sábado, 9 de fevereiro de 2019

"A Célula Adormecida" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


A Célula Adormecida é a quarta obra de autoria de Nuno Nepomuceno, livro que se seguiu à trilogia Freelancer (da qual apenas ainda li o primeiro volume).

Confesso que o Nuno é um dos autores portugueses que mais admiro e tenho procurado adquirir todos os seus livros. Além disso, adoro todo o trabalho de promoção que a sua atual editora (Cultura) tem feito com ele.

Esta obra centra-se na temática do terrorismo, procurando mostrar o que aconteceria se houvesse uma célula adormecida em Portugal. É, desta forma, um livro muito atual, se tivermos em conta os recentes atentados ocorridos na Europa.

Devido a esta temática, o livro centra-se também no Islamismo. Ao longo dos vários capítulos, o autor vai apresentando esta religião, interligando as partes informativas com a ação no decorrer da narrativa, sem se tornar aborrecido para o leitor e permitindo ainda uma leitura bastante dinâmica.
Gostei bastante de ler sobre o Islamismo e a importância do Ramadão para os crentes. Isto permitiu-me alargar os meus conhecimentos bastante vagos relativamente a esta religião.


Além destes aspetos, são igualmente abordados os temas da migração de refugiados, a guerra na Síria e a xenofobia.

O autor apresentou-nos uma família síria a viver em Portugal e foi uma das linhas narrativas que mais gostei de acompanhar, embora eles tenham sofrido demasiado.
Conhecemos também o professor Afonso Catalão que, por ser especialista em Estudos Orientais, acaba por se ver implicado na investigação do ataque terrorista que ocorre num autocarro. Gostei bastante de conhecer o Afonso e descobrir um pouco acerca do seu passado na Turquia.
Gostei de acompanhar a jornalista Diana Santos Silva, bastante tenaz e, na minha opinião, bem caracterizada. Houve um aspeto relativamente a esta personagem, que ocorreu no início do livro na Turquia (a experiência transcendente), e que eu gostaria que tivesse sido referido no final. Imaginei que algo aconteceria a esta personagem em resultado da experiência vivida, o que acabou por não se concretizar.

No que diz respeito à ação, esta ocorre em Portugal, mais especificamente em Lisboa, e na Turquia. Embora eu pouco conheça da capital portuguesa, agradou-me imenso ler algo com tantas referências à cidade.

Em geral, o ritmo da ação é bastante bom e os capítulos pequenos permitem que se imprima uma boa velocidade de leitura.

Um ponto negativo que destaco (e que já tinha referido aqui no blog) é o facto de o livro ser muito pesado, o que torna a leitura muito incómoda. A letra é bastante grande, o que dá origem a mais páginas (são quase 600) e muitas delas em branco devido aos capítulos pequenos. Acho que as editoras deviam ser um pouco mais amigas do ambiente (e do espaço nas nossas estantes) e criar edições mais equilibradas.

É uma leitura que recomendo vivamente, quer conheçam ou não o autor. É importante apoiarmos os autores nacionais e reconhecermos que há talento em muito do que se escreve em Portugal. Quanto a mim, estou ansiosa por me dedicar, em breve, ao Pecados Santos.
Classificação: 4/5 estrelas

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