segunda-feira, 9 de março de 2020

"Segredos Obscuros" de Hjorth & Rosenfeldt [Opinião]


«Um thriller extraordinariamente inteligente.»
De Telegraaf (Holanda)

Apesar de ter na estante três volumes da série de Sebastian Bergman, escrita por uma dupla de autores suecos, ainda não tinha tido oportunidade de lhes dar a devida atenção. Assim que a minha melhor amiga me emprestou o primeiro volume da série, não tive como escapar e atirei-me avidamente a esta leitura.

Deixem-me apenas confessar-vos que tenho uma pequena mania de fazer cara feia aos policiais com mais de 500 páginas. Não tenho qualquer problema em ler livros volumosos; apenas fico com receio de que um livro deste género, com tantas páginas, possa vir a arrastar-se e ter alguma palha. Provavelmente este é apenas um preconceito meu, que não se mostrará verdadeiro em muitos livros.

De facto, os meus receios eram completamente descabidos. Segredos Obscuros é um policial muito bem construído e estruturado, com uma interessante diversidade de personagens e bem equilibrado a nível de investigação policial.

Tudo começa com o desaparecimento de Roger, um jovem de 16 anos que, mais tarde, é encontrado morto, com o corpo mutilado e o coração arrancado do peito. Isto dá início a uma investigação que irá desvendar imensos segredos.

Nos primeiros capítulos, o livro não é muito dinâmico mas a verdade é que acaba por agarrar o leitor e mantê-lo curioso até ao fim. Está sempre a acontecer alguma coisa e, embora no início os investigadores tenham dificuldade em prosseguir na investigação, as pistas vão surgindo e, pouco a pouco, vai sendo montado o quadro deste crime.

[Fotografia da minha autoria]

Como referi acima, conhecemos bastantes personagens. Há espaço para uma boa caracterização de todas elas, o que nos permite sentir afinidade por umas e antipatia por outras.

Gostava de falar de Sebastian Bergman, um psicólogo que trabalhava como profiler para a Polícia em casos de assassinos em série. Um tsunami levou-lhe a mulher e a filha e, desde aí, ele nunca mais foi o mesmo. Deixou de trabalhar e transformou-se num homem à deriva.
Sebastian é de facto uma personagem intrigante. É brusco, rude e convencido nas suas interações com os outros, o que por diversas vezes me fez sentir uma certa antipatia por ele. Contudo, não passa de um homem que perdeu tudo e que, volvidos alguns anos, ainda não consegue ainda lidar com aquela tragédia. A dor dele é palpável.

Também gostei do inspetor Thomas Haralsson. Não sei se gostar será o termo certo, uma vez que passei todo o livro a sentir pena dele. Tudo lhe corria mal. Foi afastado da investigação quando uma equipa externa foi chamada para investigar este homicídio, mas nunca desistiu de provar o seu valor como detetive. O problema é que nunca conseguia fazer nada acertadamente. A juntar a tudo isso, tinha de lidar com a mulher que andava a fazer tratamentos de fertilidade e estava desesperada por engravidar. Nem no final do livro as coisas melhoraram, por isso espero que este homem possa vir a ter alguma sorte nos volumes seguintes da série.

O final foi bastante surpreendente e achei aquelas últimas linhas incríveis. Mas que revelação bombástica! Só me deixou ainda mais curiosa por ler a próxima aventura de Sebastian Bergman.

Para quem é fã de policiais e, especificamente, de literatura nórdica, aqui está uma sugestão a não perder. Em Portugal, a Suma de Letras já publicou cinco volumes desta série.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 6 de março de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.6 | O vírus


Tema: Oh não, um vírus outra vez!

          O vírus

— João, vê se vais para casa descansar — disse-lhe a colega de laboratório, mesmo antes de se ir embora, ao final do dia.

João acenou-lhe com a mão, enquanto abanava a cabeça, prometendo obedecer ao seu conselho. Contudo, não tinha qualquer intenção de abandonar o que estava a fazer. Tal como no dia anterior. E no dia antes desse. E em nenhum dos dias que se seguiram ao desabar do seu mundo.

Recordava-se perfeitamente do dia em que ouvira pela primeira vez falar do vírus porque fora também o dia em que descobrira que iria ser pai.

Há uma semana que não saía daquela sala de laboratório. Tornara-se o seu refúgio. O seu santuário.

O seu purgatório.

Se ao menos tivesse sido suficientemente rápido…

Nos primeiros dias ninguém atribuiu muita importância ao aparecimento do vírus. Porém, à medida que os casos se começaram a multiplicar, o pânico instalou-se nas populações. As primeiras mortes revelaram que se estava perante algo realmente grave. E quatro meses depois não havia um único país no mundo que não tivesse dezenas de casos confirmados.

Há uma semana que João não dormia, excetuando aquelas duas horas que se autorizava a parar. Alimentava-se de café e de uma ou outra sandes, mas sabia que não aguentaria muito mais tempo. Sentia que o seu corpo se assemelhava a uma bomba atómica pronta a explodir.

Mas não podia parar. Sabia que estava prestes a alcançar a descoberta que todos ansiavam. Uma descoberta que, contudo, lhe era inútil, uma vez que nada lhe poderia devolver o que perdera.

O mundo não estava preparado para ouvir aquela declaração de pandemia. Mas ao quinto mês o vírus infetara já dois milhões de pessoas. E ao sétimo mês os investigadores lutavam contra três estirpes diferentes.

João afastou-se da bancada onde trabalhava e dirigiu-se à casa de banho. Tirou as luvas e a máscara e atirou-as para dentro do caixote do lixo. Lavou as mãos e a cara. Sentia a testa e as bochechas demasiado quentes. Havia momentos em que se sentia à beira de desfalecer. O cansaço era muito e o corpo não parava de lhe tremer.

Recompôs-se e fitou o seu rosto no espelho. O rosto do desespero. Um destroço humano. Um homem que, apenas alguns dias antes, se agarrara ao corpo moribundo da mulher. Chorou. Berrou. Gritou por ela e pelo filho que nunca viria a conhecer.

Tinha sido vencido pelo vírus.

A única coisa que lhe restava, mesmo sabendo que chegara tarde demais, era ter a certeza de que seria capaz de o aniquilar.

Arrastou-se de novo para a bancada, sendo assolado por um ataque de tosse.

O derradeiro teste chegara. Não havia mais tempo. E tinha a cobaia perfeita.

Agarrou a seringa onde preparara a vacina e injetou-se no braço.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]

 
Esta semana chegou cá a casa mais um livro da Silvana no âmbito do nosso empréstimo surpresa!

Ela disse-me que o livro seria uma grande surpresa, o que me deixou curiosa durante os vários dias em que estive à espera da chegada do envelope.

E o livro que recebi foi este:

 
De facto, foi uma enorme surpresa! Não estava mesmo nada à espera! Mas a verdade é que não tinha nenhuma suspeita do livro que poderia ser. Gostei muito da escolha dela!
Além do mais, este é talvez um dos livros mais novinhos da estante da Silvana; ela comprou-o no mês passado, por isso está a dar-me a grande responsabilidade de ser a primeira a lê-lo.

Vamos a isso?

Obrigada Silvana!

quarta-feira, 4 de março de 2020

Palavras Sentidas


"Há quem diga que o dinheiro não compra a felicidade. Pode ser que não. Todavia, se o gerirmos como deve ser, o dinheiro compra liberdade e tempo, e essas coisas são muito mais palpáveis do que a felicidade."

Não Desistas
Harlan Coben

terça-feira, 3 de março de 2020

Aquisições: Fevereiro

O mês mais pequeno do ano esteve recheado de boas aquisições literárias.
Vamos ver?

- Logo no início do mês, não consegui resistir aos momentos WOOK e adquiri o tão desejado novo thriller de Harlan Coben! Ainda não o li, mas será para breve!

COMPRA


- Este foi-me emprestado pela melhor amiga, durante o nosso passeio que inclui sempre uma troca de livros!
É a minha leitura atual.

EMPRESTADO


- Esta prenda de Natal do meu irmão veio um bocadinho atrasada, uma vez que ele me tinha comprado um livro repetido e precisou depois de o trocar. Mas qualquer altura é ótima para receber um livro como prenda! Obrigada!

PRENDA DE NATAL


- Para terminar muito bem o mês, recebi este livro que me foi gentilmente oferecido pelo autor, José Rodrigues. Veio autografado e tudo!! Estou muito curiosa e vou começar a leitura dentro de poucos dias para depois partilhar tudo convosco.

OFERTA


Como podem ver, foi um mês muito bom!
E como correu o vosso a nível de aquisições?

sábado, 29 de fevereiro de 2020

"O Homem dos Sussurros" de Alex North [Opinião]


«Primeiro é sinistro. Depois, assustador. Depois, aterrador. E depois... bem, caro leitor... avance por sua conta e risco. Um thriller ambicioso e profundamente gratificante - uma mistura de Harlan Coben, Stephen King e Thomas Harris.»
A. J. Finn, autor bestseller internacional

Quando este livro foi publicado pela Topseller, fiquei de imediato de olho nele. Primeiro, porque a capa é maravilhosa e segundo, a premissa da história agradou-me bastante.

Alex North é o pseudónimo de um autor inglês, anteriormente publicado sob outro nome. Após ter lido alguns capítulos, dei comigo a pesquisas acerca dele, na tentativa de descobrir a sua verdadeira identidade. Contudo, esta continua mantida em segredo.

Fiz esta pesquisa porque achei este livro muito bem escrito, com uma boa estrutura e com ótimas interações entre as personagens. Nota-se que é um livro de um autor já com alguma experiência e daí eu me ter questionado se já me teria cruzado com outro livro do autor.

Li opiniões muito boas e mesmo as críticas que vêm no livro deixaram-me com as expectativas bastante elevadas. Tudo fazia crer que este seria um livro sinistro e aterrador e lá me atirei à leitura, desejosa de encontrar algo que me arrepiasse até aos ossos.

Este é um thriller que se mistura um pouco com outros géneros. Encontramos uma parte policial bastante desenvolvida, algum drama, espaço para reflexões acerca da paternidade e ainda uma pitada de terror ou de sobrenatural, com a introdução de uma espécie de "bicho-papão" que assusta as crianças.
Não considero que tenha sido um livro de leitura compulsiva, mas conseguiu manter-me interessada e curiosa até ao fim.

[Fotografia da minha autoria]

O que mais me cativou, sem dúvida, foi o pequeno Jake, de 7 anos. É sempre algo irresistível encontrar crianças nos livros, mas este menino consegue deixar-nos de coração apertado. Jake perdeu a mãe há poucos meses e ele o o pai mudaram-se para uma nova terra, em busca de um recomeço.
A interação entre pai e filho foi o que mais me fascinou. Tom, pai de Jake, não só tem de lidar com o próprio luto, como também precisa de se reconectar com o filho, de aprender a ser melhor no seu papel de pai.

Adorei ler as partes em que Jake falava com a sua amiga imaginária. Foram, talvez, as partes mais arrepiantes do livro, na medida em que Tom se mostrava sempre muito intrigado quando ouvia o filho a falar sozinho.

Houve ainda outra cena que me arrepiou sobremaneira mas, de resto, não achei que este livro fosse verdadeiramente sinistro e aterrador. Acho que elevei bastante as expectativas e acabei por sair desiludida.

Em resumo, não é um livro incrível mas é muito bom e não deixo de recomendar a sua leitura. Valeu a pena e tão cedo não me esquecerei do pequeno Jake. Vou também ficar atenta a novos livros do autor; sei que a Topseller vai publicar um novo durante este ano.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.5 | A piscina


Tema: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia 

          A piscina

Mariana sentiu a água a molhar-lhe os pés antes mesmo de acordar.

Abriu devagarinho os olhos protegidos pelos óculos de sol. Sentia a pele a escaldar.

Doeu-lhe o corpo quando se ergueu da espreguiçadeira. Há quanto tempo estaria a dormir?

Deixou-se estar sentada e olhou em seu redor. A piscina à sua frente parecia não ter fim. A água era azul e límpida. Um autêntico paraíso.

Observou os pés molhados. Encontrava-se num local muito próximo da borda da piscina e certamente alguém a teria molhado ao atirar-se para a água. As gotículas que lhe cobriam a pele começavam já a desaparecer.

Mas que local era aquele? Não se recordava de como ali fora parar.

Tudo à sua volta era incrível. Até o céu era diferente. Decididamente não era português. Talvez estivesse num resort de luxo nas Maldivas!

Ouviu alguém chamar o seu nome. Virou a cabeça na direção da voz. Dentro de água, duas mulheres acenavam-lhe efusivamente. Reconheceu as suas melhores amigas.

Alguns pormenores começavam a assomar-lhe à mente. Tinha vindo de férias com as amigas para festejar o seu divórcio. Finalmente concretizara o seu maior desejo: livrar-se do marido.

Não havia problema se por vezes não se conseguia recordar das coisas. A medicação costumava deixá-la confusa.

Pegou no protetor solar pousado no chão junto aos chinelos e aplicou uma camada generosa no corpo. O tom do seu bronzeado sugeria que aquele devia ser o terceiro ou quarto dia que passava estendida ao sol.

A confusão voltou a apoderar-se dela. Não se lembrava sequer de ter andado de avião.

Estaria a sonhar?

Não! Os sonhos não transmitem este tipo de sensações. Não sentimos o calor na pele. Não sentimos a água a molhar-nos os pés. Não sentimos o cheiro dos cremes bronzeadores.

Ou será que sentimos?

Não. O mais certo era ter abusado do álcool na noite anterior, o que fora claramente um erro.

Levantou-se, decidida a dar um mergulho. Aquelas eram as suas férias de sonho, mais valia aproveitar ao máximo.

Caminhou devagar, tentando ignorar que as pessoas pudessem estar a olhar para ela. Era uma mulher atraente, embora tivesse de usar fato de banho para esconder as cicatrizes. Tinha sempre receio de que os outros fossem capazes de ver as marcas que o marido deixara nela.

Aproximou-se da borda da piscina, sorriu e atirou-se para a água fresca.


Acordou estremunhada. O sol desaparecera. Tudo à sua volta era cinzento e desinteressante.

Doíam-lhe as costas de ter estado deitada naquela cama de péssima qualidade.

Fitou as grades cinzentas à sua frente.

Agora recordava tudo com clareza. Em breve iria ser presente ao juiz.

Talvez não tivesse sido nada boa ideia esfaquear o marido sete vezes.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Palavras Sentidas


"Encosta-se à bancada, como se estivesse preparado para aquela conversa. Como se estivesse estado à espera dela. Que aparecesse alguém que fizesse as suas tragédias parecerem menos trágicas. É o que as pessoas fazem depois de viverem o pior do pior. Procuram pessoas semelhantes... pessoas que estejam pior do que elas... e usam-nas para se sentirem melhor em relação às coisas horríveis que lhes aconteceram."

Verity
Colleen Hoover

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

[Televisão] "The Stranger" de Harlan Coben - 2020 (Opinião)


Empolgante e compulsiva, assim é The Stranger, a nova série da Netflix adaptada de um thriller com o mesmo nome, de Harlan Coben.

Adam Price vê a sua vida virada do avesso quando é abordado por uma estranha, que aparece do nada, e lhe conta um segredo devastador acerca da sua mulher. Perturbado com o que acabou de descobrir, confronta-a e, no dia seguinte, ela desaparece.
Ao mesmo tempo, uma detetive investiga o caso de um jovem que aparece nu e ferido no meio de um bosque, na mesma noite em que é encontrada uma alpaca decapitada.

Há ainda outras narrativas secundárias bastante interessantes e todas acabarão por se interligar.


The Stranger é uma série de 8 episódios que se vê de um fôlego, uma vez que o suspense é constante e está muito bem conseguido. Bastam alguns minutos para nos sentirmos completamente agarrados.

A série é britânica e decorre na cidade fictícia de Cedarfield, tendo sido filmada na área de Manchester, Reino Unido. No entanto, todos os thrillers de Harlan Coben se passam em solo americano, geralmente em subúrbios.

Através de uma pesquisa, fiquei a saber que há várias diferenças entre a série e o livro: a estranha no livro é um homem; há uma personagem que não existe no livro e outra que tem um papel importante mas que no livro já morreu; as tramas secundárias que envolvem os estudantes foram escritas apenas para a série; as motivações de algumas personagens e também alguns detalhes no final.

Desta forma, acredito que ler o livro e ver a série serão duas experiências completamente diferentes. Resta-me aguardar que o livro seja editado em Portugal, pois fiquei com muita vontade de o ler.

Em conclusão, é uma série intensa e viciante, que nos mostra que não podemos fugir aos segredos do nosso passado. Recomendo vivamente!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.4 | O patrão


Tema: O google está errado

          O patrão

Vais ser despedida, sussurrou o diabo ao meu ouvido.

Sinto as mãos suadas enquanto atravesso o corredor que separa a minha sala de trabalho do escritório do meu patrão. Três palavras ecoam na minha mente: vais ser despedida.

O mais irónico é que eu não fiz nada. Ainda.

O erro foi do meu patrão e eu estou a caminho do seu escritório para lho comunicar.

Acredito que vou bater o recorde: ser despedida do meu emprego de sonho apenas três meses após ter sido contratada.

Quando cheguei ao escritório, esta manhã, encontrei os meus colegas num alvoroço. Sussurravam desesperadamente, como se estivessem a decidir qual deles deveria sacrificar-se e entrar na câmara de gás.

Tinham descoberto um erro num processo mediático em que estávamos a trabalhar. Era um pormenor mínimo, quase insignificante, mas fora cometido pelo patrão.

E ninguém se atrevia a dirigir-lhe a palavra para lhe apontar o erro.

Ninguém se atrevia a contrariá-lo.

Ninguém se atrevia sequer a respirar junto dele.

Por isso, duas horas depois e farta de assistir ao desespero dos meus colegas, levantei-me da cadeira e voluntariei-me para a morte:

— Eu vou.

Fez-se silêncio na sala.

Todos olharam para mim, de olhos esbugalhados.

E cá estou eu, a preparar-me para dizer ao meu patrão que está errado. E prestes a ser despedida.

Junto à porta, engulo em seco e bato três vezes.

Oiço a sua voz de trovão a dizer-me para entrar.

Entro de cabeça erguida, tentando demonstrar confiança. Se vou morrer, ao menos morro de pé.

Lá está ele, sentado à secretária como um rei no seu trono.

Jonathan Google, o homem que faz tremer até as paredes do edifício.

O homem que seria perfeito, não fosse o azar de ter recebido aquele apelido.

Imaginem que tinham o nome de um motor de pesquisa. Provavelmente teriam sofrido de bullying durante toda a vida.

Inspiro fundo e encho-me de coragem para falar.

Ele ouve-me sem pestanejar e, em seguida, levanta-se e dirige-se à janela interior, baixando a persiana. Agradeço-lhe mentalmente por impedir que os meus colegas assistam à descompostura que estou prestes a receber.

E, por fim, fala.

Duas eternidades depois, saio do seu escritório e arrasto-me até à minha secretária. O meu relógio indica que apenas passaram oito minutos.

Começo a reunir os meus pertences, incrédula com o que acontecera.

Afinal, isto não foi um erro, mas sim um teste. O patrão queria perceber qual de nós teria a coragem suficiente para o enfrentar, uma vez que precisa de uma advogada com fibra para representar um novo cliente.

Vou mudar-me para um novo gabinete.

Acabei de ser promovida.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]


Após ter terminado a leitura do livro da Silvana, preparei o envelope com o novo livro escolhido para ela.

Este foi o livro que escolhi:


Motivos da minha escolha:

A Silvana começou o ano de forma um bocadinho atribulada e as leituras acabaram por sofrer com isso. Assim, quis enviar-lhe uma autora de que ela gosta e um livro que certamente irá ler depressa.
Sabia que queria enviar-lhe algum livro da Colleen; inicialmente pensei no Isto Acaba Aqui, que ela também não leu, mas como retrata o tema da violência doméstica e ela tem outro livro dessa temática para ler em breve, decidi não lho enviar já. A minha escolha recaiu então sobre o Verity, um romance incrível que estou ansiosa que ela leia para que o possamos discutir. A sério, tem sido muito difícil manter-me calada e não lhe contar absolutamente nada sobre este livro.

Por isso, boa leitura, Silvana! Espero que o adores tanto como eu!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Palavras Sentidas


"O problema de se tentar obter o perdão de alguém que magoámos é estarmos a magoar de novo a pessoa, ao exigirmos mais dela. Se lamentas, diz que lamentas, pede desculpa, diz-lhe que percebeste a enormidade que cometeste, que não voltarás a fazê-lo, mas deixa as coisas por aí. Não esperes mais nada da pessoa. Não lhe exijas que te diga que te perdoa só para te sentires melhor. Não esperes que ultrapasse a coisa tão depressa como tu queres nem que pondere no assunto. (...) Deixa que seja a pessoa a decidir se te perdoa ou não."

Conta-me o Teu Segredo
Dorothy Koomson