quarta-feira, 18 de maio de 2022

Palavras Sentidas


«Por vezes uma mulher não se adapta de facto ao papel que se espera dela. Fazemos o que podemos para seguir o nosso caminho, para arranjarmos um espaço para nós.»

A Prometida do Capitão
Tessa Dare 

terça-feira, 17 de maio de 2022

«Gente Ansiosa» de Fredrik Backman [Opinião]

 
«[Um] romance peculiar e rico [...] Irónico, sábio e muitas vezes engraçado, é uma história totalmente original que proporciona puro prazer.»
People
 
Gente Ansiosa foi o primeiro livro que li de Fredrik Backman e foi uma surpresa completa!
Tinha lido opiniões muito boas, tanto deste como de outros livros do autor, e por isso estava ansiosa por conhecer esta história.

Diria que Gente Ansiosa é diferente de tudo o que já li. É uma história sobre um assalto a um banco que corre mal, e o assaltante acaba por fazer reféns num apartamento que está à venda e a ser visitado naquele momento. Esta acaba por ser uma história de várias pessoas que se cruzam naquele apartamento, cada uma com as suas vivências, as suas preocupações, as suas dores, as suas ânsias.
 
São personagens muito humanas e com as quais facilmente nos vamos identificar. Mesmo o assaltante vai fazer-nos sentir empatia e torcer para que tudo corra bem nesta situação de reféns.

Adorei completamente a estrutura deste livro, a forma como o autor conta a história, como por vezes se dirige ao leitor. A escrita é simplesmente deliciosa; o autor conta esta história como se nos estivesse a embalar. Só queria ler devagar para apreciar cada palavrinha, cada frase.

[Fotografia da minha autoria]

O autor recorre a descrições e comparações originais, que eu achei não apenas lindas, como também interessantes de interpretar. Diria até que poderão ser úteis para escritores que por vezes não sabem como descrever de forma original algo totalmente comum.
Recordo-me de um exemplo em que o autor descrevia o tempo numa determinada manhã. Em vez de se limitar a dizer que o céu apresentava nuvens cinzentas, disse que a aparência do céu era como se alguém tivesse pegado fogo a fantasmas. Achei incrível!
Há outro momento em que o narrador descreve o inverno como alguém presunçoso, uma vez que é o outono que tem todo o trabalho de fazer as pessoas esquecerem-se dos dias de calor e depois o inverno simplesmente aparece com o frio e a neve e fica com o mérito.

Gostei tanto deste livro que nem queria terminá-lo. Queria conhecer o desfecho, mas não despedir-me das personagens, da escrita belíssima.

Gente Ansiosa é original na sua simplicidade. A história em si não é nada de especial. É uma história simples, com laços entre as personagens, entre o passado e o presente, e tudo acaba por fazer muito sentido no fim.

Trouxe este livro da biblioteca, mas é daqueles que gostava mesmo de ter na minha estante. Gostei tanto, tanto! Vale completamente a pena. Leiam!

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Palavras Sentidas


«[...] é para isso que os álbuns de fotografias servem, para mostrar os melhores momentos da vida. Os momentos que queremos recordar e não aqueles que queremos esquecer.»


A Última Vítima
Tess Gerritsen 

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Palavras Sentidas


«Não somos pessoalmente responsáveis por aquilo que as pessoas que se parecem connosco fizeram há séculos. Mas somos responsáveis pelo bem ou mal que fazemos às pessoas que estão vivas agora. Somos, cada um de nós, responsáveis por cada decisão que tomamos e que magoa ou prejudica outro ser humano.»
 
Castas: As Origens do Nosso Descontentamento
Isabel Wilkerson

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Aquisições: Abril

O mês de abril terminou e, mais uma vez, parece ter passado a correr.

Foi um mês de boas leituras, embora menos do que no mês anterior. Li 3 livros: um romance policial, um thriller e um romance contemporâneo. Trabalhei também na revisão de um livro do género fantasia.
 
Fiz duas compras, mas só vou receber os livros em maio, pelo que constarão da publicação de maio.

Vamos ver o que chegou cá a casa?
 
BIBLIOTECA
 
- Logo no início do mês fui requisitar o Gente Ansiosa, uma aquisição recente da biblioteca. Estive em lista de espera para o ler e finalmente chegara a minha vez.
Terminada a leitura, regressei à biblioteca para o devolver e trouxe comigo A Outra Metade, dado que também tenho visto opiniões muito boas em relação a este livro.
 

E quanto a ti, como foi o teu mês no que diz respeito a aquisições literárias?

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Palavras Sentidas


«Nunca tinha reparado que os segredos são como um alvo. Quanto menor o círculo, maior o segredo.»


A Filha do Guardião do Fogo
Angeline Boulley

sexta-feira, 22 de abril de 2022

«Eu Sei o Que Vocês Fizeram» de Dorothy Koomson [Opinião]


«Um thriller psicológico instantaneamente envolvente.»
Daily Telegraph

Tenho gostado imenso de ver Dorothy Koomson a explorar a sua vertente mais direcionada para os thrillers, não fosse este o meu género literário preferido.

Eu Sei o Que Vocês Fizeram despertou-me a curiosidade assim que soube do seu lançamento em Portugal.
A premissa é muito boa e tinha tudo para dar certo.
Imagina que chega às tuas mãos um diário que revela os segredos de todos os teus vizinhos. A mulher que o escreveu foi violentamente atacada e encontra-se às portas da morte. O que farias? Entregarias o diário à polícia? Ou tentarias descobrir quem a atacou?

Iniciei este livro com grandes expetativas e esperança de me surpreender. O início prendeu-me e, ao mesmo tempo, deixou-me um pouco confusa. São-nos apresentadas várias personagens e vamos acompanhando o ponto da vista de cada uma. Precisei de algum tempo até ser capaz de identificar quem era quem.

Fui avançando na leitura, mas sentia que não me estava a cativar o suficiente, não me prendia nem me deixava em ânsias de descobrir tudo como um bom thriller consegue fazer. Atribuí isso à possibilidade de me sentir ainda ressacada da minha leitura anterior. Porém, esta falta de algo que me cativasse manteve-se quase até ao final.

No geral, não gostei propriamente de nenhuma personagem, excetuando talvez a Rae, com quem me identifiquei um pouco. Achei que estava bem caracterizada e gostei especialmente que fosse uma personagem com problemas que se intensificaram devido à pandemia e ao confinamento.

A minha única motivação para ler o livro até ao fim foi descobrir quem atacara a dona do diário. Esse mistério acabou por conseguir manter-me curiosa ao longo da leitura. As últimas cem páginas acabaram por valer um pouco mais a pena e adorei a reviravolta final.

Apesar de tudo, acho que faltou qualquer coisa a este livro para ele funcionar comigo.

Eu Sei o Que Vocês Fizeram é um thriller que aborda aquilo que somos capazes de fazer para proteger quem amamos. A restante temática acaba por ser um pouco baseada na coscuvilhice, uma vez que toda a história se centra numa mulher que se dedicou a investigar todos os seus vizinhos e a descobrir os seus podres.
Todos podemos ter segredos, todos podemos ter algo no passado de que não nos orgulhamos, mas ninguém tem o direito de se intrometer na nossa vida e revelar os nossos segredos. Creio que o ensinamento que podemos retirar daqui é que, apesar de sermos naturalmente curiosos, devíamos aprender a respeitar um pouco mais os outros.

Embora não me tenha cativado tanto como outros livros da autora, não deixo de recomendar a sua leitura. Outros leitores poderão certamente apreciar esta história de forma diferente.

Classificação: 3/5 estrelas

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Palavras Sentidas


«Tratam a minha pele negra como se fosse uma arma ou uma granada ou uma faca perigosa e letal, quando, na realidade, eles é que são o perigo.»


Ás de Espadas
Faridah Àbíké-Íyímídé

quinta-feira, 14 de abril de 2022

«Se Fosse Perfeito» de Colleen Hoover [Opinião]


«Íntimo e cru.»
USA Today

«Se Fosse Perfeito» é um romance de Colleen Hoover publicado originalmente em 2018, algum tempo antes de a autora se estrear nos thrillers psicológicos. Por essa razão, este é um daqueles dramas capazes de nos apertar o coração.

Quinn e Graham conheceram-se numa situação péssima na vida de ambos. Não foi o início que qualquer um deles desejaria, mas o que os uniu foi mais forte do que o desgosto que haviam partilhado.
Alguns anos mais tarde, o amor que sentem um pelo outro é abalado pelos momentos menos perfeitos da vida a dois. Será o amor realmente capaz de superar tudo?

Sem querer dar muitas pistas sobre este livro, tenho apenas de referir a sua temática principal: a infertilidade.

Neste romance que nos agarra desde a primeira página, vamos acompanhando dois espaços temporais: o passado, quando Quinn e Graham se conheceram e começaram a namorar; e o presente, após alguns anos de casados e em que sentem o seu casamento em crise.

[Fotografia da minha autoria]

É impossível ficar indiferente à história destes dois e ao sofrimento que partilham devido à infertilidade. Colleen retrata na perfeição as angústias e o desespero de uma mulher que quer a todo o custo ser mãe e, mês após mês, falha. Compreendemos como é desagradável quando uma mulher está nesta situação e, a toda sua a volta, as pessoas estão sempre a intrometer-se e a atirar a habitual pergunta: «para quando um bebé?»
Por muito que as pessoas nem perguntem por mal, a verdade é que nós nunca sabemos se estamos a fazer esta pergunta a alguém que não consegue engravidar e que, por isso, está num sofrimento imenso.

Por seu lado, Graham não consegue lidar com o sofrimento de Quinn, porque ela se afasta, não se abrindo com ele. Colleen aborda aqui os problemas de comunicação que originam muitos mal-entendidos e podem minar a relação de um casal.

Embora a minha visão da maternidade seja diferente da desta personagem, consegui sentir empatia e pôr-me um bocadinho na sua pele. Acredito que este livro possa ser muito forte para mulheres que sofram de infertilidade. É duro, muito cru, muito real.

Quinn e Graham sentem um amor único um pelo outro e a possibilidade de que se pudessem separar abalou-me imenso durante a leitura. Afinal, o amor é ou não capaz de superar tudo?

Colleen é excelente a escrever sobre emoções. Apesar de triste, este livro é também muito bonito. Vai deixar o leitor de coração destroçado e a seguir vai voltar a unir todos os pedaços.
 
«Se Fosse Perfeito» é uma história com um final maravilhoso, diria até perfeito. Prepara os lenços, porque as lágrimas vão cair, mas prometo que vale totalmente a pena.

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Palavras Sentidas


«Em todos os sentidos, a guerra será sempre um desperdício inútil de tempo, dinheiro e, acima de tudo, da vida humana.»


A Noiva Judia
Nuno Nepomuceno

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Hoje venho dar resposta, com algum atraso, ao desafio que a Silvana criou para o livro O Ano da Dançarina.

Aqui está ele:

DESAFIO:

Que diria Nicolau?
 
Nicolau viveu na primeira pessoa o combate a uma pandemia. A gripe espanhola chegou a Portugal e ele esteve na linha da frente.
 
Imagina que Nicolau está lá em cima, sentado numa nuvem, a assistir ao que se passa na atualidade.
 
Escreve alguns dos seus pensamentos e reflexões sobre aquilo que ele está a observar.

A MINHA RESPOSTA:

Oh não, está a acontecer outra vez.
Um novo vírus parece estar descontrolado em vários países. Já chegou a Portugal. Há países a iniciar confinamentos. Os hospitais estão sobrecarregados. Tanta gente a morrer…
Vou acompanhando as notícias que se escrevem no meu amado país e não gosto do que leio. As pessoas parecem não ter aprendido nada com as pandemias anteriores.
A gripe espanhola foi devastadora e esta nova pandemia parece caminhar na mesma direção.
 
Já passou um ano desde o aparecimento do primeiro caso. As pessoas estão cansadas. Os médicos estão exaustos. Mas preocupa-me este absurdo aumento de novos casos nestes meses de inverno. O número de mortes aumentará drasticamente.
No entanto, pelo que pude verificar ao longo dos últimos meses, este vírus não é tão perigoso como o influenza. As pessoas resistem mais, não adoecem numa questão de horas, o que permite que muitas delas possam ser salvas. Porém, receio que o vírus venha a sofrer mutações num futuro próximo, tornando-se mais forte.
 
Passaram já dois anos. O cansaço é mais do que evidente. Mas há uma esperança: grande parte da população já está vacinada e espera-se que o número de mortes e doentes graves diminua consideravelmente. Admiro a rapidez com que os cientistas e as várias organizações se mobilizaram na procura por uma (neste caso, várias) vacina eficaz. Sinto-me orgulhoso do meu país e do mundo inteiro e estou agora mais confiante de que em breve este vírus possa ser derrotado. Talvez não completamente, mas em grande parte.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

«Um por Um» de Chris Carter [Opinião]


Um por Um é o quinto livro da série policial Robert Hunter, da autoria de Chris Carter.
Este autor surpreende-me e arrebata-me a cada novo livro. Não tenho dúvidas de que é um dos melhores autores contemporâneos dentro do género policial.

Nesta nova investigação, Robert Hunter e o seu parceiro, Carlos Garcia, vão deparar com um assassino muito inteligente. Tudo começa quando recebem um telefonema a indicar-lhes que acedam a um endereço específico na Internet. Para piorar tudo, Hunter é obrigado a escolher de que forma a vítima deverá morrer: afogada ou queimada viva.
Quando a investigação não traz nenhuma pista, Hunter recebe um novo telefonema. Desta vez, o assassino transformou o seu jogo doentio num programa online onde as pessoas podem votar e assistir à morte da vítima.

Este livro é completamente explosivo. São quatrocentas páginas que não se leem, devoram-se. Comecei devagar, embora com a curiosidade a crescer a cada novo capítulo e, após a primeira metade do livro, já não o conseguia largar.

Adorei o modus operandi deste assassino. É muito macabro, sim, e as descrições do autor são bastante gráficas, pelo que é preciso ter algum estômago para digerir este tipo de imagens. Nem todos os leitores aguentarão esta violência, por isso deixo o alerta aos leitores mais sensíveis.

Robert Hunter é especialista em Análise do Comportamento Criminal e, ao longo da narrativa, vamos tendo o seu parecer acerca do assassino e a interpretação do seu comportamento e das motivações para agir de determinada maneira. Gosto especialmente destas análises comportamentais.

Este livro faz-nos refletir sobre o comportamento das pessoas perante os programas televisivos, neste caso os reality shows onde os espectadores têm o poder de decidir o destino dos concorrentes.
Neste caso, o assassino põe a decorrer uma votação para escolher o modo como a vítima morrerá. Poderemos pensar: mas as pessoas seriam mesmo capazes de votar, sabendo que aquilo é real? Por muito que nos pareça terrível, a explicação comportamental diz que sim, que as pessoas gostam deste tipo de poder de decidir o destino de alguém.

Um por Um fez-me lembrar os filmes do Saw, onde as vítimas eram apanhadas e postas numa armadilha mortal onde teriam de fazer uma escolha para se salvar.
Neste livro a vítima não tem grande possibilidade de escolha, porém, a história fala-nos de escolhas, de como nem sempre temos escolha em tudo. Por vezes, uma má decisão de outra pessoa pode destruir a nossa vida por completo.

Recomendo vivamente este romance policial de Chris Carter. Tenho adorado todos os livros do autor, mas cada novo livro que leio acaba por tornar-se o meu favorito. Este arrebatou-me por completo. É inquietante, um verdadeiro page-turner até à última página.

Classificação: 5/5 estrelas