segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

[Televisão] "The Stranger" de Harlan Coben - 2020 (Opinião)


Empolgante e compulsiva, assim é The Stranger, a nova série da Netflix adaptada de um thriller com o mesmo nome, de Harlan Coben.

Adam Price vê a sua vida virada do avesso quando é abordado por uma estranha, que aparece do nada, e lhe conta um segredo devastador acerca da sua mulher. Perturbado com o que acabou de descobrir, confronta-a e, no dia seguinte, ela desaparece.
Ao mesmo tempo, uma detetive investiga o caso de um jovem que aparece nu e ferido no meio de um bosque, na mesma noite em que é encontrada uma alpaca decapitada.

Há ainda outras narrativas secundárias bastante interessantes e todas acabarão por se interligar.


The Stranger é uma série de 8 episódios que se vê de um fôlego, uma vez que o suspense é constante e está muito bem conseguido. Bastam alguns minutos para nos sentirmos completamente agarrados.

A série é britânica e decorre na cidade fictícia de Cedarfield, tendo sido filmada na área de Manchester, Reino Unido. No entanto, todos os thrillers de Harlan Coben se passam em solo americano, geralmente em subúrbios.

Através de uma pesquisa, fiquei a saber que há várias diferenças entre a série e o livro: a estranha no livro é um homem; há uma personagem que não existe no livro e outra que tem um papel importante mas que no livro já morreu; as tramas secundárias que envolvem os estudantes foram escritas apenas para a série; as motivações de algumas personagens e também alguns detalhes no final.

Desta forma, acredito que ler o livro e ver a série serão duas experiências completamente diferentes. Resta-me aguardar que o livro seja editado em Portugal, pois fiquei com muita vontade de o ler.

Em conclusão, é uma série intensa e viciante, que nos mostra que não podemos fugir aos segredos do nosso passado. Recomendo vivamente!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.4 | O patrão


Tema: O google está errado

          O patrão

Vais ser despedida, sussurrou o diabo ao meu ouvido.

Sinto as mãos suadas enquanto atravesso o corredor que separa a minha sala de trabalho do escritório do meu patrão. Três palavras ecoam na minha mente: vais ser despedida.

O mais irónico é que eu não fiz nada. Ainda.

O erro foi do meu patrão e eu estou a caminho do seu escritório para lho comunicar.

Acredito que vou bater o recorde: ser despedida do meu emprego de sonho apenas três meses após ter sido contratada.

Quando cheguei ao escritório, esta manhã, encontrei os meus colegas num alvoroço. Sussurravam desesperadamente, como se estivessem a decidir qual deles deveria sacrificar-se e entrar na câmara de gás.

Tinham descoberto um erro num processo mediático em que estávamos a trabalhar. Era um pormenor mínimo, quase insignificante, mas fora cometido pelo patrão.

E ninguém se atrevia a dirigir-lhe a palavra para lhe apontar o erro.

Ninguém se atrevia a contrariá-lo.

Ninguém se atrevia sequer a respirar junto dele.

Por isso, duas horas depois e farta de assistir ao desespero dos meus colegas, levantei-me da cadeira e voluntariei-me para a morte:

— Eu vou.

Fez-se silêncio na sala.

Todos olharam para mim, de olhos esbugalhados.

E cá estou eu, a preparar-me para dizer ao meu patrão que está errado. E prestes a ser despedida.

Junto à porta, engulo em seco e bato três vezes.

Oiço a sua voz de trovão a dizer-me para entrar.

Entro de cabeça erguida, tentando demonstrar confiança. Se vou morrer, ao menos morro de pé.

Lá está ele, sentado à secretária como um rei no seu trono.

Jonathan Google, o homem que faz tremer até as paredes do edifício.

O homem que seria perfeito, não fosse o azar de ter recebido aquele apelido.

Imaginem que tinham o nome de um motor de pesquisa. Provavelmente teriam sofrido de bullying durante toda a vida.

Inspiro fundo e encho-me de coragem para falar.

Ele ouve-me sem pestanejar e, em seguida, levanta-se e dirige-se à janela interior, baixando a persiana. Agradeço-lhe mentalmente por impedir que os meus colegas assistam à descompostura que estou prestes a receber.

E, por fim, fala.

Duas eternidades depois, saio do seu escritório e arrasto-me até à minha secretária. O meu relógio indica que apenas passaram oito minutos.

Começo a reunir os meus pertences, incrédula com o que acontecera.

Afinal, isto não foi um erro, mas sim um teste. O patrão queria perceber qual de nós teria a coragem suficiente para o enfrentar, uma vez que precisa de uma advogada com fibra para representar um novo cliente.

Vou mudar-me para um novo gabinete.

Acabei de ser promovida.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]


Após ter terminado a leitura do livro da Silvana, preparei o envelope com o novo livro escolhido para ela.

Este foi o livro que escolhi:


Motivos da minha escolha:

A Silvana começou o ano de forma um bocadinho atribulada e as leituras acabaram por sofrer com isso. Assim, quis enviar-lhe uma autora de que ela gosta e um livro que certamente irá ler depressa.
Sabia que queria enviar-lhe algum livro da Colleen; inicialmente pensei no Isto Acaba Aqui, que ela também não leu, mas como retrata o tema da violência doméstica e ela tem outro livro dessa temática para ler em breve, decidi não lho enviar já. A minha escolha recaiu então sobre o Verity, um romance incrível que estou ansiosa que ela leia para que o possamos discutir. A sério, tem sido muito difícil manter-me calada e não lhe contar absolutamente nada sobre este livro.

Por isso, boa leitura, Silvana! Espero que o adores tanto como eu!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Palavras Sentidas


"O problema de se tentar obter o perdão de alguém que magoámos é estarmos a magoar de novo a pessoa, ao exigirmos mais dela. Se lamentas, diz que lamentas, pede desculpa, diz-lhe que percebeste a enormidade que cometeste, que não voltarás a fazê-lo, mas deixa as coisas por aí. Não esperes mais nada da pessoa. Não lhe exijas que te diga que te perdoa só para te sentires melhor. Não esperes que ultrapasse a coisa tão depressa como tu queres nem que pondere no assunto. (...) Deixa que seja a pessoa a decidir se te perdoa ou não."

Conta-me o Teu Segredo
Dorothy Koomson

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Terminei recentemente o livro Perfume de Jasmim, que já regressou a casa da Silvana, e chegou o momento de responder ao desafio que ela criou.

DESAFIO:

Entraste no livro, e agora?

A Fada dos Livros atirou-te para dentro deste livro.
Que personagens serias? Qual seria o teu papel nesta história?

A MINHA RESPOSTA:

Quando chegamos às últimas páginas do livro, a história avança 1 ano para nos dar a conhecer o final das personagens. Fiquei com muitas questões porque gostava de ter conhecido melhor Lilith e perceber o que aconteceu nesse período de tempo, embora a autora tenha dado as explicações necessárias.

Assim, agora que a Fada dos Livros me atirou para dentro deste livro, eu decidi que quero ser uma investigadora, uma espécie de jornalista. Irei acompanhar Alex para o poder entrevistar e ter acesso a todas as informações sobre o seu casamento que acabou em tragédia. Também quero conversar com Lilith para conhecer a sua versão da história. A minha intenção será escrever um artigo sobre Alex e o seu crime, de forma a ajudá-lo a provar a sua inocência.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.3 | A alma gémea


Tema: Manual para iniciar relacionamentos

          A alma gémea

A primeira coisa que fez ao acordar foi olhar para o telemóvel.

14 de fevereiro, disse, em voz alta, para ninguém.

Suspirou, resignada. Atirou o telemóvel para o lado vazio da cama e fitou o teto.

Aquele era só o 26º Dia dos Namorados da sua vida em que acordava sozinha, sem um companheiro a seu lado. Não ia receber nenhuma das prendas lamechas que, por esses dias, inundavam as montras das lojas.

Algo de realmente preocupante se passava com ela. Como é que era possível que nunca tivesse tido um namorado? Que nunca se tivesse apaixonado?

Seria assim tão difícil encontrar a sua alma gémea? O tal que lhe provocaria as tão almejadas borboletas na barriga?

Existe uma alma gémea para cada um de nós. Esta era a frase que a sua youtuber favorita dizia todos os dias. Tornara-se famosa por dar conselhos amorosos nos seus vídeos e publicou, mais tarde, o Manual para iniciar relacionamentos, um livro para todos aqueles que procuram a sua alma gémea.

Contudo, nem os conselhos desta especialista funcionavam consigo. E acreditem, já tentara de tudo.

Atirou com os cobertores para trás e levantou-se. Não tencionava ficar nem mais um segundo na cama a lamentar-se da sua falta de sorte no amor.

Afinal, todos os dias eram bons para encontrar a nossa alma gémea.

Enquanto se vestia, ouviu o som de uma notificação no seu telemóvel. Agarrou nele. Era um lembrete para visitar a nova loja que abria nesse dia no centro da cidade.

Entusiasmada, acabou de se preparar, agarrou numa peça de fruta para comer pelo caminho e saiu de casa. Queria ser a primeira a chegar.

Pelo caminho, sorriu a todas as pessoas com quem se cruzou. Sentia no ar uma sensação de bom augúrio.

Não foi a primeira a chegar à loja, mas isso acabou por não ter importância. No momento em que se aproximou da montra para espreitar para o interior, todos os fracassos da sua vida desapareceram.

A sua barriga deu um salto. Sentiu um arrepio percorrê-la. Só podiam ser as tais borboletas.

Encontrara-o. O tal. Tinha a certeza, apesar de ainda não o conhecer.

Aproximou-se da porta, sem nunca desviar os olhos dele, e deu o primeiro passo.

Assim que entrou, ele fitou-a. Oh meu Deus, ele tinha o nariz mais amoroso que vira em toda a sua vida! E os olhos, tão vivos que pareciam sorrir! Ok, era um bocado peludo e talvez um pouco magro demais, mas o amor não se importa com o aspeto físico.

O amor sente-se.

Acabara de encontrar a sua alma gémea.

Sorriu, maravilhada.

Ia adotar aquele cãozinho.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

"Lembranças Macabras" de Tess Gerritsen [Opinião]


Tem sido fantástico acompanhar esta série de Tess Gerritsen! Por um lado, apetece-me ler o mais depressa que consigo; por outro, quero poupar os livros, uma vez que já só tenho mais dois por ler na estante.

Lembranças Macabras inicia-se com a descoberta de uma múmia numa cave de um museu em Boston. Acredita-se que terá cerca de dois mil anos. Contudo, durante a tomografia que é feita à múmia, a Doutora Isles faz um achado terrível: este cadáver é afinal uma vítima de homicídio dos tempos modernos.

À medida que aparecem outros cadáveres, torna-se claro para os investigadores que estão perante um assassino perigoso. E tudo se complica quando Josephine Pulcillo, uma das arqueólogas do museu, começa a ser perseguida.


Gostei imenso da temática deste livro. A autora fala bastante de arqueologia e de técnicas de mumificação e conservação de cadáveres. Assim, a par de uma história repleta de suspense, encontramos também um lado mais didático, o que, no meu caso, me permitiu adquirir alguns conhecimentos acerca de uma área sobre a qual pouco ou quase nada sei.

Este livro debruçou-se bastante sobre a investigação, centrando-se também na vida de Josephine, uma personagem misteriosa com um passado complicado e muitos segredos.

Os últimos capítulos revelaram-se extremamente bons, uma vez que, após Josephine ter sido raptada, os detetives se viram numa autêntica corrida contra o tempo para a encontrar com vida.

Lembranças Macabras conseguiu cativar-me bem mais do que o livro anterior da série, o que aumenta as minhas expectativas em relação aos livros seguintes.

Para quem nunca leu Tess Gerritsen, fica aqui a recomendação: é uma autora obrigatória para os fãs de policiais e thrillers!

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Palavras Sentidas


"... nem sempre as pessoas mentem para nos esconderem a verdade. Por vezes, fazem-no para se protegerem."

O Cliente
Vi Keeland

sábado, 8 de fevereiro de 2020

"Perfume de Jasmim" de Jude Deveraux [Opinião]


«Jude Deveraux traz-nos as habituais discussões entre amantes e reviravoltas num cenário exótico, onde a ameaça de um coração destroçado parece tão mortal como os jacarés e as cobras venenosas.»
Publisher's Weekly

Perfume de Jasmim é o quarto volume da série de Jude Deveraux passada em Edilean.
Esta série tem alternado as suas histórias entre presente e passado.

Este quarto volume decorre em Charleston, em 1799, e a protagonista é Catherine, filha de Augus e Edileen (que conhecemos no 2º volume).

Sentia-me bastante entusiasmada perante esta leitura. Assumi erradamente que a história se passaria na Escócia, o que não foi o caso. Embora Alexander McDowell seja um escocês de sotaque carregado, a história decorre numa cidade da Virginia.

Gostei imenso de conhecer Catherine, uma jovem aventureira que vai ajudar um fugitivo acusado de assassinar a mulher. No entanto, o plano que parecia simples, acaba por correr mal e a jovem vê-se em fuga com Alexander, rumo à Florida.


Jude traz-nos novamente um romance de época repleto de aventuras e com algumas cenas que nos permitem boas gargalhadas. A sua escrita é muito simples e este é um daqueles romances que se lê facilmente numa tarde, uma vez que não exige muito de nós.

Pode ser intercalado com leituras mais densas e exigentes, o que foi o que eu fiz. Peguei nele após três leituras muito boas e, sinceramente, até estranhei por ser tão simples. Quando estamos acostumados a leituras mais envolventes, é como se o nosso cérebro não quisesse colaborar ao pegarmos num livro mais relaxante.

Embora sinta também que ando com uma ligeira aversão a romances, acabei por me afeiçoar a estas personagens. Gostei de toda a química que se criou entre eles, dos arrufos, dos momentos de mais sinceridade, de como ambos confiaram um no outro. No final, o meu coração derreteu-se um bocadinho e fiquei com uma sensação de bem-estar.

Em conclusão, esta é uma história leve, romântica e divertida, ótima para uma tarde de verão!

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.2 | O cadáver


Tema: É que isso de médicos, nunca fiando

          O cadáver

Se havia coisa de que a Doutora Lara se orgulhava era do seu trabalho. Vivia para compreender a morte e ajudar aqueles que não se podiam defender.

Aproximou-se do corpo que repousava na mesa de metal. Levantou respeitosamente a cobertura e dobrou-a para baixo até à zona da cintura.

Observou o corpo que tinha diante de si. Tratava-se de um jovem que não teria mais de 25 anos. Sentiu-se invadida por uma tristeza profunda. Não havia autópsias mais fáceis do que outras, mas era tão errado ter naquela mesa um jovem com a vida toda pela frente.

Através de uma rápida análise ao corpo, percebeu que não havia feridas visíveis. O jovem era muito bem-parecido e o corpo musculado indicava uma prática regular de exercício físico.

Segurou o bisturi na mão direita e, com segurança, aproximou a ponta afiada do peito do jovem.

― O que está a fazer?

A voz esganiçada assustou-a. Parou de imediato e voltou-se para trás. O seu assistente teria certamente chegado da pausa matinal.

Contudo, não havia ninguém na sala. Afastou-se da mesa de autópsia e deu uns passos em frente, apenas para constatar que ninguém entrara ali.

Sentiu um arrepio mesmo antes de se virar.

Nunca, em toda a sua vida profissional, assistira a um momento daqueles.

Atrás de si, o cadáver levantava-se da mesa, levando a mão direita ao cabelo para o compor, como se o facto de ter estado deitado tivesse arruinado a disposição dos seus cabelos castanhos.

― Oh meu Deus! ― A voz de Lara quase não se ouvia. ― Você está vivo!

― Vivo e de boa saúde.

Lara olhava-o estupefacta. Ele caminhava em direção a si. Ainda por cima todo nu!

― O que é que se passa?

― Isso pergunto eu. Você ia espetar-me um bisturi!

Ela quase gritou.

― Era suposto você estar morto!

Ele aproximava-se cada vez mais, parecendo procurar algo.

― O Rogério não tinha mencionado bisturis ― disse, enquanto agarrava um par de calças.

Como raio é que aquela roupa apareceu ali?, perguntou-se Lara.

― Desculpe? O que é que o Doutor Rogério tem a ver com isto?

Sentia agora a indignação a apoderar-se de si. Não podia ser coisa boa se vinha da parte do seu novo namorado, um cardiologista com pouca preocupação pela saúde das pessoas, uma vez que estava sempre a tentar provocar ataques cardíacos a toda a gente. Aquele médico não era de fiar.

― Ele queria fazer-lhe uma surpresa ― respondeu o jovem, já completamente vestido. Tirou um envelope do bolso e entregou-lho. ― Pediu que lhe entregasse esta mensagem.

Virou costas e foi-se embora, como se os últimos vinte minutos nunca tivessem acontecido.

Irritada, Lara abriu o envelope e leu a mensagem.

Olá querida! Feliz aniversário! Jantas comigo logo à noite? 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

"Louca" de Chloé Esposito [Opinião]


«Chloé Esposito apresenta uma anti-heroína cativante e sem censura neste seu primeiro romance.»
US Weekly

Recordo-me de ter ficado muito curiosa acerca deste livro quando ele foi publicado em Portugal, no início de 2018. Acabei por não o comprar e, de certa forma, esquecer-me dele. Tive agora oportunidade de o ler, uma vez que me foi emprestado.

Antes de iniciar a leitura, reparei que a sua classificação no Goodreads é baixa, dado que tem uma grande percentagem de classificações de uma estrela. Pensei logo que seria um livro pouco consensual, que tanto podemos amar como odiar.
Mesmo assim, parti para a leitura sem qualquer preconceito.

E o que encontrei acabou por me surpreender. Este livro é completamente hilariante!

Trata-se de um thriller um pouco fora do normal e admito que poderá não agradar a todos os leitores. A sua principal característica é o humor, que está presente ao longo de toda a narrativa.

Nos capítulos iniciais, conhecemos Alvina Knightly e a sua vida completamente desinteressante. É uma personagem fútil, que bebe demais, não tem objetivos na vida e está prestes a ser despedida do emprego e a ficar sem casa.
É completamente diferente da sua irmã gémea, Beth, que, além de ser perfeita, é casada com um italiano lindo e rico e tem um bebé maravilhoso. Sempre foi a preferida da mãe de ambas.


Esta personagem tem tudo para ser detestável mas, à medida que a conhecemos e soltamos gargalhadas a cada peripécia que lhe acontece, torna-se impossível não torcer por ela. 

Alvina tem inveja e ciúmes da irmã, o que até se torna compreensível, uma vez que ela passou toda a infância a ser menosprezada pela mãe de ambas. Os flashbacks que recebemos da sua infância ajudam-nos a conhecer melhor estas circunstâncias e a sentir alguma empatia por ela, embora nada disto justifique as suas atitudes.

Confesso que, durante toda a leitura, só consegui fazer duas coisas: ou rir à gargalhada ou ficar estupefacta com a quantidade de situação caricatas, mirabolantes e rebuscadas em que esta personagem estava metida. A ironia, o sarcasmo e o humor negro são constantes e foi uma das coisas que mais me agradou neste livro. Alvina é completamente louca e temos acesso a todos os seus pensamentos, mas mesmo todos, sem qualquer tipo de censura.

Para além do humor, este livro tem um pouco de tudo: drogas, romance, violência, suspense, crime, sexo explícito... É um livro ousado e que entretém na perfeição.

Tal como referi acima, não será do agrado de todos os leitores. Se não têm paciência para personagens tresloucadas, possivelmente vão detestá-lo. Mas se adoram sarcasmo e querem dar uma boas gargalhadas, então apostem nele.

Eu adorei e, se tivesse nas minhas mãos a continuação, já estaria a devorá-lo com toda a certeza!!

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Palavras Sentidas


"— O amor é um sentimento poderoso. Pode levar-nos a fazer coisas das quais nunca julgávamos ser capazes."

A Última Ceia
Nuno Nepomuceno

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Momentos WOOK

Parece que a WOOK me ouviu dizer há uns dias que "quero muito o novo livro do Harlan Coben mas não preciso de o comprar já, posso esperar mais algumas semanas" que decidiu aliciar-me com 20% de desconto.

Na verdade, era mesmo de uma promoção destas que eu estava à espera! Não sei se vou conseguir resistir!

mw-mrec

Clica na imagem e aproveita também a oportunidade de adquirires aquele livro que tanto queres!

Boas compras!

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Aquisições: Janeiro

O interminável mês de janeiro chegou ao fim! Felizmente, comecei o ano com imensa vontade de ler e aquisições mesmo boas. Vamos ver?

- Logo nos primeiros dias do ano, fui dar um passeio com a melhor amiga e fizemos a nossa habitual troca de livros - ela emprestou-me o Louca.
Mais tarde, recebi da Silvana o primeiro livro do ano no âmbito do nosso empréstimo conjunto.
Ambos os livros já estão lidos no momento em que escrevo esta publicação. As opiniões sairão em breve no blogue.

EMPRESTADO


- Por outro lado, desgracei-me um bocadinho em compras! Adquiri o novo thriller do Nuno Nepomuceno na pré-venda e, mais tarde, comprei no OLX os outros dois livros, como novos. O Messias custou-me apenas 4€!

COMPRA


Não me posso queixar, foi um mês mesmo bom a nível de aquisições!
Como correu o vosso?

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.1 | O salto


Tema: Acho que a coisa não vai correr bem

          O salto

Estou aterrorizada.

Olho para baixo, por cima das grades de metal, e tento calcular a distância entre os meus pés e a água salgada. Diria que serão mais de quarenta metros mas não consigo precisar.

Do local onde me encontro, a água revela-se demasiado escura, embora se veja um leve brilho provocado pelo embate dos raios solares.

Nunca o rio me pareceu tão intimidador. Mas, para ser sincera, também é a primeira vez que o fito deste exato local, enquanto pondero atirar-me da ponte.

Todo o meu corpo treme. As minhas mãos estão pegajosas e suadas. Os meus joelhos fraquejam. O sangue corre depressa demais pelas minhas veias.

Não sei o que me passou pela cabeça para me desafiar a fazer bungee jumping. Na verdade, quando redigi a lista das “dez coisas a fazer antes de morrer”, nunca pensei que chegasse tão depressa ao último item. Acreditei que simplesmente não teria tempo. É pessimista pensar desta forma, eu sei, mas esta lista foi a primeira coisa que escrevi assim que cheguei ao carro, depois do médico me dar o diagnóstico que ninguém quer ouvir.

Agora, volvidos quase dois anos, acho que toda aquela quimioterapia me fritou o cérebro.

Sinto agitação à minha volta. Oiço alguém dizer que está tudo pronto. Olho por mim abaixo. Vejo um emaranhado de cordas. Um arnês rodeia-me a cintura. O capacete pesa-me na cabeça. Estou pronta para a guerra.

Acho que a coisa não vai correr bem, penso. Mas depois apercebo-me de que devo ter falado em voz alta, porque a mão do meu namorado agarra a minha e oiço a voz dele a sussurrar-me ao ouvido.

— Vai correr tudo bem! É o último item da tua lista.

Ele está claramente mais animado do que eu. Nunca viu esta lista como algo fatalista, mas sim como um conjunto de objetivos em que nos podíamos concentrar durante o combate à doença.

Dou alguns passos em frente, percorrendo a plataforma de madeira que me dá acesso à aventura. Sinto a adrenalina a envolver-me. E finalmente salto…


Acordo suavemente e olho para o relógio. Nove horas. Todos os dias acordo à mesma hora. E todos os dias pego na fotografia com as minhas mãos enrugadas, olho para o meu rosto jovem e feliz e recordo aquele dia longínquo em que dei o salto.

Sorrio porque sobrevivi.