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sábado, 29 de dezembro de 2018

"Às Cegas" de Josh Malerman [Opinião]


Não sei porque demorei tanto a ler este livro. Interessei-me por ele assim que foi publicado em Portugal, consegui adquiri-lo mais tarde através de uma troca, mas depois acabei por guardá-lo na estante. Só quando vi que o filme estava prestes a estrear na Netflix é que me decidi, por fim, e lê-lo.

E foi uma leitura incrível, que devorei em apenas três tardes e que me devolveu a vontade de ler durante horas.

Às Cegas apresenta-nos um mundo pós-apocalíptico onde uma espécie de epidemia fez com que as pessoas enlouquecessem e se matassem umas às outras. Havia teorias que diziam que a loucura começava quando as pessoas viam algo. Desta forma, os sobreviventes viviam em casas com as janelas tapadas, as portas trancadas e só iam à rua de olhos vendados.

A narrativa vai alternando entre o presente - altura em que Malorie sai da sua casa segura com os dois filhos, em busca de um refúgio melhor -  e o passado - depois da epidemia se ter alastrado e onde vemos como é a vida dos que tentam sobreviver.

Embora tenha gostado de ambas as linhas da narrativa, apreciei um pouco mais a do passado. O que posso salientar é que algo é comum a todo o livro: a mestria de brincar com o terror psicológico, a forma como o autor provoca sensações quase palpáveis, que deixam o leitor verdadeiramente inquieto. Por momentos, é como se nós também estivéssemos lá, juntamente com as personagens, de olhos igualmente vendados e impossibilitados de olhar para o que nos rodeava.

Não é que o livro tenha propriamente cenas chocantes ou violentas, quase tudo isso é sugerido ao leitor, o que pode tornar-se ainda mais assustador. E talvez tenha sido por isso que achei a leitura tão viciante!

[Fotografia da minha autoria]

No nosso dia a dia, se calhar nem pensamos tanto em como a visão é importante. Confesso que achei quase surreal como as personagens faziam quase tudo de olhos vendados. É verdade que muitas pessoas invisuais são capazes de ter uma vida praticamente normal, contudo, neste livro, há ainda a componente medo. As personagens não podem abrir os olhos porque, se os abrirem, será tarde demais...

A audição adquire então um papel muito importante dado que, sem visão, é a audição o sentido que nos guia. Malorie treinou os filhos para ouvir e são eles que a ajudam quando se mete num barco com eles para atravessar um rio.

Quero salientar que, embora tenha achado o livro excelente, fiquei com pena de não nos ter sido explicado como tudo começou e o que provocava exatamente a loucura nas pessoas. Talvez tenha sido deixado assim para que cada leitor tentasse imaginar...
O final também acabou por ser muito calmo, o que desiludiu um pouco depois de uma leitura tão intensa. Esperava mais, embora isso não tenha comprometido o meu sentimento global em relação ao livro.

Foi, sem dúvida, um dos melhores livros que li este ano e não posso deixar de o recomendar, principalmente aos fãs de terror. Este é um género que comecei recentemente a explorar e já me sinto fã e desejosa de descobrir novas obras e autores.
Quanto a Josh Malerman, espero que continue a ser publicado em Portugal. Esta é a sua obra de estreia, o que revela que estamos perante um escritor verdadeiramente promissor.

Classificação: 5/5 estrelas

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

«Malorie» de Josh Malerman [Opinião]


«Mais um thriller sobrenatural tenso e de cortar a respiração. Josh Malerman evoca com mestria os horrores apocalíticos.»
Publishers Weekly
 
Às Cegas, de Josh Malerman, foi um dos meus livros preferidos de 2018. Lembro-me de o ter devorado em apenas três tardes e de me ter sentido completamente viciada.
 
E agora, finalmente chegou a tão aguardada continuação: Malorie.
Este novo livro decorre doze anos depois. Passado todo esse tempo, ainda não há explicação. Ainda não há solução.

Malorie e os filhos já adolescentes vivem num abrigo e a venda continua a ser a sua única forma de proteção. Um dia, um estranho aparece-lhes à porta trazendo notícias inesperadas sobre a possibilidade de sobrevivência de alguém próximo de Malorie. Estas notícias vêm abalar o seu mundo, no momento em que se permite sentir alguma esperança em tanto tempo.

Malorie deseja recuperar um pouco da sua vida antiga. Por outro lado, sabe que regressar ao mundo lá fora é uma possibilidade assustadora e arriscada. Embora o medo preencha todos os poros da sua pele, é isso mesmo que acaba por fazer. Juntamente com os filhos, embarca numa nova viagem repleta de perigos e escuridão.

Tal como o título indica, este livro centra-se bastante em Malorie, nos seus medos, nas suas esperanças, nos seus dilemas, naquilo que sente quando descobre que pessoas próximas podem ter sobrevivido durante todos estes anos.

Há um desenvolvimento muito bom de Tom e Olympia, dois jovens com personalidades distintas. Olympia é mais reservada, mais empática e compreensiva em relação à mãe. Adora ler e conhecer o mundo antigo através dos livros e das personagens que encontra. Por sua vez, Tom é um espírito rebelde e aventureiro. Tudo o que mais deseja é ir para o mundo lá fora testar as suas invenções e aprender mais sobre as criaturas.
Esta diferença de personalidades vai trazer-nos perspetivas e conflitos bem interessantes.

O autor continua a envolver-nos numa atmosfera de terror psicológico. Mais uma vez, não temos cenas propriamente chocantes ou violentas, mas sim a sugestão do medo. As personagens sabem que a loucura anda lá fora e o medo é tanto que por vezes se sentem a enlouquecer, mesmo sem terem aberto os olhos.

Continua a ser surpreendente ver o que as personagens fazem de olhos fechados e como os outros sentidos se desenvolvem. Confesso que acho muito difícil imaginar o que é passar uma vida privada de visão. Sem dúvida que a visão é um dos nossos sentidos mais preciosos.

Relativamente às criaturas, continuamos sem saber como é que tudo começou, mas agora temos algumas respostas e algumas luzes para o futuro.
Acho curioso que o autor nunca tenha dado nenhuma descrição das criaturas. Acredito que faça parte do mistério, de deixar à imaginação de cada leitor.
Por outro lado, e se o autor não quer dar-nos nenhuma descrição para não nos imaginarmos a enlouquecer só de as visualizarmos na nossa mente? Faz algum sentido? Eu sei que isto é ficção, mas não deixa de ser uma teoria interessante!

Malorie é um livro intenso, mas não o achei tão forte como o primeiro. Esta minha perceção deve-se possivelmente à temática já não ser novidade. No entanto, foi uma leitura prazerosa, que me agarrou de início ao fim.

Se leste Às Cegas e adoraste, então sem dúvida que te recomendo esta sequela.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Desafio de leitura Manta de Histórias 2018 [Balanço Final]

Com a aproximação do final do ano, gosto de fazer o balanço dos desafios literários em que decidi participar no início do ano.

Este desafio foi criado pela autora do blog Manta de Histórias e consistia em ler um livro para cada uma das 32 categorias. Se concluíssemos os 32 pontos, podíamos depois repetir os pontos que mais nos agradaram.

Consegui preencher 25 das 32 categorias. Não foi um resultado perfeito, mas fiquei muito satisfeita com o meu desempenho e, por isso, o balanço é positivo. Não me obriguei a ler livros que não queria, apenas procurei inserir as minhas leituras dentro das diferentes categorias, sem me preocupar demasiado.

Houve livros que apenas incluí numa categoria, embora coubessem em mais que uma. E houve outras bem difíceis, nomeadamente a categoria "personagem principal com o teu nome". Curiosamente, em toda a minha vida literária, raramente encontrei uma personagem principal chamada Daniela. A última de que me recordo era uma personagem secundária.

Abaixo deixo a lista com todos os livros lidos para este desafio.


Autor português nunca lido: Sorrisos Quebrados [Sofia Silva]

Um clássico: O Adeus às Armas [Ernest Hemingway]

Livro que queres ler há séculos

Um calhamaço (+ 500 pág.): És o Meu Destino [Lesley Pearse]

Novidade do mês: Reino de Feras [Gin Phillips]

Uma biografia

Um livro num dia: As Impertinências do Cupido [Ana Gil Campos]

Um livro do/a autor/a favorito/a: Sinto a Tua Falta [Harlan Coben]

Livro adaptado ao cinema: Às Cegas [Josh Malerman]

Título com uma só palavra: Claraboia [José Saramago]

Personagem principal com o teu nome

Recomendado por um amigo: Em Parte Incerta [Gillian Flynn]

Um ebook: Tudo Isto Existe [João Ventura]

Um YA (jovem adulto): A Cada Dia [David Levithan]

Livro vencedor Goodreads Choice Awards 2017

Livro mencionado noutro livro

Um romance: Deixa-me Odiar-te [Anna Premoli]

Um livro sobre o Holocausto: As Nuvens de Hamburgo [Pedro Cipriano]

Um policial: Cerimónia Mortal [J. D. Robb]

Baseado em factos verídicos: Cada Suspiro Teu [Nicholas Sparks]

Um livro de capa azul: Não Digas Nada [Brad Parks]

Um thriller: Boneca de Trapos [Daniel Cole]

Protagonista é uma criança: Apenas um Desejo [Barbara O'Connor]

Livro da década do teu nascimento: Misery [Stephen King]

Oferecido por familiar ou amigo: À Beira do Colapso [B. A. Paris]

Livro infantil

Livro escrito por uma mulher: Limões na Madrugada [Carla M. Soares]

Espaço da ação: biblioteca ou livraria

Livro emprestado: Procuro-te [Lesley Pearse]

Na estante há mais de um ano: A Luz [Stephen King]

Primeiro livro de uma série ou trilogia: A Rapariga-Corvo [Erik Axl Sund]

Livro de um autor nórdico: Fome de Fogo [Erik Axl Sund]

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Aquisições: Outubro

Chegamos ao fim de mais um mês. Estamos apenas a dois meses do fim do ano. O tempo tem voado!
 
Em outubro consegui recuperar a vontade de ler e organizei-me um pouco mais, o que me permitiu ler três livros (um já tinha iniciado no mês anterior).
 
Foi também um mês muito bom no que diz respeito às aquisições literárias.

Vamos ver o que chegou cá a casa?

COMPRAS

- O livro da esquerda foi uma compra do mês passado, que recebi nos primeiros dias de outubro.
À direita, está o livro que comprei nos Momentos WOOK e cujas opiniões dos leitores me têm deixado muito curiosa.


OFERTA EDITORA
 
- Recebi da Topseller a tão aguardada continuação de Às Cegas. Irei lê-lo em breve para depois partilhar convosco a opinião. Agradeço à editora a generosidade da oferta!


TROCAS

- Durante este mês também fiz uma troca e consegui estes dois livros para a minha estante.


Agora, conta-me: como correu o teu mês?

quarta-feira, 6 de março de 2019

Palavras Sentidas


"Como pode esperar que os seus filhos sonhem tão alto como as estrelas, se não conseguem erguer a cabeça para as contemplar?"

Às Cegas
Josh Malerman

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Balanço de leituras e Top 10 - 2018

Estamos prestes a dizer adeus a mais um ano e é altura de fazer o balanço das minhas leituras e de vos dar a conhecer o meu Top 10, como tem sido habitual.

Depois de no ano passado não ter conseguido completar o desafio do Goodreads e como pretendia, em 2018, dedicar mais tempo à escrita, desafiei-me apenas a ler 40 livros. Tal como esperava, acabei por andar mais ocupada e isso refletiu-se nas leituras, assim como algumas ressacas que também diminuíram a vontade de ler. Conforme se pode ver na imagem do meu desafio de leitura do Goodreads, completei o desafio, embora tenha lido menos livros do que no ano passado.


Assim, em 2018, consegui ler 40 livros (aqui incluem-se um conto e duas antologias).
Li ligeiramente mais no 1º semestre do ano, mas a diferença entre os semestres é apenas de dois livros.

Aqui estão os livros mais curto e mais longo que li:


Li 1 conto e 1 livro em e-book.

No total, contei 13 039 páginas lidas, valor inferior ao do ano passado.
Só li 2 livros que considerei calhamaços - com mais de 500 páginas.

A média de pontuação (1 a 5) atribuída aos livros no Goodreads foi de 3.6, valor ligeiramente mais baixo em comparação com o ano passado.
Curiosamente, este ano apenas atribuí 5 estrelas a 3 livros e no ano passado tinha atribuído a 12 livros. Ou estou a tornar-me mais exigente ou não me tenho cruzado com as leituras mais gratificantes.

No que diz respeito a géneros literários, os que mais se destacaram este ano foram o thriller/policial e o romance contemporâneo.
Este foi o ano em que comecei a apostar mais no género terror.

Conheci 38 novos autores. Este ano, as leituras estiveram bastante equilibradas relativamente aos autores do sexo feminino e masculino.

Este ano li 23 autores portugueses, valor que subiu muito em relação ao ano passado e que se deve ao facto de ter lido duas antologias de contos.
Os autores portugueses que li este ano pela primeira vez foram: José Saramago, Sofia Silva, Nuno Ferreira, Alexandra Torres, Patrícia Morais, Soraia Matos, Pedro Cipriano, Inês Montenegro, João Ventura, Ricardo Correia, Simão Cortês, entre outros.
Ler antologias é uma ótima forma de conhecer novos autores e, claro, de apoiar a literatura portuguesa.

Relativamente à proveniência dos livros, li 12 livros emprestados, 9 comprados e 8 vieram de parcerias com editoras. Os restantes foram oferecidos ou vieram de trocas.

2018 foi também o ano que me trouxe a minha primeira publicação. Escrevi um conto que está publicado na antologia de Fantasia Rural O Resto é Paisagem, da Editorial Divergência.

Participei pela segunda vez no NaNoWriMo, pretendo continuar a escrever e quiçá o novo ano me possa trazer mais alguma surpresa no mundo da publicação!

Por fim, deixo-vos o meu habitual Top 10 de melhores leituras, sem ordem de preferência.


TOP 10 - 2018


Resta-me desejar-vos um excelente ano de 2019 com muito sucesso a nível pessoal e profissional. Espero que não vos falte amor, saúde, trabalho e, como é óbvio, bons livros para lerem no novo ano que se aproxima!