terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Hoje venho responder, com algum atraso, ao desafio que a Silvana me propôs para o livro Anna e o Beijo Francês. Confesso que demorei um pouquinho mais porque o cansaço e a falta de inspiração não têm dado tréguas, levando-me a realizar as tarefas com mais lentidão.
 
Contudo, acabei por gostar bastante de escrever este desafio. Vamos ver?
 
DESAFIO:
 
Paris e Anne pelos meus olhos
 
És uma turista em Paris. Um turista que decidiu ir sozinha à cidade do amor. Está um lindo dia de Primavera e tu, depois de muito caminhar, decides sentar-te num banco de jardim para descansar. Enquanto descansas vês Anne e o seu grupo de amigos. Pegas no caderno e começas a registar aquilo que vês.
 
Mostra-nos a página do teu diário de viagens.
 
A MINHA RESPOSTA:
 
Estou sentada num banco de jardim, a comer um gelado e a descansar as pernas dos vários quilómetros que percorri hoje pelo centro de Paris, de máquina fotográfica na mão e mochila às costas.
 
Esteve um sol radiante o dia todo e agora, por volta das 18h, consigo sentir uma leve brisa percorrer-me a pele. Hoje estará uma noite mais fresca.
 
Aqui sentada, divirto-me a observar tudo ao meu redor. Uma senhora idosa passeia o seu pequeno caniche, um casal caminha de mãos dadas e sorriso nos lábios, crianças brincam junto ao lago sob a supervisão dos adultos, e vários grupos de jovens conversam e soltam gargalhadas.
 
Não sei exatamente porque reparei naquele grupo em especial. Talvez o riso fosse mais espontâneo, ou simplesmente o sotaque me tenha parecido diferente. Estão a fazer um piquenique. Oiço alguém chamar Étienne, um nome que me é familiar. Foco a minha atenção. Ao lado dele encontra-se uma bela jovem, que lhe sorri com muita ternura. Só pode ser Anna. Partilham a toalha com a Meredith, a Rashmi e o Joshua. Oiço algumas das suas frases. Terminou mais um ano letivo e fazem planos para o futuro. Conversam acerca da universidade e dos projetos para o verão. Prometem que, aconteça o que acontecer, se vão encontrar uma vez por ano e celebrar a sua amizade.
 
Sorrio.
 
Terminei o meu gelado. Sinto-me mais relaxada e um maior alívio nos pés. Estou pronta para continuar a explorar a cidade.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Palavras Sentidas


"Por vezes, era muito mais fácil lidar com a emoção do ódio. Ardia com intensidade e acabava por desaparecer. O amor perdurava."


Uma Mulher em Fuga
Lesley Pearse 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Top Ten Tuesday | Novos autores lidos em 2020


Há dois anos que não respondo a nenhuma temática do Top Ten Tuesday e decidi regressar com um top de novos autores. Este tópico só está previsto para janeiro, mas prefiro fazer esta lista no último mês do ano.

Vou eleger o Top Ten de novos autores que li pela primeira vez em 2020.
Até ao momento, li 16 novos autores (número inferior em relação aos anos anteriores) e apresento-vos de seguida os 10 de que mais gostei, sem uma ordem em particular.

1. Svetlana Alexievich                            2. Chloé Esposito

3. Alex Michaelides                            4. John Marrs


5. Susana Amaro Velho                           6. Manuel Monteiro


7. Stephanie Perkins                         8. Louise O'Neill


9. Adrian McKinty                          10. Hjorth & Rosenfeldt


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

"Seita Maldita" de Tess Gerritsen [Opinião]


A série Rizzoli & Isles, de Tess Gerritsen, é uma das poucas séries literárias que faço questão de ler por ordem. Todos os livros escritos até ao momento (12 no total) estão traduzidos e publicados em Portugal e, embora alguns sejam mais difíceis de encontrar por já estarem esgotados, tem sido entusiasmante pesquisar e adquirir um de cada vez.

Os dois livros anteriores - O Clube Mefisto e Lembranças Macabras - centraram-se principalmente na investigação de um caso, havendo pouca evolução das histórias pessoais das protagonistas.

Seita Maldita é um livro que nos dá frio, uma vez que praticamente toda a narrativa se passa no meio da neve.
Desta vez acompanhamos Maura Isles, que vai assistir a uma conferência médica no Wyoming, onde encontra um antigo colega da faculdade. Num impulso, aceita o convite que ele lhe faz e decide passar o dia seguinte numa estância de esqui, com ele, a filha e um casal amigo.

Maura é uma mulher organizada e ponderada, com todos os pormenores da sua vida totalmente controlados. No entanto, está a passar por uma fase difícil na sua vida amorosa e, naquele momento, decide fazer algo impulsivo, sem planeamento.
Contudo, as coisas começam a correr mal quando o carro onde eles viajam fica preso na neve. Sem possibilidades de pedirem ajuda, encontram abrigo numa aldeia chamada Kingdom Come, estranhamente desabitada. Mas os seus problemas estão apenas a começar...
 
[Fotografia da minha autoria]
 
Eu diria que este livro está dividido em duas partes: a primeira centra-se em Maura e no grupo com quem ela viaja; a segunda altera um pouco o rumo, concentrando-se sobretudo na investigação de um crime.

Fiquei completamente agarrada ao livro na primeira metade, tendo lido quase duzentas páginas numa tarde de domingo. Sentia-me assoberbada pela história e incapaz de parar. Sofri imenso com os infortúnios do grupo de Maura e houve uma situação em particular que me deixou agoniada.
 
Mas o livro acabou por seguir um rumo diferente do que eu esperava e, embora isso me tivesse provocado alguma frustração, não fez diminuir o meu interesse pela história.

Posso referir que este é um livro empolgante acerca de sobrevivência. É também abordada a temática das seitas religiosas, do fanatismo e de como as pessoas obedecem cegamente ao seu líder, anulando todos os seus pensamentos e opiniões.

Estava com dúvidas sobre se deveria atribuir 4 ou 5 estrelas, tendo em conta que a segunda parte não correspondeu exatamente às minhas expectativas (por minha culpa, pois imaginei algo diferente) mas decidi-me pelas 5 pois o livro é muito bom e encontrei reviravoltas interessantes no final.

Pretendo, em breve, dar continuidade a esta incrível série. Tess Gerritsen é realmente uma autora a não perder!

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Palavras Sentidas


"É possível que o lar seja uma pessoa e não um lugar?"


Anna e o Beijo Francês
Stephanie Perkins 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

"As Intermitências da Morte" de José Saramago [Opinião]


As Intermitências da Morte foi o segundo livro de Saramago que li este ano e estou muito satisfeita com a minha decisão de começar a conhecer a vasta obra deste autor.

Eu diria que este livro é uma espécie de distopia, passado num determinado país onde, de repente, as pessoas deixam de morrer. Achei a premissa extremamente interessante e, logo no primeiro capítulo, somos atirados para o meio deste estranho acontecimento. Bastaram alguns parágrafos para o autor me deixar a refletir.
A morte é um acontecimento natural; embora isto seja um gigante cliché, a morte é a única certeza que temos na vida. Por muito que doa e nos custe perder um ente querido, a verdade é que a morte é natural e importante. Estamos acostumados a ela, por isso não deixa de ser estranho imaginar o que aconteceria se de repente ninguém morresse.

O autor retrata esta situação de forma excelente: os hospitais ficariam completamente cheios de idosos e pessoas doentes que, por um lado, não recuperariam das suas doenças mas, por outro, também não morreriam, ficando eternamente a ocupar camas. Os lares de idosos passariam a ser poucos para a procura existente. As agências funerárias ficariam mergulhadas numa terrível crise. E nem a Igreja Católica escaparia, uma vez que sem morte não há ressurreição.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
A primeira metade do livro centra-se nestes aspectos, envolvendo também os políticos e a forma como eles têm de lidar imediatamente com esta situação de calamidade.
 
Sensivelmente a meio do livro há uma parte um pouco monótona e que me custou a ler. Pensei que o problema fosse meu (uma vez que tenho por hábito ler à noite e senti dificuldades em concentrar-me na escrita de Saramago) porém, após ler algumas opiniões, descobri que outros leitores relataram a mesma dificuldade. Há, de facto, uns capítulos mais chatos, mas vale totalmente a pena fazer um esforço e prosseguir até à segunda metade do livro.

Aqui surge uma personagem nova: a morte (que insiste em que o seu nome seja escrito com letra minúscula). Foi delicioso de se ler! Há muito humor, muita ironia, a forma magnífica como o autor fala da morte, nos mostra como ela é e como se comporta, até que, pouco a pouco, a vai tornando mais humana. O final é incrível e eu fiquei completamente embasbacada a olhar para o livro, sem saber como o interpretar. Comecei a formular teorias na minha cabeça mas ainda sinto necessidade de discutir aquele final com outros leitores.

Se leste este livro, partilha comigo os teus pensamentos em relação ao final!

Sem dúvida que tenciono continuar a explorar o mundo que Saramago nos deixou e só me arrependo de não ter começado mais cedo.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Aquisições: Novembro

Chegamos ao fim de novembro e, por isso, é altura de fazer o balanço das aquisições literárias. Não foi um dos meses mais ativos do ano a nível de aquisições, porém foi o mês em que mais li.
 
- Comprei em segunda mão (mas como novo) um livro da Tess Gerritsen e assim vejo a minha coleção mais perto de estar completa. Adoro os livros desta autora!
Aproveitei ainda os Momentos WOOK para adquirir uma novidade do autor português Pedro Cipriano e que tanto me tinha deixado curiosa devido à capa lindíssima!

COMPRA
 
 
- No último fim de semana do mês, tive uma visita da prima, que costuma vir cá buscar livros emprestados, e desta vez trouxe-me um dos dela para ler. Vamos lá ver se este livro da Patricia Morais será uma boa leitura!

EMPRÉSTIMO


E como correu o vosso mês? Chegaram bons livros à vossa estante?

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Palavras Sentidas


"«Escolher uma namorada é como escolher um terapeuta. Temos de nos perguntar se essa pessoa irá ser sincera connosco, se será capaz de ouvir críticas construtivas, de admitir erros e de não prometer o impossível.»"

A Paciente Silenciosa
Alex Michaelides

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Palavras Sentidas


"A vida não se destina a ser vivida longe dos outros. Todos precisamos de uma ajuda de vez em quando. Por muito fortes ou duros que achemos que somos. É impossível enfrentarmos determinadas situações da vida sozinhos."


O Predador da Noite
Chris Carter

terça-feira, 17 de novembro de 2020

"Os Passageiros" de John Marrs [Opinião]


«Todo o enredo é plausível e iminente... John Marrs tece o seu conto vertiginoso com uma sátira deliciosa e mordaz.»
The Washington Post
 
A premissa deste livro é soberba! Num futuro próximo, os carros com condutor são substituídos por carros autónomos considerados muito seguros. Os veículos de nível superior fazem tudo, não necessitam de qualquer atenção humana e não têm travões manuais nem volante.

Parece incrível, não é?
Este livro vai então retratar a parte negativa do avanço da tecnologia. Se o nosso carro é totalmente autónomo, o que aconteceria se um pirata informático se apoderasse do seu sistema operativo?
Em Os Passageiros, um Hacker assume o controlo de oito carros, altera o destino no GPS e avisa os seus ocupantes que irão morrer dentro de poucas horas.
 
A Comissão que avalia acidentes com este tipo de veículos desta vez vai ter um desafio bem diferente: terá de entrevistar cada um dos passageiros e decidir qual deles salvar. Tudo isto enquanto o acontecimento é transmitido mundialmente através das redes sociais.

Este livro aborda a temática das primeiras impressões, que muitas vezes determinam aquilo que pensamos acerca de alguém. Será justo avaliar uma pessoa através da primeira impressão que ela nos causa?
O que achei interessante neste livro é que nos dá uma primeira má impressão de cada um dos passageiros, o que nos leva de imediato a detestá-los. A certa altura, os seus segredos eram tão graves que senti que não seria capaz de escolher nenhum deles e não me importaria se morressem todos. Posteriormente, é-nos dada a conhecer a outra face de cada história, as circunstâncias de vida que explicam os segredos de cada um deles. Passei de querer vê-los mortos a querer salvá-los, uma vez que já compreendia, já conseguia sentir empatia por eles.

[Fotografia da minha autoria]

O livro é muito dinâmico, será uma leitura imparável para uma tarde. Os capítulos curtos e a tensão quase constante levam a leitor a querer ler sempre mais. O autor construiu uma narrativa repleta de adrenalina que conquistará os fãs de leituras mais enérgicas. O final, por sua vez, é calmo, embora me tenha deixado um sorriso maquiavélico nos lábios.

Posso ainda referir que o livro tem uma escrita muito cinematográfica, acredito que daria um ótimo filme. À medida que ia lendo, conseguia facilmente imaginar todas as cenas, momentos de ação e pontos altos da história. Não ficarei espantada se no futuro ouvir falar de uma adaptação deste livro para o cinema, uma vez que tem todos os ingredientes para resultar.

O autor fez ainda referência ao seu outro livro - Almas Gémeas - que ainda não li, mas que já entrou na minha lista de livros desejados.
Foi uma estreia surpreendente com John Marrs e vou certamente ficar atenta a novos trabalhos seus que sejam publicados em Portugal.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 14 de novembro de 2020

"O Regresso" de Nicholas Sparks [Opinião]


Nicholas Sparks foi um dos primeiros autores que li na adolescência durante a minha transição das histórias juvenis para os romances dirigidos a adultos, sendo por isso um autor pelo qual nutro bastante carinho. Admito, contudo, que atualmente já não sinto o mesmo fascínio pelas suas histórias, embora continue a gostar de conhecer os seus novos trabalhos.

Este romance apresenta-nos Trevor Benson, um médico que ficou gravemente ferido no seguimento de uma explosão junto ao hospital onde trabalhava, no Afeganistão. Decide então ir recuperar para a velha casa que herdou do avô.

Naquela pequena localidade, ele conhece Natalie, a delegada do xerife, e uma química nasce entre ambos. No entanto, Natalie mantém uma distância inexplicável, é evasiva e Trevor admite que ela possa estar a esconder alguma coisa.

Ao mesmo tempo, Trevor anda também a tentar descobrir o que aconteceu com o avô antes de ele falecer, uma vez que a sua morte está envolta em alguma estranheza.

Existe ainda Callie, uma adolescente que parecia manter uma relação de amizade com o seu avô. Contudo, ela mostra-se igualmente reservada e Trevor não consegue sequer manter uma conversa com ela.

 
[Fotografia da minha autoria] 

Assim, temos uma parte inicial onde as personagens interagem e se conhecem, tendo sido a parte que considerei mais monótona, embora tenha adorado a personalidade de Trevor e as suas tentativas para conhecer melhor Natalie.
A segunda parte do livro torna-se mais apelativa e iremos descobrir os segredos de Natalie, Callie e do avô de Trevor, e como as suas vidas se interligam. O livro oferece então um mistério para desvendar, levando a uma leitura bastante mais dinâmica.

O Regresso não é um daqueles romances arrebatadores e devastadores, como outros que o autor já escreveu. Considero, sobretudo, que é um livro muito bonito, com uma mensagem de esperança. Fala-nos do verdadeiro significado do amor e do perdão. Mostra-nos que amar verdadeiramente alguém poderá significar deixar essa pessoa ir, seguir a sua vida, por muito que nos possa doer.

É um romance que poderá fazer-vos soltar uma lágrima teimosa, mas, no final, é uma história que nos aquece o coração e nos oferece alguma esperança, algo que até nos faz falta nos tempos que correm.

Gostaria de deixar um apontamento final de agrado pela edição dinâmica e interativa que este livro nos oferece, ou seja, ao longo do livro vamos encontrar três QR Codes com vídeos do autor com uma mensagem para os leitores! Gostei imenso!

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Palavras Sentidas

 
"[...] tinham vindo a atravessar o deserto, pois o deserto não é aquilo que vulgarmente se pensa, deserto é tudo quanto esteja ausente dos homens, ainda que não devamos esquecer que não é raro encontrar desertos e securas mortais em meio de multidões."

O Evangelho Segundo Jesus Cristo
José Saramago