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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

"O Mundo Invisível" de Katherine Webb [Opinião]

Depois de ler, no início deste ano, A Herança, fiquei desejosa de voltar a ler algo da autora, e finalmente deu-se essa oportunidade com este livro que me foi emprestado.

Ao contrário do que sucede no romance A Herança, em que a história decorre numa mansão antiga que esconde segredos de família e passados dramáticos, neste livro não temos uma mansão antiga mas antes um soldado morto que é encontrado e cuja identidade é desconhecida.
Leah é uma jornalista incansável a quem é dada a missão de decifrar as duas enigmáticas cartas encontradas juntamente com o soldado e, assim, desvendar um quebra-cabeças assombroso.

Paralelamente à investigação de Leah, recuamos cem anos no passado, até ao verão quente de 1911, onde dois novos e improváveis elementos chegam à pacata aldeia de Cold Ash Holt.
Cat Morley vem de Londres para ser a nova criada do reverendo Albert Canning e da sua esposa Hester. Cat é uma jovem rebelde e ousada, incapaz de esconder um passado doloroso.
O segundo elemento é o magnético Robin Durrant, um jovem atraente e carismático, mas que também se transformará numa perigosa obsessão.

A narrativa deste livro é semelhante à do anterior: o início é lento e há muitas partes descritivas, o que pode desencorajar os leitores mais ávidos por acontecimentos rápidos. No entanto, a história vai surgindo e vai-nos cativando aos poucos, vai-nos deixando cada vez mais curiosos por descobrir a identidade do soldado desconhecido.

As personagens são muito peculiares: Hester é uma mulher ingénua e que deseja ter um filho; por outro lado, o seu marido, o reverendo, começa a interessar-se pela teosofia e a tornar-se cada vez mais obcecado por Robin Durrant.
Cat é, na minha opinião, a personagem mais interessante. Apesar de ser uma criada, não se conforma com o seu destino e torna-se rebelde, lutando para que as mulheres da sua condição possam ser livres e conquistar outros direitos.

Não sei o que me fez não gostar tanto desta história como gostei da anterior. Adorei o mistério em torno do soldado, a investigação de Leah e a forma como a história terminou. No entanto, algures pelo meio, senti que ela avançava muito devagar e que nem sempre as personagens me cativavam.
Contudo, o final valeu a pena e foi desvendado com muita mestria por parte da autora, que manteve o suspense o máximo de tempo que conseguiu. Claro que alguns acontecimentos foram um pouquinho previsíveis e eu tive algumas suspeitas acertadas, mas ainda assim a autora conseguiu surpreender-me!

Em conclusão, o balanço foi bastante positivo, embora tenha preferido A Herança, mas não deixo de recomendar esta história aos fãs do género. Pela parte que me toca, tenciono continuar atenta às obras de Katherine Webb

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 7 de março de 2014

"A Herança" de Katherine Webb [Opinião]

Estou a começar a descobrir que me agradam imenso os romances com uma mansão antiga, onde se escondem segredos de família, passados dramáticos que agora vão ser descobertos. Este é o terceiro livro que leio do género e posso desde já recomendar-vos As Horas Distantes, de Kate Morton, e Mariana, de Susanna Kearsley.

Neste romance, as irmãs Erica e Beth Calcott regressam a Storton Manor, onde se encontra a imponente mansão de família que herdaram após a morte da avó. É aqui que Erica relembra as férias de verão da sua infância e, principalmente o primo Henry, que desapareceu daquela mesma casa sem deixar rasto, dilacerando a família e marcando Beth terrivelmente. Agora Erica decide investigar o passado e descobrir o que aconteceu a Henry, para que a irmã possa finalmente encontrar alguma paz.

A narrativa deste livro decorre no presente - quando as irmãs chegam à mansão - e no passado, iniciando-se em 1902 - quando nos é contada a história de Caroline, a bisavó das duas irmãs. Ambas as histórias são contadas alternadamente até que o passado e o presente acabam por convergir, levando as irmãs a encararem uma dolorosa herança.

O início do livro é lento, bastante descritivo e os capítulos são enormes, pelo que é necessário insistir um pouco na leitura até que ela nos agarre. Assim que isso acontece, o leitor deixa de se incomodar tanto com a descrição (um pouco excessiva, em algumas partes), pois só desejará prosseguir na leitura e descobrir os segredos desta família.

Foi desta forma que me senti, presa e enfeitiçada pelo passado de Caroline, cuja vida me impressionou imenso. As suas escolhas e ações acabaram por influenciar, mais tarde, a sua relação com a filha, Meredith, e a própria relação de Meredith com a filha, a mãe de Erica e Beth. Este livro aborda fortemente as relações familiares e ilustra como o sofrimento passado prejudica, muitas vezes, essas relações.

O segredo em torno do desaparecimento do primo Henry foi uma reviravolta que eu não esperava e acabei por adorar este desfecho.

A própria Erica chega ao fim sem descobrir toda a verdade; há um pormenor importante que ela não chega a desvendar e tem noção disso, pois a certa altura afirma: "algumas coisas perderam-se no passado - decerto que é por isso que o passado é tão misterioso, e por isso é que nos fascina". Em contrapartida, a nós leitores é-nos contado tudo, todas as peças se unem e fazem sentido; mas confesso que tive vontade de entrar nas páginas deste livro e explicar a Erica o que ela não descobriu. É uma sensação fascinante, não é?

Foi a primeira vez que li uma obra da autora e fiquei muito surpreendida, ela é realmente uma boa contadora de histórias e estou desejosa de voltar a ler algo dela. Se não conhecem a autora e gostam deste tipo de romances, então aqui fica a recomendação de mais um livro que devem ler.

Classificação: 4/5 estrelas