quinta-feira, 11 de junho de 2020

"A Morte do Papa" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


A Morte do Papa foi lançado em janeiro deste ano e é o novo thriller religioso de Nuno Nepomuceno. Entretanto, mesmo há poucos dias, foi lançada um reedição de A Célula Adormecida, um dos seus trabalhos anteriores, e cuja opinião publiquei aqui.

Neste thriller, o catolicismo volta a estar em grande plano. Nuno inspirou-se na vida do Papa João Paulo I e em todo o mistério que envolveu a sua morte, 33 dias depois de ter sido eleito Papa.

A par disso, incluiu na narrativa o desaparecimento da jovem Gabriella Accardi, inspirada na história de Emanuela Orlandi, uma jovem que desapareceu com 15 anos, pouco tempo depois de sair da aula de música. De acordo com a pesquisa do autor, o desfecho deste caso continua atualmente por explicar, pelo que o desfecho que encontramos no livro partiu da imaginação do autor.

Cheguei a referir que A Última Ceia teria sido um dos meus livros preferidos do autor por apresentar um registo diferente, mas devo dizer que mudei novamente de ideias. A Morte do Papa surpreendeu-me imenso e, após ultrapassar alguns obstáculos iniciais, conseguiu agarrar-me e tornar-se uma leitura bastante frenética.

[Fotografia da minha autoria]

Este livro volta a confirmar a excelente trabalho de pesquisa que o autor leva a cabo em cada um dos seus livros. Somos conduzidos para dentro do seio da Igreja Católica, conhecendo o seu modo de funcionamento bem como as intrigas e o ocultar da verdade por parte das personagens.

Adorei reencontrar o Professor Catalão e a sua esposa Diana Santos Silva. Ambos vão colaborar com Paolo, um jornalista italiano que se encontra a investigar o desaparecimento da jovem Gabriella.

Conhecemos também outra faceta humana e insegura do Professor, quando tem um ataque de ciúmes por acreditar que anda a ser traído. Esta atitude deixou, contudo, algumas feridas neste casal e estou curiosa por descobrir como será o desenrolar da história destes dois, num futuro livro.

Voltei a encontrar o fantástico humor do autor em introduzir personagens de outros livros e em referir-se a ele próprio. Confesso que estou sempre à espera destes momentos quando pego nos seus livros novos.

No que diz respeito à escrita, acredito que o autor continua a evoluir. Tive a confirmação neste livro de que os seus diálogos são muito bons. É difícil escrever diálogos, torná-los claros, reais, coerentes, sem excesso de floreados, e o Nuno consegue isso muito bem.

Em conclusão, A Morte do Papa é mais um excelente trabalho deste autor que já é tão acarinhado pelo público português. Se nunca leram nada do autor, creio que está mais do que na hora de finalmente experimentar. Apoiem e leiam os autores portugueses!

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Palavras Sentidas


"Não existe nenhuma razão no mundo para um pai abandonar voluntariamente um filho, sem mais nem menos. Abandonar de perder. Abandonar de não querer saber. Esse abandonar, palavra forte, vestida de crueldade e tristeza."

O Rio de Esmeralda
José Rodrigues

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Palavras Sentidas


"Enquanto escritor, sempre acreditara que nunca devíamos revelar as nossas histórias até estarem concluídas. Se o fizéssemos, perderíamos um pouco a vontade de as transcrever para o papel, quase como se a história precisasse de ser contada de uma certa maneira, e, quanto mais vezes a contássemos, menos pressão sentiríamos."

O Homem dos Sussurros
Alex North

terça-feira, 2 de junho de 2020

Momentos WOOK

O mês de junho trouxe uma novidade que quero muito: o novo livro da Colleen Hoover.

A WOOK volta a oferecer-nos 20% de desconto em livros, incluindo as tão desejadas novidades.

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Eu vou adquirir este livro. E tu, vais aproveitar?

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Aquisições: Maio

Este ano está a ser especialmente atípico em aquisições de livros, devido ao momento que estamos a viver. Não deixo, contudo, de me sentir muito satisfeita com os novos moradores da minha estante.

Aqui estão os livros que chegaram em maio:
- Logo no início do mês, aproveitei os 20% de desconto da Bertrand Online e adquiri estes dois para a minha coleção. O livro do Manuel Monteiro já há muito que andava a prender a minha atenção e, como li opiniões positivas que referiam que é um bom livro para quem escreve e quem faz revisão de texto, decidi-me finalmente a comprá-lo. O segundo ficou por apenas 4€ e adicionei-o à encomenda para não pagar portes de envio. Estou também muito curiosa com ele.

COMPRAS


E agora contem-me, como foi o vosso mês a nível de aquisições literárias?

sexta-feira, 29 de maio de 2020

"A Agência" de Ally O'Brien [Opinião]


No meu compromisso de ler os livros da estante, decidi pegar neste que está comigo há tanto tempo que nem consigo precisar. Penso que o ganhei num passatempo, pois não me recordo de o ter comprado.

Este é um daqueles livros com uma capa medonha que não chama a atenção e que não damos nada por ele. No entanto, a sinopse é interessante.

Ally O'Brien é o pseudónimo de um duo de escritores: Brian Freeman, autor americano de suspense psicológico, e Ali Gunn, uma agente literária londrina já falecida.

Em A Agência, conhecemos Tess Drake, uma jovem mulher que trabalha numa Agência Literária que opera em Londres e Nova Iorque. Agora que o seu patrão acabou de morrer, ela sente que está na altura de se lançar por conta própria. Mas a indústria do entretenimento é feroz e Tess vai-se meter em grandes sarilhos.

[Fotografia da minha autoria]

Simpatizei com a temática deste livro logo desde o início. Em Portugal praticamente não há agências literárias, mas na América não faltam agentes à procura de novos autores, o que torna este mundo muito competitivo. Gostei de todos os pormenores que encontrei no livro acerca do funcionamento das agências, pormenores estes que acredito que sejam verdadeiros, uma vez que o livro também foi escrito por uma agente literária.

Tess é uma personagem muito carismática, toda cheia de energia e com a língua um pouco afiada. As suas peripécias fizeram-me dar umas boas gargalhadas, mas também torcer por ela. Tess move-se num mundo onde abunda o dinheiro, a ambição, a fama, o sucesso, o sexo, a imoralidade e a vingança. Vale tudo para encontrar e representar os autores com mais chances de se tornarem grandes sucessos.

Apesar de me parecer que este livro foi muito mal divulgado, não deixa de ser uma leitura interessante, embora também não seja propriamente um fenómeno. Não é hilariante, não é um dos livros mais divertidos que já li, mas lê-se muito bem. Parece ótimo para uma tarde descontraída.

Classificação: 3/5 estrelas

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Palavras Sentidas


"Percebera a importância que o perigo podia ter como força motivadora, em parte através da sua própria vida, em parte devido à sua pesquisa sobre os assassinos em série."

Segredos Obscuros
Hjorth & Rosenfeldt

sábado, 23 de maio de 2020

"Os Pássaros" de Célia Correia Loureiro [Opinião]


Os Pássaros é o mais recente trabalho publicado de Célia Correia Loureiro.
A Célia é uma autora que adoro acompanhar. Já li tudo o que ela publicou e, naturalmente, fiz questão de comprar este livro assim que me foi possível.

Segundo palavras da autora, este é um livro diferente de tudo o que já escreveu. Concordo. É um romance muito intimista, escrito a duas vozes e com grande carga dramática. Acredito que poderá não ser para todos os leitores devido à tristeza presente em toda a narrativa. Talvez precisemos de estar com o humor certo para ler este livro.

Em Os Pássaros, conhecemos Manuela e Diogo, um casal que se separou há seis anos. Volvido esse tempo, eles vão refletir sobre os terríveis acontecimentos que levaram a esse desfecho.

O livro está escrito a duas vozes, numa espécie de cartas ou entradas de diário. Logo nas primeiras páginas percebemos que eles escrevem para o filho de ambos.

[Fotografia da minha autoria]

As vozes de Manuela e Diogo são diferentes mas só consegui entendê-las e distingui-las melhor ao fim de um bom conjunto de capítulos. O que achei muito curioso é que ambos são escritores com estilos e objetivos diferentes. Diogo quer ser o melhor, escrever algo genial que fique para a posteridade; por sua vez, Manuela quer dar o melhor aos seus leitores, algo que os entretenha, e isso passa por romances mais simples.
O tipo de escrita de cada um está presente nas suas vozes e foi assim que interpretei as diferenças entre ambos.

A escrita de Célia é incomparável. Nota-se uma grande maturidade neste livro. Não é simples de ler, exige pausas e reflexão, embora por vezes me sentisse tão mergulhada na história que só queria continuar a ler até encontrar todas as respostas.

Este livro trabalha muito bem a dor das personagens, a sensação de vazio e angústia que os acompanha. Eles querer ser capazes de esquecer e superar, mas será que há mesmo forma de viver depois da perda que eles sofreram?

Durante esta leitura, senti quase sempre um tom sombrio, como se o céu por cima da minha cabeça estivesse coberto de nuvens negras. Esse tom adensou-se à medida que me aproximava do final. As minhas perguntas eram muitas. Fui percebendo logo desde o início o que aconteceu, mas queria saber como e quando. E as respostas chegam-nos finalmente num final capaz de nos destroçar o coração.

Gostei mesmo muito deste livro. É cruel, triste e extremamente duro, mas aconselho vivamente a sua leitura. Se vos apetecer explorar uma obra carregada de dor e dramatismo, então leiam Os Pássaros. Vale muito a pena!!

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Palavras Sentidas


"Deves prestar sempre atenção aos teus sonhos, ensinara-lhe a mãe. São vozes que te dizem o que já sabes, sussurrando-te conselhos que ainda não seguiste."

Lembranças Macabras
Tess Gerritsen

quinta-feira, 14 de maio de 2020

"Aquele Beijo" de Julia Quinn [Opinião]


Tenho-me sentido carente e com vontade de leituras leves, divertidas e românticas, por isso, no espaço de um mês, já devorei dois livros da Julia Quinn.

Antes de mais, uma nota em relação a esta capa amorosa mas completamente aleatória, que me desagradou. Passei toda a história à espera que surgisse algum cãozinho e, chegando ao fim... nada! É uma capa bonita, sim, mas que nada tem a ver com a história!

Aquele Beijo é o sétimo livro da série Bridgerton e traz-nos a história de Hyacinth, a mais nova dos oito irmãos.
Tinha imensa curiosidade em conhecer melhor esta personagem, uma vez que é uma jovem que foge um bocadinho aos padrões da sociedade. É muito aventureira, teimosa e tem a língua afiada, o que desde logo prometia imensas peripécias.

Gareth St. Clair é um homem que tem uma relação conflituosa com o pai, que o odeia. Gareth nada sabe sobre o seu passado e, quando recebe um antigo diário, escrito pela avó paterna, percebe que este poderá conter as respostas que procura. O problema é que o diário está escrito em italiano, uma língua que ele não domina de todo.

Achei este livro muito doce e fiquei apaixonada pelas interações entre Gareth e Hyacinth. Adorei a Lady Danbury e a sua personalidade peculiar e fartei-me de rir com os diálogos entre Gareth e Gregory e o irmão mais velho, Anthony.

O diário e a sua tradução conferiram ao livro um certo tom de mistério, aventura e perigo, ingredientes que combinaram na perfeição com a personalidade de Hyacinth.
Agradou-me também ver como ela era tão despachada para umas coisas e tão desastrada e com falta de jeito para as questões relacionadas com o amor.

Creio que o livro cumpriu na perfeição o seu propósito: entreteve-me durante vários dias, fez-me rir e soltar algumas lágrimas, e deixou-me com aquela sensação de leveza e de esperança, fazendo-me acreditar, por momentos, que há um final feliz para todos nós.

Classificação: 4/5 estrelas


Volumes anteriores:
Crónica de Paixões e Caprichos
Peripécias do Coração
Amor e Enganos
A Grande Revelação
Para Sir Philip, Com Amor
A Bela e o Vilão

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Palavras Sentidas


"É a natureza básica do ser humano. Todos pretendemos ser reconhecidos por aquilo que realizamos. Muitos assassinos sentem prazer em assistir ao desenrolar do drama no rescaldo das suas ações. Têm um grande orgulho pelo trabalho feito."

O Carrasco do Medo
Chris Carter

sábado, 9 de maio de 2020

"Vozes de Chernobyl" de Svetlana Alexievich [Opinião]


«A sua técnica é uma mistura vigorosa de eloquência e de silêncio, descrevendo a incompetência, o heroísmo e o luto: a partir dos monólogos dos seus entrevistados, cria uma história que o leitor consegue de facto palpar.»
The Telegraph

Vozes de Chernobyl chegou à minhas mãos ainda antes do início da pandemia em Portugal e acabou por se revelar uma leitura bastante difícil para ler em tempos de Covid-19.

Svetlana Alexievich ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 2015 e afirma-se que criou um novo género literário que é inteiramente seu: os «romances de vozes». O seu trabalho consiste em realizar centenas de entrevistas e depois trabalhá-las, organizá-las num fio narrativo, oferecendo-nos uma história com alma.

Vi no ano passado a série Chernobyl, da HBO, e fiquei com imensa curiosidade de ler algo sobre esta tragédia que eu não conhecia assim tão bem.

O livro de Svetlana Alexievich é extremamente rico em testemunhos e igualmente doloroso de ler. Um texto neste formato, composto por entrevistas e monólogos, já de si não é fácil de ler. Tratando de um tema sensível como este, ganha uma dimensão muito maior.

Precisei de intercalar esta leitura com outros livros pois senti que era demasiada informação e necessitei de muitas pausas para digerir o que estava a ler.

[Fotografia da minha autoria] 

O livro está muito bem estruturado. Inicia-se com uma pequena introdução histórica e depois dá lugar a uma solitária voz humana: o testemunho da mulher do bombeiro Ignatenko. Esta história de amor e de perda destroçou-me o coração.
Seguidamente, o livro encontra-se dividido em três capítulos e, o que achei mais interessante é que todos terminam com um Coro, ou seja, o Coro dos Soldados, o Coro Popular e o Coro das Crianças, todos agrupando diversos testemunhos.
Por fim, termina um outra solitária voz humana, desta vez o testemunho de Valentina, mulher de um liquidador.

Como referi mais acima, acabei por ler este livro durante as piores semanas da pandemia em Portugal e não consegui deixar de encontrar algumas semelhanças de certa forma assustadoras. Algumas partes fizeram-me lembrar a irresponsabilidade das pessoas, o facto de ser mais difícil convencer os idosos a aderir à mudança, o medo de ver pessoas.
Foram dias e semanas em que poderíamos não estar tão bem a nível psicológico, daí ter considerado este livro um verdadeiro desafio.

A história do desastre nuclear de Chernobyl é arrepiante, terrível e monstruosa. Mas é importante ler sobre ela pois faz parte da história mundial. Um livro soberbo e impactante que deveria ser lido por todos!

Classificação: 5/5 estrelas