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sábado, 14 de novembro de 2020

"O Regresso" de Nicholas Sparks [Opinião]


Nicholas Sparks foi um dos primeiros autores que li na adolescência durante a minha transição das histórias juvenis para os romances dirigidos a adultos, sendo por isso um autor pelo qual nutro bastante carinho. Admito, contudo, que atualmente já não sinto o mesmo fascínio pelas suas histórias, embora continue a gostar de conhecer os seus novos trabalhos.

Este romance apresenta-nos Trevor Benson, um médico que ficou gravemente ferido no seguimento de uma explosão junto ao hospital onde trabalhava, no Afeganistão. Decide então ir recuperar para a velha casa que herdou do avô.

Naquela pequena localidade, ele conhece Natalie, a delegada do xerife, e uma química nasce entre ambos. No entanto, Natalie mantém uma distância inexplicável, é evasiva e Trevor admite que ela possa estar a esconder alguma coisa.

Ao mesmo tempo, Trevor anda também a tentar descobrir o que aconteceu com o avô antes de ele falecer, uma vez que a sua morte está envolta em alguma estranheza.

Existe ainda Callie, uma adolescente que parecia manter uma relação de amizade com o seu avô. Contudo, ela mostra-se igualmente reservada e Trevor não consegue sequer manter uma conversa com ela.

 
[Fotografia da minha autoria] 

Assim, temos uma parte inicial onde as personagens interagem e se conhecem, tendo sido a parte que considerei mais monótona, embora tenha adorado a personalidade de Trevor e as suas tentativas para conhecer melhor Natalie.
A segunda parte do livro torna-se mais apelativa e iremos descobrir os segredos de Natalie, Callie e do avô de Trevor, e como as suas vidas se interligam. O livro oferece então um mistério para desvendar, levando a uma leitura bastante mais dinâmica.

O Regresso não é um daqueles romances arrebatadores e devastadores, como outros que o autor já escreveu. Considero, sobretudo, que é um livro muito bonito, com uma mensagem de esperança. Fala-nos do verdadeiro significado do amor e do perdão. Mostra-nos que amar verdadeiramente alguém poderá significar deixar essa pessoa ir, seguir a sua vida, por muito que nos possa doer.

É um romance que poderá fazer-vos soltar uma lágrima teimosa, mas, no final, é uma história que nos aquece o coração e nos oferece alguma esperança, algo que até nos faz falta nos tempos que correm.

Gostaria de deixar um apontamento final de agrado pela edição dinâmica e interativa que este livro nos oferece, ou seja, ao longo do livro vamos encontrar três QR Codes com vídeos do autor com uma mensagem para os leitores! Gostei imenso!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

"Uma Mulher em Fuga" de Lesley Pearse [Opinião]


Lesley Pearse escreve sobre mulheres. Mulheres fortes e resilientes, capazes de enfrentar com coragem as situações mais difíceis.

Esta é a história de Rosie, uma criança negligenciada pelo pai e sujeita aos maus-tratos por parte dos irmãos mais velhos. Sem uma mãe para a proteger, um dia ela descobre uma terrível verdade acerca do pai e é obrigada a fugir, na tentativa da dar um rumo novo à sua vida.

Rosie é ajudada por uma assistente social e acaba por ir trabalhar para um hospital psiquiátrico. É neste local que se centra uma grande parte da ação do livro.
Os vários capítulos decorridos no hospital são extremamente duros. Há descrições terríveis de como os doentes eram tratados e houve um capítulo em particular que me deixou verdadeiramente agoniada com o tratamento que eles recebiam. Acredito que a autora tenha feito pesquisa e que muito do que aqui é retratado poderá ter sido verdadeiro na época em que decorre esta história.

Achei curioso a quantidade de personagens más e mesquinhas que encontrei neste livro. Há outros livros da autora em que as personagens passam por muitas desgraças, mas neste livro Rosie cruza-se com tantas personagens que a querem prejudicar que cheguei a pensar que a autora tinha reunido num só livro todas as personagens mesquinhas que foi capaz de construir.
Mas, apesar de tudo, Rosie é uma jovem de verdadeira fibra e consegue enfrentar com coragem e determinação todas as provações que a vida lhe dá, conseguindo até construir uma carreira de sucesso para si própria.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
Antes de o livro terminar, ainda temos uma pequena parte thriller, uma vez que Rosie é perseguida pelo seu irmão Seth, um homem completamente repugnante e que não descansa enquanto não obtiver vingança. Este momento de clímax acabou por não corresponder às minhas expectativas. Achei pouco, foi apenas um breve episódio descrito num pequeno capítulo e que passou muito depressa.
 
No fim, temos ainda uma boa descrição de como ficou a vida de Rosie dali para a frente. O final do livro é um pouco cliché mas era o esperado. Rosie sofreu muito e acabou por ser gratificante ler um final feliz, um final repleto de amor e esperança para esta personagem.

Penso que os romances de Lesley Pearse ainda provocam algum preconceito nos leitores. Os títulos portugueses e as capas são um pouco romantizados e, ainda por cima, são vendidos dentro de saquinhos super amorosos, levando muitos leitores a acreditar que se trata de histórias cor-de-rosa. Não é verdade. Lesley aborda quase sempre temas duros, desconcertantes. Posso afirmar que, de todos os livros que já li da autora, em nenhum encontrei uma história lamechas.

Não sendo este um dos meus romances preferidos da autora, não deixo de o recomendar a quem já é fã ou aos leitores sintam curiosidade em experimentar.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 14 de maio de 2020

"Aquele Beijo" de Julia Quinn [Opinião]


Tenho-me sentido carente e com vontade de leituras leves, divertidas e românticas, por isso, no espaço de um mês, já devorei dois livros da Julia Quinn.

Antes de mais, uma nota em relação a esta capa amorosa mas completamente aleatória, que me desagradou. Passei toda a história à espera que surgisse algum cãozinho e, chegando ao fim... nada! É uma capa bonita, sim, mas que nada tem a ver com a história!

Aquele Beijo é o sétimo livro da série Bridgerton e traz-nos a história de Hyacinth, a mais nova dos oito irmãos.
Tinha imensa curiosidade em conhecer melhor esta personagem, uma vez que é uma jovem que foge um bocadinho aos padrões da sociedade. É muito aventureira, teimosa e tem a língua afiada, o que desde logo prometia imensas peripécias.

Gareth St. Clair é um homem que tem uma relação conflituosa com o pai, que o odeia. Gareth nada sabe sobre o seu passado e, quando recebe um antigo diário, escrito pela avó paterna, percebe que este poderá conter as respostas que procura. O problema é que o diário está escrito em italiano, uma língua que ele não domina de todo.

Achei este livro muito doce e fiquei apaixonada pelas interações entre Gareth e Hyacinth. Adorei a Lady Danbury e a sua personalidade peculiar e fartei-me de rir com os diálogos entre Gareth e Gregory e o irmão mais velho, Anthony.

O diário e a sua tradução conferiram ao livro um certo tom de mistério, aventura e perigo, ingredientes que combinaram na perfeição com a personalidade de Hyacinth.
Agradou-me também ver como ela era tão despachada para umas coisas e tão desastrada e com falta de jeito para as questões relacionadas com o amor.

Creio que o livro cumpriu na perfeição o seu propósito: entreteve-me durante vários dias, fez-me rir e soltar algumas lágrimas, e deixou-me com aquela sensação de leveza e de esperança, fazendo-me acreditar, por momentos, que há um final feliz para todos nós.

Classificação: 4/5 estrelas


Volumes anteriores:
Crónica de Paixões e Caprichos
Peripécias do Coração
Amor e Enganos
A Grande Revelação
Para Sir Philip, Com Amor
A Bela e o Vilão

sábado, 25 de abril de 2020

"A Bela e o Vilão" de Julia Quinn [Opinião]


Desde 2016 que não lia nada desta autora e confesso que nem sei como aguentei tanto tempo, uma vez que tinha este livro na estante, conseguido através de uma troca.

Andava a passar por uma fase de desmotivação em que quase não me apetecia ler e senti que precisava de uma leitura mais ligeira, fofinha e com muito amor pelo meio. Este sexto volume da série dos Bridgertons chamou de imediato por mim e não lhe resisti.

De facto, o livro cumpriu na perfeição o seu propósito e conseguiu animar-me. Em apenas duas tardes, devorei 200 páginas, o que foi um progresso gigante tendo em conta a minha falta de vontade de ler.

Neste romance, conhecemos a história de Francesca, uma das irmãs mais reservada e que mais aprecia o sossego. Sabemos que ela ficou viúva e os capítulos iniciais mostram-nos como tudo isso aconteceu. Confesso que as lágrimas me começaram a dançar nos olhos neste início tão emotivo.

[Fotografia da minha autoria]

Depois é-nos dado a conhecer Michael Stirling, um sedutor libertino que nunca entregava o seu coração. Mesmo que quisesse, não podia, visto que se apaixonara completamente por Francesca quando a conhecera, dias antes do seu casamento com o seu primo John.

Michael tem uma personalidade muito interessante, embora na verdade ele pouco tenha de vilão. É apenas um homem que tem de esconder a toda a força os seus sentimentos por uma mulher que lhe é inacessível. E o segredo perverso que a sinopse revela acaba por não ser nada de tão perverso assim. Michael é apenas um homem que tem de lutar contra os seus demónios interiores e usa a fachada de devasso e libertino para proteger o seu coração.

Gostei imenso da relação e de todo o companheirismo entre estes dois. Terminei o livro com um grande sorriso nos lábios e a sensação de que passei uma boas horas.

Este livro pode perfeitamente ser lido em separado, embora seja muito mais interessante ler a série na sua ordem.
Falta-me apenas conhecer a história de mais dois irmãos Bridgerton e, desta vez, não vou deixar passar tanto tempo.

Se apreciam romances de época, Julia Quinn é uma autora imperdível!

sábado, 16 de março de 2019

"Segue o Coração - Não Olhes Para Trás" de Lesley Pearse [Opinião]


Fiquei fã de Lesley Pearse desde que a Silvana me começou a emprestar alguns dos livros da autora. Desde aí, tenho vindo a descobrir personagens e histórias maravilhosas.

Segue o Coração - Não Olhes Para Trás conta-nos a história de Matilda Jennings, uma pobre vendedora de flores que vive num dos bairros degradados de Londres. Um dia, uma boa ação mudará toda a sua vida. Matilda recebe a oportunidade de ir viver para a América, viver todas as aventuras que o Novo Mundo lhe proporciona e dar um rumo à sua vida.

Matilda é uma personagem inesquecível, assim como este romance, que acompanha todos os seus passos, desde que é uma jovem de 16 anos até ao fim da sua vida.
O tamanho do livro pode intimidar (afinal, são quase 800 páginas) mas a escrita de Lesley é tão cativante que bastam poucas páginas para o leitor se sentir transportado para o mundo destas personagens.

[Fotografia da minha autoria]

A história inicia-se em 1842 e, ao longo de todo o livro, somos brindados com algumas descrições do contexto histórico e social, o que torna a leitura bastante interessante. Nota-se o trabalho de pesquisa que a autora fez e acredito que não deve ser fácil escrever um livro deste género.

Matilda é uma mulher excecional e talvez uma daquelas personagens que nunca esquecerei. Ela passa por tantas tragédias, perdas, desilusões, e mesmo assim não perde a sua resiliência, não se deixa abater nem fica prostrada no chão a chorar. É realmente um exemplo a forma como ela encontra sempre uma forma de superar.

Apesar de se ler muito bem, é uma narrativa densa e com uma grande carga dramática, o que por vezes pode fazer com que o leitor se sinta um pouco cansado e deprimido com a leitura. A morte está muito presente ao longo de toda a trama e, embora seja doloroso dizer adeus a muitas personagens queridas, são estes acontecimentos que fazem a ação avançar e levam Matilda a dar sempre um passo em frente.

Foram imensas as personagens que me apaixonaram: o jovem Sidney e a forma exemplar como mudou de vida e esteve sempre ao lado de Matilda, Tabitha e a sua persistência em tornar-se médica, Giles, por ter dado uma vida nova a Matilda, Zandra e os seus valiosos conhecimentos, e o capitão James Russell, por tudo o que ele significou para Matilda. E estas são apenas algumas das que mais me marcaram.

Em conclusão, é uma leitura que vale realmente a pena para quem gostar de histórias dramáticas e que vos deixam de coração apertado. Mal posso esperar pela oportunidade de voltar a ler Lesley Pearse.

Classificação: 5/5 estrelas

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

"Cada Suspiro Teu" de Nicholas Sparks [Opinião]


Quem lê com frequência o meu blogue, sabe que tenho um grande carinho pelas obras de Nicholas Sparks. Como sempre, fiquei muito curiosa quando soube do lançamento do seu novo romance, desta vez inspirado numa história verídica.

Adoro a capa que a editora utilizou, bastante semelhante à original e bem diferente das capas demasiado cinematográficas dos outros livros do autor. Sempre gostei muito mais de capas sóbrias.

Cada Suspiro Teu conta-nos a história de Tru Walls, guia de safaris no Zimbabué, e Hope Andersen, nascida e criada na Carolina do Norte. Tru prepara-se para encontrar o pai que nunca conheceu e Hope está a viver um momento difícil. O destino junta-os numa praia - Sunset Beach - e a magia acaba por acontecer.

O facto de saber que este romance era inspirado numa história verídica fez-me acreditar que seria daqueles de chorar baba e ranho e possivelmente com um final não muito feliz, como por vezes o autor nos tem oferecido. Por isso, iniciei a leitura, preparando-me para isso.

[Fotografia da minha autoria]

A primeira metade do livro é, na verdade, muito semelhante a outros romances do autor, em que as personagens se conhecem e uma química começa a nascer entre eles. Contudo, neste romance tudo acontece bastante depressa, o que pode deixar de pé atrás os leitores mais céticos. Se a história não estiver bem construída, poderá ser difícil acreditar que eles se apaixonam em apenas um dia e meio.

O mais doloroso para mim foi a escolha que ambos tiveram de fazer, o que os levou a uma separação dilacerante. Mas a história não acabou aí e praticamente passei a metade restante do livro mergulhada em lágrimas.

A história não teve o final que eu esperava e estou grata por isso, por o autor nos ter mostrado que, por vezes, o destino tem mesmo uma voz, e que a esperança existe sempre até ao fim.

Quero destacar um pormenor interessantíssimo, que é a caixa de correio Alma Gémea, que o autor descreve na sua nota inicial, e cujo papel é fundamental ao longo do livro.
Há ainda uma nota final do autor, onde ele nos explica um pouco mais acerca destas personagens, o que conferiu mais riqueza à sua narrativa.

Apesar de não se ter tornado um dos meus livros preferidos do autor, é uma história de amor que vale a pena conhecer e que dará ao leitor algumas horas de leitura prazerosa, embora pautada por algumas lágrimas!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 28 de julho de 2018

"És o Meu Destino" de Lesley Pearse [Opinião]


As obras de Lesley Pearse são sempre uma boa escolha para horas bem passadas e repletas de emoções. Foi a Silvana que me levou a começar a ler os livros desta autora e, graças a ela, já tive oportunidade de ler uns quantos.

És o Meu Destino é o terceiro volume da saga de Belle, uma das melhores personagens que já tive o prazer de encontrar na literatura. Os dois primeiro livros centram-se em Belle e, neste terceiro, conhecemos e acompanhamos a vida da sua filha Mariette.

Mariette é uma jovem irresponsável, desafiadora, egoísta e que está farta da pequena cidade onde vive, na Nova Zelândia. Devido aos seus comportamentos rebeldes, os pais consideram que será melhor enviá-la para Londres, onde ela poderá ter novas experiências e ganhar alguma maturidade.

Só não esperavam é que, pouco tempo depois, começasse a Segunda Guerra Mundial e, com ela, os violentos bombardeamentos nazis na cidade de Londres.


Ao longo desta páginas, assistimos a um gigantesco crescimento por parte desta personagem. Mariette passa de uma jovem fútil e egoísta a alguém corajoso, com vontade de ajudar os outros e até pronta a arriscar a própria vida para proteger os mais desfavorecidos.

É uma personagem que se fortaleceu pela tragédia e que não se deixou abater com os acontecimentos terríveis que teve de vivenciar.

Este é um livro bastante dramático embora, na minha opinião, não tão dramático como o segundo da série. Houve momentos em que chorei mas, na maior parte do tempo, senti-me mais fria, um pouco mais desvinculada de Mariette. Não significa que não tenha gostado dela, porque gostei. Apenas senti que por ser uma personagem mais fria, mais pronta a fazer o que tinha de ser feito sem se queixar e sem se deixar mergulhar na autocomiseração, talvez isso tenha passado também para mim e se tenha refletido na forma como aceitei esta personagem.

Recomendo absolutamente este livro, bem como toda a série. Existem já imensos livros da autora, é só escolher caso desejem experimentar. Prometo que serão leituras muito boas e repletas de emoções.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 2 de março de 2018

"Procuro-te" de Lesley Pearse [Opinião]


Procuro-te é já o quinto livro que leio de Lesley Pearse, uma autora que me tem cativado a cada novo romance.

Neste livro, conhecemos Daisy, uma jovem de vinte e cinco anos que sempre soube que foi adotada. Sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Quando a mãe morre, o luto vai dar origem a rivalidades domésticas. Devastada pela dor, Daisy parte em busca das suas raízes e do seu passado.

Os primeiros dois capítulos do livro centram-no no presente, na vida de Daisy. Seguidamente, a autora transporta-nos para o passado e, durante uma grande parte do livro, vamos conhecer Ellen, a mãe biológica de Daisy, e a sua irmã Josie.

Senti-me totalmente cativada pela vida destas duas jovens, tão diferentes entre si. A princípio, não entendi porque é que a autora estava a pormenorizar tanto a vida de Josie, quando Ellen era a pessoa que mais nos interessava, dado ser a mãe de Daisy. Contudo, as duas irmãs eram muito chegadas e as vidas de ambas encontravam-se interligadas. No final, fez todo o sentido e confesso que até me arrependi de ter duvidado do que a autora estava a fazer.


Curiosamente, gostei imenso de ler sobre Josie, cuja vida se mostrou bastante trágica. Aprecio bastante este tipo de temáticas e a autora soube mostrar na perfeição a evolução da vida decadente de Josie.

Este livro não tem grande ação mas a escrita é tão cativante que é muito difícil o leitor não se sentir agarrado a estas páginas. A minha curiosidade em descobrir o que tinha acontecido à família de Daisy era imensa. Não demorei muito a aperceber-me de qual seria o mistério, tendo em conta que já estou habituada às surpresas da autora e às suas histórias carregadas de drama.

No geral, foi uma leitura interessante e envolvente, da qual facilmente me lembrarei. Não tenho dúvidas de que quero continuar a ler romances desta autora.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

"O Espião Português" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


(Atenção, esta opinião pode conter spoilers para quem ainda não leu o livro!)

O Espião Português foi o romance vencedor do Prémio Literário Book.it, em 2012, e que nos deu a conhecer o autor Nuno Nepomuceno.
Foi também a primeira obra do autor que tive oportunidade de ler.

Para começar, creio que nunca tinha lido nada sobre espionagem, não por não gostar da temática mas simplesmente porque, até hoje, nunca nenhum livro sobre o assunto me tinha vindo parar às mãos. E é ainda mais interessante ter sido escrito por um português.

Neste romance, conhecemos André Marques-Smith, um jovem de 27 anos, bom rapaz, dedicado à família e aos amigos. Tornou-se o mais jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo um profissional muito dedicado.
Contudo, André tem uma vida dupla. Ele é Freelancer, um espião que trabalha para a Cadmo, uma organização semigovernamental internacional.

O livro mostra-nos um André um várias facetas da sua vida: como funcionário do Ministério, como espião e como uma pessoa normal com a sua vida privada, com mais ou menos problemas.

Aquilo que mais gostei, sem dúvida, foi a sua atividade enquanto espião. Adorei as missões e achei-as muito bem estruturadas e desenvolvidas. Havia suspense e ação e fiquei com a sensação de que estava a ver um filme do 007.
Depois também apreciei a forma como ele cumpria, ao mesmo tempo, as suas funções como acompanhante do Ministro, e como se esquivava nos momentos necessários.

Porém, André é um jovem que esconde um coração destroçado pelo rompimento do namoro com a Mariana. A relação de ambos foi-nos contada por breves momentos, para que pudéssemos compreender de onde vem a sua dor. Confesso que não me senti muito empática com o seu sofrimento, pelo simples facto de que o autor nos contou pouco acerca do namoro e senti falta de mais. Pareceu-me uma relação superficial e repentina e que o abalou demasiado. Se calhar até compreendo mais o lado da Mariana, dado que o André queria apressar muito as coisas e ela sentiu que ele não respeitava o que ela desejava para a sua vida.
Por momentos, irritei-me um bocadinho com a choraminguice do André, sempre a lamuriar-se por ter 27 anos e continuar solteiro. Fez-me alguma confusão. É verdade que há muitos homens que querem constituir família, mas também há muitos que apreciam a sua independência. Achei que este aspeto não fazia muito sentido na personalidade do André, pelo menos foi o que fiquei a sentir à medida que progredia na leitura.

No geral, foi uma leitura bastante agradável, repleta de ação, reviravoltas, enigmas e traições. O ritmo rápido permite uma leitura viciante e difícil de pousar. Sem dúvida que fiquei com vontade de ler a continuação desta série, bem como o mais recente trabalho do autor: A Célula Adormecida.

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"A Promessa" de Lesley Pearse [Opinião]


Tenho andado completamente preguiçosa no que diz respeito às opiniões dos livros, e por essa razão tenho três em atraso. Vou fazer os possíveis por publicá-las todas até ao Natal, quem sabe não serão boas sugestões para prendas.

A Promessa chegou cá a casa no âmbito do Empréstimo Surpresa. Este livro é a continuação da história de Belle, que se iniciou em Sonhos Proibidos. Caso ainda não tenham lido o primeiro volume, não partam já para esta leitura.

Na sua já habitual escrita fluida, Lesley Pearse transporta-nos novamente para o mundo de Belle, Jimmy, Mog, Garth e Étienne. É muito bom reencontrarmos estas personagens e viver com elas novas experiências.
A minha maior curiosidade prendia-se por conhecer melhor Étienne, queria saber mais dele, talvez ter uma visão diferente. Talvez ele não tenha aparecido tantas vezes como eu desejava, mas surgiu com um papel muito importante. Não quero dizer nada que vos estrague o prazer da leitura, mas posso prometer que o Étienne vos vai apaixonar!

Uma personagem nova que surgiu neste livro foi a Miranda, que se tornou uma boa amiga de Belle. Miranda tinha uma alma aventureira e tudo o que desejava era conhecer o amor e ser feliz. Foi uma personagem que me cativou muito e talvez aquela que mais me fez chorar.

Esta história passa-se durante a Primeira Guerra Mundial, uma época já de si devastadora. A autora mostrou-nos muitos desses acontecimentos, nunca de forma maçadora, e com alguma pesquisa anterior.

Confesso que este livro mexeu bastante comigo; houve acontecimentos muito maus e havia momentos em que eu não conseguia ler um único capítulo sem chorar. Contudo, houve também momentos doces e capazes de fazer palpitar os corações mais românticos.

No geral, é uma leitura que nos agarra e vicia e que seria, sem dúvida, uma ótima prenda para oferecerem a alguém neste Natal.
A história de Belle continua no livro És o Meu Destino, que espero poder ler num futuro próximo.

Classificação: 5/5 estrelas

domingo, 3 de setembro de 2017

"Sozinhos na Ilha" de Tracey Garvis Graves [Opinião]


Sozinhos na Ilha foi um livro que li em poucos dias e que rapidamente se tornou numa leitura compulsiva.

Conta-nos a história de Anna - uma professora que decide quebrar a rotina e passar o verão a dar aulas numa ilha tropical - e de T. J. - um jovem que só quer voltar a ter uma vida normal após lutar contra um cancro. Mas o impensável acontece quando o pequeno avião onde viajam se despenha no mar. Anna e T. J. conseguem-se salvar e chegam a uma ilha deserta, onde aguardam que alguém os vá procurar. À medida que os dias vão passando, os dois vão ter de aprender a sobreviver, sem perderem a esperança de alguma vez conseguirem sair da ilha.

A narrativa está muito bem estruturada e a história é contada de forma muito bonita e capaz de cativar o leitor. Assistimos aos primeiros passos das personagens na luta pela sobrevivência: a procura de alimentos, a falta de água, a construção do primeiro abrigo, a primeira fogueira. Mais tarde, vemos como enfrentam corajosamente perigos e obstáculos e como cuidam um do outro quando adoecem e quando o desespero toma conta deles.

Anna e T. J. são duas personagens carismáticas e adoráveis. Apesar de diferença de idades - T. J. tem 16 e Anna tem 30 - os dois desenvolvem uma relação que vai crescendo, passando da amizade ao amor. T. J. é um jovem bastante mais maduro do que os jovens da sua idade, que cresceu bastante mais rápido devido à experiência de ultrapassar um cancro. A relação de ambos vai crescendo a bom ritmo, de forma encantadora e apaixonante.

Foi um livro que me fez rir, chorar, sentir medo pelas personagens e arrepiou-me por diversas vezes. Em suma, um livro que me aqueceu o coração, me deixou feliz e que certamente recordarei durante muito tempo.

Classificação: 5/5 estrelas

terça-feira, 18 de julho de 2017

"Só Nós Dois" de Nicholas Sparks [Opinião]


Nicholas Sparks está de volta, mais uma vez, com um romance que foge ligeiramente à fórmula com que nos tem habituado, o que achei muito bom.

Só Nós Dois conta-nos a história de Russell Green, que tinha a vida perfeita - casado com Vivian, uma mulher linda e dedicada, com uma filha pequena e uma carreira de sucesso - até que um dia esta vida de sonho se desmonora, dando lugar a um pesadelo. Russ perde o emprego, perde a mulher e fica sozinho com a filha de cinco anos.

Russ é um homem pouco confiante e que obedece cegamente às ordens da mulher, tentando a todo o custo agradar-lhe. Vivian foi uma personagem com quem não simpatizei logo de início, achava que havia qualquer coisa de estranho na perfeição dela. Ela é muito exigente e, com o passar do tempo, estava sempre a arranjar discussões com o marido, fazendo-o sentir-se culpado por cada passo que dava.

Gostei imenso da forma como esta história se desenrolou e de ver como Russ superou cada obstáculo, esforçando-se imenso a criar um negócio próprio, ao mesmo tempo que lidava com as responsabilidades de ser pai solteiro. London é uma criança encantadora que me enterneceu por diversas vezes.

A família de Russ - os pais e a irmã Marge - são pessoas muito interessantes que também adorei conhecer. Gostei da dinâmica familiar e da forma como se apoiavam uns aos outros.

Só Nós Dois foge à fórmula da história de amor entre duas pessoas e centra-se, desta vez, num casamento perfeito, onde começam a surgir dificuldades. O livro retrata temas atuais como o divórcio, a custódia pelos filhos, a doença, a homossexualidade, os novos começos de carreira e a importância da família.

Não se trata apenas de um romance lamechas, mas de uma história enternecedora e cativante que nos mostra os desafios de ser pai solteiro, assim como a importância da família e dos laços familiares.

O final é muito comovente, com o toque especial do Nicholas Sparks para o drama, embora não possa dizer que seja exageradamente dramático. Além dos momentos de tristeza, este livro também nos dá esperança e força de superação.

Por fim, um pequeno apontamento à capa e ao título do livro: a capa está perfeita, ilustrando uma cena que acontece na história. Por sua vez, o título não me parece o mais apropriado, é um pouco minimalista dado que apenas faz referência à relação entre o pai e a filha, e o livro é muito mais que isso. Na minha opinião, o título Lado a Lado resultaria bem melhor neste romance e as frases finais mostram exatamente porquê.

Em suma, é um livro que recomendo vivamente por tratar temas atuais e onde o autor se aventurou, mais uma vez, a fugir à sua fórmula habitual.

Classificação: 5/5 estrelas

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"Morte em Palco" de Caroline Graham [Opinião]


Morte em Palco faz parte da coleção Crime à Hora do Chá e é o segundo livro da série protagonizada pelo Inspetor Barnaby.

O cenário deste livro é o palco de uma peça de teatro amador onde as emoções estão ao rubro. A autora leva o seu tempo a dar-nos a conhecer todas as personagens. São bastantes, o que torna o início da leitura um bocadinho complicado, contudo as suas personalidades são muito curiosas, e pouco a pouco o leitor vai-se situando.

Somos transportados para o meio das intrigas e invejas existentes entre os diversos atores e são-nos dadas algumas pistas ainda antes do crime acontecer. Quando, finalmente, o crime acontece, ficamos ansiosos por descobrir a identidade do assassino e as suas motivações.

Confesso que, para mim, o início do livro foi chato e demorado e cheguei a sentir-me exasperada por nunca mais haver mortes e sangue. No entanto, assim que o protagonista morreu, o livro ganhou uma nova vida. O conhecimento prévio das personagens já permitia ir formulando algumas teorias e pensar em suspeitos.

A resolução do caso não é totalmente surpreendente, mas no geral a leitura é agradável e com algumas doses de humor.

Recomendo a leitura a quem gostar de policiais do estilo Agatha Christie. Se procuram ação, sangue e suspense, talvez este não seja o livro mais adequado.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

"Só Nós Dois" de Nicholas Sparks [Divulgação]

Título Original: Two by Two
Edição: 2016
Páginas: 568
Editora: ASA

Nas livrarias a 8 de novembro.

Sinopse:

Por vezes, basta um segundo para mudar a nossa vida. E nesse instante avassalador, tudo aquilo que pensamos saber - e possuir - perde o seu valor.

Russell Green tem trinta e dois anos, é casado com Vivian, uma mulher lindíssima e dedicada; tem uma filha encantadora e uma carreira de sucesso. Dir-se-ia que a sua vida é de sonho. Mas o sonho vai dar lugar a um pesadelo… De um momento para o outro, Russ perde a mulher e o emprego e fica a sós com a filha de seis anos, London. Pela primeira vez, percebe que não pode entregar-se à sua própria dor pois London depende agora unicamente dele. Russ vai ter de se superar, de desbravar caminho, começar de novo…

Mas não é fácil cuidar de uma criança sozinho, fundar um negócio próprio, e lidar com um as emoções contraditórias que ameaçam paralisá-lo. O dia a dia com a filha é uma montanha-russa de escolhas, consequências e anseios. É muito mais difícil do que alguma vez imaginara. Mas é também infinitamente mais gratificante do que a correria de outrora. E quando o imprevisível destino abre novamente a porta ao amor, deixa entrar algo mais. Algo para o qual Russ – mais uma vez – não está preparado.

Só Nós Dois é um retrato da experiência simultaneamente aterradora e gratificante de ser pai solteiro: dos desafios aos riscos, e, claro, às recompensas. Relembra-nos a importância dos laços de família e do amor incondicional.

A capa lá fora

sábado, 20 de agosto de 2016

"Para Sir Phillip, Com Amor" de Julia Quinn [Opinião]


Há dois anos que não lia nada de Julia Quinn e fiquei toda contente quando me emprestaram este livro, que é o 5º da série dedicada à família Bridgerton.

Neste romance, temos como protagonistas Eloise Bridgerton e Phillip Crane. Conheceram-se quando se começaram a corresponder, após a morte da mulher de Phillip. Após alguns meses de correspondência, Phillip convida Eloise a visitá-lo, de forma a poderem conhecer-se e ver se as suas personalidades combinam num futuro casamento.

É assim que se inicia esta história, com uma espécie de blind date do século XIX. Eloise aparece em casa de Phillip sem avisar, o que desde logo provoca gargalhadas no leitor. Phillip mostra-se um homem reservado e um pouco bruto, sem maneiras, uma vez que não a esperava tão repentinamente.

Gostei do espírito aventureiro de Eloise, embora tenha gostado mais da evolução de Phillip, que guarda ainda alguns fantasmas do passado que acabam por condicionar a sua vida presente. Phillip não consegue lidar com os filhos, cada vez mais indisciplinados, e Eloise torna-se uma grande ajuda, ao fazê-lo compreender que as crianças apenas precisam de mais atenção e acompanhamento.

Ao contrário do que acontece noutros romances anteriores da série, em que encontramos protagonistas masculinos que fogem ao compromisso, aqui temos uma situação diferente: um homem que procura, com alguma urgência, uma mulher para ser sua esposa e mãe dos seus filhos.

Para mim, o livro não foi tão bom como os primeiros livros da série, talvez porque não me senti tão conectada a este casal. Eles tiveram alguns momentos ternurentos, é verdade, mas não senti ali a mesma magia que encontrei nos livros anteriores.

Obviamente, este romance continua a ter aspetos positivos: a escrita dinâmica da autora, as situações caricatas, o aparecimentos de outros elementos da família Bridgerton, entre outros aspetos que tornam a leitura muito agradável. No geral, é uma história que vale a pena conhecer e que permite uma leitura divertida e relaxante.

sábado, 12 de março de 2016

"Menina de Ouro" de Chris Cleave [Opinião]


Já estou a dever esta opinião há algum tempo, pois terminei a leitura do livro ainda no mês de fevereiro.

Menina de Ouro chamou-me a atenção principalmente pelas boas críticas que recebeu e, quando surgiu a oportunidade do livro me ser emprestado, aceitei de imediato e parti para a sua leitura.

Este romance apresenta-nos três personagens - Jack, Kate e Zoe - com algo em comum: são ciclistas profissionais. Conhecemos também Sophie, uma menina de 8 anos que sofre de leucemia e que é uma criança extraordinária.

O autor tem uma escrita belíssima e transporta-nos para uma história repleta de emoções. Tanto nos faz rir à gargalhada como consegue chamar o nosso lado mais emotivo e sentimental.

É com muita mestria que Chris Cleave alterna entre passado e presente para nos dar a conhecer todas estas personagens, como se conheceram, como evoluiu a sua amizade, quais são os seus medos, as suas fraquezas, os seus sonhos... e o segredo que as une.

O autor mostra-nos com muito rigor o dia a dia de um atleta profissional, neste caso ciclistas olímpicos. É uma vida muito dura e este livro acaba por ser uma homenagem a estes atletas.

Menina de Ouro é uma história que nos fala de amor, de sacrifício, de escolhas, da luta entre o desejo e a realidade, da fama e da ambição. É uma história tocante, muito bonita e cujas personagens ficarão bem guardadas no coração do leitor. Recomendo sem qualquer dúvida.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 6 de fevereiro de 2016

"Morte na Aldeia" de Caroline Graham [Opinião]


Este livro foi-me oferecido no ano passado e escolhi-o como primeiro policial a ler em 2016.

Tem uma capa muito apelativa com um carimbo onde se pode ler "Crime à hora do chá" e um comentário do The Sunday Times referindo que Caroline Graham é "A melhor escritora de policiais desde Agatha Christie". Na contracapa, existe ainda a indicação de que este policial faz parte da lista da Crime Writers' Association, que elegeu os 100 melhores policiais de sempre.

Todas estas me pareceram boas razões para me dedicar à leitura deste livro. Achei também interessante o facto do livro ter sido publicado originalmente em 1987, ou seja, tem quase trinta anos.

O livro apresenta-nos uma atmosfera de certa forma divertida, mas que rapidamente ganha alguns contornos mais macabros. Tudo começa com a morte de uma senhora idosa, o que deixa a sua amiga inconformada e desconfiada de que não tenha sido uma morte natural. Assim, acaba por convencer o inspetor-chefe Barbany a investigar mais a fundo. Esta investigação irá revelar o lado mais sombrio da aldeia inglesa onde tudo acontece.

A autora descreveu muito bem o cenário da típica aldeia, as suas rotinas, os seus modos antiquados e as cusquices dos aldeões. Toda a investigação se baseia em interrogatórios aos aldeões e a análises muito intuitivas da parte do inspetor-chefe. Desta forma, neste policial não encontramos os habituais procedimentos policiais, como autópsias e análises forenses.

Há uma grande variedade de personagens, todas elas com os seus segredos e cujas vidas são relatadas nos primeiros capítulos. Confesso que tantas personagens me causaram alguma confusão e cheguei ao fim do romance ainda a trocar alguns nomes, embora tenha compreendido na perfeição toda a história.

O final revelou-se bastante chocante e surpreendeu-me tendo em conta a altura em que o livro foi escrito. Se um final assim causa alguma surpresa, imaginem há trinta anos atrás!

Posso concluir afirmando que aqui está um policial com cheirinho inglês que certamente cativará os apreciadores do género. Temos várias personagens, várias histórias, um plano que teria tudo para dar certo, um detetive muito intuitivo, imenso suspense e revelações surpreendentes. Recomendo verdadeiramente a sua leitura!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 30 de janeiro de 2016

"No Teu Olhar" de Nicholas Sparks [Opinião]


Fico sempre muito contente quando é lançado um novo livro do Nicholas Sparks, um autor pelo qual sinto imenso carinho. Ao ler a sinopse, pergunto-me sempre como será esse novo livro. Será mais dramático? Será uma história com um final feliz? Com Nicholas Sparks nunca se sabe muito bem o que esperar, dado que ele já nos ofereceu um pouco de tudo.

O ingrediente que, sem qualquer dúvida, está sempre presente nos seus livros é o amor. Neste romance conhecemos Colin e Maria, duas pessoas muito diferentes uma da outra e com pouco em comum. Colin já viveu mais violência do que a maioria das pessoas e, corajosamente, decidiu começar de novo e dar um rumo diferente à sua vida. Por sua vez, Maria só deseja uma vida pacata entre o emprego numa firma de advogados e a segurança da sua casa.

O destino, contudo, quis que eles se cruzassem numa noite de tempestade e, embora as diferenças entre ambos fossem visíveis, a verdade é que a vida ainda lhes reservava surpresas.

A partir daqui, Nicholas Sparks oferece-nos o nascimento de uma paixão entre estas duas personagens, ao mesmo tempo que nos permite conhecer melhor as suas vidas, as famílias e os amigos. Gostei particularmente do casal secundário, a Lily e o Evan, que eram amigos de Colin e se revelaram fantásticos, principalmente a Lily.

Este livro não se trata apenas de uma história de amor. Embora o autor já tenha inserido situações de perigo e suspense em livros anteriores, neste foi um bocadinho mais longe e acabou por fugir às suas habituais histórias dramáticas. Eu diria que este livro é um thriller romântico pelos ingredientes que nele encontramos.

Há um perseguidor disposto a tornar a vida de Maria num inferno e, logo no prólogo, percebemos que esta será também uma história de vingança. A partir da segunda metade do livro, os acontecimentos tornam-se cada vez mais perigosos e é impossível largar o livro sem descobrirmos quem é o autor destes ataques.

Pessoalmente, gostei muito mais de toda a parte thriller do que do romance entre os protagonistas. Achei o romance muito morno e pouco intenso e, na maior parte do tempo, não me senti ligada a estas personagens. A verdade é que eu esperava um amor que me arrebatasse e me levasse às lágrimas e, pela primeira vez, não chorei num livro do Nicholas Sparks.

O thriller foi o que acabou por salvar este livro; o autor esmerou-se e conseguiu uma história de vingança muito bem fundamentada e desenvolvida. Está de parabéns por se ter aventurado em algo diferente do habitual e pelo enredo que criou.

Como conclusão, penso que este seja um bom livro para quem não gosta das histórias demasiado lamechas e dramáticas que o autor habitualmente nos oferece. Aqui encontrarão algo diferente, por isso experimentem!

Por fim, só um pequeno apontamento à capa e ao título do livro: detesto! A capa é, mais uma vez, demasiado cinematográfica para o meu gosto e praticamente igual a todas as outras do autor que a ASA publicou. O título português pouco ou nada tem a ver com a história e isso entristece-me. Prefiro, sem dúvida, a capa e o título originais que têm muito mais em comum com a história que nos é contada.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

"Alexander" de Paullina Simons [Opinião]

Este livro é a conclusão do segundo volume original, que a ASA publicou como se fosse o terceiro volume. Achei desleal da parte da editora ter imprimido este livro com letra garrafal (para encher mais páginas) e vendê-lo como se fosse o fim da trilogia. Não é. Existe ainda um terceiro volume cujo título original é The Summer Garden e que possivelmente não será publicado em Portugal.

Pondo de parte estes aspetos, devo dizer que estes últimos capítulos foram os melhores de todo o segundo volume. Depois de ter sofrido tanto como leitora ao ver Tatiana e Alexander separados, queria a tudo o custo saber se eles se encontrariam finalmente. E estes capítulos revelaram-se um verdadeiro bálsamo para o meu coração.

Se há história de amor que eu nunca vou esquecer é a de Tatiana e Alexander e a forma como eles sobreviveram a tantas adversidades ao longo da guerra. É uma história tão intensa que chegamos ao fim sem perceber muito bem o que estamos a sentir; é uma leitura bela e impressionante, que deixa saudades e uma marca abismal no coração do leitor. É uma história de amor e ódio, de vida e morte, de luta e esperança.

Recomendo sem qualquer reserva a leitura desta magnífica e intemporal história de amor.

Classificação: 5/5 estrelas

terça-feira, 24 de novembro de 2015

"Tatiana" de Paullina Simons [Opinião]

Estreei-me nas obras de Paullina Simons com o livro O Grande Amor da Minha Vida que foi, para mim, uma história absolutamente maravilhosa, comovente e que me ficou gravada no coração. A minha vontade de ler o segundo volume era enorme.

Em Tatiana, é-nos contada a história de Alexander e Tatiana, separadamente.
Tatiana conseguiu fugir da União Soviética e encontra-se agora nos Estados Unidos, grávida e sozinha num país onde não conhece ninguém. Aos poucos, a jovem começa a construir uma nova vida, a fazer amigos e a trabalhar como enfermeira. Porém, em momento algum abandona a dor da perda do seu único amor, Alexander, que julga morto, embora a voz do coração lhe diga o contrário.

Alexander, que está vivo, foi capturado e é acusado de traição e espionagem pela polícia soviética. Enquanto tenta sobreviver um dia de cada vez, Alexander só consegue pensar em reencontrar Tatiana, de quem nada sabe. Será que o seu plano de a tirar da União Soviética correu bem? Estará Tatiana em segurança?

Enquanto o primeiro volume é mais centrado em Tatiana e na sua família, este dá um maior destaque a Alexander. Conhecemos a sua vida desde que este saiu dos Estados Unidos com os pais para se instalar na União Soviética. É-nos contado o presente e o passado, em paralelo, e desta forma ficamos a conhecer melhor Alexander. A autora mostra-nos a visão de Alexander daquele dia maravilhoso em que ele viu Tatiana pela primeira vez e confesso que essa é uma das partes de que eu mais gosto.

Este livro consegue ser ainda mais doloroso que o anterior devido às circunstâncias de vida de cada um. Apesar de separados, é o amor que sentem um pelo outro que os leva  a dar sempre mais um passo em frente, apesar de todas as incertezas. A situação de Alexander é a mais grave e são as partes mais angustiantes de ler, as dificuldades, as privações, a guerra, as dolorosas saudades de Tatiana... Contudo, nenhum deles baixa os braços perante qualquer adversidade, o que é inspirador para qualquer um de nós.
Além disso, o amor que sentem um pelo outro é qualquer coisa de extraordinário; é um amor verdadeiro, sem egoísmos e sem reservas, que me fez questionar-me se alguma vez serei capaz de experimentar um amor assim.

O final deste livro é bastante abrupto, nota-se que está incompleto; isto acontece porque a editora retirou os três últimos capítulos para os publicar num outro livro, ao qual chamou o terceiro da série. Na minha opinião, esta separação não faz qualquer sentido; apenas leva o leitor a sentir-se frustrado com a forma como o livro termina e a querer pegar no volume seguinte de imediato.

Este é mais um livro que, apesar do seu tamanho, se lê num ápice e que nos transporta para uma montanha russa de emoções. Recomendo vivamente!

Classificação: 5/5 estrelas