quinta-feira, 13 de agosto de 2015

"As Guardiãs do York - A Descoberta dos Poderes" de D. M. M. Ribeiro [Opinião]

Este livro foi-me cedido pela autora D. M. M. Ribeiro para eu ler no âmbito do desafio Português no Feminino. Naturalmente, fiquei entusiasmada pela possibilidade de conhecer uma nova autora portuguesa e rapidamente me debrucei sobre a leitura.

As Guardiãs do York – A Descoberta dos Poderes é um livro que se insere no género fantástico e que, na minha perspetiva, se adequa mais a um público juvenil.

A sinopse do livro não revela muito, o que leva a que o leitor parta para a leitura sem saber o que espera. Pessoalmente, gosto sempre de ler as sinopses dos livros, dado que me permitem ter um primeiro contacto com a história e, por vezes, me ajudam mesmo a decidir a próxima leitura.

A protagonista deste livro é Mary, uma jovem que, juntamente com três amigas, vai descobrir que é uma das Guardiãs do York. Cada uma das jovens controla um poder (água, terra, ar e fogo) e, juntas, terão de cumprir uma importante missão.

O espaço temporal desta história confundiu-me ligeiramente no início da leitura. Julguei que decorria nos dias de hoje, porém, alguns capítulos depois, surgiu a indicação de que as personagens viviam em meados do século XVIII. Fazia falta alguma contextualização histórica para o leitor não se perder no espaço temporal.

Este livro apresenta ainda dois aspetos que eu aprecio imenso nos livros de fantasia e não só: viagens do tempo e a existência de universos paralelos. A autora surpreendeu-me com a sua criatividade e só tenho pena que estes aspetos não tenham sido mais desenvolvidos, pois souberam a pouco.

A história, em termos de estrutura, encontra-se bem organizada e a autora conseguiu terminar os capítulos em pontos estratégicos para criar suspense. As analepses utilizadas para descrever momentos do passado das personagens deviam estar melhor assinaladas, talvez com um subtítulo, para que o leitor saiba que vai ser direcionado para o passado de determinada personagem.

As personagens, no meu parecer, necessitavam de ser mais trabalhadas, de ter uma personalidade mais vincada e também de apresentar comportamentos e reações mais apropriadas à sua idade e maturidade.

No geral, achei que a história demonstra bastante bem a criatividade da autora, tem ação e suspense, momentos mais dramáticos e lê-se muito bem. Contudo, precisava de mais trabalho, não só a nível das personagens, como também ao nível temporal e espacial.
Como se trata de um livro de fantasia, as descrições e os pormenores são fundamentais para que o leitor sinta que conhece este mundo e que, de certa forma, faz parte dele.

Um outro aspeto que devo ainda salientar é que este livro carecia de uma revisão aprofundada antes de ser publicado. Apresenta muitos erros a nível ortográfico e de construção frásica, o que pode perturbar a leitura. A mim perturba imenso, visto que sou muito rigorosa neste aspeto e considero que um texto bem escrito e cuidado faz toda a diferença.
Desilude-me que a Chiado Editora não se preocupe minimamente em rever as obras que publica, o que acaba por ser prejudicial não só para os autores como para a própria editora.

Em suma, esta história deixou-me com a curiosidade suficiente para querer ler a continuação, especialmente depois da forma como terminou.

Um conselho que dou à autora é que procure alguns leitores-beta que a ajudem com os próximos trabalhos. Penso que será benéfico ter esta ajuda exterior, ter alguém que dê sugestões de melhoria, que critique construtivamente e que vá acompanhando o processo de escrita.
Acredito que a autora tem potencial e criatividade e poderá vir a melhorar no futuro.

Antes de terminar, agradeço, mais uma vez, à autora D. M. M. Ribeiro, a oferta do livro e deixo aqui os meus votos de muito sucesso no seu percurso literário.

Classificação: 2/5 estrelas

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