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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

«Uma Mente Perversa» de Chris Carter [Opinião]


Uma Mente Perversa é o sexto livro da série Robert Hunter e o último do autor publicado em Portugal até ao momento.
 
Este livro é um pouco diferente dos anteriores a que o autor já nos tinha habituado. Tudo começa quando um acidente leva, por acaso, à captura de um homem suspeito de duplo homicídio. Inicialmente, ele alega ser vítima de um grande mal-entendido e só aceita falar com Robert Hunter.
Durante os interrogatórios, descobre-se que este homem é um assassino em série que tem estado a sequestrar, mutilar e matar pessoas durante os últimos 25 anos.
 
Desta forma, conhecemos o assassino desde o início, e por isso a narrativa não se vai centrar em descobrir quem ele é. Antes pelo contrário, vamos ouvir a história dele e esperar que ele revele os locais onde escondeu os corpos das vítimas.
 
Contudo, este é um assassino muito engenhoso. Vai tentar divertir-se com os investigadores, vai exigir conhecer o passado de Robert, e é assim que nós, leitores, conheceremos também um pouco mais do passado deste inspetor que sempre nos pareceu misterioso nos livros anteriores.
 
Apesar de diferente, este livro é completamente viciante, é muito cruel também, mas impossível parar de ler. A parte final desenvolve-se como um thriller, quando o assassino revela que nem todas as vítimas morreram, e aí inicia-se uma corrida contra o tempo.
 
Uma Mente Perversa é uma narrativa empolgante, que nos dá uma visão mais profunda da vida do inspetor Robert e que acaba por ter um final satisfatório.
Este assassino é terrivelmente engenhoso, é inteligente, é perverso, é arrepiante.
 
Adorei o livro, tal como tenho gostado de todos os livros do autor, e tenho muita pena que a Topseller tenha parado de o publicar. Espero sinceramente que, se não for a Topseller, outra editora possa pegar nos livros deste autor. Chris Carter é um dos melhores autores de policiais que já li e ele merece estar no mercado literário português.

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

«Corações Feridos» de Colleen Hoover [Opinião]


Corações Feridos traz-nos a história de dois jovens, Beyah e Samson, que se vão conhecer quando Beyah perde a mãe e é obrigada a ir viver com o pai, no Texas, uma vez que é muito pobre e não tem onde ficar. Esta jovem teve uma vida cheia de obstáculos e está habituada a contar só consigo e a desenrascar-se sozinha.
 
Nesse verão, conhece Samson, o vizinho da casa ao lado, que a fascina, mas que ao mesmo tempo não tem nada em comum com ela, uma vez que vem de uma família rica e privilegiada.
Durante a sua convivência, percebem que há uma certa tristeza que os une, uma ligação intensa entre ambos.
 
Achei esta história muito bonita e pensei que fosse mais uma história de amor, mas acabou por ter uma reviravolta bastante interessante, que acabou por ser o que mais me cativou na história.
 
Ultimamente, não me tenho identificado tanto com estas histórias YA, tenho sentido necessidade de outro tipo de livros.
 
Corações Feridos é uma narrativa bonita, que entretém e que acredito que possa cativar jovens leitores, jovens pouco habituados a ler.
A mim não me tocou assim tanto como outros livros que já li da autora.
 
Deixo apenas uma palavra de elogio à capa (lindíssima, com a junção do fundo branco e dos elementos laranja e arroxeados) e ao miolo (com um design muito bonito).
 
Em suma, recomendo o livro a todos os fãs da Colleen e principalmente aos jovens, quer gostem quer não de ler. É um bom livro para se iniciarem na leitura.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

«O Menino de Cabul» de Khaled Hosseini [Opinião]


«Um romance maravilhoso... uma história admirável da cultura afegã. É um romance ao estilo de outros tempos que nos arrebata completamente.»
San Francisco Chronicle
 
O Menino de Cabul foi a minha primeira experiência com Khaled Hosseini, um autor afegão, cujas histórias nos dão a conhecer um pouco da cultura e da realidade afegãs.

Esta história inicia-se em 1975, em Cabul, e é contada por Amir, na altura um menino de 12 anos, que lutava para ganhar o afeto do pai. Nunca sentiu que o pai se orgulhasse verdadeiramente dele, por isso, tudo o que ele quer é ganhar um concurso anual de papagaios de papel, para impressionar o pai.

Hassan é o seu amigo mais chegado, e é também o criado da família, logo pertence a uma classe social inferior. Hassan é muito fiel, muito doce e verdadeiro para com Amir.
Contudo, a forma como Amir se sente em relação ao pai acabará por lhe moldar a personalidade e ter um efeito menos positivo na forma como acabará por tratar Hassan.

Esta é, portanto, a história de duas crianças que acabarão por ser separadas.

Ao longo desta narrativa, há inúmeros momentos de injustiça e passagens duras de ler, de uma crueldade indescritível. Algumas vêm da parte de Assef, um miúdo violento, tirano, um autêntico bully. Esta personagem mostra-nos como por vezes os miúdos conseguem ser cruéis uns com os outros. Odiei-o de início ao fim.

Fui surpreendida com as reviravoltas presentes nesta história (embora um bocadinho previsíveis), porém, é interessante como a vida muitas vezes nos conduz pelos caminhos da redenção. Quando fazemos mal a alguém, é sempre possível mostrar arrependimento e provar que somos capazes de ser bons, de dar um pouco de nós ao outro.

A escrita da autor é bela e cativante e, depois de ultrapassar a metade do livro, li o resto quase de uma só vez porque me sentia completamente envolvida pela narrativa.

O Menino de Cabul é uma história triste, com contornos muito duros, mas que encerra uma grande beleza. A certa altura, no livro, uma das personagens diz: «As histórias tristes dão bons livros», e só posso concordar plenamente.
Uma narrativa angustiante e que nos deixa de coração apertado, mas maravilhosa e que recomendo a quem aprecia um bom drama.
Fiquei fã do autor e vou, com toda a certeza, continuar a ler os seus romances.

Classificação: 5/5 estrelas

terça-feira, 22 de novembro de 2022

«Pessoas Normais» de Sally Rooney [Opinião]

 
Confesso que nunca tive curiosidade em ler este livro. É muito falado nas redes sociais, mas nunca me senti atraída a ponto de ir sequer ler a sinopse.

A Silvana leu-o e perguntou-me se queria experimentar. Porque não?, pensei. E aproveitei a oportunidade para tentar perceber o que havia nele que tanto cativava os leitores.

Agora, finda a leitura, posso afirmar que não entendi o fascínio. Pessoas Normais foi uma leitura secante do início ao fim.

O que talvez me tenha cativado mais foi o estilo de escrita da autora, que se carateriza sobretudo por não pontuar os diálogos com travessões ou aspas. Gosto de ler coisas diferentes e isso agradou-me. Não senti nenhuma dificuldade na leitura.

Esta é a história de dois jovens, Connell e Marianne, que se tornam amigos e namorados. Contudo, não têm uma relação propriamente dita. Separam-se, estão com outras pessoas, depois voltam a envolver-se, até que se separam de novo. São um casal sempre a tentar estar longe um do outro, mas sem nunca o conseguir.

Acompanhamos o percurso de ambos desde que terminam o secundário e a forma como vivem os primeiros anos como universitários.

A verdade é que não retirei nada deste livro. Senti que a narrativa era muito desapegada, como se o narrador fosse indiferente à história que estava a contar.
Foram abordados diversos temas presentes na vida dos jovens, mas sem serem devidamente desenvolvidos.
Não me senti cativada por nenhuma personagem nem me revi em nenhuma delas. Senti até que a relação de Connell e Marianne era um pouco destrutiva.

Acredito que, com este livro, ou se ama ou se detesta, e infelizmente eu junto-me ao grupo dos que detestaram.

Não ficou a vontade de ler mais nada desta autora, nem pretendo ver a adaptação que foi feita para série televisiva. Não gostei desta experiência.

Classificação: 1/5 estrelas

terça-feira, 15 de novembro de 2022

«Romance de Verão» de Emily Henry [Opinião]

 
Não sei o que se passou entre mim e este livro.
 
Comprei-o de forma um pouco impulsiva porque me senti de imediato cativada pela sinopse. A história de dois escritores, de géneros literários diferentes — que estão falidos, com um bloqueio de escritor e a precisar urgentemente de vender um livro — tinha tudo para dar certo. Não deu.

Imaginei um romance leve, refrescante para ler no verão, e muito divertido. Acabei por não encontrar nada disso. A história aborda até temáticas mais pesadas, como o luto e a traição.

Achei a escrita da autora enfadonha e a narrativa avançava muito devagar. Em vez de rir às gargalhadas, passei o tempo num gigantesco tédio.

Não senti ligação nenhuma às personagens e a January era demasiado chata com os intermináveis pensamentos a choramingar acerca de tudo.

O que me motivou a conseguir ler o livro até ao fim foi a aposta entre os dois escritores (queria saber como terminaria) e a forma como a escrita e os livros eram abordados.

Foi a minha primeira e última experiência com esta autora. Detestei o livro e não tenciono dar-lhe uma nova oportunidade.

Classificação: 1/5 estrelas

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

«O Sonho» de Nicholas Sparks [Opinião]

 
O Sonho, de Nicholas Sparks, foi publicado em 2021.
Quando era mais nova, tive um grande fascínio por este autor, talvez por ter sido o primeiro autor de livros mais «adultos» que comecei a ler depois de largar os livros de aventuras na adolescência. Hoje em dia, à medida que vou conhecendo outros autores e amadurecendo como leitora, sinto que muito desse fascínio desapareceu. Continuo a ler os livros do autor apenas por curiosidade.

Não vou dizer muita coisa sobre a história para não dar spoilers. O livro é interessante se o formos ler sem sabermos nada dele; podemos ler a sinopse, que não contém nada de mal.

Nicholas Sparks volta a trazer-nos uma história dentro de uma história. Começamos no tempo presente, e conhecemos Maggie, uma fotógrafa de renome que vive em Nova Iorque. A história passa-se uns dias antes do Natal e, conforme se aproxima a quadra natalícia, ela vai recordar uma época da sua juventude que mudou para sempre o rumo da sua vida.

Regressamos então ao passado, para conhecer a Maggie de 16 anos, que foi viver com uma tia que mal conhecia, numa vila costeira. Muito revoltada com a sua estada ali, ela vai conhecer Bryce, um dos poucos adolescentes da zona. Ele vai mostrar-lhe a beleza daquela ilha e despertar nela a paixão pela fotografia, que a acompanhará no futuro.

O Sonho é uma história muito bonita, embora triste. Gostei muito, tanto da parte do presente como da narrativa no passado. Gostei da relação de companheirismo que se foi estabelecendo entre Maggie e Bryce.
Mais uma vez, o autor abordou com muita sensibilidade um tema difícil e eu dei por mim completamente agarrada ao livro e li-o em poucos dias.

Não querendo revelar muito, posso dizer que este livro me fez soltar umas boas lágrimas (como é usual nos livros deste autor) e, embora com uma pitada de previsibilidade (sabemos logo desde o início o que poderá acontecer), o meu interesse não esmoreceu.

O Sonho é uma história cheia de ternura, que nos fala de perda, de descoberta e da importância de dedicarmos o nosso tempo às pessoas que amamos.
Mesmo sendo uma história triste, considerei-a muito realista, bem estruturada e bem fundamentada (tendo em conta a época em que se passava).
O autor conquistou-me com este livro; foi uma leitura que me soube mesmo bem. Sem dúvida que vou continuar a acompanhar os trabalhos de Nicholas Sparks.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

«Desaparecido: No Rasto de Billy» de C. L. Taylor [Opinião]


«Além de criar um clima repleto de suspense, Taylor explora o modo como uma tragédia afeta diferentemente cada membro da família.»
Booklist
 
Este livro foi a minha estreia com a autora C. L. Taylor.
Desaparecido é um thriller psicológico onde vamos acompanhar Claire, a mãe de Billy, um adolescente de 16 anos que desapareceu a meio da noite. A narrativa inicia-se seis meses depois deste acontecimento.

A investigação policial não tem dado frutos e Claire quer a todo o custo descobrir onde está o filho, o que lhe aconteceu... De certa forma, ela culpa-se pelo sucedido. Porém, os vários membros da família também carregam a sua parte da culpa.
Uma vez que todos parecem ter algo a esconder, este livro torna-se interessante porque aos poucos percebemos que de facto todos têm um segredo. Para o leitor, acaba por ser difícil decidir em que é que há de acreditar.

Algumas pistas vão sendo dadas, mas achei difícil perceber o que teria acontecido a Billy: se fugiu de casa, se estará vivo ou morto. É algo que só descobriremos mesmo no fim e que, para mim, foi inesperado.

Desaparecido é uma história sobre uma mãe que percebe que, a dada altura, deixa de conhecer o filho tão bem como achava que conhecia. Claire sempre foi protetora e cuidadora e sente que o filho já não é a mesma criança que ela criou durante todos aqueles anos. Como poderá lidar com esta situação, ao mesmo tempo que o seu casamento parece estar a desmoronar-se?

A autora incluiu uma temática da psicologia para retratar Claire, e que considerei muito interessante, principalmente depois de ter lido a nota da autora.

Quanto à minha leitura, senti que me custou mais a avançar na história na primeira metade do livro, porque se centrava muito no sofrimento desta mãe, nas suas dúvidas, nas perguntas sem resposta, na procura intensiva pelo filho... Mais tarde, começou tudo a fazer sentido, a ficar muito interessante, até finalmente chegar à reviravolta final.

Em conclusão, este livro é um thriller psicológico que combina o drama de uma mãe em busca do filho e que, ao mesmo tempo, nos prende até às últimas páginas. Será que esta família vai ter um desfecho? Como é que se lida com uma tragédia deste género?

A temática de crianças ou adolescentes desaparecidos é bastante comum em thrillers, e aqui o que se torna diferente é a abordagem da autora: neste caso, a narrativa é mais centrada no sofrimento da mãe.
Gostei muito e vou sem dúvida ficar atenta a outras obras da autora!

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

«Shore Desvendado» de M. G. Ferrey [Opinião]


Shore Desvendado é uma crónica do mundo Aquorea que nos conta a perspetiva de Kai em relação aos acontecimentos do primeiro livro.
Depois de ter adorado Aquorea, fiquei muito contente com o lançamento deste novo livro. Tal como a autora sempre refere, só faz sentido ler este livro depois da leitura de Aquorea.

Este livro não é uma continuação. Acompanhamos os principais acontecimentos desde a chegada de Arabela a Aquorea, mas vamos conhecer os pensamentos de Kai, o que ele sente por Ara e por que razão é tão rude com ela. Vamos entrar na cabeça de Kai.

Considero que este livro tem uma ou duas surpresas, acontecimentos que ficamos a conhecer agora e que anteriormente não sabíamos, o que me entusiasmou.
No geral, o livro lê-se muito bem e a escrita da autora é cativante. Ao contrário de Aquorea, aqui os capítulos são pequenos.

Apesar de tudo, o que senti foi que por vezes a história era muito apressada, como se fosse um resumo rápido e superficial de Aquorea. Algumas semanas antes, eu tinha relido Aquorea para ter os acontecimentos mais frescos na minha memória, contudo, sinto que isso não me ajudou, pois pareceu-me tudo muito repetitivo.

É uma leitura interessante para os fãs da obra, com algumas surpresas, mas infelizmente não senti que tivesse acrescentado grande coisa.
Quero que chegue rapidamente a continuação porque essa, sim, valerá mais a pena!

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

«A Desconhecida do Sena» de Guillaume Musso [Opinião]


«O mestre francês do suspense.»
The New York Times, EUA

Guillaume Musso tem vários livros traduzidos e publicados em Portugal. Há já algum tempo que não havia novidades do autor e fiquei contente por ver que a Gradiva retomou as publicações.

Analisando a capa, confesso que não é das minhas preferidas. Está de acordo com o conteúdo do livro e adequa-se ao género em questão (thriller), porém, não a acho muito cativante.

Os livros que li deste autor têm todos algumas particularidades, uma vez que ele trata de temas um pouco dentro do sobrenatural, por exemplo: viagens no tempo, experiências de quase morte... Ou seja, há sempre algum pormenor de fantasia.

A Desconhecida do Sena é o primeiro thriller que leio do autor. Vamos acompanhar uma investigação policial, que se inicia quando um corpo é retirado do rio Sena: uma mulher nua, sem memória, mas viva. Mais tarde, as análises ao seu ADN revelam que ela é Milena Bergman, uma pianista famosa que... morreu um ano antes num desastre de avião.

[Fotografia da minha autoria]

É neste ponto da investigação que Roxane, uma oficial da polícia, vai encontrar Raphaël, um escritor que namorara a pianista.

Embora tenha sentido sempre curiosidade por desvendar este mistério, senti que por vezes a ação era lenta e o livro não me provocava aquela vontade compulsiva de ler, que é o que mais gosto de encontrar nos policiais e thrillers.
Há suspense, há ação, reviravoltas interessantes, mas precisava que o livro tivesse puxado mais por mim.

Também não senti uma ligação profunda com as personagens. Gostei da persistência de Roxane, mas não gostei do escritor.

O livro aborda um pouco as temáticas do teatro e de deuses gregos. Não são temas que me entusiasmam por completo, mas posso afirmar que a história está bem construída e conta com um final um pouco diferente de outros policiais (e que me surpreendeu).

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

«Fica Comigo» de Noelia Amarillo [Opinião]


Este pequeno livro de Noelia Amarillo, uma escritora espanhola, foi uma boa surpresa para mim.
Não conhecia nada acerca do livro e, antes de iniciar a leitura, apenas estava um pouco reticente por ele ser tão pequeno (menos de 200 páginas).

Este livro conta a história de Jared, um sem-abrigo que caminha pelas ruas de Madrid à procura de uma oportunidade que lhe possa proporcionar um futuro melhor. Vai encontrar Dolores, um idosa disposta a ajudá-lo, embora contra a vontade da sua neta Nuria, que está desconfiada das intenções dele.

Gostei muito de ver a evolução de Jared neste livro porque ele é muito recatado, muito inseguro, com uma autoestima muito baixa, e acredita que não passa de lixo e que ninguém é digno da sua presença. Porém, quando pequenas oportunidades lhe começam a surgir, ele agarra-as com força e consegue realmente construir algo melhor para si mesmo.

Este foi um dos pormenores de que mais gostei neste livro, dado que nunca tinha encontrado nenhum livro em que uma das personagens principais fosse um sem-abrigo. Embora o livro seja pequeno, a autora conseguiu mostrar muito bem algumas das dificuldades por que passam os sem-abrigo, não só o problema de viver na rua e dormir ao frio, como também os preconceitos que sofrem por parte das outras pessoas.

Há um romance que se vai desenvolvendo entre Jared e Nuria, e creio que este foi o aspeto que me cativou menos na narrativa. Uma vez que o livro é pequeno, o romance também é rápido e não consegui sentir aquele crescimento entre as personagens, a química, a paixão a surgir.
 
Posso afirmar que a autora, em poucas páginas, conseguiu uma história bem estruturada, com uma personagem diferente, que se destaca de todos os homens que geralmente encontramos nos livros. Isto merece um grande ponto positivo para a autora.

Por fim, quero acrescentar que, além das personagens principais, temos mais algumas secundárias que dão o seu contributo para a história. Não são muito desenvolvidas, mas dá para perceber que são bastante reais, cativantes, bem caracterizadas no pouco que a autora fez.
 
Fiquei com curiosidade suficiente para vir a ler outras obras da autora, contudo, infelizmente não há mais nenhum livro da autora traduzido para português.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 16 de agosto de 2022

«A Última Casa em Needless Street» de Catriona Ward [Opinião]


«Sensacional... Não me recordo de outro romance nos últimos anos que se tenha atrevido a tanto e conseguido tanto.»
A. J. Finn, autora de A Mulher À Janela
 
Falar deste livro só é possível sem dizer nada sobre ele, nada que prejudique a experiência de leitura das outras pessoas.
Por isso, podes ler esta opinião à vontade, porque não conterá nenhum spoiler.

A Última Casa em Needless Street é um thriller que me chamou a atenção assim que foi publicado e creio que o comprei logo nesses dias.
A própria sinopse, de facto, não diz grande coisa porque este livro deve ser lido sem se saber nada sobre ele.

Esta é a história de Ted, que vive com a filha Lauren e a gata Olivia. Paralelamente, desenvolve-se a história de uma criança desaparecida.

Nesta opinião, vou falar sobretudo do que eu senti ao ler este livro.
O livro é confuso. O início da leitura custa um pouco e posso dizer que vai demorar até começarmos a perceber o que se está a passar.
A história é contada de várias perspetivas: de Ted, da irmã da menina que desapareceu e de Olivia, que é a gata. Este foi o pormenor que achei mais estranho, porque nunca tinha lido nada que nos desse a perspetiva de um gato: ele a falar, os seus pensamentos, o que ele estava a fazer...

Este livro é mesmo estranho. Contudo, nunca me passou pela cabeça desistir da leitura, mas custou até isto começar a arrancar e a ficar mais interessante.
A sensação que eu tinha era que estava a ler, por mais que lesse não percebia nada, mas havia ali algo que me chamava e me fazia querer ler mais.

[Fotografia da minha autoria]

Vou referir apenas que este livro tem uma ideia muito ambiciosa. Já vi um filme que aborda esta temática, mas nunca tinha lido nada assim. Confesso que, em livro, eu nem saberia como abordar o tema.
Acredito que a autora tenha feito uma pesquisa enorme e está de parabéns por este trabalho!
Se esta é ou não a melhor forma de contar uma história deste género e com este tema, não sei. Gostei muito, mas não consigo dar as 5 estrelas, e não sei explicar bem porquê. Talvez por ter passado tanto tempo sem perceber nada e ter sentido ali alguma frustração.

O que recomendo a quem quer ler este livro: vai ser estranho e confuso, mas insistam. O final vale muito a pena. NÃO espreitem a parte do fim, a nota da autora e a bibliografia, porque isso dá logo o spoiler que é este livro.
A quem começou a ler e desistiu porque não estava a aguentar tanta confusão, posso dizer que tentem novamente, ofereçam ao livro uma nova oportunidade.

A experiência deste livro é boa se pegarmos nele sem sabermos nada. Prometo que vale a pena!

Sem dúvida, vou ficar atenta a novos trabalhos da autora. Mesmo não tendo sido, para mim, o melhor livro de sempre, tenho de admitir que é muito interessante e que é um livro que talvez venha a ler no futuro para ter uma compreensão diferente, agora que sei de que se trata.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 26 de julho de 2022

«Morrer Duas Vezes» de Tess Gerritsen [Opinião]


«Uma batalha aguerrida onde apenas o mais forte pode sobreviver. Isto é Tess Gerritsen no seu melhor.»
Lisa Gardner

Morrer Duas Vezes é o décimo primeiro volume da série Rizzoli & Isles, da Tess Gerritsen. Esta série é simplesmente incrível e recomendo que seja lida por ordem.

Neste livro, a ação desenrola-se em duas frentes: em Boston, quando surge uma terrível cena de crime, em que um homem teve uma morte digna do mais feroz animal da savana; e no Botsuana, onde um safari de sonho se transforma no pior dos pesadelos para aquele grupo de turistas.

Passei várias semanas a trabalhar na revisão de livros mais leves, que fogem um bocadinho àquilo que maioritariamente leio. A certa altura, senti-me muito necessitada de um policial, uma vez que começava a enjoar de romances fofinhos.
A Tess foi uma escolha segura. Sabia que me cativaria logo desde as primeiras páginas.

E assim foi. O início do livro transporta-nos para um safari no Botsuana, narrado sob a perspetiva de uma das turistas, Millie.
Vários capítulos ao longo do livro vão mostrando ao leitor o terror vivido por este grupo, sendo intercalados com a investigação policial que decorre em Boston.

Só mais tarde, quando os dois casos se interligam, é que o leitor perceberá que os acontecimentos no Botsuana ocorreram no passado, ou seja, seis anos antes.

A história deste romance policial é incrível e senti-me quase febril ao longo da leitura, de tão curiosa que estava. Sentia-me fascinada e só queria desvendar tudo o mais rápido possível.

Este livro fala-nos de sobrevivência na savana, de caça, do comportamento dos maiores felinos da vida selvagem, de predadores e de vítimas. Fala-nos também do trauma que as vítimas carregam consigo e de como, por vezes, é fundamental enfrentar esses medos para que se possam libertar.

Ao longo da história foram sendo deixadas algumas pistas daquilo que poderemos encontrar no volume seguinte da série. Já o tenho na minha estante e tenciono lê-lo em breve, embora o vá guardar para um momento em que necessite de me perder num policial de leitura compulsiva.

Aqui fica a minha recomendação habitual: lê Tess Gerritsen!

Classificação: 5/5 estrelas

terça-feira, 19 de julho de 2022

«Viver Sem Ti» de Jojo Moyes [Opinião]


«Jojo Moyes tem um especial talento para preencher as expectativas dos seus leitores evitando a previsibilidade.»
Wall Street Journal

Após ter lido, no ano passado, a história incrível da Louisa e do Will, ficou a vontade e a curiosidade em descobrir como teria continuado a vida da Louisa depois do final de Viver Depois de Ti.

É compreensível que, depois de uma história tão perfeita, e que poderia ter terminado ali, deixando o resto à imaginação do leitor, haja receio em ler a continuação.

Eu arrisquei e posso já afirmar que a leitura me soube muito bem. O livro não é de longe tão bom como o primeiro, mas adorei reencontrar algumas destas personagens tão queridas. Esta leitura não estragou as minhas memórias e sentimentos em relação ao primeiro livro.

Em Viver Sem Ti, Louisa está a começar a aprender a seguir em frente. Sente-se ainda um pouco perdida, sem saber o que fazer com a sua vida, e tudo muda quando um estranho acidente a faz voltar a casa dos pais. Pouco tempo depois, vai parar a um grupo de apoio e, mais tarde, conhece Sam Fielding, um paramédico que conseguirá compreendê-la.
Ao mesmo tempo, surge uma personagem do passado de Will, que virá alterar todos os planos a Louisa.

[Fotografia da minha autoria]

Mais uma vez, toda a narrativa é contada na perspetiva da Louisa e adorei voltar a ouvir esta voz tão inocente e divertida, com alguns momentos de tristeza.
A escrita é tão cativante, que fiquei agarrada logo desde o primeiro capítulo e todo o livro se leu muito bem. Ao contrário do primeiro volume, este não é tão intenso, não retrata temas tão perturbadores e considero que foi uma leitura bem mais refrescante.

Viver Sem Ti fala-nos de luto, de como se segue em frente depois de se perder alguém que se ama, de como se ultrapassa os sentimentos de culpa, a dor, o vazio... Depois de algo tão doloroso, como se constrói uma vida com um objetivo, com algo que valha a pena?

Gostei muito das sessões do grupo de apoio, de todo o leque de personagens que partilhavam os seus sentimentos, alegrias, tristezas, frustrações, esperança no futuro.
Contudo, o que mais gostei neste livro foi o crescimento da Louisa, de como, aos poucos, ela foi ultrapassando os sentimentos de depressão e recuperando alguma da sua personalidade tão viva.

Encontramos também muitas outras personagens do livro anterior, relacionadas direta ou indiretamente com o Will, e este livro mostra-nos como todas elas, com mais ou menos dificuldades, seguiram em frente com a sua vida.

Para terminar, volto a referir que este livro não conseguiu ser tão bom como o primeiro. Houve momentos em que achei que a autora estaria a exagerar no drama, mas, no final, o balanço foi positivo. Vou querer ler, em breve, o último volume da trilogia.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 11 de julho de 2022

«Olive Kitteridge» de Elizabeth Strout [Opinião]


«Perspicaz e profundamente empática, Olive Kitteridge é o eixo à volta do qual giram as narrativas deste romance, feito de histórias complexas e implacavelmente humanas.»
Oprah Magazine
 
Decidi trazer Olive Kitteridge da biblioteca depois de ter lido opiniões muito boas acerca dele.

Este livro é um conjunto de vários contos, cada um sobre um habitante de Crosby, uma pacata povoação costeira no Maine.
 
O que liga todas estas história é Olive Kitteridge, uma professora reformada que sempre foi conhecida por ser rezingona, irritante, ter muito mau feitio. É uma personagem deveras interessante e que vai evoluindo ao longo do livro. Apesar de tudo, ela é humana, tal como todos os outros, e tem os seus problemas e tristezas. Embora nos irrite, é fácil começar a sentir empatia por ela, compreendê-la, tolerá-la.

Gostei muito da escrita de Elizabeth Strout, embora admita que é um livro para se ler devagar.
Talvez este não tenha sido o momento certo para ler este livro, uma vez que me tenho sentido cansada e, sempre que pegava nele para ler mais um capítulo, sentia que não estava com a disponibilidade mental que ele merecia.
 
No entanto, dei comigo a apreciar estas personagens, a sentir empatia pelas suas histórias e alguma tristeza pelo fim que algumas delas tinham. De alguma forma, o livro foi-me cativando a cada novo conto.

Apesar de não ter sido uma leitura apaixonante, o balanço é positivo e fiquei com vontade de ler a continuação da história. Talvez não para já, mas tenciono trazê-la em breve da biblioteca.

E tu, já leste este livro? Leste algum outro da autora? Partilha comigo a tua opinião.

Classificação: 3/5 estrelas

terça-feira, 28 de junho de 2022

«A Minha Avó Pede Desculpa» de Fredrik Backman [Opinião]

 
«Cheio de amor, esperança, perdão e compreensão das diferenças, a história de Elsa acompanhá-lo-á muito depois de ter virado a última página.»
Library Journal

Depois de ter adorado Gente Ansiosa, mal podia esperar pela oportunidade de voltar a ler outra obra do autor.

A Minha Avó Pede Desculpa conta-nos a história da Elsa, uma menina que adora a sua avó. Todas as noites, a avó conta-lhe histórias cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde é normal ser-se diferente.
Quando a avó morre de repente e deixa um conjunto de cartas a pedir desculpa às pessoas que magoou, Elsa dá início à sua maior aventura.

Confesso que me custou um bocadinho a adaptar-me a esta história. Achei-a descritiva e com uma grande ênfase no reino mágico criado pela imaginação da avó de Elsa. Contudo, ao fim de alguns capítulos fui finalmente capaz de apreciar toda a beleza desta história.

Elsa vive num prédio, onde também habitam outros moradores, cada um com a sua história. A menina acabará por ter de lhes entregar cartas da avó e, com isso, vai conhecer um pouco da vida dessas pessoas e da sua relação com a avó.
O que é engraçado é que a avó camuflou todos esses moradores nas histórias mágicas que sempre contou à neta.

A escrita do autor é ternurenta e embala-nos e, mais uma vez, senti vontade de ler este livro devagar, para viver por mais tempo nesta história.
O final é maravilhoso, quando todas as personagens se interligam e percebemos a ligação entre os moradores daquele prédio e os habitantes de Miamas. Há ainda um capítulo final que me emocionou e que achei brilhante, uma vez que interliga os nomes de todos os capítulos do livro. Achei esse pormenor delicioso.

A minha avó pede desculpa é uma história repleta de ternura e que nos fala de luto, de perdão, de amor e compreensão. Gostei mesmo muito e recomendo sem reservas!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 13 de junho de 2022

«Segredos» de Lesley Pearse [Opinião]


Há mais de um ano que eu não lia nada da Lesley Pearse e então decidi trazer este livro da biblioteca.
Tal como é habitual na autora, ela escreve histórias de mulheres fortes e resilientes, que enfrentam com muita coragem as provações que a vida lhes dá.

Em Segredos, vamos conhecer a história de Adele. A narrativa inicia-se em 1931, quando a pequena Adele tem 12 anos. Ela é negligenciada em casa e, quando uma tragédia se abate sobre aquela família, a menina acaba por ser afastada da mãe e colocada numa instituição.
Mas os desgostos não ficam por aqui e rapidamente Adele vê-se obrigada a fugir da instituição. Acaba por encontrar abrigo junto da avó que vive nos pântanos de Rye. Chega cansada e doente e é a avó quem cuida dela.

Vamos vendo esta criança a crescer, a recuperar e a transformar-se numa mulher forte e trabalhadora. Também conhece Michael, um piloto por quem se apaixona, e tudo na sua vida parece estar a encaminhar-se.

Segredos acaba por ser uma história familiar, uma vez que vamos conhecer partes da história da avó da Adele e da sua mãe. Vamos perceber por que razão ela negligenciou a filha até àquele ponto.
Qualquer família tem segredos e nem sempre a verdade pode permanecer escondida. Quando a mãe de Adele regressa com os seus segredos, estes poderão arruinar a tão merecida felicidade da jovem.

Gostei bastante desta história. Por muitas vezes senti vontade de abraçar a pequena Adele e adorei a forma como ela e a avó se tornaram cada vez mais próximas.
Algo que não me cativou tanto foi a história de amor entre a Adele e o Michael. Não sei se consigo explicar muito bem, mas diria que não senti uma química forte entre os dois. Senti a amizade, o respeito, o companheirismo, mas não senti a paixão, o desejo carnal.

Lesley Pearse escreve dramas fortes e, uma vez que retratam sempre temas duros e complicados, considero que seja difícil ler vários livros da autora seguidos. São livros de uma grande densidade, que necessitam de ser intercalados com outras leituras.

No geral, foi uma leitura muito boa, embora não tenha entrado para as minhas histórias preferidas da autora. Não me arrebatou a esse ponto. Contudo, tenciono, sem dúvida, continuar a descobrir mais trabalhos de Lesley Pearse.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 24 de maio de 2022

«A Outra Metade» de Brit Bennett [Opinião]

 
«Belissimamente escrito, provocador e envolvente. Com a sua premissa inteligente e as suas personagens fortes, é impossível parar de ler este romance altamente recomendado.»
Associated Press
 
A Outra Metade é uma saga familiar, que se inicia em Mallard, uma localidade retrógrada, onde ninguém gosta de pessoas negras. Nesta terra, ninguém se casa com pessoas de cor; as pessoas vão-se casando com pessoas brancas para tentar clarear, cada vez mais, o tom de pele.
Além disso, dizem que ninguém se vai embora dessa terra.

Este livro traz então a história de duas gémeas, Stella e Desiree Vignes, idênticas fisicamente, mas diferentes em personalidade, que vão contrariar esta profecia e fugir da pequena localidade onde vivem.
Vão para Nova Orleães, para iniciar uma vida nova, com melhores condições, e fugir aos estigmas que continuam a persegui-las. Contudo, será também aqui que as irmãs se vão separar e seguir cada uma o seu percurso.

Catorze anos depois, uma das irmãs regressa à casa materna, em fuga de um marido violento. A outra irmã, por sua vez, está na Califórnia, onde construiu uma vida assente numa mentira.

Este livro foi uma agradável surpresa. Trouxe-o da biblioteca num dos dias em que deparei com ele numa das estantes e me recordei de que já lera opiniões boas a seu respeito.
Desta vez, fugi um pouco ao meu género habitual, o thriller, e desafiei-me a ler algo diferente.

Gostei muito da escrita da autora. A tradução é de Tânia Ganho e parece-me também estar bem conseguida, assim como a revisão do livro.

A história destas irmãs acaba por tornar-se interessante, uma vez que se estende ao longo de várias gerações.Vamos avançando para trás e para a frente e conhecendo a sua história, desde a infância à vida adulta. Mais tarde, acompanhamos também as filhas de ambas e, por fim, o seu reencontro.

Não é uma história com grandes reviravoltas, mas vale a pena devido às ligações familiares e aos temas que aborda. Não se fala apenas de racismo, mas principalmente de identidade, de quem somos, de que forma o meio ao nosso redor nos pode moldar e das consequências das nossas mentiras.

Gostei muito e vou ficar atenta a mais obras desta autora. Recomendo!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 17 de maio de 2022

«Gente Ansiosa» de Fredrik Backman [Opinião]

 
«[Um] romance peculiar e rico [...] Irónico, sábio e muitas vezes engraçado, é uma história totalmente original que proporciona puro prazer.»
People
 
Gente Ansiosa foi o primeiro livro que li de Fredrik Backman e foi uma surpresa completa!
Tinha lido opiniões muito boas, tanto deste como de outros livros do autor, e por isso estava ansiosa por conhecer esta história.

Diria que Gente Ansiosa é diferente de tudo o que já li. É uma história sobre um assalto a um banco que corre mal, e o assaltante acaba por fazer reféns num apartamento que está à venda e a ser visitado naquele momento. Esta acaba por ser uma história de várias pessoas que se cruzam naquele apartamento, cada uma com as suas vivências, as suas preocupações, as suas dores, as suas ânsias.
 
São personagens muito humanas e com as quais facilmente nos vamos identificar. Mesmo o assaltante vai fazer-nos sentir empatia e torcer para que tudo corra bem nesta situação de reféns.

Adorei completamente a estrutura deste livro, a forma como o autor conta a história, como por vezes se dirige ao leitor. A escrita é simplesmente deliciosa; o autor conta esta história como se nos estivesse a embalar. Só queria ler devagar para apreciar cada palavrinha, cada frase.

[Fotografia da minha autoria]

O autor recorre a descrições e comparações originais, que eu achei não apenas lindas, como também interessantes de interpretar. Diria até que poderão ser úteis para escritores que por vezes não sabem como descrever de forma original algo totalmente comum.
Recordo-me de um exemplo em que o autor descrevia o tempo numa determinada manhã. Em vez de se limitar a dizer que o céu apresentava nuvens cinzentas, disse que a aparência do céu era como se alguém tivesse pegado fogo a fantasmas. Achei incrível!
Há outro momento em que o narrador descreve o inverno como alguém presunçoso, uma vez que é o outono que tem todo o trabalho de fazer as pessoas esquecerem-se dos dias de calor e depois o inverno simplesmente aparece com o frio e a neve e fica com o mérito.

Gostei tanto deste livro que nem queria terminá-lo. Queria conhecer o desfecho, mas não despedir-me das personagens, da escrita belíssima.

Gente Ansiosa é original na sua simplicidade. A história em si não é nada de especial. É uma história simples, com laços entre as personagens, entre o passado e o presente, e tudo acaba por fazer muito sentido no fim.

Trouxe este livro da biblioteca, mas é daqueles que gostava mesmo de ter na minha estante. Gostei tanto, tanto! Vale completamente a pena. Leiam!

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 22 de abril de 2022

«Eu Sei o Que Vocês Fizeram» de Dorothy Koomson [Opinião]


«Um thriller psicológico instantaneamente envolvente.»
Daily Telegraph

Tenho gostado imenso de ver Dorothy Koomson a explorar a sua vertente mais direcionada para os thrillers, não fosse este o meu género literário preferido.

Eu Sei o Que Vocês Fizeram despertou-me a curiosidade assim que soube do seu lançamento em Portugal.
A premissa é muito boa e tinha tudo para dar certo.
Imagina que chega às tuas mãos um diário que revela os segredos de todos os teus vizinhos. A mulher que o escreveu foi violentamente atacada e encontra-se às portas da morte. O que farias? Entregarias o diário à polícia? Ou tentarias descobrir quem a atacou?

Iniciei este livro com grandes expetativas e esperança de me surpreender. O início prendeu-me e, ao mesmo tempo, deixou-me um pouco confusa. São-nos apresentadas várias personagens e vamos acompanhando o ponto da vista de cada uma. Precisei de algum tempo até ser capaz de identificar quem era quem.

Fui avançando na leitura, mas sentia que não me estava a cativar o suficiente, não me prendia nem me deixava em ânsias de descobrir tudo como um bom thriller consegue fazer. Atribuí isso à possibilidade de me sentir ainda ressacada da minha leitura anterior. Porém, esta falta de algo que me cativasse manteve-se quase até ao final.

No geral, não gostei propriamente de nenhuma personagem, excetuando talvez a Rae, com quem me identifiquei um pouco. Achei que estava bem caracterizada e gostei especialmente que fosse uma personagem com problemas que se intensificaram devido à pandemia e ao confinamento.

A minha única motivação para ler o livro até ao fim foi descobrir quem atacara a dona do diário. Esse mistério acabou por conseguir manter-me curiosa ao longo da leitura. As últimas cem páginas acabaram por valer um pouco mais a pena e adorei a reviravolta final.

Apesar de tudo, acho que faltou qualquer coisa a este livro para ele funcionar comigo.

Eu Sei o Que Vocês Fizeram é um thriller que aborda aquilo que somos capazes de fazer para proteger quem amamos. A restante temática acaba por ser um pouco baseada na coscuvilhice, uma vez que toda a história se centra numa mulher que se dedicou a investigar todos os seus vizinhos e a descobrir os seus podres.
Todos podemos ter segredos, todos podemos ter algo no passado de que não nos orgulhamos, mas ninguém tem o direito de se intrometer na nossa vida e revelar os nossos segredos. Creio que o ensinamento que podemos retirar daqui é que, apesar de sermos naturalmente curiosos, devíamos aprender a respeitar um pouco mais os outros.

Embora não me tenha cativado tanto como outros livros da autora, não deixo de recomendar a sua leitura. Outros leitores poderão certamente apreciar esta história de forma diferente.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 14 de abril de 2022

«Se Fosse Perfeito» de Colleen Hoover [Opinião]


«Íntimo e cru.»
USA Today

«Se Fosse Perfeito» é um romance de Colleen Hoover publicado originalmente em 2018, algum tempo antes de a autora se estrear nos thrillers psicológicos. Por essa razão, este é um daqueles dramas capazes de nos apertar o coração.

Quinn e Graham conheceram-se numa situação péssima na vida de ambos. Não foi o início que qualquer um deles desejaria, mas o que os uniu foi mais forte do que o desgosto que haviam partilhado.
Alguns anos mais tarde, o amor que sentem um pelo outro é abalado pelos momentos menos perfeitos da vida a dois. Será o amor realmente capaz de superar tudo?

Sem querer dar muitas pistas sobre este livro, tenho apenas de referir a sua temática principal: a infertilidade.

Neste romance que nos agarra desde a primeira página, vamos acompanhando dois espaços temporais: o passado, quando Quinn e Graham se conheceram e começaram a namorar; e o presente, após alguns anos de casados e em que sentem o seu casamento em crise.

[Fotografia da minha autoria]

É impossível ficar indiferente à história destes dois e ao sofrimento que partilham devido à infertilidade. Colleen retrata na perfeição as angústias e o desespero de uma mulher que quer a todo o custo ser mãe e, mês após mês, falha. Compreendemos como é desagradável quando uma mulher está nesta situação e, a toda sua a volta, as pessoas estão sempre a intrometer-se e a atirar a habitual pergunta: «para quando um bebé?»
Por muito que as pessoas nem perguntem por mal, a verdade é que nós nunca sabemos se estamos a fazer esta pergunta a alguém que não consegue engravidar e que, por isso, está num sofrimento imenso.

Por seu lado, Graham não consegue lidar com o sofrimento de Quinn, porque ela se afasta, não se abrindo com ele. Colleen aborda aqui os problemas de comunicação que originam muitos mal-entendidos e podem minar a relação de um casal.

Embora a minha visão da maternidade seja diferente da desta personagem, consegui sentir empatia e pôr-me um bocadinho na sua pele. Acredito que este livro possa ser muito forte para mulheres que sofram de infertilidade. É duro, muito cru, muito real.

Quinn e Graham sentem um amor único um pelo outro e a possibilidade de que se pudessem separar abalou-me imenso durante a leitura. Afinal, o amor é ou não capaz de superar tudo?

Colleen é excelente a escrever sobre emoções. Apesar de triste, este livro é também muito bonito. Vai deixar o leitor de coração destroçado e a seguir vai voltar a unir todos os pedaços.
 
«Se Fosse Perfeito» é uma história com um final maravilhoso, diria até perfeito. Prepara os lenços, porque as lágrimas vão cair, mas prometo que vale totalmente a pena.

Classificação: 5/5 estrelas