domingo, 15 de junho de 2014

"A Criança Que Não Queria Falar" de Torey Hayden [Opinião]

Torey Hayden é já uma das minhas autoras de eleição pelo trabalho que faz com crianças emocionalmente perturbadas.

Nesta que é a sua primeira obra, Torey dá-nos a conhecer a história verídica da sua relação com Sheila, uma criança de seis anos, violenta, insociável, abandonada por uma mãe adolescente e que até então só conheceu um mundo de sofrimento, onde foi severamente abusada e maltratada.
Sheila é colocada na classe especial de Torey, onde já se encontram outras oito crianças, por ser considerada uma ameaça que nenhum pai ou professor querem por perto de outras crianças.

Inicialmente, Sheila não fala, não obedece e desata aos gritos, pelo que Torey não consegue facilmente aproximar-se desta criança, que se comporta como um verdadeiro monstrinho. Contudo, aos poucos, Torey vai quebrando a forte carapaça de Sheila, que revela uma menina que consegue ser dócil e que precisa de ser amada incondicionalmente.

Esta é uma história extremamente comovente e terrível, tendo em conta o sofrimento atroz que Sheila vivenciou. Torey escreve de forma simples e direta, conseguindo chocar por diversas vezes, embora o que mais me arrepia é ter conhecimento de que existem seres humanos capazes de tamanhas crueldades. Tal como Torey refere no prólogo desta obra: "Este livro não foi escrito para despertar piedade. Nem para elogiar o trabalho de uma professora. Nem tão-pouco para deprimir aqueles que encontraram a paz na ignorância". Assim, esta obra pretende mostrar como, muitas vezes, o trabalho psiquiátrico pode ser frustrante.

Apesar das suas duzentas e poucas páginas, este livro dá-nos a conhecer uma grande variedade de personagens: as crianças, cada uma com as suas características e necessidades; o Anton, um trabalhador imigrante que nunca tinha trabalhado com crianças e cuja proximidade com estas crianças tão especiais o levou a querer ir para a universidade e tornar-se professor; Chad, o namorado de Torey, que teve um papel importante no processo judicial de Sheila; o pai de Sheila, que, apesar dos problemas com a bebida, amava a filha e demonstrou que se estava a esforçar; e por fim alguns professores da escola e o próprio diretor, que também tiveram a sua participação nesta história verídica.

Este é um livro que recomendo principalmente a psicólogos, a educadores que trabalhem com crianças problemáticas, bem como a outros interessados pelo tema, dado que o trabalho e a dedicação de Torey são verdadeiramente uma inspiração!

Classificação: 5/5 estrelas

2 comentários:

  1. Eu adoro a escrita e as histórias desta autora!!!
    Obrigada pela partilha. Fiquei com muita vontade de ler!
    Beijocas

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    1. Se tiveres oportunidade, lê. Vale mesmo a pena! Esta autora tem livros fabulosos :)

      Beijinhos

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