.

Adorei o pormenor dos limões, o seu significado e consegui, por várias vezes, imaginar o seu aroma ao longo da leitura. Li em algumas opiniões que houve quem não gostasse do título, mas eu gosto imenso. Parece-me um título elegante, que combina na perfeição com a escrita da autora e com a história desta páginas.

O final ficou em aberto, algo que não costumo gostar muito que aconteça. Porém, dá-nos também a possibilidade de imaginar como teria continuado a vida de Adriana e eu escolho acreditar que ela conseguiu voltar para os braços de Javier. Sou uma romântica, é verdade.

No geral, foi uma leitura agradável e que aconselho vivamente, quer conheçam ou não as obras desta autora. Se não apreciam romances históricos, podem experimentar este que é mais contemporâneo.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

"Pecados Santos" de Nuno Nepomuceno [Divulgação]

Título: Pecados Santos
Autor: Nuno Nepomuceno
Edição: 2018
Editora: Cultura
Páginas: 448
Preço: 18,95€

Nas livrarias a 19 de janeiro

Lançamento Nacional
FNAC C.C. Colombo
24 de janeiro, às 19h00

Sinopse:

Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança?

Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu.
O caso parece encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se.
Estarão ou não estes acontecimentos relacionados?
Poderá o docente vir a ser injustamente condenado?
Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados?
As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado?

Abordando temas fraturantes da sociedade contemporânea como o antissemitismo e o conflito israelo-árabe, e inspirando-se nos Dez Mandamentos e noutros episódios marcantes do Antigo Testamento, Pecados Santos guia-nos através das ruas históricas de Londres, Lisboa e Jerusalém, numa viagem intimista e chocante sobre o que de mais negro e vil tem a condição humana.

Sobre o autor:

NUNO NEPOMUCENO venceu, em 2012, o Prémio Literário Note! com O Espião Português, o seu primeiro romance. Seguiram-se A Espia do Oriente e A Hora Solene, com os quais concluiu a trilogia Freelancer, ambos publicados em 2015, o mesmo ano em que integrou a coletânea Desassossego da Liberdade com o conto «A Cidade».
Em 2016 lançou A Célula Adormecida, o primeiro thriller psicológico da carreira. Já foi n.º 1 do top de vendas de livros policiais em lojas como a Fnac, Bertrand, Wook e Amazon.
Desde 2017 que passou a ser representado pela Agência das Letras.
Notabilizado pela sua narrativa elegante, Pecados Santos assinala o seu regresso ao thriller psicológico.

Consultem o site site oficial do autor: www.nunonepomuceno.com