A história é contada na voz de Jack, um menino de 5 anos, que viveu toda a sua vida fechado num quarto, com a mãe. Para ele, o Quarto é o seu mundo e é lá que ele e a mãe comem, dormem, brincam a aprendem.
O que Jack não sabe é que este quarto onde se sente tão protegido é também uma prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade, desde que foi raptada aos 19 anos.
No início, estranhei um pouco a forma como este livro está escrito. Nunca tinha lido nada contado na perspetiva de uma criança, pelo que torci um pouco o nariz nas primeiras páginas. No entanto, todos aqueles diálogos tornam a leitura muito agradável e envolvente para o leitor, apesar de se tratar de um tema impressionante, como o rapto e a violação.
Jack dá-nos a conhecer as rotinas que existem na sua vida diária, todos os objetos do Quarto, assim como todos os seus pensamentos acerca de tudo o que acontece. Os relatos desta criança são convincentes e de uma inocência maravilhosa. Dei comigo várias vezes ora a sorrir, ora a rir à gargalhada com algumas das situações contadas pelo Jack; outras vezes senti uma lagriminha teimosa no canto do olho e uma vontade imensa de abraçar o menino.
A melhor parte do livro foi, na minha opinião, a tentativa de fuga do Quarto, que decorre de forma veloz e com algum suspense. Depois, seguiu-se a adaptação de Jack à vida no Espaço Lá Fora e acompanhamos as suas aventuras quando vê o mundo pela primeira vez. É difícil e confuso para ele, pois tudo aquilo que ele acreditava ser ficção, de repente é real.
O amor que une o Jack e a mãe é imenso e muito ternurento, e é mais um dos ingredientes que torna esta história tão especial.
Este meu primeiro contacto com a autora foi muito satisfatório; gostei imenso desta história e tenho a certeza de que me vou lembrar do Jack por muito mais tempo.
Classificação: 4/5 estrelas