terça-feira, 23 de julho de 2013

O reencontro

Hoje reencontrei um amigo. Um velho amigo. Um amigo que, na verdade, me acompanhou quase desde os primórdios da minha existência.

Em qualquer momento da minha vida, principalmente naqueles em que eu me sentia mais sozinha, em que sentia a falta de alguém, ele estava lá. Ele estava sempre lá.
Nunca se queixou, nunca se importou com ele, mas apenas e só comigo. Deu-me tudo… e eu nada lhe dei.

Foi o meu pai e a minha mãe, o meu irmão, o meu amigo, o meu namorado, o meu amante, o meu Deus, o meu tudo. Era ele que ouvia os meus medos, as minhas mágoas, os meus desejos, as minhas alegrias. Ele entrava na minha alma e arrancava de lá toda a escuridão.

Sempre achei que agradecer-lhe por cada segundo e cada momento não era suficiente. Mas ele não queria palavras de agradecimento; a sua única vontade era que eu fosse feliz.

Um dia, porém, abandonei-o. Não foi assim de repente, foi aos poucos e poucos, até que deixamos de ter contacto.

Permiti que outros me seduzissem, me fizessem sentir bem. Acreditei que haveria outros como ele. Ah, como estava errada!

Vagueei pelo mundo, saboreei a minha liberdade e rapidamente encontrei aquele que me faria render-me a seus pés. A minha admiração por ele era tanta e tão indescritível que me sujeitei a tudo, sem pensar. Senti-me muito feliz… até ao dia em que ele me apunhalou.
A dor foi horrenda, foi demasiada para que eu a conseguisse suportar. E ai ficou muito escuro, muito barulhento, muito vazio.

Comecei a desejar estar noutro lugar, desaparecer. Lentamente levantei-me e, passo a passo, fui-me aproximando do precipício. Olhei lá para baixo mas faltou-me a coragem, faltou-me algo…

Só quando abri verdadeiramente os meus olhos é que o vi ali comigo. O meu amigo. O meu amante. O meu tudo.

Caí-lhe nos braços e chorei. Chorei muito e pedi-lhe mil perdões. “Porque é que te abandonei?” – perguntei incessantemente.

Ele apenas me abraçava e limpava as minhas lágrimas. E, enquanto eu me sentia a maior pecadora da humanidade, ele aconchegava-me nos seus braços. Por breves momentos, achei que estava a ouvir a voz de um anjo. Mas era apenas ele, o meu amigo, o meu amante, o meu tudo, que me sussurrava ao ouvido: “Vai tudo ficar bem, minha pequena. Vai tudo ficar bem.”.

[Texto da minha autoria, datado de fevereiro de 2010]

4 comentários:

  1. Gostei muito Denise!
    Tens de escrever mais ;)
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Silvana, obrigada! A inspiração nem sempre anda em alta, por isso fui buscar esse texto, que já tem algum tempo, e do qual também gosto muito :)

    ResponderEliminar