terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"Sangue Quente" de Isaac Marion [Opinião]

Sou uma fã assumida da série The Walking Dead, que trouxe novamente um grande destaque a estas criaturas, os zombies. Porém, a série centra-se mais na sobrevivência de um grupo de homens e mostra os zombies como criaturas esfomeadas, agressivas e violentas.

Isaac Marion pegou no mundo dos zombies e deu voz a um deles, permitindo-nos conhecer o seu ponto de vista. R é um jovem zombie em plena crise existencial: não sabe quem é, não tem memórias, só é capaz de pronunciar alguns monossílabos guturais, mas tem um grande desejo de compreender o mundo que o rodeia. Anseia por algo mais do que apenas devorar sangue quente.
Quando, durante um ataque, R devora o cérebro de Perry, um rapaz adolescente, fica com acesso às suas memórias. A partir desse momento, ele toma uma decisão invulgar e inesperada: proteger Julie, a namorada da sua vítima, e mantê-la a salvo dos outros zombies.

Achei muito interessante e original que o autor tenha criado uma história dando protagonismo a um zombie. No entanto, para mim, R é uma personagem pouco credível pois ainda me custa distanciar-me das imagens dos zombies violentos e sanguinários e imaginar um completamente diferente, com pensamentos, com desejos, com sentimentos. Parece-me demasiado fantasioso, e até caricato, que um zombie se possa apaixonar, mas este livro é mesmo isso, uma obra de fantasia.

Não quero com isto dizer que o livro não me agradou; antes pelo contrário. Estou sempre de mente aberta, pronta para ler novas temáticas e este foi o primeiro livro que eu li sobre zombies.

Logo desde o início, agradou-me imenso a escrita do autor; apesar de todos os pensamentos de R, o livro não se torna chato. Não me custou mesmo nada adaptar-me à narrativa do autor, que me pareceu muito madura.

Em suma, este livro aborda algumas questões muito interessantes, como a vida e a morte, a procura pela descoberta de si mesmo, a evolução e a aprendizagem de seres irracionais, a vontade de mudança e a esperança de reconstruir um mundo onde reina a morte.

Classificação: 3/5 estrelas

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