quarta-feira, 20 de abril de 2022

Palavras Sentidas


«Tratam a minha pele negra como se fosse uma arma ou uma granada ou uma faca perigosa e letal, quando, na realidade, eles é que são o perigo.»


Ás de Espadas
Faridah Àbíké-Íyímídé

quinta-feira, 14 de abril de 2022

«Se Fosse Perfeito» de Colleen Hoover [Opinião]


«Íntimo e cru.»
USA Today

«Se Fosse Perfeito» é um romance de Colleen Hoover publicado originalmente em 2018, algum tempo antes de a autora se estrear nos thrillers psicológicos. Por essa razão, este é um daqueles dramas capazes de nos apertar o coração.

Quinn e Graham conheceram-se numa situação péssima na vida de ambos. Não foi o início que qualquer um deles desejaria, mas o que os uniu foi mais forte do que o desgosto que haviam partilhado.
Alguns anos mais tarde, o amor que sentem um pelo outro é abalado pelos momentos menos perfeitos da vida a dois. Será o amor realmente capaz de superar tudo?

Sem querer dar muitas pistas sobre este livro, tenho apenas de referir a sua temática principal: a infertilidade.

Neste romance que nos agarra desde a primeira página, vamos acompanhando dois espaços temporais: o passado, quando Quinn e Graham se conheceram e começaram a namorar; e o presente, após alguns anos de casados e em que sentem o seu casamento em crise.

[Fotografia da minha autoria]

É impossível ficar indiferente à história destes dois e ao sofrimento que partilham devido à infertilidade. Colleen retrata na perfeição as angústias e o desespero de uma mulher que quer a todo o custo ser mãe e, mês após mês, falha. Compreendemos como é desagradável quando uma mulher está nesta situação e, a toda sua a volta, as pessoas estão sempre a intrometer-se e a atirar a habitual pergunta: «para quando um bebé?»
Por muito que as pessoas nem perguntem por mal, a verdade é que nós nunca sabemos se estamos a fazer esta pergunta a alguém que não consegue engravidar e que, por isso, está num sofrimento imenso.

Por seu lado, Graham não consegue lidar com o sofrimento de Quinn, porque ela se afasta, não se abrindo com ele. Colleen aborda aqui os problemas de comunicação que originam muitos mal-entendidos e podem minar a relação de um casal.

Embora a minha visão da maternidade seja diferente da desta personagem, consegui sentir empatia e pôr-me um bocadinho na sua pele. Acredito que este livro possa ser muito forte para mulheres que sofram de infertilidade. É duro, muito cru, muito real.

Quinn e Graham sentem um amor único um pelo outro e a possibilidade de que se pudessem separar abalou-me imenso durante a leitura. Afinal, o amor é ou não capaz de superar tudo?

Colleen é excelente a escrever sobre emoções. Apesar de triste, este livro é também muito bonito. Vai deixar o leitor de coração destroçado e a seguir vai voltar a unir todos os pedaços.
 
«Se Fosse Perfeito» é uma história com um final maravilhoso, diria até perfeito. Prepara os lenços, porque as lágrimas vão cair, mas prometo que vale totalmente a pena.

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Palavras Sentidas


«Em todos os sentidos, a guerra será sempre um desperdício inútil de tempo, dinheiro e, acima de tudo, da vida humana.»


A Noiva Judia
Nuno Nepomuceno

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Hoje venho dar resposta, com algum atraso, ao desafio que a Silvana criou para o livro O Ano da Dançarina.

Aqui está ele:

DESAFIO:

Que diria Nicolau?
 
Nicolau viveu na primeira pessoa o combate a uma pandemia. A gripe espanhola chegou a Portugal e ele esteve na linha da frente.
 
Imagina que Nicolau está lá em cima, sentado numa nuvem, a assistir ao que se passa na atualidade.
 
Escreve alguns dos seus pensamentos e reflexões sobre aquilo que ele está a observar.

A MINHA RESPOSTA:

Oh não, está a acontecer outra vez.
Um novo vírus parece estar descontrolado em vários países. Já chegou a Portugal. Há países a iniciar confinamentos. Os hospitais estão sobrecarregados. Tanta gente a morrer…
Vou acompanhando as notícias que se escrevem no meu amado país e não gosto do que leio. As pessoas parecem não ter aprendido nada com as pandemias anteriores.
A gripe espanhola foi devastadora e esta nova pandemia parece caminhar na mesma direção.
 
Já passou um ano desde o aparecimento do primeiro caso. As pessoas estão cansadas. Os médicos estão exaustos. Mas preocupa-me este absurdo aumento de novos casos nestes meses de inverno. O número de mortes aumentará drasticamente.
No entanto, pelo que pude verificar ao longo dos últimos meses, este vírus não é tão perigoso como o influenza. As pessoas resistem mais, não adoecem numa questão de horas, o que permite que muitas delas possam ser salvas. Porém, receio que o vírus venha a sofrer mutações num futuro próximo, tornando-se mais forte.
 
Passaram já dois anos. O cansaço é mais do que evidente. Mas há uma esperança: grande parte da população já está vacinada e espera-se que o número de mortes e doentes graves diminua consideravelmente. Admiro a rapidez com que os cientistas e as várias organizações se mobilizaram na procura por uma (neste caso, várias) vacina eficaz. Sinto-me orgulhoso do meu país e do mundo inteiro e estou agora mais confiante de que em breve este vírus possa ser derrotado. Talvez não completamente, mas em grande parte.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

«Um por Um» de Chris Carter [Opinião]


Um por Um é o quinto livro da série policial Robert Hunter, da autoria de Chris Carter.
Este autor surpreende-me e arrebata-me a cada novo livro. Não tenho dúvidas de que é um dos melhores autores contemporâneos dentro do género policial.

Nesta nova investigação, Robert Hunter e o seu parceiro, Carlos Garcia, vão deparar com um assassino muito inteligente. Tudo começa quando recebem um telefonema a indicar-lhes que acedam a um endereço específico na Internet. Para piorar tudo, Hunter é obrigado a escolher de que forma a vítima deverá morrer: afogada ou queimada viva.
Quando a investigação não traz nenhuma pista, Hunter recebe um novo telefonema. Desta vez, o assassino transformou o seu jogo doentio num programa online onde as pessoas podem votar e assistir à morte da vítima.

Este livro é completamente explosivo. São quatrocentas páginas que não se leem, devoram-se. Comecei devagar, embora com a curiosidade a crescer a cada novo capítulo e, após a primeira metade do livro, já não o conseguia largar.

Adorei o modus operandi deste assassino. É muito macabro, sim, e as descrições do autor são bastante gráficas, pelo que é preciso ter algum estômago para digerir este tipo de imagens. Nem todos os leitores aguentarão esta violência, por isso deixo o alerta aos leitores mais sensíveis.

Robert Hunter é especialista em Análise do Comportamento Criminal e, ao longo da narrativa, vamos tendo o seu parecer acerca do assassino e a interpretação do seu comportamento e das motivações para agir de determinada maneira. Gosto especialmente destas análises comportamentais.

Este livro faz-nos refletir sobre o comportamento das pessoas perante os programas televisivos, neste caso os reality shows onde os espectadores têm o poder de decidir o destino dos concorrentes.
Neste caso, o assassino põe a decorrer uma votação para escolher o modo como a vítima morrerá. Poderemos pensar: mas as pessoas seriam mesmo capazes de votar, sabendo que aquilo é real? Por muito que nos pareça terrível, a explicação comportamental diz que sim, que as pessoas gostam deste tipo de poder de decidir o destino de alguém.

Um por Um fez-me lembrar os filmes do Saw, onde as vítimas eram apanhadas e postas numa armadilha mortal onde teriam de fazer uma escolha para se salvar.
Neste livro a vítima não tem grande possibilidade de escolha, porém, a história fala-nos de escolhas, de como nem sempre temos escolha em tudo. Por vezes, uma má decisão de outra pessoa pode destruir a nossa vida por completo.

Recomendo vivamente este romance policial de Chris Carter. Tenho adorado todos os livros do autor, mas cada novo livro que leio acaba por tornar-se o meu favorito. Este arrebatou-me por completo. É inquietante, um verdadeiro page-turner até à última página.

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Palavras Sentidas


«Coragem não era uma identidade, mas uma escolha.»
 
Acorda Para a Vida, Chloe Brown
Talia Hibbert

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


Chegou cá a casa mais um livro no âmbito do projeto de empréstimo surpresa que partilho com a Silvana.

Ela perguntou-me se tinha algum pedido especial, e pedi-lhe apenas um livro que eu não demorasse dois meses a ler. Tenho tido muita vontade de ler, mas, com o meu trabalho de revisão, tenho fases em que posso ler cem páginas por dia, e outras em que estou vários dias sem tocar em nenhum livro.
Desta forma, sentia-me pronta para qualquer que fosse a sua escolha!

E este foi o livro que chegou cá a casa:


Adorei!! Fiquei mesmo doida quando abri o envelope. Que saudades que tenho de ler Chris Carter!

Obrigada, Silvana! Foi uma surpresa excelente!
Passa no blogue dela e fica a conhecer os motivos por detrás desta escolha.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Aquisições: Março

Mais um mês que terminou e que parece ter passado a voar. Também sentiste o mesmo?
 
Março foi o melhor mês que tive este ano no que diz respeito às leituras. Consegui ler 4 livros: dois thrillers (um deles YA), um romance de época e um romance contemporâneo. Ainda trabalhei na revisão de dois livros, que também entram para as minhas leituras do mês.

As aquisições deste mês foram igualmente boas.
Vamos ver o que chegou cá a casa?

COMPRAS

- O livro da Dorothy foi a minha compra do mês de março nas promoções de 20 % da WOOK.
- Os livros da Colleen e da Kiley foram compras de fevereiro, que só chegaram cá a casa em março, aquando das respetivas datas de lançamento.

 
BIBLIOTECA

- Fiz mais uma visita à biblioteca e trouxe comigo um romance de época que me atraiu pela sinopse.

 
EMPRÉSTIMO

- Este mês recebi mais um livro da Silvana, no âmbito do nosso projeto de empréstimo conjunto. Estou ansiosa por lê-lo!


E o teu mês, como correu no que diz respeito às aquisições literárias?

quarta-feira, 30 de março de 2022

Palavras Sentidas


«Porque começo a perguntar-me se é isto que é estar-se apaixonado. Não te importares por teres de te desfazer em pedaços, desde que o outro possa ficar inteiro.»


A Hipótese do Amor
Ali Hazelwood

segunda-feira, 28 de março de 2022

«A Prometida do Capitão» de Tessa Dare [Opinião]


«Tessa Dare começa com uma reviravolta do destino, e depois conduz os leitores numa jornada intensa e emocionante que explora o amor e o poder de realização dos sonhos. Um romance brilhante e encantador.»
Kirkus Reviews
 
Estava mesmo a precisar de um livro assim!
 
Quando passeava junto das prateleiras da biblioteca, à procura de um livro que me cativasse, este chamou por mim. A sinopse cativou-me tanto que, mal cheguei a casa, li alguns capítulos e, à noite, já tinha devorado 100 páginas.

A premissa deste livro é muito engraçada. A jovem Maddie tem pavor de festas e de multidões. Então, para se escapar aos bailes da sociedade, inventa um noivo imaginário: o capitão escocês Logan MacKenzie. Para tornar a sua história mais credível, escreve-lhe cartas, onde revela os seus desejos e anseios.
Alguns anos depois, o impensável acontece: o capitão, fruto da sua imaginação, aparece em carne e osso à sua porta e exige aquilo que lhe pertence. Quer que Maddie se case com ele.

O início deste livro é simplesmente hilariante. Perdi a conta às peripécias engraçadas nas quais a nossa protagonista se mete.
Gostei muito de ver o desenvolvimento do romance entre Maddie e Logan. A verdade é que gosto muito de encontrar escoceses nos livros deste género e apreciei bastante a personalidade de Logan: um pouco rude e selvagem, mas muito protetor e fiel aos homens que o acompanharam na guerra.

Senti-me muito empolgada na primeira metade do livro, mas depois, por alguma razão, o meu fascínio esmoreceu um pouco, talvez por ter interrompido a leitura durante alguns dias e por ter lido outro livro em trabalho pelo meio.
No entanto, o final mostrou-se interessante e aqueceu-me o coração.

Não deixo de salientar os temas sérios que a autora abordou de forma divertida e adequada à época: a timidez e o medo de estar no meio de multidões, a lealdade e as consequências físicas e principalmente psicológicas da guerra, e ainda a importância dos nossos sonhos e a luta pela sua concretização.

A Prometida do Capitão é um livro cativante, divertido e leve para relaxar e devorar numa tarde. Fiquei com curiosidade em conhecer mais livros da autora.

Classificação: 3/5 estrelas

quarta-feira, 23 de março de 2022

Palavras Sentidas


«Não somos o que parecemos, mas sim o que fazemos com o que temos, o que fazemos com o que nos é dado, como tratamos os outros e o nosso planeta. Os seres humanos ao longo do tempo, por todos os continentes, são mais parecidos do que diferentes.»
 
Castas: As Origens do Nosso Descontentamento
Isabel Wilkerson

terça-feira, 22 de março de 2022

«A Noiva Judia» de Nuno Nepomuceno [Opinião]


Todas as histórias chegam ao fim e as aventuras do professor Afonso Catalão tiveram o seu último capítulo neste A Noiva Judia.

Tenho acompanhado o trabalho do Nuno Nepomuceno e foi com muita expetativa que iniciei a leitura do seu mais recente thriller.

Antes de mais, deixo a recomendação de que leias os seus livros por ordem de edição. Se não tiveres oportunidade, antes de leres A Noiva Judia, lê primeiro A Morte do Papa e O Cardeal. Estes três livros complementam-se e desenvolvem personagens comuns aos três.

A história inicia-se com o aparecimento do corpo de um homem espancado até à morte. Na mesma noite, um jovem confessa o homicídio, porém, as provas encontradas apontam para a sua inocência. O mistério vai adensar-se com o aparecimento da noiva da vítima e com um outro crime.

A Noiva Judia é uma trama que traz ao palco um conjunto de personagens que foram passando pelos diversos livros da série Afonso Catalão. Senti este reencontro com todas estas personagens como uma despedida do autor e talvez um bocadinho como uma homenagem aos que povoaram estas histórias.

[Fotografia da minha autoria]

Surgiram novas informações sobre o passado de Afonso Catalão e do escritor Adam Immanuel, uma personagem que gostei de conhecer, embora ele seja antipático e arrogante. A viagem ao seu passado permite perceber o traste que este homem realmente é.

A primeira metade do livro deixou-me um pouco confusa. Isto porque estava a acontecer muita coisa ao mesmo tempo, havia inúmeras ligações para fazer e a minha cabeça só perguntava «como raio é que o autor vai atar todos estes nós?»
Mas o Nuno tem o seu talento para as tramas complexas e as respostas começaram a chegar. O que este livro tem de interessante é que nos dá uma nova visão dos crimes que ocorreram em O Cardeal, daí que seja imprescindível ler esse livro primeiro.

Tinha expetativas de reencontrar as duas personagens implacáveis do livro anterior, ou seja, os dois assassinos a soldo, mas o autor não seguiu esse caminho. Quem sabe se, no futuro, possa voltar a pegar numa delas e desenvolvê-la num livro.

Embora tenha apreciado bastante A Noiva Judia, este não conseguiu conquistar o pódio, no qual continua O Cardeal, o meu livro preferido do autor.
Pela minha parte, vou ficar muito curiosa a aguardar o que o autor nos trará no futuro!

Classificação: 4/5 estrelas