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sábado, 26 de outubro de 2019

"Não Desistas" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é aquele autor que consegue pôr-me a ler quando passo semanas desanimada com os livros e sem vontade de olhar para letras.

Este é o seu mais recente thriller traduzido para português, comprei-o no início do mês e não esteve sequer dez dias na estante antes de me apetecer pegar nele. Aliás, foi o próprio livro que chamou por mim. Nunca tiveram a sensação de que, por vezes, não são vocês que escolhem os livros, mas sim eles que vos escolhem a vós?

E foi assim que eu mergulhei nesta empolgante história e consegui vencer a apatia literária que me andava a consumir.

Neste thriller, conhecemos Nap Dumas, um detetive de Nova Jérsia que, no final da adolescência, perdeu o irmão gémeo. Ao mesmo tempo, a sua namorada Maura também desapareceu sem qualquer explicação. Passaram-se 15 anos, mas Nap nunca deixou de procurar Maura nem de tentar perceber por que morreu o seu irmão. Agora irá finalmente descobrir a verdade...


Este livro inicia-se com um prólogo cativante, escrito em terceira pessoa. Posteriormente, todo o restante livro é narrado em primeira pessoa, na voz de Nap, dirigindo-se ao irmão que perdeu, Leo. É como se o livro fosse uma grande carta ao irmão.

O autor tem uma mão de mestre em conduzir-nos pelo meio de toda a investigação, dos segredos, das descobertas e de intermináveis reviravoltas. E há sempre a viagem ao passado, típica de todos os livros do autor. Todas as suas histórias se baseiam em acontecimentos que marcaram o passado das personagens.

Gostei imenso de Nap e da sua personalidade. Por vezes é um pouco bruto, mas tem o coração bondoso e, claro, ainda sofre com a perda do irmão e da mulher que amava. Gosto muito da sensibilidade que o autor tem para abordar os temas da perda e da saudade.

Pelo meio do livro, ainda encontramos Myron Bolitar, uma personagem que tem toda uma série de livros só sua, e a investigadora Loren Muse, que já apareceu noutros romances do autor.

Em conclusão, se procuram um livro empolgante para devorar em duas tardes, este é uma ótima escolha. É já o 15º thriller que leio do autor, por isso já podem ter uma ideia do quanto o aprecio como escritor.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Invasão de Privacidade" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é outro daqueles autores seguros em cujos livros pego quando estou indecisa relativamente ao que ler a seguir. Este foi já o 13º thriller que li do autor!

Invasão de Privacidade dá-nos a conhecer Mike e Tia Baye, um casal que se sente tentado a invadir a privacidade do filho adolescente, uma vez que este tem demonstrado um comportamento distante e irreconhecível desde o suicídio do seu melhor amigo. Assim, instalam um programa no computador de Adam para vigiar todos os seus passos. Mas será que estariam preparados para o que iriam encontrar?

Tenho de admitir que o forte de Harlan Coben não são as personagens, mas sim os enredos inteligentemente arquitetados e repletos de reviravoltas inesperadas.
Nos seus livros, não vamos encontrar daquelas personagens memoráveis e que nos ficam no coração por muito tempo. Claro que isto poderá ser uma desvantagem para aqueles leitores que procuram personagens com as quais se possam identificar emocionalmente.

Certa vez li uma entrevista do autor, em que ele explicava que procurava sempre criar personagens comuns, iguais a qualquer um de nós, e iniciava os seus livros com um acontecimento que poderia facilmente acontecer na realidade.


A adolescência é um período complicado tanto para os pais como para os próprios adolescentes. Há certamente conflitos em todas as famílias. Desta forma, quantos pais não tentam vigiar os filhos mais de perto? Quantos pais não desejam saber em mais pormenor o que os filhos andam a fazer? Será legítimo invadir desta forma a sua privacidade se acharmos que os estamos a proteger?

Esta é a temática principal que é abordada neste livro, no meio de uma narrativa repleta de ação e reviravoltas.
Isto é o que eu mais gosto nos livros do autor. Não tanto se as personagens me vão ficar na memória, mas sim de toda a adrenalina que os seus livros me provocam. São quase todos de leitura compulsiva e muitas vezes é mesmo de um livro assim que precisamos, que nos distraia e nos ofereça uma história realmente dinâmica.

Já sabem que sou fã do autor e, portanto, os livros dele estão mais que recomendados para os fãs de thrillers!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 6 de junho de 2019

"Traz-me de Volta" de B. A. Paris [Opinião]


Traz-me de Volta é o terceiro livro de B. A. Paris, autora que fez bastante sucesso com o seu romance Ao Fechar a Porta e me cativou completamente desde esse momento.
O seu segundo livro, À Beira do Colapso, não foi tão intenso como o primeiro, contudo, continuei com grandes expectativas assim que este foi publicado.

Antes de mais, deixo-vos um aviso: não leiam os agradecimentos da autora, uma vez que há lá uma frase que contém um pequeno spoiler que poderá fazer-vos adivinhar o final do livro e estragar-vos o prazer da leitura. Não sejam curiosos como eu!

A narrativa centra-se em Finn, um jovem cuja namorada, Layla, desapareceu. Passados 12 anos sem qualquer pista, Finn refez a sua vida e está prestes a casar com Ellen, irmã de Layla. No entanto, quando surgem pistas de que Layla poderá afinal estar viva, a vida de Finn é virada do avesso e ele é obrigado a confrontar os acontecimentos do seu passado.

Ao contrário dos livros anteriores, que foram escritos sob a perspetiva da protagonista feminina, desta vez a autora conta-nos a história através da visão de Finn, embora, a partir de uma determinada fase da narrativa, vá alternando com alguns capítulos que nos dão a perspetiva de Layla.
A narrativa alterna-se também entre o passado e o presente, o que nos permite conhecer melhor como toda a história se desenrolou. Admito que gosto imenso de encontrar estes saltos temporais nos livros, pois acredito que as histórias se tornam muito mais dinâmicas.



Este livro revelou-se um verdadeiro page-turner; li-o precisamente num momento em que os livros não me estavam a cativar e este veio dar-me ânimo. Ou, mais concretamente, fez-me ler como uma tola pela noite dentro. E quando um livro consegue distrair-me desta forma, permitindo-me ler compulsivamente, só por isso já merece pontos!

A narrativa apresenta alguns momentos de grande tensão. Ao mesmo tempo que Finn começa a receber uns e-mails estranhos, encontra também objetos simbólicos relacionados com Layla. Estes acontecimentos instalam um clima de desconfiança nas nossas personagens e isso acaba por passar também para o leitor.
Outro aspeto que adorei neste livro foi o facto da autora me conseguir fazer duvidar de todas as personagens.

Gostei bastante do final que não se mostrou totalmente inesperado para mim, uma vez que há uma frase nos agradecimentos da autora que me fez desconfiar do rumo que esta história levaria. Mesmo assim, não deixei de me sentir surpreendida com as últimas páginas.

Não posso dizer que este livro seja tão bom como o Ao Fechar a Porta, embora a comparação seja inevitável. Uma palavra que o caracteriza na perfeição é viciante; o livro é mesmo muito viciante e lê-se quase de uma assentada. Se apreciam thrillers psicológicos, não deixem de experimentar este livro!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 20 de outubro de 2018

"À Beira do Colapso" de B. A. Paris [Opinião]


Depois do grande sucesso do seu primeiro livro, Ao Fechar a Porta, B. A. Paris regressa com um novo título bem chamativo. Mal soube da sua publicação em Portugal, não resisti a comprá-lo de imediato.

Numa noite de tempestade, Cass vê uma mulher dentro de um carro estacionado no bosque. No dia seguinte, descobre que essa mulher foi assassinada e que ela nada fez para a ajudar. Agora, atormentada pela culpa, Cass vai viver momentos bem difíceis...

Gostei imenso da forma como a autora construiu a Cass. A história é toda contada na perspectiva dela e por isso temos acesso a todas as suas preocupações, aflições e ao sentimento de culpa que a consome à medida que o tempo passa.
A par disso, ficamos a saber que a mãe dela teve demência e morreu muito jovem. Cass tem medo de vir a sofrer da mesma doença que a mãe e, de facto, o seu receio aumenta quando ela começa a esquecer-se das coisas mais básicas.

Este foi um dos aspetos que considerei mais interessantes no livro. Não é uma personagem em quem possamos facilmente confiar tendo em conta que a vemos fazer determinada coisa e, mais tarde, percebemos que aconteceu algo diferente e ela esqueceu-se. É difícil acreditar nela perante tantas incongruências.


O mistério deste livro não é tão surpreendente como o do anterior mas, para mim, manteve-se viciante desde o início. Não cheguei a suspeitar do final, o que tornou a leitura ainda mais atrativa para mim, no entanto, quando tudo foi revelado, percebi que até não era nada de extraordinário. Ou seja, com uma ideia aparentemente simples, a autora conseguiu estruturar o livro de forma bem interessante.

É possível que alguns leitores descubram rapidamente o final e o achem muito óbvio, daí que muitas opiniões considerem que este livro não é tão bom como o anterior. De facto, é muito difícil a autora conseguir igualar o seu romance de estreia.

Apesar de tudo, é um excelente thriller psicológico que não deixo de recomendar, quer conheçam ou não o trabalho anterior da autora. Espero que gostem!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Sorrisos Quebrados" de Sofia Silva [Opinião]


Foram várias as razões que me levaram a adquirir este livro logo após o seu lançamento: primeira, acho importante apoiar o trabalho dos autores nacionais; segunda, Sofia Silva conquistou os leitores brasileiros e teve mais de um milhão de leituras no Wattpad; e por fim, o livro foi publicado em Portugal pela Editorial Presença, uma editora que geralmente nos costuma trazer livros de qualidade.

Infelizmente, não encontrei qualidade neste livro e é por isso que esta opinião está a ser bastante difícil de escrever.
Confesso que me apaixonei pela capa do livro, que é uma das mais maravilhosas que já vi.
As minhas expectativas eram elevadas e iniciei a leitura poucos dias depois de ter recebido o livro em casa.

Sorrisos Quebrados apresenta-nos Paola, uma mulher fragilizada pela violência que sofreu no passado às mãos do homem que amava. Mas Paola decide viver e será no mais improvável dos lugares que irá descobrir que é possível voltar a amar.

O prólogo do livro está bastante bem conseguido, na medida em que prende de imediato o leitor. São páginas de grande violência, aflitivas e arrepiantes.

Logo desde o início nota-se que a escrita da autora é bastante simples, mas a mim pareceu-me simples de mais e pouco caprichada. Encontrei várias frases com problemas de sintaxe e que não teriam perdido se fossem melhoradas ou modificadas. Encontrei palavras escritas em português do Brasil, o que me fez acreditar que este livro não teve uma correta revisão por parte da editora.

Os diálogos foram o aspeto que mais me fez confusão neste livro. Estão repletos de metáforas, são forçados, demasiado ensaiados e não consigo sequer imaginá-los como reais. Nem sequer imagino pessoas a falar assim na vida real, muito menos em livros.
Contudo, é através de muitos desses diálogos que a autora passa a mensagem do livro, uma mensagem de força e de que é possível superar as dificuldades. Esta é uma mensagem muito importante, e que certamente resultaria com diálogos diferentes.

As intervenções da Sol e as interações que as personagens têm com ela, por sua vez, pareceram-me bem mais reais. A Sol é uma criança amorosa e encantadora, que trouxe luz e alma a este livro. Notou-se o carinho com que a autora construiu esta personagem pois também a escrita, nesses momentos, era muito carinhosa.

O romance está escrito na primeira pessoa e vai alternando entre a perspetiva de Paola e a de André. O que senti, por diversas vezes, foi que nos eram dadas mais informações do que aquelas a que a primeira pessoa teria acesso. Era como se o narrador quisesse aproveitar as observações e pensamentos de determinada personagem e introduzir informações acerca daquilo que a rodeava.

Um outro aspeto que falhou neste livro foi o contar vs. mostrar. Este romance foi quase todo contado ao leitor, quando devia ter sido mostrado. O que é que acham que cativa mais um leitor: uma personagem contar a outra como sofreu com o seu passado ou o leitor ser levado ao passado para ver com os próprios olhos o sofrimento que ela vivenciou?
Este é um dos aspetos mais importantes numa narrativa e que faz a diferença entre o leitor sentir empatia pelas personagens ou não se preocupar minimamente com elas.

O que aconteceu comigo foi que não me consegui prender nem à Paola nem ao André. Não senti aquela química entre eles nem o crescer dos sentimentos e acho que a Paola se deixou envolver muito depressa, tendo em conta o estado fragilizado em que se encontrava.
As partes eróticas foram uma surpresa. Claro que esperava encontrar romance, mas houve momentos em que desesperei porque havia demasiadas cenas quentes para um livro tão pequeno.

Em suma, sinto-me defraudada. Estou triste por não ter apreciado este livro tanto como gostaria e por não ter sido capaz de perceber o que tem de tão especial, além da mensagem de força.
Sinto que fui enganada pela publicidade e estou arrependida de o ter comprado.
Não vou desaconselhar a sua leitura. Acho que devem lê-lo e formular a vossa própria avaliação. Talvez consigam encontrar nele o encanto que eu não encontrei.

Não sei se tenho curiosidade em conhecer as outras histórias desta série. Talvez dê outra oportunidade a um futuro livro da autora se o conseguir emprestado, mas certamente não voltarei a comprar.

Classificação: 2/5 estrelas

segunda-feira, 9 de abril de 2018

"Falta de Provas" de Harlan Coben [Opinião]


E eu lá continuo na companhia do meu querido Harlan Coben. Como ia fazer uma viagem longa de autocarro, não hesitei em levar comigo um livro dele para me manter desperta em vez de dormitar durante a viagem.

Esta história inicia-se com um telefonema que tem tudo para destruir a vida de Dan Mercer, o alvo mais recente de Wendy Tynes, uma jornalista que desmascara predadores sexuais no seu programa de televisão. Dan é acusado de estar envolvido no desaparecimento de Haley McWaid, uma adolescente que nunca se mete em sarilhos.
Contudo, o instinto de Wendy diz-lhe que algo não bate certo neste caso. E se tiver denunciado o homem errado?

Ao contrário do seu último thriller - Sinto a Tua Falta - que não me cativou da forma que esperava, este agarrou-me desde as primeiras páginas. Começou tudo a acontecer muito depressa e a minha curiosidade levou-me a ler página atrás de página, a um ritmo vertiginoso.

À medida que Wendy procura investigar o passado de Dan e perceber se ele estará efetivamente envolvido no desaparecimento de Haley, vê-se no meio de uma teia de escândalos que remotam ao passado.

O passado é um tema recorrente nos thrillers de Harlan Coben. Penso até que está presente em todos os seus livros, pelo menos em todos os que já tive o prazer de ler. O passado nunca fica quieto, antes pelo contrário, arranja sempre uma forma de voltar a assombrar a nossa vida, passe o tempo que passar.

Esta é uma história que aborda temas como a perda e o luto, o papel dos pais na educação dos seus filhos, o alcoolismo na adolescência, o sensacionalismo televisivo e a justiça pelas próprias mãos. É também uma história sobre o perdão e a importância de sabermos perdoar os outros e a nós próprios.

Harlan Coben não deixa de me surpreender com a sua mestria, com a forma como surpreende e agarra o leitor, como une de forma excelente todas as peças do puzzle.
Uma leitura recomendada a quem apreciar thrillers de ação rápida e reviravoltas surpreendentes!

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

"Sinto a Tua Falta" de Harlan Coben [Opinião]


É com grande orgulho que anuncio que este é já o 10º livro que leio do autor americano Harlan Coben. É um dos meus autores preferidos da atualidade e, sem dúvida, aquele que mais gosto dentro do género thriller.

Sinto a Tua Falta acompanha a história de Kat Donovan, uma mulher marcada pelos acontecimentos do seu passado: foi abandonada pelo noivo e o seu pai foi assassinado.
Passados 18 anos, esses acontecimentos ainda a assombram. O homem condenado pelo assassinato do pai está prestes a morrer e Kat duvida da sua culpa. Ao mesmo tempo, quando observa os perfis de um site de encontros amorosos, depara-se com a fotografia do noivo que a abandonou.

É assim que se inicia uma investigação que vai envolver Kat numa conspiração terrível. Embora esteja disposta a fazer tudo para descobrir a verdade, Kat pode não estar preparada para remexer no passado.

(adoro o contraste do preto e do vermelho na capa)

Este talvez não tenha sido o livro do autor que mais me cativou e me fez virar páginas, porém confesso que tenho andado cansada e com pouca disposição para leituras, e talvez isso tenha influenciado.

O enredo é cativante e a escrita muito dinâmica, como Coben já nos habituou. Há uma procura por segredos que não permaneceram enterrados no passado e, enquanto vasculha, Kat vai ver-se rodeada de problemas.

Paralelamente, existe uma rede criminosa que opera através da Internet e que acabará por se atravessar no caminho da personagem principal.

O final é extremamente bom, contado na perspetiva de várias personagens, o que aumenta no leitor a sede de desvendar tudo. Houve uma cena particularmente violenta que me deixou boquiaberta e, em simultâneo, enojada, de tão bem descrita que estava.

E, tal como também é hábito neste autor, quando pensamos que a história terminou e suspiramos de alívio, eis que surge mais uma reviravolta mesmo no final do último capítulo. Para mim, esta já não foi surpresa, pois já tinha pensado nessa possibilidade, mas apreciei a explicação.

Em suma, parece-me uma excelente escolha para fãs de thrillers. Caso ainda não conheçam o autor, experimentem!

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

"A Escada de Corda" de Nigel Richardson [Opinião]


Comprei este livro numa promoção principalmente porque a sinopse me pareceu interessante. O livro prometia um "romance surpreendente que mistura na perfeição fantástico, ficção-científica, thriller psicológico e universos paralelos". Fiquei curiosa por o livro conter a temática dos universos paralelos.

A história centra-se em Mungo, um adolescente de quinze anos que vive em Londres com os pai. Um dia, quando o pai morre, Mungo e a mãe ficam numa situação financeira difícil e têm de se mudar para o campo. Mas Mungo detesta o campo. E sozinho, sem o pai, sem os amigos, sente-se miserável.
Tudo muda no dia em que conhece outro rapaz chamado Mungo e que é semelhante a si em tudo. Quem será ele? E o que quer: ajudá-lo ou aumentar o caos em que a sua vida de tornou?

Este é um livro de leitura leve e bastante apropriado para o público juvenil. Tem bastante humor, ajudou-me a descontrair, embora não me tenha cativado completamente.

Achei as atitudes de Mungo um bocadinho infantis para a idade, mesmo tendo em conta que era um jovem que estava com dificuldades em aceitar a morte do pai e que detestava viver no campo.

A chegada do outro Mungo trouxe mais surpresas, acontecimentos estranhos e que foram despertando a minha curiosidade. A temática dos universos paralelos está, de facto, presente, e deixou-me com vontade de mais. Apesar de tudo, é uma história que nos faz pensar nos "ses", nas escolhas que fazemos para a nossa vida e como ela poderia ser diferente se tivéssemos escolhido outro caminho.

Gostei, foi uma leitura que deu para entreter e que recomendo ao público mais jovem.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

"Ao Fechar a Porta" de B. A. Paris [Opinião]


Ouvi tantas coisas boas acerca deste livro que a minha curiosidade ficou espicaçada e tentei adquiri-lo assim que me foi possível.

Este é um daqueles livros que se lê de uma assentada. Eu não o fiz, mas vontade não me faltou. Ainda assim, despachei-o em três ou quatro noites.

A história inicia-se com um jantar de convívio entre amigos, onde ficamos a conhecer Jack e Grace, um casal aparentemente perfeito. Mas neste livro nada é o que parece. Ao fim de poucas páginas, o leitor começa a aperceber-se de que algo não está bem e rapidamente entra no horror que é a vida de Grace.

A história alterna entre presente e passado, sempre contada na voz de Grace. Vamos conhecendo como Jack e Grace se conheceram, como foi o início do casamento de ambos e como pretendiam tomar conta de Millie, irmã de Grace e portadora de Síndrome de Down.
Milli teve um papel muito importante nesta história e sempre foi quem deu força e esperança a Grace. Gostei imenso de ver como elas se davam tão bem e como Grace era maternal para com a irmã.

Este livro não é gráfico, não há cenas violentas de sangue nem mutilação de cadáveres. O terror é todo psicológico, e consegue ser tão ou mais perturbador quanto a violência física.

É um livro que não dá descanso ao leitor. Não há momentos parados, não há tempo para pausas. Assim que começa a ganhar intensidade, mantém-se intenso até à última página, impossível de largar.

Durante a leitura, senti-me entusiasmada, surpreendida, repugnada e até aterrorizada com a violência que Grace estava a sofrer. Torci durante todo o tempo para que ela se conseguisse soltar, embora fosse difícil imaginar como.

O final está muito bom e deixou-me com um sorriso um nadinha perverso. Aliás, tudo neste livro está perfeito, adorei mesmo e recomendo absolutamente a sua leitura. Foi, sem dúvida, uma das minhas melhores leituras de 2017.

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

"Estrada Vermelha, Estrada de Sangue" de Moira Young [Opinião]


Já andava com saudades de ler algo do género distopia, um género que me agrada imenso. Na verdade, adoro tudo o que seja futurista e, quanto mais criativo, melhor.

Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é o romance de estreia de Moira Young e passa-se num período pós-apocalíptico e muito violento. Saba é uma jovem que sempre viveu numa zona inóspita e deserta. A sua vida muda quando uma tempestade de areia traz consigo um bando de criminosos, que lhe matam o pai e raptam Lugh, o irmão gémeo que tanto adora. Sozinha com a irmã mais nova, Saba parte numa perigosa viagem, em busca do irmão.

O primeiro aspeto que chama a atenção neste livro é o estilo de escrita, com a ausência de pontuação nos diálogos e uma linguagem estranha, quase com erros ortográficos e como se estivéssemos na presença de pessoas sem escolaridade.
No início, estranha-se um pouco, contudo, ao fim de quarenta páginas, já conseguia ler de forma totalmente fluida. À medida que ia conhecendo este mundo, fui percebendo que esta forma de falar é característica das personagens, que vivem num mundo destruído, com grandes áreas desertas e onde os livros e saber ler é considerado algo "antigo". Além disso, as personagens têm uma espécie de sotaque que só é percetível na edição inglesa, na nossa tradução perdeu-se esse pormenor.
A falta de pontuação dos diálogos, embora pareça confusa no início, não perturba em nada a leitura.

A narrativa está bem estruturada e conduz o leitor numa viagem por um mundo violento. A ação é constante, está sempre alguma coisa a acontecer, pelo que este é um livro extremamente empolgante e de leitura compulsiva.

Apesar da autora não explicar como é que o mundo chegou a este estado, toda a história é bastante original e rica em criatividade. As minhas partes preferidas, que me deixaram mesmo agarrada ao livro, foram as cenas passadas na jaula, as lutas e a fuga; assim como a grande luta com os vermes no enorme lago seco.

Há personagens cativantes e outras que nos provocam ira e nojo. Gostei da coragem de Saba, embora achasse que ela andava irritada o tempo todo; adorei o Jack e gostei ainda mais da evolução da relação de Saba com a irmã.

No geral, foi uma leitura extremamente positiva, e só não atribuo 5 estrelas porque não gostei do vilão, achei-o demasiado louco, estúpido e não me convenceu.

Tenho pena que os volumes seguintes da série não estejam publicados em Portugal, pois adoraria poder ler a continuação. Infelizmente, quando determinado livro não vende tanto, as editoras desistem de publicar a restante série, para tristeza dos leitores que apreciaram o início da história.

Se gostam de ficção científica e distopias, não percam a oportunidade de ler este livro. Tenho a certeza de que se vão sentir  cativados do início ao fim.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 6 de julho de 2017

"Não Contes a Ninguém" de Harlan Coben [Opinião]


Aqui está mais um livro de Harlan Coben que eu li de forma compulsiva. Sei que sou suspeita em relação a este autor, pois estou sempre a recomendá-lo e não consigo decidir-me quanto ao meu livro preferido.

Em Não Contes a Ninguém, conhecemos David Beck, um médico destroçado desde que perdeu a sua mulher. Oito anos depois, perto do local onde ela foi assassinada, aparecem mais dois corpos. Entretanto, David começa também a receber e-mails misteriosos que só podem ter sido enviados pela sua falecida mulher, e lança-se numa perigosa busca por respostas.

Tal como já é hábito nos livros de Harlan Coben, o passado desempenha um papel importante, dado que regressa para assombrar o presente.

É uma história com um ritmo alucinante, que nos impede de pousar o livro até chegarmos ao final e descobrimos o que aconteceu na fatídica noite em que Elizabeth foi assassinada.

Harlan Coben é excelente a criar narrativas dinâmicas, com reviravoltas ao virar de cada página e sem que nada se torne confuso. Ação, perigo, mentiras e uma pitada de romance são alguns dos ingredientes que podem ser encontrados neste livro. Uma leitura que recomendo vivamente!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 6 de março de 2017

"O Intestino Também Sente" de Leonor Martín [Opinião]


Hoje venho falar-vos de um livro que foge um pouco ao meu género habitual de leituras.
Tudo começou quando, no final de janeiro, tive uma crise de prisão de ventre (se é que lhe posso chamar assim). Andava com fortes dores de barriga e dores nos rins, algo que nunca me tinha acontecido, embora sofra de prisão de ventre ocasionalmente.
Num desses dias, recebi por e-mail uma newsletter da Editorial Presença a apresentar as novidades para o mês de fevereiro. Entre diversos livros, estava O Intestino Também Sente. Li a sinopse e acreditei que era o universo a dar-me um sinal, por isso decidi comprá-lo.

Entretanto a prisão de ventre foi melhorando e, quando recebi o livro, dediquei-me de imediato à sua leitura. Posso já adiantar que o livro está muito bem estruturado e apresenta a informação de forma bem sucinta e interessante.

A autora, Leonor Martín, é licenciada em Enfermagem e tem uma pós-graduação em Medicina Holística. É terapeuta em hidroterapia do cólon e tem mais de 33 anos de experiência no âmbito da medicina natural e holística. Dedica a sua vida a melhorar a saúde das pessoas.

Leonor começa por explicar que o intestino é um órgão vital, ao qual prestamos muito pouca atenção. É um dos órgãos mais importantes do corpo humano e que é constantemente sobrecarregado devido aos erros alimentares que cometemos diariamente. O intestino não é apenas fundamental pela sua função biológica, mas também porque reflete as nossas emoções mais íntimas. É por esta razão que se diz que o intestino é o cérebro das emoções.

O intestino e o cérebro estão intimamente ligados (formaram-se ambos a partir do mesmo tecido neuronal e possuem uma estrutura orgânica semelhante), o que significa que as nossas emoções estão diretamente relacionadas com os processos digestivos, e vice-versa. Desta forma, um mau funcionamento intestinal vai comprometer as nossas emoções, assim como emoções negativas vão ter consequências a nível físico.

A autora dá-nos a conhecer o seu método de desintoxicação para o bem-estar físico e emocional, do qual fazem parte três etapas: a avaliação global, a detoxificação e a regeneração. Não me vou alongar a explicar em que consiste cada uma destas etapas, até porque será bem mais interessante se forem vocês próprios a ler.

Vou apenas mencionar um dos tópicos que considero mais fulcral: a importância de mantermos uma alimentação alcalina. O nosso organismo tende a procurar naturalmente um equilíbrio entre a acidez e a alcalinidade. O problema são os nossos padrões de vida atuais, principalmente a alimentação, que nos faz "acidificar". Esta acidez está na base de todas as doenças, incluindo as doenças degenerativas e o cancro. Já está cientificamente provado que as células cancerígenas se desenvolvem num ambiente ácido e sem oxigénio suficiente. Assim, a dieta alcalina ajuda a prevenir o cancro, entre muitas outras doenças.

Dá que pensar, não dá? Os alimentos ácidos são aqueles que estão presentes na nossa alimentação diária: os açúcares, a carne, o leite e seus derivados, os produtos de pastelaria e padaria, a cafeína, o álcool e o tabaco.

Todos os dias surgem novos casos de cancro e os números não param de aumentar. Segundo as notícias mais recentes, prevê-se que, dentro de 20 anos, uma em cada três pessoas venha a sofrer de cancro.

É assustador, não é?
E se estiver nas nossas mãos fazer algo para mudar esta realidade? Certamente que podemos começar com pequenas mudanças alimentares, podemos ler mais e procurar mais informação acerca dos alimentos que nos são prejudiciais.

No geral, acredito que este livro é uma leitura interessante e muito importante devido aos conteúdos que apresenta. São informações que nos deixam inevitavelmente a refletir. Esta leitura deixou-me ávida por procurar mais informações e ler mais acerca da temática.

Também já introduzi algumas mudanças na minha alimentação e já noto que isso tem ajudado o meu trânsito intestinal. Há duas semanas que o meu corpo funciona melhor, o que obviamente se reflete no meu bem-estar. Penso que quando se trata de mudanças, o que custa mesmo é começar, mas se queremos sentir-nos melhor e mais saudáveis, o caminho está na mudança.

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 21 de janeiro de 2017

"Na Pista de um Rapto" de Harlan Coben [Opinião]


Na Pista de um Rapto foi a minha primeira leitura de 2017 e não poderia ter começado o ano de melhor forma. Harlan Coben é o meu autor preferido de thrillers, que consegue surpreender-me a cada romance seu que leio.

Falar dos livros de Harlan Coben acaba por tornar-se um pouco repetitivo, dado que todos apresentam narrativas extremamente dinâmicas, bem construídas e onde as reviravoltas estão ao virar de cada página.

Neste romance, conhecemos Marc Seidman, um cirurgião que levava uma vida perfeitamente tranquila até acordar numa cama de hospital. É lá que toma conhecimento da gravidade dos seus ferimentos, da morte da sua mulher e do desaparecimento da sua filha de seis meses. Quando tudo parece perdido, recebe um pedido de resgate, que também o alerta de que não pode envolver a polícia, caso contrário, nunca mais verá a filha.

Com um início destes, a narrativa pode até nem parecer muito original e igual a tantas outras. Contudo, o autor constrói uma incrível teia de segredos e factos mal explicados, que levam Marc numa procura alucinante pela sua filha desaparecida.

Em pouco tempo, o leitor vê-se, tal como a personagem principal, rodeado de questões, dúvidas e mentiras. Mesmo com as pistas que o autor vai dando, é muito difícil descobrir o culpado pelo rapto e pela morte da mulher de Marc.

Este é mais um excelente livro onde o autor mantém a tensão e o suspense ao longo de toda a narrativa, cativando e intrigando o leitor. As personagens são interessantes e os vilões exercem sempre um certo fascínio no leitor, que rapidamente se sente preocupado com a personagem principal.

Após uma leitura compulsiva, somos presenteados com um espantoso final! Por mais livros que leia, fico sempre impressionada com a forma como o autor consegue surpreender-me, mais uma vez.
Se nunca leram nenhum livro de Harlan Coben, não percam mais tempo e agarrem-se já aos livros dele!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"A Nona Vida de Louis Drax" de Liz Jensen [Opinião]


A sinopse deste livro é extremamente interessante e foi a única coisa que li antes de iniciar a sua leitura. Não tinha expectativas, mas também não sabia muito bem o que esperar deste livro.

Louis Drax é um menino de 9 anos, muito dado a acidentes. Sofreu pelo menos um acidente ou doença em cada ano da sua curta vida, mas sobrevive sempre como o gato que cai sobre as quatro patas.
Por altura do seu nono aniversário, durante um piquenique familiar, Louis cai de uma falésia e afoga-se num rio, ficando num estado de coma profundo de onde poderá não regressar.

Este romance é contado a duas vozes: a do Louis, através do seu subconsciente, e a de Pascal Dannachet, o neurologista que cuida do menino.

Inicialmente o livro não estava a conseguir cativar-me, até o achei aborrecido em algumas partes mas, após alguma insistência, entrei finalmente na história e só queria saber o que aconteceu verdadeiramente ao Louis.

Tal como referi, não sabia o que esperar deste livro e ele acabou por mostrar-se algo bem diferente do que eu tinha imaginado. A certa altura, tornou-se bastante empolgante com o desenrolar de uma investigação policial e com novas pistas a surgir.

O final foi bastante perturbador e cruel, embora tenha deixado também uma pontinha de esperança. Apesar dos meus sentimentos contraditórios, acabei por gostar bastante e gostaria de ter oportunidade de conhecer outras obras da autora.

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

"Um Estranho Caso de Culpa" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é um dos meus autores de eleição no que diz respeito a thrillers, e este é já o sétimo livro que leio do autor.

Tinha este livro cá por casa, há mais de dois anos, e ainda estava por ler. Decidi pegar nele para levar comigo numa viagem longa de autocarro, pois sabia que rapidamente ficaria agarrada e conseguiria dar um avanço na leitura.

Esta história apresenta-nos Matt Hunter que, enquanto estudante universitário, mata acidentalmente outro jovem para defender um amigo. Após quatro anos na prisão, Matt é um homem feito e determinado a recuperar o tempo perdido. Aos poucos, consegue reconstruir a sua vida, trabalhando numa firma de advogados e acabando por casar com a encantadora Olive, que está grávida do primeiro filho de ambos.
Mas o destino prega-lhe uma nova partida quando um homem perigoso começa a segui-lo, uma freira aparece morta e Matt vê-se novamente suspeito de homicídios perpetrados à sua volta.

Este livro inicia-se com um prólogo escrito na segunda pessoa, o que considero que deu um toque bastante interessante à narrativa, de forma a que o leitor se pudesse colocar no lugar da personagem principal - Matt - e perceber o que o levou à prisão e como, mais tarde, refez a sua vida.

A história em si parte de um estranho vídeo de Olive que Matt recebe no seu telemóvel com câmara fotográfica, acabadinho de comprar. Acho sempre fantástico a forma como o autor inicia as histórias com algo absolutamente banal, como um vídeo ou uma fotografia (tal como acontece no livro Apenas um Olhar).

A vida de um ex-condenado não é fácil; Matt é olhado de lado e há sempre pessoas que estão à espera que ele tenha uma recaída, portanto não é de estranhar que os crimes comecem a ser associados a ele.

Harlan Coben presenteia-nos com mais um livro repleto de reviravoltas inesperadas e surpresas ao virar de cada página. O passado de algumas personagens volta a receber um papel importante, tal como já é comum nos thrillers do autor.

Um Estranho Caso de Culpa é uma leitura frenética, impossível de parar e que deixará o leitor sem respiração até à última página. Recomendo absolutamente!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 26 de dezembro de 2015

"A Felicidade de Kati" de Jane Vejjajiva [Opinião]

Decidi ler este livro durante a maratona natalícia e escolhi-o porque tem uma criança como protagonista.

Esta é a história de Kati, uma menina tailandesa de nove anos que vive com os avós. A sua vida decorre a um ritmo suave, mas há algo que não a deixa ser completamente feliz: a saudade que sente da mãe. Por que é que a mãe está ausente há tanto tempo? E onde está o pai, que ela nunca conheceu?

A história é contada do ponto de vista de Kati, numa narrativa suave e fluida, algo poética e encantadora, quase como se fosse uma criança a falar. A autora explora um pouco da cultura tailandesa, do estilo da vida destas personagens e dos costumes do país, sempre com descrições muito vivas.

Aos poucos, acompanhamos Kati na sua viagem em busca do passado, tentando responder às questões que a preocupam. Essa viagem vai dar-lhe a compreensão que ela procura e irá pedir-lhe que tome decisões importantes.

Este é um pequeno livro que evoca as nossas emoções ao abordar temas profundos como o amor, a perda, a família, as escolhas, tudo na visão de uma criança. É um livro otimista que consegue transmitir-nos beleza, paz e esperança.

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 22 de agosto de 2015

"Apenas um Olhar" de Harlan Coben [Opinião]

Harlan Coben é um autor que dispensa apresentações. Se acompanham regularmente o meu blogue, sabem que é um dos meus escritores preferidos de thrillers.

Tinha este livro cá por casa desde que o comprei, o ano passado, numa promoção. Como precisava de uma leitura que me prendesse e, ao mesmo tempo, queria ler mais um livro da minha estante, resolvi dedicar-me a este. E devorei-o em pouco mais de duas tardes.

A história deste livro inicia-se quando Grace tira uma série de fotografias durante umas férias e, quando as manda revelar, encontra lá no meio uma fotografia diferente, com as cores esbatidas pelo tempo, onde figuram cinco pessoas. Uma delas, uma mulher, tem o rosto marcado por dois traços em cruz. Um dos homens é muito parecido com o marido de Grace, como ele poderia ter sido vinte anos atrás. Porém, quando Grace o confronta com a fotografia, John nega ser ele. Mais tarde, John sai na sua carrinha, levando consigo a estranho fotografia, e não regressa a casa.

É neste momento que o mundo seguro de Grace se desmorona como um baralho de cartas. Em busca do marido, Grace terá de enfrentar as trágicas recordações do passado, enquanto lida com ameaças reais e tenta proteger os filhos.

Esta é mais uma história em que os acontecimentos do passado voltam para assombrar o presente. Passe o tempo que passar, os erros e as mentiras do passado acabam sempre por vir à tona, trazendo muitas vezes consigo novos acontecimentos catastróficos.

Apenas um Olhar apresenta um enredo complexo, com boas doses de perigo, adrenalina e um assassino cuja técnica é arrepiante. Vemos a força e determinação de Grace, que faz tudo para proteger os seus filhos e encontrar o marido. E encontramos também um pai que, passados tantos anos, continua sem conseguir superar a morte do único filho e ainda age por vingança.

Os thrillers de Harlan Coben são muito dinâmicos, a ação é constante e as reviravoltas acontecem ao virar de cada página. Tal como está descrito na sinopse do livro, este é "um thriller intenso, de alta complexidade e que gera um suspense quase doloroso, sem deixar de desafiar a curiosidade do leitor" e, francamente, não encontro melhor descrição para ele.

Sem qualquer dúvida, recomendo a leitura deste thriller aos apreciadores do género. Harlan Coben é um autor a não perder!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"Vermelho como o Sangue" de Salla Simukka [Opinião]

Os policiais nórdicos estão muito na moda atualmente, porém confesso que ainda sou pouco conhecedora dos livros do género. Além da trilogia Millennium, de Stieg Larsson, esta foi a segunda autora que tive oportunidade de conhecer.

Vermelho como o Sangue inicia uma trilogia intitulada Branca de Neve. Achei muito interessante este toque de conto de fadas num policial e estou curiosa por ver como a história vai evoluir nos volumes seguintes.

Este romance é dirigido a jovens adultos, embora seja suficientemente cativante para um público mais velho.

O primeiro capítulo apresenta-nos um cenário que tem tanto de gelado como de sangrento. Uma poça de sangue a alastrar-se na neve branca; o contraste do vermelho no branco dá um certo tom de cor ao livro. Nestes pormenores acho-o muito visual, dado que é fácil imaginar os cenários onde impera o branco, visualizar onde as personagens se movem.

Os capítulos são pequenos e bem estruturados, conjugando a ação e o suspense de forma a prender o leitor à medida que vira as páginas. Também a escrita da autora é interessante; apercebi-me de alguns aspetos peculiares, embora seja possível que isto se deva à tradução para português.

Lumikki foi a personagem que mais me surpreendeu devido à sua maturidade. É uma jovem de 17 anos bastante mais crescida que a maioria dos adolescentes da sua idade. Vive sozinha na cidade onde está a estudar e adora a liberdade que isso lhe proporciona. Impôs algumas regras a si própria, sendo que uma delas é não se meter naquilo que não lhe diz respeito. E é precisamente esta regra que vai ser posta à prova quando encontra uma grande quantia de notas de quinhentos euros a secar no laboratório fotográfico da escola. Essa descoberta vai envolvê-la, juntamente com mais três colegas, numa perigosa e sombria conspiração.

Em conclusão, gostei imenso de contactar com esta história e quero ler os volumes seguintes, dado que desejo conhecer melhor o passado de Lumikki, que ainda não foi completamente desvendado.
Recomendo este policial aos fãs de literatura nórdica; aqui encontraráo uma história com descrições cruas, suspense, ação, perigo, tudo isto rodeado por um cenário gélido que, apesar de tudo, também consegue transmitir alguma beleza. Espero que desfrutem da leitura!

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 20 de julho de 2015

"A Luz de um Novo Dia" de Torey Hayden [Opinião]

Este já é o sexto livro que leio de Torey Hayden, uma das minhas autoras preferidas e que me fascina a cada livro que leio pelo seu excelente trabalho com crianças problemáticas.

Neste livro, Torey relata-nos mais um ano escolar, que certamente será um dos mais desafiantes da sua carreira. Da turma de educação especial que lhe foi atribuída, fazem parte quatro meninos: Billy, um rapaz que transborda agressividade, Shane e Zane, dois gémeos afetados pela síndrome alcoólica fetal, e Jesse, um menino que sofre de síndrome de Tourette.
Por fim, existe ainda Venus Fox, uma menina de sete anos que parece estar alheia a tudo. Não fala nem reage a qualquer estímulo e permanece num estado catatónico a maior parte do tempo. As suas únicas reações são de agressividade quando sente o seu espaço ameaçado podendo, nesses momentos, tornar-se um perigo para si própria e para os que a rodeiam.

Com estas crinças, Torey terá realmente um ano desafiante. No início, é bastante complicado pois os quatro rapazes provocam o caos completo e é muito exaustivo para Torey controlá-los. Terá de fazer muitas tentativas até conseguir desenvolver uma rotina com eles e, nos momentos livres, tenta de tudo para fazer Venus reagir.

Estas crianças tocaram-me de forma especial porque desde logo senti interesse pelas suas problemáticas. Gosto da forma como a autora introduz estes problemas para ficarmos a compreender do que se tratam, sem nunca se tornar maçadora. Penso que os livros da Torey não têm nada de maçador e leem-se muito bem, apesar dos acontecimentos chocantes que eventualmente possamos encontrar.

Fui lendo, fascinada com os progressos, por vezes muito lentos, que a autora ia fazendo com os meninos e senti-me sensibilizada por ver que, apesar de toda aquela agressividade, eles conseguiam ser amorosos, generosos uns com os outros e fazer amizades.

Venus acabou por ter um maior destaque devido ao seu problema. Vinha de uma família extremamente desestruturada e confesso que me arrepiei nos momentos em que Torey visitava a pobre caravana onde ela morada com a mãe, o padrasto e alguns irmãos. Contudo, e apesar de saber que muitas destas crianças sofrem abusos, nunca se está preparado para descobrir a verdade. E a verdade por detrás do comportamento de Venus é demasiado chocante.

Se, por um lado, adoro ler a autora e sinto-me inspirada pelas suas práticas e com vontade de aprofundar mais estes temas, por outro lado, estas leituras costumam deixar-me muito abalada. São histórias verídicas e, por essa razão, tornam-se mais impressionantes.
Apesar de tudo, as obras de Torey Hayden são extremamente ricas  e recomendo a sua leitura nomeadamente a profissionais que trabalhem com crianças.

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 27 de junho de 2015

"A Vida na Porta do Frigorífico" de Alice Kuipers [Opinião]

Quando recebi este pequeno livro (que me foi emprestado pela Silvana, a quem agradeço desde já) não resisti a abri-lo para espreitar o seu interior. Fiquei surpreendida ao constatar que tinha muito pouco texto, o que é propositado visto que o livro está escrito em forma de pequenos post-its que mãe e filha deixam na porta do frigorífico.

A história retrata o dia a dia de uma mãe e filha com vidas ocupadas e pouco tempo uma para a outra. A porta do frigorífico é usada como meio de comunicação, onde deixam mensagens rápidas uma à outra. Um dia, surge uma mensagem diferente do habitual e ambas passarão a lutar contra a distância e o tempo que se esgota.

Este livro lê-se rapidamente devido à forma como está escrito. A linguagem é muito acessível e expressiva e o livro retrata na perfeição um tema dramático e bastante atual. Além disso, a autora consegue transmitir uma realidade que certamente acontece em muitas famílias: a falta de tempo para estar com aqueles que são mais importantes.

Apesar do entusiasmo que sentia quando iniciei a leitura, não consegui sentir o mesmo no final. A temática é forte mas não consegui sentir uma ligação com as personagens, sinto que tive pouco tempo para as conhecer, para me envolver, e talvez por isso o livro não me tenha marcado.

Mesmo assim, não deixo de recomendar esta leitura a todos pelo tema atual e pela mensagem que transmite. Se gostarem da leitura, venham partilhar comigo os vossos pensamentos.

Classificação: 2/5 estrelas