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sábado, 16 de janeiro de 2016

"A Trança de Inês" de Rosa Lobato de Faria [Opinião]


"Amo-te mais do que nunca, dizia-te, agora que te amo em segredo."

A primeira opinião do ano refere-se ao último livro lido no ano passado; vem com algum atraso mas aqui está ela.

Este foi o primeiro livro que li da autora portuguesa Rosa Lobato de Faria. O primeiro aspeto interessante com que me deparei foi a escrita da autora: parece-me ser uma escrita muito própria e que me fez lembrar um pouco a escrita de José Saramago, com pouca pontuação e com os diálogos das personagens misturados na escrita corrente. Sinceramente, pensei que não me ia adaptar a uma escrita assim mas, para minha surpresa, não só me adaptei rapidamente, como também não me fez grande diferença.
Não sei se todos os romances da autora apresentam uma escrita semelhante a esta, mas a verdade é que gostei muito.

O enredo baseia-se na história trágica de Pedro e Inês de Castro, história esta que sempre me fascinou. A autora, contudo, adicionou outro pormenor interessante: sub-dividiu a narrativa em três tempos. Assim, temos uma história no passado, outra no presente e a terceira num futuro relativamente próximo. Penso que este livro consegue ser, simultaneamente, romance histórico, romance contemporâneo e ficção científica (distopia).

Estes três tempos misturam-se ao longo de toda a narrativa, não havendo nenhuma indicação de onde começa um e termina outro. Há apenas transições, na minha opinião muito bem conseguidas.
Em todas as histórias existe um Pedro, ligado a uma Constança, e que acaba por se apaixonar por uma Inês. Tal como na história original, todas estas terminam igualmente em tragédia.

Compreendo que a leitura possa ser confusa para alguns leitores, devido à mistura temporal e às transições. Para mim não foi confuso, rapidamente fui capaz de identificar cada uma das histórias e isso tornou a minha leitura mais agradável e ajudou-me a gostar ainda mais do livro.
A dica que posso dar aos leitores é a seguinte: identifiquem as personagens e o tempo a que cada uma deles pertence; assim que o conseguirem fazer, serão capazes de se situarem melhor quando surgir uma transição.

Por fim, posso dizer que este livro me parece ter mais que uma interpretação. Como o li numa leitura conjunta, consegui aperceber-me disso. Gostaria, sem dúvida, de reler este livro um dia, para tentar compreender melhor alguns pormenores que não ficaram bem assimilados com a primeira leitura.

O final está excelente e fez-me soltar uma exclamação de espanto! Gostei muito; é uma leitura que recomendo e pretendo continuar a ler outras obras da autora.

Classificação: 4/5 estrelas