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domingo, 13 de outubro de 2019

Antologia | "O Resto é Paisagem" - 1 Ano


Não podia deixar de assinalar a data em que a antologia O Resto é Paisagem completa o seu primeiro ano de existência.

Já por várias vezes referi que esta foi uma experiência muito boa, tendo sido extremamente interessante acompanhar o livro nas diversas fases de publicação.
O conto A Maldição da Casa da Colina surgiu quase como uma brincadeira, em que me permiti escrever sem filtros, sem esperar nada em troca, e quando dei por mim estava a ser selecionada para integrar a antologia. Sei que parece um cliché mas é mesmo formidável a sensação de segurarmos nas mãos um livro físico com o nosso nome, com algo que escrevemos.

Agradeço a toda a equipa da Editorial Divergência pelo empenho em apostar e dar a conhecer novos autores portugueses e pelo carinho que coloca em cada livro!
Obrigada a todos os que festejaram comigo e manifestaram o seu apoio e a todos os leitores que compraram, leram e partilharam a antologia!
Obrigada também àqueles que constantemente me incentivam a continuar a escrever e me mostram que acreditam em mim muito mais do que por vezes eu própria acredito.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Antologia | "Steampunk Internacional" de Vários Autores [Opinião]


As antologias são uma ótima forma de conhecer novos autores, sejam eles nacionais ou internacionais. São igualmente boas para ler acerca de uma determinada temática que não conhecemos tão bem.

A Editorial Divergência tem no seu catálogo diversas antologias de boa qualidade que merecem ser lidas.

Steampunk Internacional reúne 9 autores de três países: Finlândia, Reino Unido e Portugal. Foi traduzida e publicada em simultâneo nestes três países.

De seguida, apresento a minha opinião a cada um dos contos:

FINLÂNDIA

"O Chapéu Cilíndrico" de Anne Leinonen
Um estranho chapéu que parece ter vontade própria é o protagonista deste conto. Através do ponto de vista de diversas personagens vamos acompanhando as perigosas viagens deste chapéu cilíndrico. Gostei muito, achei o conto bastante intrigante e é daqueles que nos deixa a cabeça em alvoroço.

"Augustine" de J. S. Meresmaa
Augustine é uma jovem com problemas de audição que quer muito tornar-se engenheira, embora não seja apoiada pelo tio, com quem vive desde que os pais morreram num acidente. Num conto mais longo, de ritmo lento mas que se lê muito bem, vamos acompanhando esta jovem enquanto descobre a verdade sobre o seu passado e tenta salvar a oficina que tanto adora.

"Isaac, o Homem Alado" de Magdalena Hai
Este é um dos meus contos preferidos da antologia. Apresenta-nos Isaac, um estranho homem com asas mecânicas, e Monorelha, a jovem que o ajuda quando o encontra ferido. Contudo, à sua volta há guerra, morte e dor e estas são duas almas que já muito sofreram. Um conto que resultou muito bem e que combina elementos de fantasia, ficção científica e uma dose de drama.


REINO UNIDO

"O Jantar Ateniense" de Derry O'Dowd
O conto que menos me cativou. É sobre um grupo de amigos que se junta num jantar, inalam clorofórmio e começam a debater questões relacionadas com partos e formas seguras de fazer uma cesariana. Consigo perceber porque é que não me cativou, este não é propriamente o meu tema de eleição! Embora não tenha encontrado aspetos relacionados com a temática steampunk, achei curiosa a nota final que nos explica que o conto se baseia em acontecimentos e personalidades verídicas.

"Quatro Estações de Wither" de George Mann
George Mann tornou-se conhecido pelos seus romances Newbury & Hobbes, histórias steampunk de detetives passadas na era Vitoriana. Neste conto, oferece-nos uma nova história com essas personagens. Quando Alfred Wither morre, o detetive Newbury convence-se de que algo na sua história ficou por contar. Num conto dividido em quatro partes, cada uma referente a uma estação do ano, vamos desvendar o mistério da morte de Wither.

"Engenharia Imprudente" de Jonathan Green
Este é o conto de mais um autor de steampunk conhecido no Reino Unido. Não foi um dos meus contos preferidos, embora tenha gostado de conhecer Ulysses Quicksilver. É um conto com bastante dinamismo e que me fez lembrar os Transformers.

PORTUGAL

"Videri Quam Esse" de Anton Stark
Um conto cuja ação decorre em 1513, quando um rinoceronte trazido da Índia para a corte portuguesa morre. Será Garcia de Resende, camareiro do rei, quem terá de resolver o problema, uma vez que o animal era um presente para o papa. Um conto pequenino e muito bem escrito, que nos deixa curiosos pelo final.

"Coração de Pedra" de Diana Pinguicha
Um dos meus contos preferidos de entre os três portugueses. Conta-nos a história de Alirvi e a sua luta contra os Evolucionistas. Achei o conto muito criativo e acho sempre interessante todos aqueles conceitos futuristas. É um conto de leitura compulsiva que os fãs de ficção científica vão adorar!

"A Aranha" de Pedro Cipriano
Este conto apresenta-nos Ana, uma jovem espia cuja missão é roubar segredos militares. É um conto intenso, com muito suspense e que não se consegue parar de ler até descobrirmos se a Aranha será bem sucedida nesta missão tão perigosa. Conseguirá ela regressar com vida?
Este conto ganhou, em 2018, o Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Conto.

No geral, posso afirmar que esta antologia foi uma surpresa muito positiva, com contos diferentes e criativos, que me permitiram familiarizar um pouco mais com a temática do steampunk, da qual ainda tinha lido pouco ou quase nada. Embora naturalmente uns me tenham agradado mais do que outros, toda a antologia está bastante equilibrada. Um livro que merece ser apreciado e reconhecido!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 30 de maio de 2019

"A Batalha da Escuridão - As Crónicas de Byllard Iddo" de Bruno Martins Soares [Opinião]


A sugestão literária de hoje é para todos os fãs de ficção científica e fantasia, embora qualquer leitor esteja convidado a conhecer este romance de Bruno Martins Soares.

Este autor português conta já com bastantes trabalhos publicados, tendo-se tornado mais conhecido no panorama português com a publicação de A Saga de Alex 9, pela Saída de Emergência.

Publicou em inglês a série The Dark Sea War Chronicles, em três volumes, que foram agora traduzidos e adaptados para português. Assim, pelas mãos da Editorial Divergência, nasceu A Batalha da Escuridão, um livro completo que agrupa os três volumes da série.

Tive oportunidade de colaborar neste manuscrito como revisora, li-o duas vezes de início ao fim e, apesar de não poder fazer uma leitura mais descansada, dado que era necessário prestar atenção a todo o conteúdo escrito e corrigir tudo o que fosse necessário, posso assegurar-vos que, mesmo assim, consegui vibrar com esta leitura.


A narrativa acompanha Byllard Iddo, um jovem que se junta à Marinha Espacial num momento em que, num distante sistema solar, rebenta a guerra entre a União de Webbur, o Reino de Torrance, e o seu rival, a República de Axx.

O romance tem uma escrita muito apelativa, sem floreados e onde prevalece a ação. Nesta narrativa de entretenimento puro, o autor conduz-nos pelas mais variadas aventuras, batalhas entre navios espaciais, perseguições e fugas, desastres, drama, sacrifício, morte e, claro, uma pitada de amor.

Este livro fez-me lembrar os filmes de Star Trek. Nunca tinha lido nada passado no espaço e confesso que fui agradavelmente surpreendida. Portanto, se acham que este livro se encaixa nas vossas preferências literárias ou se simplesmente sentem curiosidade, experimentem. Arrisquem!
Vamos apoiar os nossos autores e ler o que se escreve em Portugal!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Antologia | "O Resto é Paisagem"


Para assinalar os 7 meses da publicação da antologia O Resto é Paisagem, onde vi um conto meu ser publicado, deixo-vos aqui a lista dos dez contos.

  • "Rogos e Mitos" - Inês Montenegro
  • "O Prego no Portão" - João Ventura
  • "O Poço" - Simão Cortês
  • "O Espírito do Vento" - Lívia Borges
  • "A Última Missa" - Raquel Cal
  • "Chegou ao seu Destino" - Rui Ramos
  • "Já Não se Pode Ter um Bixo" - Carlos Alberto Espergueiro
  • "A Solidão é um Deus Negro" - Ricardo Correia
  • "Anátema" - Pedro Nuno Galvão
  • E, por último, o meu conto: "A Maldição da Casa da Colina".

Um livro com contos muito diversificados dentro da temática da fantasia rural. É importante valorizarmos os autores portugueses e acredito que as antologias são ótimos meios de conhecer novos autores.

Vocês também têm por hábito ler antologias ou contos que os autores disponibilizem?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

"Tudo Isto Existe" de João Ventura [Opinião]


Tudo Isto Existe é uma coletânea de ficção curta de João Ventura. O livro foi apresentado no passado mês de outubro, durante o evento Fórum Fantástico.

A capa da autoria de Inês Pedro Borges é cativante e desperta o olhar. A edição interior do livro é igualmente simples e bem organizada, convidando o leitor a perder-se por entre estas páginas.

Tal como foi mencionado na sessão de lançamento, este livro pode comparar-se a uma refeição requintada.
A primeira parte apresenta-nos alguns contos muito curtos, que seriam as entradas, que pretendem começar por familiarizar o leitor com a escrita cuidada e, muitas vezes humorística, do autor. Aqui, destaco como meus preferidos: "As vírgulas perdidas de Saramago" e "A Guerra das Cores".

Seguidamente, na nossa analogia, surgem os pratos principais, um conjuntos de contos mais longos, que se estendem desde a fantasia à ficção científica. Posso destacar "A tertúlia dos que não viajam", "A Lagoa" e, o meu preferido de todos, "Leituras", que nos apresenta um mundo futurista onde os livros em papel são raros.


Por fim, encontramos as Fábulas Académicas - contos que podem ter sido inspirados na carreira académica do autor - e ainda as Hiper-curtas - pequenas ideias com sentido que culminam numa leitura leve e de grande satisfação.

Tive oportunidade de ler este livro antes de estar publicado e, mais tarde, já em papel, e das duas vezes me senti cativada pela escrita, imaginação e criatividade do autor. Alguns dos contos serão certamente do agrado dos fãs mais acérrimos de ficção científica.

Podem ainda encontrar um conto do autor na antologia O Resto é Paisagem.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Antologia | "O Resto é Paisagem" de Vários Autores [Opinião]


Já aqui vos tinha apresentado a Antologia de Fantasia Rural O Resto é Paisagem, na qual tive o prazer de ver um conto de minha autoria ser publicado. Foi uma satisfação enorme estar no meio de tantos autores, alguns com bastante mais experiência do que eu em escrita.

Li todos os outros contos e, como leitora, também formei uma opinião de todos eles e fiquei com os meus preferidos.
Partilho então aqui a minha opinião a cada um dos contos desta Antologia, excetuando o meu, cuja opinião deixarei para os leitores!

"Rogos e Mitos" de Inês Montenegro (4*)
Um conto que aborda a temática dos incêndios e da devastação que ele causa às populações e aos locais por onde passa. A autora utiliza uma linguagem que aproxima o leitor do ambiente e das gentes da aldeia. Desta forma, sentimo-nos próximos, como se estivéssemos mesmo lá a assistir aos acontecimentos e à angústia sentida pelas pessoas neste momento de aflição indescritível. O final maquiavélico, e onde encontramos o elemento de fantasia, deixou-me com um sorriso perverso nos lábios. Gostei muito!

"O Prego no Portão" de João Ventura (4*)
Três amigos, estudantes de Direito, vão passar uns dias à aldeia onde vivem os avós de um deles. Durante as pausas ao estudo, aproveitam para conhecer a aldeia e algumas histórias populares que correm de boca em boca. Uma delas é a história do Prego no Portão, um acontecimento trágico que aconteceu, anos antes, na aldeia.
Gostei do conto, João Ventura é um bom contador de histórias e senti-me cativada desde o início. Contudo, esperava algo um bocadinho mais assustador, tendo em conta a temática que o autor introduziu. Senti, também, que o final foi um pouco abrupto, tendo-me deixado com vontade de mais.

"O Poço" de Simão Cortês (5*)
Esta narrativa super cativante dá-nos a conhecer Marta, uma pré-adolescente que se considera uma colecionadora de histórias do paranormal, na Pampilhosa da Serra. Corajosa e aventureira, não tem medo da noite e adora os mistérios e as criaturas que ela esconde. Quando o seu amigo Cláudio é encontrado morto, num poço abandonado, Marta decide que tem de investigar. Mas será que está preparada para o horror que irá encontrar?
Um conto assustador, capaz de nos provocar um arrepio na espinha, e que não consegui parar de ler até à última palavra. Bem escrito e com descrições muito bem conseguidas, este conto é uma delícia para os amantes de terror. Preciso de ler mais trabalhos deste autor! Um dos meus contos preferidos da antologia.

"O Espírito do Vento" de Lívia Borges (4*)
Roberto é o filho do moleiro. Vive na ilha de Porto Santo, gosta de números e ambiciona por uma vida melhor que não inclua trabalhar num moinho. Um dia, com um amigo, descobre uma misteriosa caixa, que guarda consigo, na esperança de ser capaz de descobrir o que ela esconde. Contudo, só muitos anos mais tarde é que o segredo será revelado ao neto de Roberto.
Gostei particularmente da escrita da autora, convidativa e agradável, e que mantém o interesse do leitor até ao final. Achei, contudo, alguns dos últimos diálogos pouco naturais em pessoas adultas, mas talvez tenha apenas sentido a falta de algumas descrições dos comportamentos e sentimentos das personagens ao longo das falas. Vale a pena ler!


"A Última Missa" de Raquel Cal (3*)
O Padre Figueiroa chega a uma nova paróquia e, enquanto se instala, começa a aperceber-se de coisas cada vez mais estranhas que acontecem naquela igreja.
Confesso que, quando, nas primeiras linhas, percebi que a personagem deste conto seria um padre, o meu pensamento resvalou de imediato para exorcismos. Porém, não foi esse o tema escolhido pela autora. Posso dizer que o conto tem algum suspense que mantém o leitor preso a cada palavra, ansioso por descobrir a razão daqueles estranhos acontecimentos. Senti necessidade de mais algumas explicações e o final acabou por não ter o impacto que eu desejava, talvez porque estivesse a imaginar algo diferente. Apesar de tudo, é uma agradável leitura!

"Chegou ao seu Destino" de Rui Ramos (3*)
Estranho. Esta é a palavra que define a minha primeira sensação com este conto. Um homem perdido no meio de uma estrada, com o telemóvel e o automóvel avariados. Por momentos, tive medo que o autor entrasse nalgum sítio comum, mas acabei por ser surpreendida. Após ultrapassar a antipatia inicial que senti pelo personagem, acabei por ficar muito curiosa e agradada com a criatividade do autor. Acompanhamos o personagem numa viagem repleta de perigos e de criaturas fantásticas, até ao seu derradeiro destino. Será que conseguirá lá chegar? Vale a pena descobrir!

"Já Não se Pode Ter um Bixo" de Carlos Alberto Espergueiro (3*)
Este é o conto mais pequeno da antologia. E é pela voz do Sr. Salustiano Casimiro que ficamos a conhecer uns estranhos bixos que ele encontra num estranho buraco no chão. Quem serão eles? E de onde virão? Um conto extremamente bem-humorado que nos apresenta um personagem sem papas na língua. Só fiquei com pena por o conto ser tão curto; queria ler mais! Recomendo!

"A Solidão é um Deus Negro" de Ricardo Correia (5*)
Cecília deixou de sorrir no dia em que perdeu o seu amado, Manuel, doze anos antes. Mas Cecília deixou também de sentir o que quer que fosse dentro do seu peito e o seu luto deu origem a um buraco negro, um vazio que se estendia a toda a aldeia.
Achei este conto muito interessante e precisei de o ler mais de uma vez para ser capaz de fazer a minha interpretação. Devo dizer que a escrita é belíssima e merece que cada palavra seja saboreada. Além disso, a narrativa está tão impregnada com a dor de Cecília que dá a sensação de que esse vazio se estende até ao leitor, causando-lhe um certo mal-estar durante a leitura. O autor recorre a uma peste, uma epidemia que nasceu com o sofrimento de Cecília e se estende pela população, dizimando toda a vida em seu redor, para nos mostrar o poder da solidão. É um conto que convida à reflexão, mostrando como a solidão e a depressão podem afetar todos à nossa volta e alertando para a importância de fazer o luto corretamente. Um conto para ler e reler!

"Anátema" de Pedro Nuno Galvão (3*)
Para mim, este foi um dos contos mais difíceis da antologia. Trata-se de um monólogo bastante ambicioso, resultante de uma conversa entre dois indivíduos que estão longe da cidade, mas o conto dá-nos apenas as falas de um deles, aquele que está há mais tempo a viver na natureza. Confesso que me provocou alguma estranheza e nem depois da segunda leitura o achei mais fácil de compreender. Não deixa de valer a pena a sua leitura, mas talvez seja um conto que não conquiste facilmente todo o tipo de leitores.

Por fim, nesta Antologia, podem ainda encontrar o meu conto - A Maldição da Casa da Colina - cuja opinião deixarei a cargo dos leitores. Espero sinceramente que seja uma leitura prazerosa!

Faço um balanço muito positivo da Antologia e volto a mencionar a importância de lermos autores portugueses, de apoiarmos as pequenas editoras e de darmos uma oportunidade ao talento que existe no nosso país.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Antologia | "Os Monstros que nos Habitam", de Vários Autores [Opinião]


Ler uma antologia é uma ótima forma de conhecer novos autores e ter uma ideia daquilo que eles nos podem oferecer.
A Editorial Divergência é uma editora especializada na ficção especulativa e que aposta em exclusivo em autores nacionais, procurando dar-lhes uma voz e uma oportunidade de mostrar o seu talento.

Os Monstros que nos Habitam é uma antologia paranormal que reúne contos de seis autores.
Deixo aqui a minha opinião de cada um dos contos:

"A Maldição de Odette Laurie" de Nuno Ferreira (3*)
Uma jovem é acusada de bruxaria e consegue fugir do vilarejo onde vive antes de ser condenada à morte. Cerca de 40 anos depois, regressa, aparentemente, para consumar a sua vingança.
Gostei da temática do conto que, em termos de estrutura, está dividido em pequenos capítulos. Não foi dos contos que mais me assustou e, por vezes, senti que a narrativa se arrastava um pouco com descrições que não faziam avançar a ação. Talvez tivesse resultado melhor se o conto fosse mais direto. Apesar de tudo, fiquei com vontade de conhecer outros trabalhos do autor Nuno Ferreira.

"Vento Parado" de Ângelo Teodoro (4*)
Um escritor decide mudar de casa após a morte da mulher, numa tentativa de conseguir lidar melhor com a perda. Contudo, na nova casa, coisas estranhas começam a acontecer.
Um dos contos de que mais gostei nesta antologia. É misterioso, dá bom uso ao suspense e com uma personagem pouco credível (está em processo de luto mas também se refugia muito na bebida). O final deixa o leitor a pensar no que poderá ter acontecido. Um excelente conto que li de um só fôlego e nem dei pela passagem das páginas. Quero ler mais trabalhos do autor!

"A Essência do Mal" de Alexandra Torres (4*)
Uma mulher foge do marido violento e é acolhida por um senhor idoso, numa velha mansão.
Achei a temática do conto muito interessante e a forma como a autora construiu um Mal, uma entidade que se alimenta de inveja e da ganância do ser humano. Gostava apenas de ter visto a história um pouquinho mais desenvolvida, principalmente na forma como Clara lida com o Mal. No geral, é um conto com uma escrita excelente, que se lê de um sopro e cujo final permite a justiça que a personagem merece.


"Génesis" de Patrícia Morais (2*)
Um cientista cria monstros inimagináveis e uma mulher tenta detê-lo.
Não sei muito bem o que pensar sobre este conto; gostei da premissa e do mundo futurista que a autora criou, mas não me senti totalmente cativada com o desenvolvimento da narrativa nem com o final. Este ficou demasiado aberto, como se houvesse uma continuação, ou como se este conto fosse uma espécie de prólogo. Não que isto seja mau, mas os contos devem ter princípio, meio e fim. Não me convenceu e creio que teria beneficiado de uma revisão mais cuidada.

"O Canto da Sereia" de Soraia Matos (4*)
Achei este conto muito especial e com uma escrita maravilhosa. Nunca tinha lido nada sobre sereias e senti-me cativada e curiosa desde o início, querendo saber mais sobre estas criaturas belas e perigosas. É um conto repleto de ação e descobertas, capaz de envolver o leitor. Vou, sem dúvida, ficar atenta a mais trabalhos desta autora.

"Páginas Assassinas" de Carina Rosa (4*)
Este foi um dos contos que mais me surpreendeu, talvez porque já conheço alguns trabalhos da autora e estou acostumada a histórias mais românticas. Assim, foi muito bom vê-la aventurar-se no paranormal com uma pitada de terror. Curiosamente, foi o único conto da antologia que conseguiu provocar-me calafrios e que fez despertar em mim sensações de medo. Uma história sobre escrita e como ela pode levar o autor à obsessão. Recomendado!

No geral, faço um balanço positivo desta leitura, que recomendo vivamente. Vale a pena conhecer novos autores e, principalmente, apoiar o que se produz em Portugal.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A minha primeira Publicação [Divulgação]

Caros leitores, já não dá para guardar mais segredo!

Hoje foi divulgada pela Editorial Divergência a capa da Antologia de Fantasia Rural onde vai ser publicado um conto da minha autoria. Serão 10 contos de 10 autores portugueses. E que orgulho que sinto por estar no meio de alguns nomes com bastante mais experiência do que eu em escrita!

Digam lá se não está uma capa super artística!



Carlos Alberto Espergueiro, Daniela Maciel, Inês Montenegro, João Ventura, Lívia Borges, Pedro Galvão, Raquel Cal, Ricardo Correia, Rui Ramos e Simão Cortês são os autores desta antologia, coordenada por Luís Filipe Silva, cuja capa foi desenhada por Leonor Macedo e composta por Ricardo Santos.

Sinopse:

É certo e sabido que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem.

Entrar neste Portugal implica esvaziar o espírito, atravessar a barreira da compreensão, ir além do além.

Descobrir as histórias que se escondem entre as linhas das histórias banais.

Desconfiar que no olhar manso do gado se esconde um mal antigo e inteligente à espera do momento certo.

Descodificar a mensagem insistente, repetitiva e enlouquecedora dos grilos quando cai a noite.

Hesitar diante da cerca derrubada e aparentemente esquecida.

Tentar sempre, e antes de tudo, partir... se possível.

O Resto é Paisagem tem lançamento marcado para o Fórum Fantástico deste ano.
Mais novidades em breve.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

"Tudo Isto Existe" de João Ventura [Divulgação]

Tudo Isto Existe, de João Ventura, é uma das novas apostas que a Editorial Divergência tem para este ano.

Esta é a capa, desenhada e composta por Inês Pedro Borges


O lançamento decorrerá durante a edição de 2018 do Fórum Fantástico.

Sinopse:

Reunida pela primeira vez num mesmo volume impresso, uma selecção da melhor ficção curta de João Ventura. Cultuador de narrativas acutilantes na tradição de Jorge Luís Borges, Italo Calvino e Julio Cortázar, João Ventura usa a linguagem não apenas como um jogo, mas muitas vezes como personagem, ou mesmo alma, das suas narrativas. Provando que o bom senso raramente é comum, as histórias que cria são habitadas pelos nossos desejos e pecadilhos banais, tornados extraordinários. Não se esqueça que “Tudo isto existe”! E que, parafraseando o adágio, se há aqui algo que não é verdade, pelo menos foi muito bem inventado…

Sobre o autor:

JOÃO VENTURA foi desde muito cedo um leitor omnívoro, percorrendo no Verão a Biblioteca Municipal de Elvas, de onde é natural, à razão de um livro por dia (incluindo tijolos com 500 páginas).

O primeiro choque com o formato conto aconteceu-lhe com “Fuga” de John Steinbeck. Ainda hoje se lembra do sentimento de descoberta!

O primeiro livro de ficção científica que leu foi “O Cérebro de Donovan” (Curt Siodmak, nº 13 da Colecção Argonauta). Um conto de FC que o marcou foi “Flores para Algernon” (Daniel Keyes), incluído no mítico nº 100 da mesma colecção.

Chegou ao fantástico pela “Auto-estrada do Sul”, de Júlio Cortázar e visitando “As ruínas circulares” de Jorge Luís Borges. Encontrou Ítalo Calvino na adolescência, no “Atalho dos ninhos de aranha”, perdeu-o depois e reencontrou-o muito mais tarde em “As cidades invisíveis” e noutros livros. Continua devoto desta Fantástica Trindade.

Atribui a responsabilidade pelo contágio do vírus da escrita à Dra. Odete Taborda, sua professora de português no secundário, cujos TPCs incluíam sempre uma composição (mínimo 8 linhas) sobre um assunto qualquer de que ela se lembrava ao tocar da campainha. Cinco por semana durante um ano lectivo! Cada cura tem sido (felizmente) sempre seguida de uma recaída.

Não acredita em horóscopos.