terça-feira, 26 de novembro de 2013

"A Arca" de Victoria Hislop [Opinião]

A minha relação com as obras de Victoria Hislop não começou nada bem! Foi no ano passado que li "O Regresso" e ainda me lembro de como o livro me custou a ler, devido a ser tão denso e descritivo e da história pouco me cativar.

A oportunidade de ler um outro livro da autora surgiu através de um empréstimo e, embora tenha feito a minha cara de esquisita e tenha pensado "será que desta vez vou gostar?", a verdade é que rapidamente me deixei envolver por esta história e por estas personagens definitivamente maravilhosas.
Aqui está a prova de que devemos sempre dar uma segunda oportunidade a um autor. Quem sabe se não é à segunda que seremos surpreendidos?

Este romance tem como ponto de partida a cidade de Tessalonica, no ano de 2007, onde um jovem anglo-grego se encontra com os avós e estes decidem que chegou o momento de lhe contarem a história das suas vidas.
Posteriormente, somos transportados para o passado, mais especificamente para o ano de 1917, quando Dimitri Komninos nasce e, no mesmo dia, um gigantesco incêndio devasta a próspera cidade grega.
Cinco anos depois, na Ásia Menor, a casa de Katerina Sarafoglou é destruída pelo exército turco. No meio de toda a confusão e caos que se instala, Katerina perde a mãe e acaba por embarcar rumo a um destino desconhecido na Grécia, onde a sua vida se cruza com a de Dimitri.

Isto é só o início de uma comovente e emocionante história, habilmente escrita e capaz de absorver o leitor desde os primeiros capítulos.

À semelhança do que acontece no romance "O Regresso", a escrita deste livro é igualmente densa e por vezes descritiva, no entanto cada página me dava um imenso prazer e, se houvesse mais para ler, eu teria lido!

A construção das personagens leva-nos a amá-las ou odiá-las, como é o caso do pai de Dimitri, por quem senti antipatia, repugnância e desprezo pela forma imperdoável como ele sempre tratou o filho.
Depois existe uma grande variedade de personagens que nos cativam desde o primeiro minuto, tal como a Katerina, a Eugenia, a Pavlina, a Olga e toda a família Moreno. São personagens capazes de nos suscitar variadíssimas emoções, à medida que vão enfrentando os acontecimentos das suas vidas, uns mais felizes e outros mais dramáticos.

Além das personagens, todo o contexto em que decorre a ação é rico e encontra-se descrito de forma magnífica. Tudo começa com o incêndio que devasta a cidade, deixando as pessoas sem nada e obrigando-as a lutar para serem novamente capazes de sobreviver. Anos depois, chegam à cidade milhares de refugiados, entre eles Eugenia e Katerina, e torna-se necessário conseguir espaço para os acomodar a todos. Aos poucos, a vida que começaram nesta nova cidade torna-se melhor, até que chegam os anos da 2ª Guerra Mundial e da influência dos alemães, que provoca medos, perseguições e muita pobreza.

São muitos os acontecimentos pelos quais acompanhamos as vidas destas personagens, o que faz com que a narrativa seja rápida e nos ofereça uma montanha-russa de emoções.

Vou referir mais uma vez que este livro me comoveu por diversas vezes e me deixou maravilhada. Tão cedo não vou esquecer a história de Katerina e Dimitri!

E quanto a Victoria Hislop, esta foi uma segunda oportunidade arrebatadora, da qual não me arrependo nada e, obviamente, sinto agora um enorme desejo de ler "A Ilha"!

Classificação: 5/5 estrelas

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