segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

"O Último dos Nossos" de Adélaïde de Clermont-Tonnerre [Opinião]


O romance O Último dos Nossos marcou a minha estreia com a autora francesa Adélaïde de Clermont-Tonnerre, e quero desde já agradecer à editora Clube do Autor por tão gentilmente me ter cedido este exemplar para leitura.

O Último dos Nossos passa-se em dois cenários distintos: em Dresden, Alemanha, em 1945, final da Segunda Guerra Mundial; e em Nova Iorque, nos anos 60/70.

Tudo começa quando Werner, um jovem empreendedor, conhece a mulher da sua vida, Rebecca, herdeira de um homem de negócios.
Enquanto acompanhamos a vida de Werner, na atualidade, vamos também conhecendo o seu passado, desde o seu nascimento, na agonia da 2ª Guerra Mundial, até à sua chegada aos Estados Unidos, onde foi adotado por um casal americano.

Um aspeto que achei interessante neste livro é o facto do presente (1969) ser narrado na primeira pessoa, na perspetiva de Werner, enquanto o passado (1945) apresenta uma narrativa na terceira pessoa. Inicialmente pensei que poderia ser confuso encontrar duas narrativas diferentes no mesmo livros, mas posteriormente pude constatar que isso não prejudicou em nada a minha leitura. A primeira pessoa ajudou-me a conhecer melhor o protagonista, as suas vivências, pensamentos e receios, enquanto a terceira pessoa proporcionou uma abordagem mais geral aos acontecimentos que se seguiram às 2ª Guerra Mundial.

Werner e Rebecca vivem uma paixão repentina e avassaladora, embora tão depressa estão abraçados, como rapidamente se separam. Isto acaba por irritar um bocadinho, porque passam imenso tempo a discutir, a fazer dramas e jogos de ciúmes. No entanto, todo este amor-ódio acaba por fazer sentido quando Rebecca aparece com importantes informações acerca do passado de Werner, que ele desconhece. É assim que partem em busca das suas origens, que poderão ser mais devastadoras do que Werner imaginava.

A escrita da autora é bastante trabalhada, roçando um pouco a poesia e, a par disso, a temática pesada da guerra faz com que este livro deva ser lido devagar. Não é fácil ler sobre as atrocidades cometidas durante o período do Holocausto, por isso este livro não é de leitura compulsiva.

No geral, é uma leitura cativante, com uma certa elegância, que aborda a relação das pessoas com o seu passado e a procura da identidade. Sem dúvida, é uma leitura recomendada para os fãs deste período tão conturbado da História Mundial.

Classificação: 4/5 estrelas

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