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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

"O Filho de Thor" de Juliet Marillier [Opinião]


Esta é a minha segunda experiência com as obras de Juliet Marillier depois de ter lido, há dois anos, Danças na Floresta.

Consigo encontrar diversas diferenças entre esse livro e este - O Filho de Thor - que dá início à Saga das Ilhas Brilhantes.

Logo desde o início dá para perceber que este é um romance mais duro, com uma aura mais sombria.
Segundo a nota da autora, ela explica que se inspirou nas Ilhas Órcades e no guerreiro do seu tempo, o berserk, um guerreiro nórdico feroz que prestava vassalagem ao deus Odin.
Neste romance, contudo, os guerreiros que a autora criou - os Pele-de-Lobo - prestam vassalagem a Thor, um deus de natureza mais honesta.

Este romance conta então a história de dois rapazes que se tornam irmãos de sangue devido a um juramento que fazem na infância. Eyvind deseja tornar-se um grande Pele-de-Lobo e servir Thor no campo de batalha. Somerled é um rapaz estranho, mas muito inteligente, que deseja vir a tornar-se rei. Juntos, vão viajar até às Ilhas Brilhantes, onde um acontecimento trágico mudará para sempre as suas vidas.

O Filho de Thor oferece-nos uma história incrível, recheada de tantos pormenores, que se torna mesmo necessário dedicar ao livro o tempo que ele merece. A escrita da autora é bastante descritiva, muitas vezes densa, daí que este não seja um daqueles livros de devorar numa tarde. Eu demorei um mês a lê-lo e, ao contrário de outros livros que ao fim de algum tempo começam a cansar, adorei descobrir cada pormenor desta história repleta de misticismo e magia.

Como referi acima, este livro apresenta uma aura sombria, que começa com os guerreiros viquingues e com a sua natureza violenta e sede de sangue. Porém, assim que as nossas personagens desembarcam nas Ilhas Brilhantes, há algo poderoso que nos agarra ainda mais a esta história. Há acontecimentos dramáticos e cruéis que nos deixam de coração nas mãos, mas existe também a esperança de que se faça justiça para as personagens.

Eyvind é uma personagem fascinante e adorei acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento, desde o seu desejo de tornar-se um Pele-de-Lobo, a sua sede pelas batalhas, até ao momento em que descobre que uma vida tem afinal muito mais valor. Por sua vez, Somerled provocou-me sentimentos muito confusos, desde uma certa admiração ao ódio.
Nessa é igualmente uma personagem forte, querida e muito ligada à natureza.
Todas as personagens secundárias estão igualmente bem construídas e conseguem destacar-se de alguma forma.

Em suma, esta é uma história realmente boa e habilmente contada. Estou mesmo desejosa de ler o outro volume da saga - A Máscara da Raposa - e, desta forma, poder voltar a embrenhar-me neste mundo fantástico que a autora construiu.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

"A Rapariga no Gelo" de Robert Bryndza [Opinião]


Este livro foi-me emprestado pela minha melhor amiga, que desde logo que me deixou bastante entusiasmada. Já tinha ouvido falar imenso deste autor nas redes sociais e creio que estão publicados em Portugal seis livros dele, tendo o sétimo saído muito recentemente.

Houve um grande hype em torno desta obra e eu também quis perceber o que tinha ela de tão especial. No entanto, devido a algumas más experiências, tenho tendência a ficar um pouco de pé atrás em relação a estes livros que recebem imensa publicidade.

Agora que terminei a leitura, tenho de dizer com sinceridade que não encontrei nada de especial, nada de verdadeiramente impactante neste romance policial que justifique todo o hype em torno dele.

A capa é realmente chamativa, o que é uma grande ajuda para despertar a curiosidade do leitor. Apenas não faz sentido num pequeno pormenor: vemos um olho fechado quando, ao longo da narrativa, é várias vezes referido que a personagem assassinada tem os olhos abertos, como se quisesse dizer alguma coisa.

O livro inicia-se com um homicídio logo no prólogo, que será o ponto de partida da investigação que iremos encontrar. Erika Foster é a inspetora escolhida para liderar a investigação. Enquanto lida com os seus próprios dramas pessoais, Erika vai precisar de muita determinação para enfrentar todas as dificuldades que lhe surgem.
A vítima é uma jovem rica da alta sociedade londrina, pelo que a investigação vai ser condicionada por esta família influente que faz tudo para que a inspetora não se intrometa demasiado na sua vida.

Ao longo da leitura, encontrei imensos clichés que me desconcertaram e me provocaram irritação. Quase todas as personagens femininas são caracterizadas como tendo "seios grandes", a personagem principal tem de lutar contra a discriminação por parte dos seus colegas masculinos e há momentos em que determinadas personagens e pistas aparecem no momento certo, tornando certas partes da narrativa um pouco forçadas.


Confesso que embirrei com pormenores que possivelmente passam despercebidos à maior parte dos leitores mas, como leitora ávida que sou, sinto que me tenho tornado mais crítica e exigente em relação ao que leio. Além disso, tenho feito alguns trabalhos de revisão de texto, o que me tem treinado a estar mais atenta aos pormenores.

Um aspeto que achei interessante foi o facto de o autor ter introduzido dois casais homossexuais na sua narrativa. Isto mostra uma grande abertura em abordar um tema que aparece pouco neste tipo de livros, contudo, ao mesmo tempo, a personagem principal farta-se de ser discriminada no trabalho só porque é mulher.

Apesar dos aspetos mais clichés, tenho de concordar que o livro tem velocidade, dinamismo e que serve perfeitamente para entreter durante uma tarde. Os capítulos pequeninos (que resultam muito bem neste género literário) tornam a leitura viciante. A escrita do autor é fresca, sem descrições demasiado maçudas, e por isso lê-se muito bem.

Tal como referi acima, a história não é impactante e não traz nada de novo que justifique ter-se tornado num fenómeno literário. Tenho esperanças de que o autor possa ter evoluído nos romances seguintes que escreveu, pelo que irei certamente dar-lhe uma nova oportunidade.

Classificação: 3/5 estrelas

terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Conta-me o Teu Segredo" de Dorothy Koomson [Opinião]


Fiquei curiosa com esta novidade da Dorothy Koomson assim que a capa portuguesa foi divulgada. Gosto imenso dos livros da autora, mas tenho adorado principalmente a sua vertente mais direcionada para o thriller, ou não fosse este o meu género de eleição.

Neste romance encontramos duas personagens principais ligadas pelo mesmo homem: "O Assassino da Venda".
Pieta, há 10 anos, foi raptada por ele e conseguiu sobreviver a um fim de semana de abusos e maltratos. Nunca contou o seu segredo a ninguém, decidindo prosseguir com a sua vida como se nada tivesse acontecido.
Jody é polícia e, 15 anos antes, cometeu um erro que permitiu que esse criminoso continuasse em liberdade. Quando descobre que Pieta sobreviveu a um ataque desse homem, percebe que talvez tenha encontrado uma forma de finalmente o apanhar.

Se quiseres sobreviver, este fim de semana... terás de fazer apenas uma coisa: ficar de olhos fechados...
Esta é a frase de abertura do livro e também uma das primeiras frases que o assassino diz às suas vítimas. Uma frase arrepiante, que me deixou imediatamente presa à história.


A narrativa vai alternando entre Pieta e Jody, permitindo-nos acompanhar a perspetiva destas duas mulheres. Achei-as muito diferentes e incrivelmente bem caracterizadas. Por um lado, temos uma polícia que nunca se perdoou pelo seu erro e que está disposta a tudo para apanhar o assassino. Por outro, temos aquela que foi vítima e que, sabe-se lá como, arranjou forma de prosseguir com a sua vida.

Como é se que continua com a vida normal depois de se ser raptada e violada incontáveis vezes? Como é que se vive após um momento de tamanho terror?

A autora, com todo o seu talento, coloca-nos na pele destas duas personagens, fazendo-nos compreender os seus pensamentos, os medos e os receios, nomeadamente como se sente uma vítima quando o seu mundo organizado a muito custo está prestes a ser novamente abalado.

"Conta-me o Teu Segredo" é um thriller que aborda temas como a violação, o aborto, o bullying, a vingança e o racismo. Os capítulos pequenos e com uma boa dose de suspense transformam este livro numa leitura prazerosa e viciante, fazendo com que se torne muito difícil de pousar.
O final é surpreendente e angustiante, tendo-me mexido com as emoções ao ponto de me deixar vários dias a pensar na história.

Dorothy Koomson volta a surpreender. Uma leitura que recomendo sem reservas!

Classificação: 5/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

"O Conto da Ilha Desconhecida" de José Saramago [Opinião]


Tinha este conto guardado no computador há alguns meses à espera que me surgisse a vontade de o ler.
No ano passado li, pela primeira vez, uma obra de Saramago - Claraboia - e decidi que precisava mesmo de conhecer outros trabalhos do autor.

Este pequeno conto já apresenta a escrita característica do autor, ou seja, a ausência de pontuação. Este era o principal aspeto que me fazia embirrar com a escrita do autor mas, curiosamente, é como se a pontuação não fosse assim tão importante, uma vez que o nosso cérebro consegue perfeitamente pontuar o texto e oferecer-nos uma narrativa com sentido.

Ultrapassada esta dificuldade, dei comigo a apreciar a leitura. O conto é bonito, há sensibilidade nas palavras do autor, assim como um convite à reflexão. Esta é uma história sobre a importância de seguir os nossos sonhos, de pensar de forma diferente, independentemente do que os outros dizem de nós.

Um conto que certamente irei reler e cuja leitura recomendo vivamente a qualquer leitor.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 26 de outubro de 2019

"Não Desistas" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é aquele autor que consegue pôr-me a ler quando passo semanas desanimada com os livros e sem vontade de olhar para letras.

Este é o seu mais recente thriller traduzido para português, comprei-o no início do mês e não esteve sequer dez dias na estante antes de me apetecer pegar nele. Aliás, foi o próprio livro que chamou por mim. Nunca tiveram a sensação de que, por vezes, não são vocês que escolhem os livros, mas sim eles que vos escolhem a vós?

E foi assim que eu mergulhei nesta empolgante história e consegui vencer a apatia literária que me andava a consumir.

Neste thriller, conhecemos Nap Dumas, um detetive de Nova Jérsia que, no final da adolescência, perdeu o irmão gémeo. Ao mesmo tempo, a sua namorada Maura também desapareceu sem qualquer explicação. Passaram-se 15 anos, mas Nap nunca deixou de procurar Maura nem de tentar perceber por que morreu o seu irmão. Agora irá finalmente descobrir a verdade...


Este livro inicia-se com um prólogo cativante, escrito em terceira pessoa. Posteriormente, todo o restante livro é narrado em primeira pessoa, na voz de Nap, dirigindo-se ao irmão que perdeu, Leo. É como se o livro fosse uma grande carta ao irmão.

O autor tem uma mão de mestre em conduzir-nos pelo meio de toda a investigação, dos segredos, das descobertas e de intermináveis reviravoltas. E há sempre a viagem ao passado, típica de todos os livros do autor. Todas as suas histórias se baseiam em acontecimentos que marcaram o passado das personagens.

Gostei imenso de Nap e da sua personalidade. Por vezes é um pouco bruto, mas tem o coração bondoso e, claro, ainda sofre com a perda do irmão e da mulher que amava. Gosto muito da sensibilidade que o autor tem para abordar os temas da perda e da saudade.

Pelo meio do livro, ainda encontramos Myron Bolitar, uma personagem que tem toda uma série de livros só sua, e a investigadora Loren Muse, que já apareceu noutros romances do autor.

Em conclusão, se procuram um livro empolgante para devorar em duas tardes, este é uma ótima escolha. É já o 15º thriller que leio do autor, por isso já podem ter uma ideia do quanto o aprecio como escritor.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

"The Roommate" de Patricia Morais [Opinião]


The Roommate é um conto da autora portuguesa Patricia Morais, autora de Sombras e Chamas, publicados pela Coolbooks.
Recordo-me de ter lido no blogue dela que ela o escreveu em inglês para que os seus amigos estrangeiros tivessem oportunidade de ler um trabalho seu.

O conto é uma leitura adequada para a época do Halloween, uma vez que a história decorre durante esta quadra.

Conhecemos Melissa, uma estudante que se muda para uma nova universidade nos finais de outubro, enquanto tenta lidar com os fantasmas do seu passado. A sua nova colega de quarto - Shiobban - é misteriosa e demasiado protetora. Quando dois estranhos homícidios ocorrem no campus, Melissa acredita que Shiobban poderá estar em perigo.

Gostei bastante do conto. A ação vai alternando com algumas explicações acerca do Halloween e é interessante conhecer alguns factos sobre esta tradição. A história é dinâmica e lê-se muito bem.
Achei o final um bocadinho previsível, uma vez que tinha as minhas suspeitas praticamente desde o início, e fiquei com vontade de mais, embora esta sensação aconteça quase sempre nos contos.

Aproveitem a época do Halloween que se aproxima e leiam este conto da Patricia Morais!

Classificação: 3/5 estrelas

terça-feira, 15 de outubro de 2019

"Como Publicar o Seu Livro" de Rita Canas Mendes [Opinião]


Como Publicar o Seu Livro é um livro que nos dá a conhecer, de forma muito acessível, o mundo editorial por dentro e por fora.
Rita Canas Mendes trabalha há vários anos no mundo dos livros, tendo ocupado diferentes cargos em editoras de referência. Atualmente trabalha em regime independente como consultora e tradutora.

Este livro encontra-se dividido em cinco partes. A primeira apresenta-nos os principais Prémios e Concursos para Obras Inéditas, fazendo menção às vantagens e desvantagens destes prémios e apresentando ainda a experiência de três autores.
A segunda parte aborda a Edição Tradicional, explicando como é uma editora por dentro, qual o percurso de um livro desde que é proposto à editora até chegar às mãos do público, como o autor se deve preparar, como preparar o original, as vantagens e desvantagens da edição tradicional e a experiência de três autores.
A terceira parte trata da Autopublicação, mencionando os quatro grandes tipos de autopublicação, os cuidados a ter, a forma como se deve proceder, vantagens e desvantagens e, por fim, a experiência de três autores.
A quarta parte faz referência ao mundo Para lá da Publicação, abordando as temáticas do marketing e da comunicação, da relação com o público e com os parceiros.
Por fim, a quinta parte apresenta os Direitos e Deveres do autor.

Achei este livro bastante interessante e informativo. É sobretudo aconselhável a quem nunca publicou e gostaria de conhecer um pouco mais o mercado editorial.

Publicar um livro pode ser um processo muito empolgante mas, por vezes, a falta de informação leva as pessoas a escolher as vias que nem sempre são as mais adequadas para o seu caso. Enquanto na edição tradicional, o autor tem o acompanhamento de uma equipa, na autopublicação quase tudo fica ao critério do autor. Contudo, para quem opta por este tipo de publicação, é muito importante ponderar todos os prós e contras e investir no seu livro, ou seja, contratar profissionais que o ajudem, nomeadamente revisores de texto.

A autora apresenta dicas e conselhos importantes para que não sejamos ingénuos em relação a estas questões. Publicar um livro na realidade não acontece tal como a ideia romantizada que temos dele.

Uma leitura que recomendo, independentemente da fase de escrita do livro em que se encontrem.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Antologia | "Steampunk Internacional" de Vários Autores [Opinião]


As antologias são uma ótima forma de conhecer novos autores, sejam eles nacionais ou internacionais. São igualmente boas para ler acerca de uma determinada temática que não conhecemos tão bem.

A Editorial Divergência tem no seu catálogo diversas antologias de boa qualidade que merecem ser lidas.

Steampunk Internacional reúne 9 autores de três países: Finlândia, Reino Unido e Portugal. Foi traduzida e publicada em simultâneo nestes três países.

De seguida, apresento a minha opinião a cada um dos contos:

FINLÂNDIA

"O Chapéu Cilíndrico" de Anne Leinonen
Um estranho chapéu que parece ter vontade própria é o protagonista deste conto. Através do ponto de vista de diversas personagens vamos acompanhando as perigosas viagens deste chapéu cilíndrico. Gostei muito, achei o conto bastante intrigante e é daqueles que nos deixa a cabeça em alvoroço.

"Augustine" de J. S. Meresmaa
Augustine é uma jovem com problemas de audição que quer muito tornar-se engenheira, embora não seja apoiada pelo tio, com quem vive desde que os pais morreram num acidente. Num conto mais longo, de ritmo lento mas que se lê muito bem, vamos acompanhando esta jovem enquanto descobre a verdade sobre o seu passado e tenta salvar a oficina que tanto adora.

"Isaac, o Homem Alado" de Magdalena Hai
Este é um dos meus contos preferidos da antologia. Apresenta-nos Isaac, um estranho homem com asas mecânicas, e Monorelha, a jovem que o ajuda quando o encontra ferido. Contudo, à sua volta há guerra, morte e dor e estas são duas almas que já muito sofreram. Um conto que resultou muito bem e que combina elementos de fantasia, ficção científica e uma dose de drama.


REINO UNIDO

"O Jantar Ateniense" de Derry O'Dowd
O conto que menos me cativou. É sobre um grupo de amigos que se junta num jantar, inalam clorofórmio e começam a debater questões relacionadas com partos e formas seguras de fazer uma cesariana. Consigo perceber porque é que não me cativou, este não é propriamente o meu tema de eleição! Embora não tenha encontrado aspetos relacionados com a temática steampunk, achei curiosa a nota final que nos explica que o conto se baseia em acontecimentos e personalidades verídicas.

"Quatro Estações de Wither" de George Mann
George Mann tornou-se conhecido pelos seus romances Newbury & Hobbes, histórias steampunk de detetives passadas na era Vitoriana. Neste conto, oferece-nos uma nova história com essas personagens. Quando Alfred Wither morre, o detetive Newbury convence-se de que algo na sua história ficou por contar. Num conto dividido em quatro partes, cada uma referente a uma estação do ano, vamos desvendar o mistério da morte de Wither.

"Engenharia Imprudente" de Jonathan Green
Este é o conto de mais um autor de steampunk conhecido no Reino Unido. Não foi um dos meus contos preferidos, embora tenha gostado de conhecer Ulysses Quicksilver. É um conto com bastante dinamismo e que me fez lembrar os Transformers.

PORTUGAL

"Videri Quam Esse" de Anton Stark
Um conto cuja ação decorre em 1513, quando um rinoceronte trazido da Índia para a corte portuguesa morre. Será Garcia de Resende, camareiro do rei, quem terá de resolver o problema, uma vez que o animal era um presente para o papa. Um conto pequenino e muito bem escrito, que nos deixa curiosos pelo final.

"Coração de Pedra" de Diana Pinguicha
Um dos meus contos preferidos de entre os três portugueses. Conta-nos a história de Alirvi e a sua luta contra os Evolucionistas. Achei o conto muito criativo e acho sempre interessante todos aqueles conceitos futuristas. É um conto de leitura compulsiva que os fãs de ficção científica vão adorar!

"A Aranha" de Pedro Cipriano
Este conto apresenta-nos Ana, uma jovem espia cuja missão é roubar segredos militares. É um conto intenso, com muito suspense e que não se consegue parar de ler até descobrirmos se a Aranha será bem sucedida nesta missão tão perigosa. Conseguirá ela regressar com vida?
Este conto ganhou, em 2018, o Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Conto.

No geral, posso afirmar que esta antologia foi uma surpresa muito positiva, com contos diferentes e criativos, que me permitiram familiarizar um pouco mais com a temática do steampunk, da qual ainda tinha lido pouco ou quase nada. Embora naturalmente uns me tenham agradado mais do que outros, toda a antologia está bastante equilibrada. Um livro que merece ser apreciado e reconhecido!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

"Chama-me pelo Teu Nome" de André Aciman [Opinião]


As minhas expectativas em relação a este livro estavam elevadas desde que li duas opiniões muito boas no instagram. Como as encontrei com poucos dias de diferença e uma delas fazia referência ao facto de ser um bom livro para ler no verão, achei que era um sinal e aproveitei os primeiros dias de setembro para me iniciar nesta leitura.

Demorei algum tempo a embrenhar-me na história mas rapidamente percebi que não é um daqueles livros de ler compulsivamente. Tem uma escrita trabalhada e muito bonita, o que significa que o próprio livro nos convida a ler devagar e a saborear a leitura.

Não sei dizer-vos o que correu mal entre mim e este livro. Não posso afirmar que o problema seja inteiramente meu, uma vez que me parece que o livro peca na forma como a história é contada.


Toda a história nos é contada por Elio através da sua visão dos acontecimentos daquele verão em que conheceu Oliver. Conhecemos os seus pensamentos, os seus receios, angústias, momentos de tristeza e felicidade.
Há muito pouco diálogo e foi difícil conhecer mais de Oliver que, na minha opinião, era a personagem mais interessante do livro.

Apesar de ter um pouco de dramatismo (algo que eu até aprecio), este é um livro muito introspetivo, muito virado para os pensamentos e talvez tenha sido essa a razão por que não funcionou comigo. Descobri que, aparentemente, não tenho paciência para este tipo de narrativas, preferindo aquelas mais dinâmicas e que puxam por mim.

Acabou por se tornar difícil terminar o livro pois, embora quisesse saber como iria terminar, ao fim de meia dúzia de páginas, sentia-me terrivelmente aborrecida, pelo que a leitura se prolongou mais tempo do que eu desejava.

Apesar de tudo, admito que é um livro interessante, muito bem escrito e com uma temática forte. Decidi atribuir-lhe 3 estrelas pois reconheço que tem qualidade e, embora não tenha resultado comigo, não significa que outros leitores não o possam adorar.

Não deixem de o ler! Depois partilhem a vossa opinião.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

"O Boss" de Vi Keeland [Opinião]


Nas duas últimas semanas de agosto devorei dois policiais e um thriller, pelo que, a certa altura, senti necessidade de um livro mais leve e divertido. Vi a lombada vermelha deste livro a sorrir-me da estante e percebi que chegara o momento ideal para pegar nele.

O início é extremamente divertido e demonstrou ser exatamente aquilo que eu precisava. Na minha estreia com Vi Keeland, deparei-me com um romance tão cativante que o li praticamente em dois dias.

Reese e Chase conhecem-se quando ela está num encontro com um homem para lá de aborrecido. Este é o primeiro passo para uma relação que se iniciará de forma muito divertida. Os vários encontros que se seguem entre ambos são tão hilariantes e repletos de peripécias que é impossível não soltar umas boas gargalhadas.

Também gostei muito da tensão sexual palpável que a autora conseguiu criar, mesmo quando Reese resistia com todas as suas forças. Na verdade, uma das coisas que mais aprecio nestes livros é de me sentir como se eu é que estivesse a ser seduzida.


A segunda metade do livro perde um pouco da ligeireza que encontramos na metade inicial, uma vez que começamos a perceber que Chase também tem algo negro no seu passado, algo doloroso que o fez tornar-se na pessoa que é.
Embora a história seja quase toda contada na perspetiva de Reese, existem alguns capítulos que nos mostram aquilo por que Chase passou.

Muitas vezes, este tipo de livros acaba por nos mostrar homens demasiado perfeitos e irresistíveis. Se, por um lado, como leitora romântica que sou, gosto de me permitir sonhar um pouco com estes personagens, por outro lado também sei que são irreais e que resultam muito melhor se tiverem falhas, medos e fraquezas, em suma, que sejam humanos.

Neste romance, tanto Reese como Chase têm as suas fraquezas, os seus tormentos, que somos capazes de ver assim que os conhecemos melhor. Este foi um dos aspetos que me permitiu sentir-me ligada a estas personagens.

Em suma, O Boss é um romance muito divertido, com uma boa dose de erotismo e algum drama, perfeito para aqueles momentos em que procuramos uma leitura mais rápida e que nos permita relaxar e abstrairmo-nos da realidade. Gostei mesmo muito!

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Invasão de Privacidade" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é outro daqueles autores seguros em cujos livros pego quando estou indecisa relativamente ao que ler a seguir. Este foi já o 13º thriller que li do autor!

Invasão de Privacidade dá-nos a conhecer Mike e Tia Baye, um casal que se sente tentado a invadir a privacidade do filho adolescente, uma vez que este tem demonstrado um comportamento distante e irreconhecível desde o suicídio do seu melhor amigo. Assim, instalam um programa no computador de Adam para vigiar todos os seus passos. Mas será que estariam preparados para o que iriam encontrar?

Tenho de admitir que o forte de Harlan Coben não são as personagens, mas sim os enredos inteligentemente arquitetados e repletos de reviravoltas inesperadas.
Nos seus livros, não vamos encontrar daquelas personagens memoráveis e que nos ficam no coração por muito tempo. Claro que isto poderá ser uma desvantagem para aqueles leitores que procuram personagens com as quais se possam identificar emocionalmente.

Certa vez li uma entrevista do autor, em que ele explicava que procurava sempre criar personagens comuns, iguais a qualquer um de nós, e iniciava os seus livros com um acontecimento que poderia facilmente acontecer na realidade.


A adolescência é um período complicado tanto para os pais como para os próprios adolescentes. Há certamente conflitos em todas as famílias. Desta forma, quantos pais não tentam vigiar os filhos mais de perto? Quantos pais não desejam saber em mais pormenor o que os filhos andam a fazer? Será legítimo invadir desta forma a sua privacidade se acharmos que os estamos a proteger?

Esta é a temática principal que é abordada neste livro, no meio de uma narrativa repleta de ação e reviravoltas.
Isto é o que eu mais gosto nos livros do autor. Não tanto se as personagens me vão ficar na memória, mas sim de toda a adrenalina que os seus livros me provocam. São quase todos de leitura compulsiva e muitas vezes é mesmo de um livro assim que precisamos, que nos distraia e nos ofereça uma história realmente dinâmica.

Já sabem que sou fã do autor e, portanto, os livros dele estão mais que recomendados para os fãs de thrillers!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 31 de agosto de 2019

"O Clube Mefisto" de Tess Gerritsen [Opinião]


Tess Gerritsen é sempre uma autora segura quando não sei o que ler ou quando terminei um livro muito bom e tenho medo que me estrague a leitura seguinte. Foi o que aconteceu desta vez. Após ter terminado o excelente policial de Chris Carter, precisei de um livro com uma escrita e personagens já familiares, de forma a entrar bem na leitura.

Estou a gostar imenso de acompanhar a detetive Jane Rizzoli e a doutora Maura Isles e este é já o sexto livro da série.

O livro anterior - Desaparecidas - tornou-se o meu preferido da série e sei que vai ser um bocadinho difícil outro livro mostrar-se ainda melhor. A história centrou-se bastante em Jane e na sua aventura pela maternidade.

O presente livro já não dá tanto destaque à vida das personagens, centrando-se principalmente na investigação policial de um novo crime.
Estamos na altura do Natal e uma jovem aparece brutalmente assassinada. A vítima está ligada à psiquiatra Joyce O'Donnell, que é também membro de uma sociedade secreta: o Clube Mefisto.

Uma vez que este Clube se dedica à análise do Mal, a narrativa acaba por se debruçar por temáticas relacionadas. Será que os demónios deambulam pela Terra? Poderá o Mal ser explicado pela ciência?

À medida que este caso se vai tornando mais sinistro, os investigadores começam até a recear o próprio objeto de estudo.

A par da investigação, temos ainda alguns desenvolvimentos na vida amorosa de Maura, enquanto Jane se vê no meio de um problema no casamento dos seus pais.

Este é um bom livro para quem procura uma história de investigação e de caça ao assassino, não sendo, contudo, tão bom como o anterior.
É uma série e uma autora que merecem toda a atenção!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

"O Assassino do Crucifixo" de Chris Carter [Opinião]


Fiquei fã deste autor após ter lido, no ano passado, O Escultor da Morte. Apesar de ter começado pelo quarto volume da série, fiquei com vontade de ler todos os seus livros, pelo que comecei a procurar promoções para adquirir os livros que ainda não tinha.

Atirei-me de cabeça ao primeiro livro da série de Robert Hunter - O Assassino do Crucifixo - onde temos um primeiro contacto com o detetive Hunter e de como ele começou a trabalhar com o seu novo parceiro, Carlos Garcia.

Os dois capítulos iniciais apresentam-nos uma situação de perigo de morte e uma escolha difícil para Hunter. Fez-me lembrar os filmes do Jigsaw e os tenebrosos jogos mortais que ele fazia, pelo que fiquei imediatamente agarrada.

Posteriormente, com a nossas personagens numa situação tão perigosa, o livro recua para cinco semanas antes, altura em que tudo começou.
Uma vítima é encontrada nua e presa pelos braços, tendo sido torturada até à morte. No seu corpo foi entalhada uma cruz: a assinatura de um psicopata conhecido como O Assassino do Crucifixo. Mas como é isto possível se ele foi condenado e executado dois anos antes?

Enquanto tentam perceber se este criminoso é um imitador ou se o verdadeiro assassino afinal anda à solta, Hunter e Garcia vão embarcar numa investigação violenta e perigosa, digna de um verdadeiro pesadelo.


Os capítulos pequenos resultam na perfeição neste tipo de histórias, conferindo dinamismo ao livro e fazendo com que se torne impossível largá-lo.
A autor já trabalhou vários anos como psicólogo criminal pelo que os seus romances se baseiam na sua experiência com criminosos. Gosto imenso da forma como o autor vai explicando a psicologia do comportamento criminal ao longo do livro, sem se tornar monótono. Também aprendi algumas técnicas de como detetar mentiras.

Robert Hunter é um personagem deveras intrigante que, embora pareça descontraído, esconde muitos fantasmas. Ainda há muito dele por descobrir.
Também gostei de conhecer Garcia mas senti que faltou ali qualquer coisa. Não sei muito bem explicar porquê mas parece que passei o livro a esperar mais dele, apesar de ter gostado da forma como ele e Hunter funcionavam.

A descoberta da identidade do assassino deixou-me completamente boquiaberta. Ao longo da narrativa, queremos mais rapidamente descobrir o porquê e as suas motivações do que propriamente quem é a pessoa por detrás de crimes tão macabros. Contudo, quando finalmente foi revelado, fiquei sem palavras. Não posso mesmo dizer mais nada para não vos dar spoilers mas, uau, ADOREI!

Este é um autor imperdível para os fãs de thrillers e policiais. Se gostam de livros negros e violentos, então vão certamente adorar!

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

"Acordo com o Marquês" de Sarah MacLean [Opinião]


Sabem quando andam de volta de leituras mais densas e cansativas e, a certa altura, vos apetece um livro leve, divertido e relaxante?

Acordo com o Marquês chegou às minhas mãos quando eu me sentia exatamente assim. Este ano ainda não tinha lido nenhum romance de época e, embora eu ande mais numa fase de thrillers, de vez em quando sabe bem ler uma história mais romântica.

Este livro tem uma capa linda e bem sensual. A edição interior também está muito bonita, pelo que a Topseller está de parabéns pelo resultado final.

Neste romance conhecemos Sophie Talbot, uma jovem que chegou à aristocracia de uma forma pouco comum. Infelizmente, ela odeia a sociedade e tudo o que lhe diz respeito e o seu maior desejo é ser livre.
Rei é o Marquês de Eversley, um verdadeiro e escandaloso aristocrata que arruina a reputação das jovens da sociedade.

Ambos se vão conhecer em circunstâncias especiais e, embora se odeiem e pouco tenham em comum, os seus objetivos e a forma como vêem a sociedade acabam por aproximá-los.



A escrita da autora é bastante cativante e o livro oferece-nos diálogos intensos e repletos de humor. Os conflitos entre os dois protagonistas são constantes, assim como a tensão sexual, que vai aumentando de capítulo para capítulo. Isto é o que eu mais gosto neste tipo de livros!
Desta forma, o livro acaba por ter muito dinamismo e reviravoltas interessantes.

Gostei muito do Rei, uma personagem que não é assim tão canalha como parece à primeira vista. Na verdade, tem princípios e um coração de ouro que apenas está muito magoado com uma história dramática do seu passado.

No geral, esta é uma leitura divertida e romântica que conquista desde as primeiras páginas e que provocará uma avalanche de sentimentos no leitor. Recomendadíssimo para fãs de romances de época!

Esta série tem mais dois livros já publicados em Portugal. Felizmente, não são sobre as irmãs de Sophie (que me pareceram muito fúteis e pouco interessantes), mas sim sobre o escocês Warnick e o Duque de Haven. Estes sim, despertam-me curiosidade!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 13 de agosto de 2019

"Demência" de Célia Correia Loureiro [Opinião]


Tive oportunidade de ler o Demência graças à iniciativa Demência... on the Road!, organizada pela Silvéria (The Fond Reader) e pela Cristina (Linked Books). Elas propuseram-se a deixar o Demência percorrer o país, de casa em casa, de um leitor para outro, para que esta história pudesse chegar a mais leitores.

E foi assim que esta edição da Coolbooks chegou até mim. Obrigada Silvéria e Cristina por este generoso empréstimo!

Em 2013, já tinha lido o Demência pela primeira vez, na edição da Alfarroba, cuja opinião pode ser lida aqui. Seis anos depois voltei a mergulhar nesta história, da qual já pouco me lembrava. Talvez por este motivo, foi como se estivesse a descobrir este livro pela primeira vez.

No início, custou-me um pouco a entrar no espírito do livro, mas esse é um problema que tenho tido com quase todos os livros atualmente. Ao fim de alguns dias, a leitura começou a avançar a um ritmo bem melhor e dei por mim agarrada à história. Embora o livro não seja muito rápido em ação, consegue prender-nos, transportar-nos para dentro destas páginas.


Demência foi publicado pela primeira vez em 2011, contudo continua a ser um livro muito atual, uma vez que retrata os temas da violência doméstica e da demência. Todos os dias ouvimos na televisão histórias de mulheres que morrem às mãos dos maridos ou dos ex-companheiros, por isso é impossível olhar para esses números, conhecer os casos e permanecer indiferente.

A história de Letícia é bastante dramática e, neste livro, conhecemos a sua vida depois de tudo ter acontecido. Ela ainda se encontra muito fragilizada pelo que vivenciou e o facto de regressar à aldeia onde vive a sua sogra não vai atenuar as suas dificuldades.

Este livro fez-me sentir revoltada e angustiada. Como pode uma mulher ser tão criticada porque se defendeu do marido que lhe batia? Como é que ainda se defende tanto um agressor? Embora esta história se passe num ambiente rural, acredito que muita desta mentalidade ainda está presente na nossa sociedade nos dias de hoje.

A escrita da Célia é única e cuidada e os seus livros merecem absolutamente serem lidos. Vou terminar com o que escrevi há seis anos na minha opinião: esta é uma história sobre amor incondicional e sobrevivência, sobre amizade e perdão, sobre coragem e fé nas segundas oportunidades. 


Por fim, nesta foto pode ver-se o Log Book que foi feito especialmente para os leitores que estão a participar nesta iniciativa. O caderninho é da autoria da Mafalda Fernandes, do Nuts for Paper. Aqui ficam os links para o seu blogue e instagram. Vão visitar os trabalhos dela!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 23 de julho de 2019

"A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson [Opinião]


Ler Dorothy Koomson é ter a certeza de que irei encontrar uma história cativante e envolvente.
E foi isso mesmo que aconteceu com este romance, que é já o oitavo que leio da autora.

Esta história começa em 1993, quando as adolescentes Nell e Jude descobrem o corpo de uma jovem abandonada na praia. Como ninguém consegue identificar esta vítima, ela passa a ser conhecida como A Sereia de Brighton.
Três semanas mais tarde, Jude desaparece e Nell fica ainda mais desamparada.

A narrativa vai alternando entre passado e presente. Nell, atormentada pelo passado, decide pedir uma licença no emprego para se dedicar unicamente a descobrir o que realmente aconteceu naquele fatídico verão, 25 anos antes.

Senti-me agarrada a este mistério logo desde os primeiros capítulos. Estes são curtos e, devido à alternância temporal, tornam-se muito apelativos e de leitura rápida. Eu gosto imenso de livros que nos fazem viajar entre o presente e o passado.


Gostei bastante da Nell, apesar da sua personalidade peculiar. Tanto ela como a irmã Macy foram muito afetadas pelo que sucedeu à sua família durante a adolescência e isso está bem patente na forma como elas se comportam na vida adulta. Nell é reservada e tem dificuldade em se abrir com as pessoas que lhe são próximas. Macy tem uma grande necessidade de ter a vida controlada, acabando por desenvolver um distúrbio obcessivo-compulsivo nos momentos de mais stress.

A autora é conhecida pelas suas histórias carregadas de drama, contudo, ultimamente tem vindo a adicionar-lhes um toque de mistério, o que me agrada sobremaneira, uma vez que o meu género atual de eleição é o thriller.

Um tema que adorei ver abordado neste livro foi o tema do DNA e das árvores genealógicas. Confesso que é algo que me desperta bastante curiosidade. São ainda abordadas as temáticas do racismo, preconceitos e problemas sociais, temas estes que são comuns praticamente a todos os seus romances.

A autora soube dosear muito bem o mistério e, a certa altura, começou a lançar as bombas e já não fui capaz de parar de ler. O final trouxe-me ainda umas lágrimas aos olhos.

Uma leitura que recomendo vivamente. Se por acaso ainda não leram nenhum livro da autora, deviam mesmo dar-lhe uma oportunidade!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 13 de julho de 2019

"Cell - A Chamada da Morte" de Stephen King [Opinião]


Este está a ser o ano em que estou a apostar em mais obras de Stephen King, sendo já a terceira que leio do autor.

Imaginem que, de repente, um vírus se propagava por todos os utilizadores de telemóveis, deixando as pessoas violentas e com comportamentos semelhantes aos de zombies. Na verdade, se isso acontecesse, estávamos todos tramados pois quem é que não tem um telemóvel nos dias de hoje?

É esta ideia que Stephen King explora em mais um dos seus romances. Transportou-nos para um mundo pos-apocalíptico onde uma estranha epidemia ataca as pessoas como se fosse um vírus a atacar o software de um computador.

Um conjunto de sobreviventes veem-se assim desesperados, no meio de uma civilização que, de um momento para o outro, ficou caótica.

Esta é também a história de Clay, um artista do Maine que, quando tudo começou, se encontrava em Boston. Acabara de assinar um contrato para um livro de banda desenhada que lhe permitiria finalmente sustentar a sua família fazendo arte.


Quando as pessoas começararam a ficar loucas, tudo aquilo em que ele pensava era em encontrar o seu filho. Assim, esta é uma história sobre um pai e a sua busca pelo seu filho num mundo rodeado pelo caos e pela carnificina.

Confesso que esperava que este livro fosse mais violento. A sinopse caracteriza-o como «avassalador, sangrento e fascinante» mas, na verdade, acabei por não ficar assim tão impressionada com a violência nem senti um fascínio fora do normal.

É um livro bom, mas não é excelente. Creio que tem um início muito interessante mas que depois acaba por esmorecer um pouco até ao final que também me soube a pouco.

Li metade do livro em apenas uma tarde, mas depois demorei mais de uma semana a terminar o restante, portanto algo neste livro falhou e não me cativou o suficiente.

Não deixo de recomendar a sua leitura, embora não seja, na minha opinião, dos melhores livros do autor. Até agora, ainda nenhum chegou aos calcanhares de Misery, porém sei que ainda tenho imensas obras por explorar.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 4 de julho de 2019

"O Carrasco" de Daniel Cole [Opinião]


No ano passado, a Suma de Letras deu-nos a conhecer Boneca de Trapos, o primeiro thriller do autor inglês Daniel Cole. Agora, chegou a Portugal a sua continuação: O Carrasco.
Deixo o meu agradecimento à Suma de Letras (Penguin Random House Grupo Editorial) pela generosa oferta deste exemplar para leitura e partilha de opinião.

Antes de prosseguir com a minha opinião, deixo-vos um conselho: leiam a série por ordem. Embora os livros se possam ler independentemente, O Carrasco tem imensas referências ao Boneca de Trapos, incluindo um encontro com o assassino. Serão capazes de melhor usufruir desta leitura se conhecerem o livro anterior.

O Carrasco tem como protagonista a inspetora Emily Baxter, ainda não totalmente recuperada dos assassínios da Boneca de Trapos, apesar de já se terem passado 18 meses.
Desta vez, vai ser convocada para uma reunião com dois agentes americanos - Elliot Curtis, do FBI, e Damien Rouche, da CIA, e acabará por ser obrigada a participar numa investigação a homicídios que estão a ser cometidos em Nova Iorque e Londres.

Daniel Cole não teve medo de nos surpreender com homicídios extremamente cruéis e imaginativos. Alguns capítulos deixaram-me boquiaberta e houve uma cena, em especial, tão bem descrita que quase me deixou doente. Neste aspeto, posso mesmo afirmar que o autor se superou!


Em relação às personagens, adoro a inspetora Baxter. Já a conhecia do anterior romance, mas agora tive oportunidade de a conhecer melhor. Ela é rude, resmungona, sarcástica e com pouca paciência para respeitar a autoridade. Confesso que, por diversas vezes, dei por mim a rir à gargalhada da forma como ela tratava as outras pessoas. Contudo, por detrás deste mau feitio, esconde-se uma pessoa preocupada com aqueles que ama e também a tentar lidar com as suas fragilidades. Não consegue facilmente confiar nos outros e isso acaba igualmente por trazer novos constrangimentos.

Outra personagem de que gosto muito é o Edmunds, que já me tinha surpreendido no livro anterior. A participação dele deixou-me deveras empolgada, assim como o rumo que ele decidiu dar à sua vida.

Em comparação com o Boneca de Trapos, creio que este segundo romance está ainda melhor. Senti-me agarrada logo nos primeiros capítulos, li metade do livro em apenas uma tarde e o autor conseguiu surpreender-me a cada página. O final é intenso, embora tenha sentido falta de algumas explicações um pouco mais detalhadas.

Estou igualmente ansiosa que o terceiro volume chegue a Portugal, uma vez que acabei de ler a sinopse e já me sinto a salivar!
No geral, recomendo vivamente este thriller intenso de leitura viciante e onde a ação impera da primeira à última página.

Classificação: 4/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

"A Última Vez que a Viram" de Harlan Coben [Opinião]


A Última Vez que a Viram foi um dos primeiros livros escritos por Harlan Coben, tendo passado já vinte e quatro anos desde a sua publicação original.

É o livro que dá início à série cujo protagonista é Myron Bolitar, um ex-desportista e atualmente agente desportivo.
Já tinha lido o quarto livro da série, Tacada Mortal, cuja história decorria no mundo do golfe. Este thriller, por sua vez, tem como cenário de fundo o futebol americano.

Myron encontra-se a representar o jovem Christian Steele, o seu mais valioso atleta. Contudo, este é surpreendido quando surgem pistas de que a sua namorada, desaparecida há mais de um ano e presumivelmente morta, pode afinal estar viva.

É desta forma que Myron se envolve numa investigação em busca da verdade, de tentar perceber o que aconteceu verdadeiramente a esta família.


Neste livro, já se nota perfeitamente o estilo que o autor viria a adotar nos seus futuros trabalhos, os diálogos rápidos, a ação constante e o suspense no final dos capítulos, atraindo-nos para continuar a ler. Os livros do autor tornam-se facilmente em page-turners, de tão dinâmicos que são.

Myron Bolitar é uma das personagens mais peculiares que já encontrei nos livros do autor. É divertido, mas de um modo parvo, e há sempre situações mais caricatas a envolvê-lo.

Confesso que este livro me custou um pouco a arrancar no início, talvez porque não gosto especialmente do mundo desportivo mas, assim que me embrenhei no mistério, a leitura avançou com mais rapidez.

Embora não seja um dos melhores livros do autor, é um livro bom para quando queremos adrenalina e mistério, sem nos depararmos com demasiado sangue à mistura, como é típico dos policiais. Não deixem de experimentar os livros deste autor!

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 21 de junho de 2019

"Pecados Santos" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


Pecados Santos foi o livro que escolhi para junho, para o meu desafio de ler pelo menos um autor português por mês.

Tal como já referi numa opinião anterior, admiro imenso o trabalho e a persistência do Nuno e procuro sempre ler as entrevistas e textos onde ele explica como é o seu processo criativo, o qual se inicia com uma grande pesquisa e, sempre que possível, a visita aos locais onde a narrativa vai decorrer.

Pecados Santos é o seu quinto romance e apresenta-nos duas histórias, duas linhas narrativas: a primeira, no presente, quando ocorrem uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos; a segunda, no passado, envolvendo um episódio da vida de Afonso Catalão.

Neste livro vamos reencontrar Afonso Catalão e Diana Santos Silva, personagens já nossas conhecidas do anterior romance, A Célula Adormecida.
Para quem decidiu estrear-se com este livro, não se preocupem por não conhecerem as personagens, uma vez que os livros podem ser lidos independentemente.

Afonso é um homem cuja vida está repleta de mistérios. Em Pecados Santos, recuamos treze anos para o acompanhar quando ele deu aulas em Cambridge e conheceu os gémeos Hannah e Jonathan. Esta linha narrativa agradou-me talvez um pouco mais do que a que decorreu no presente e mantive-me sempre curiosa por descobrir o que teria acontecido com os gémeos.

Este livro mostra-se igualmente cativante na medida em que o autor explorou a temática dos homicídios, não se coibindo de os descrever com bastantes detalhes, e apostando na sua interpretação através da ajuda de uma psicóloga criminal.

(Tomei a liberdade de incluir na fotografia um pequeno galho e uma flor de romãzeira, uma vez que a romã tem um significado especial no livro.)

A juntar a tudo isto, ao longo do livro vamo-nos apercebendo da extensa pesquisa feita pelo autor e de como ele domina os assuntos de que está a falar, nomeadamente as religiões. Enquanto, em A Célula Adormecida, nos falou do Islamismo, desta vez centra-se no Judaísmo e em vários aspetos relacionados com o surgimento desta religião. É um livro que não só entretém como também ensina, sem se tornar monótono.

O livro está estruturado em capítulos pequenos, que são dos meus preferidos e que mais facilmente impelem o leitor a ler mais e mais. Contudo, não senti que o livro me desse aquela vontade de ler compulsivamente e este é um dos aspetos que eu mais procuro num thriller. Quando pego num livro deste género, gosto de receber uma injeção de adrenalina, e este livro não me proporcionou isso. Precisava de um pouco mais de suspense, mas não significa que não seja muito bom de ler.

Gostaria, antes de terminar, de salientar dois aspetos que eu creio que mereciam mais atenção.
O primeiro é sobre a relação de Afonso e Diana. Quem leu o livro anterior, conhece as circunstâncias em que eles se conheceram. O final do livro não me deixou nenhuma pista de que eles estariam a apaixonar-se, pelo que foi uma surpresa encontrá-los juntos neste novo romance. Sei que o propósito do livro não era criar uma história de amor, mas não senti química entre ambos. Senti que estavam juntos por serem duas almas um pouco solitárias. Mesmo sendo um thriller, gostava de ter visto mais da faísca própria dos relacionamentos recentes.

O segundo aspeto prende-se por uma questão de revisão. Embora esta esteja bem feita, por diversas vezes apercebi-me do emprego exagerado da expressão "corpo seco" ou "físico seco" para caracterizar mais do que uma personagem. Provavelmente este aspeto passará despercebido à maior parte dos leitores, contudo, eu costumo fazer revisão de texto e talvez por isso tenha o olho mais apurado. Incomodou-me um pouco estar sempre a ler a mesma descrição quando, algumas delas, poderiam ser substituídas por adjetivos de significado similar.

Por fim, posso ainda referir que o final me surpreendeu mesmo muito. Eu não tinha nenhuma teoria acerca de quem seria o assassino e acabei por ficar boquiaberta com a revelação. É um final poderoso e difícil de esquecer!

Para concluir, deixo a minha recomendação caso procurem um thriller intenso e que aborda a temática da religião. Apostem nos autores portugueses e venham conhecer o trabalho de Nuno Nepomuceno!

Classificação: 4/5 estrelas