domingo, 3 de novembro de 2013

"Rendida" de Sylvia Day [Opinião]

Quando tive oportunidade de ler este livro através de um empréstimo, senti-me simultaneamente reticente e curiosa. Reticente porque, segundo as opiniões que li, a história é muito semelhante à de "As 50 sombras de Grey" (cujas críticas também me fizeram desistir de pensar sequer em algum dia ler esta trilogia); e curiosa porque, apesar de gostar muito de romances de época sensuais, ainda não tenho muita experiência de leitura destes romances eróticos contemporâneos que andam a invadir as livrarias.

Assim, tentei abstrair-me das críticas mais negativas e iniciei a leitura! A escrita da autora surpreendeu-me bastante; o livro está bem escrito e acaba por se ler muito bem. Sendo um romance erótico, já seria de esperar um grande número de cenas hot e estas são intensas, descritas de forma crua, sensual e capazes de fazer o leitor corar. Um ponto positivo é que, na minha opinião, não há cenas excessivamente estranhas ou mais "nojentas", se é que me faço entender.

A história acaba por ser muito em torno da relação de Eva e Gideon. Ela é a típica jovem que se muda para uma nova cidade e começa um emprego novo, e rapidamente dá de caras com Gideon, um homem extremamente sexy, irresistível, e também exageradamente rico e influente. A parte do livro que mais gostei foi a inicial, o momento em que eles se conhecem e os capítulos seguintes onde Gideon provoca Eva e esta se sente louca e doentiamente atraída por ele.
A segunda parte do livro acaba por ser um conjunto de zangas e fazer as pazes dia sim, dia sim, e fugir das situações em vez de conversarem sobre elas, e voltar a fazer as pazes. Além disso, Gideon é possessivo e ambos são irritantemente ciumentos, e Eva tem uma autoestima de bradar aos céus... Enfim, na minha cabeça, não consigo conceber isto como uma relação "normal".

No passado destas personagens existem igualmente segredos obscuros, acontecimentos traumáticos que ainda não estão totalmente resolvidos, daí que Eva e Gideon sejam dois adultos tão disfuncionais.

A mãe de Eva também é perturbada e controla excessivamente a filha, o que se torna um pouco mais compreensível a partir do momento em que descobrimos o que aconteceu a Eva no passado. Mesmo assim, alguns comportamentos da mãe dela deixaram-me louca de indignação.

Relativamente a outras personagens secundárias, gostei muito de Cary, o melhor amigo gay de Eva. Espero que nos próximos volumes ele possa ter um papel de maior destaque.
Além disso, pergunto-me porque razão Eva não tem nenhuma amiga mulher. Depois dos traumas do seu passado, é estranho que ela só tenha homens à sua volta e que não consiga dar-se com mulheres.

Como referi mais acima, não li ainda muitos romances eróticos contemporâneos, mas já li sinopses e opiniões de vários livros, de autores diversos, portanto talvez vocês, caros leitores, me possam esclarecer uma dúvida: os protagonistas masculinos dos livros eróticos da atualidade são sempre lindos de morrer, inacreditavelmente ricos e poderosos, perturbados, possessivos, dominadores, ciumentos e insaciáveis?

Para terminar, tenciono ler os dois volumes seguintes desta trilogia; o passado de Gideon, ainda por desvendar, deixou-me curiosa e quero descobrir como vai continuar a relação entre ele e Eva.

Classificação: 3/5 estrelas

2 comentários:

  1. Também li e me debati com a mesma dúvida.
    São sempre musculados, de olhos azuis ou verdes, cheios de firmeza e autoconfiança. Estupidamente ricos e mais incrivel: são TODOS bons na cama, fazendo qualquer mulher ter orgasmos multiplos em questão de minutos. Bem diferente da Realidade.

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    1. Taluxa, concordo absolutamente! Estes protagonistas dos livros são mesmo distanciados da realidade.

      Beijinho

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