terça-feira, 14 de janeiro de 2020

"Verity" de Colleen Hoover [Opinião]


«Isto não é um livro, é uma experiência visceral!»
B. B. Easton, autora bestseller

Colleen Hoover é uma autora que dispensa apresentações. Eu sou uma enorme fã dela desde 2016, altura em que pela primeira vez li um dos seus livros.

Os seus romances repletos de amor, drama e personagens credíveis nunca me deixaram indiferente. Acho que ela faz magia com as palavras. Embora tenha uma escrita bem simples, consegue trabalhar as emoções de forma magistral, prendendo-nos completamente a cada uma das suas histórias.

Quando este livro foi publicado, despertou-me de imediato a curiosidade pois vi que ela se tinha aventurado a escrever um thriller. Este é o género que mais me fascina atualmente, portanto estava desejosa de descobrir como é que a autora se tinha saído.

Comprei o livro pouco tempo depois de ser publicado em Portugal e não resisti muitos dias sem me atirar a ele. E, depois de ler a primeira linha, não consegui parar mais. Apetecia-me trancar-me num quarto e só sair de lá quando chegasse à última página.

Verity é uma história completamente diferente do registo habitual da autora. Para mim, este é o melhor livro dela e será difícil ultrapassá-lo. Eu sei que sou um bocadinho suspeita porque adoro thrillers e quanto mais perturbadores, melhor, mas foi a autora que elevou a sua própria fasquia.

Muito resumidamente, nesta história conhecemos Lowen, uma escritora com grandes dificuldades financeiras, até lhe surgir uma trabalho irrecusável. Ela aceita escrever os últimos três livros de uma série de sucesso de Verity Crawford, uma vez que a autora se encontra incapacitada após ter sofrido um terrível acidente.
Lowen aceita o convite do marido de Verity e muda-se temporariamente para a casa deles, de forma a poder estudar todas as anotações da autora. Contudo, nunca esperaria encontrar uma autobiografia inacabada de Verity com páginas e páginas de confissões arrepiantes.


Se tivesse de caracterizar este livro em duas palavras, diria que é perturbador e arrepiante. Há qualquer coisa nele que nos prende desde as primeiras linhas e nos vai deixando num estado de ansiedade crescente. Não me lembro do último livro que me deixou neste estado de nervos. Só queria ler e ler, depois sentia-me escandalizada e fechava o livro com força, mas não resistia a abri-lo logo de seguida.

Este livro arrepiou-me verdadeiramente. Para começar, adorei a temática que a autora escolheu. Não pretendo escrever nenhum spoiler que vos estrague a leitura, mas ela aborda de forma incrível o tema da gravidez e da maternidade, mas vistos de uma forma completamente desequilibrada.
Fez-me pensar na forma como a sociedade e as próprias mulheres "impõem" que a gravidez é algo maravilhoso e que as mulheres têm de adorar, sentem-se quase obrigada a adorar. Então e o que acontece quando uma mulher odeia esta experiência? Será correto fazê-la sentir que o problema está nela?

Mas este livro é muito mais perturbador do que isto. À medida que Lowen vai avançando na autobiografia de Verity, vai ficando mais desconfiada e paranóica. E o leitor é apanhado nessa paranóia, tornando-se difícil perceber onde está afinal a verdade.

Por diversas vezes, senti os pelos dos meus braços eriçarem-se durante a leitura. E é maravilhoso quando um livro nos provoca estas sensações!

Acreditem, este livro é incrível! É uma experiência completamente do outro mundo! Imperdível!
O final deixa-nos espaço para fazer a nossa própria interpretação, fazer a nossa escolha, decidir como queremos afinal ver esta personagem, onde queremos ver a verdade. Nem sempre gosto de finais abertos, mas depende muito do tipo de final e neste livro achei que fazia todo o sentido.

Por favor, Colleen, deixa de parte os romances lamechas (que eu também adoro!) e escreve mais thrillers como este!!
E vocês, leitores, o que é que ainda estão aqui a fazer? Toca a ler este livro!

Classificação: 5/5 estrelas

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