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sexta-feira, 8 de março de 2024

«A Boa Irmã» de Sally Hepworth [Opinião]

 
«Nem os maiores fãs de thrillers psicológicos conseguem antecipar o final deste livro. Incrível.»
Library Journal
 
A Boa Irmã é uma história sobre duas gémeas: a Fern e a Rose. Este livro acompanha sobretudo o dia a dia da Fern, intercalando com passagens de diário escritas pela Rose.
 
Sem revelar muita informação, a Fern é bibliotecária, tem um segredo obscuro no seu passado e, por isso, é importante manter sempre uma rotina. Quando descobre que a irmã não pode ter filhos, decide que pode ajudá-la e engravidar para lhe dar o seu bebé. Afinal, qualquer pessoa faria isso por uma irmã, certo?
O problema é que essa sua missão vai abalar a sua vida e destruir-lhe a rotina que planeia com tanto cuidado.
 
Confesso que fui para este livro sem muitas expetativas e acabei mesmo surpreendida. Para começar, a profissão da Fern, bibliotecária, é um aspeto positivo, uma vez que grande parte da história se passa na biblioteca e ficamos familiarizados com as atividades que ela realiza. Além disso, a Fern tem uma personalidade peculiar, ela interpreta de forma diferente as normas sociais e a forma como as outras pessoas pensam.
 
As entradas de diário escritas pela Rose, por sua vez, dão-nos a conhecer a relação das gémeas uma com a outra, e com a mãe de ambas. Ficamos a saber que a infância delas não foi muito boa e que não tinham a melhor das relações com a mãe.
 
Este livro cativou-me por completo desde o início, prendeu-me, despertou-me o interesse e, a certa altura, já estava completamente viciada e dava por mim a pensar neste livro a toda a hora.
 
O final é surpreendente e a autora construiu esta narrativa com muita mestria, porque temos duas narradoras em quem não sabemos se podemos confiar, nem qual das duas está a dizer a verdade. Ou será que estão ambas a mentir?
 
Para concluir, os principais ingredientes deste thriller psicológico são uma escrita envolvente, um ritmo que nos mantém presos, dois narradores pouco confiáveis e reviravoltas excelentes. Recomendo muito e quero, sem dúvida, continuar a acompanhar esta autora.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

«Um Longo Caminho para a Água» de Linda Sue Park [Opinião]


«A história inesquecível de uma rapariga e de um rapaz no Sudão. Um livro que toca profundamente todos os leitores.»
Publishers Weekly
 
Um Longo Caminho para a Água é baseado na história verídica de Salva Dut, um menino que teve de fugir da guerra no Sudão e que, muitos anos depois, criou o projeto Water for Sudan, Inc. que tem como objetivo a criação de poços no Sudão para que os seus habitantes tenham acesso a água.
 
Este é um pequeno livro para jovens a partir dos 11/12 anos, e que nos conta paralelamente duas histórias: a de Nya, uma menina de 11 anos, que todos os dias caminha várias horas para ir buscar água para a sua família; e a de Salva, um menino da mesma idade, que vai percorrer uma parte do continente africano com outros refugiados que procuram um lugar seguro.
 
É uma história muito bonita de sobrevivência, luta, conquista, de resiliência nas piores situações possíveis.
 
Embora seja uma narrativa mais simples para os jovens, eu gostei muito e senti-me cativada e sempre curiosa por descobrir de que forma é que a história destas duas crianças se iria cruzar.
 
O final é muito bom e dá-nos uma mensagem de esperança. Acredito que vou recordar esta história no futuro. Parece-me ser também um presente perfeito para oferecer aos jovens leitores.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

«O Tatuador de Auschwitz» de Heather Morris [Opinião]


«Uma história bela e pungente sobre a determinação de um homem de sobreviver em Auschwitz... É uma história de esperança e perseverança, de uma beleza que emerge quando tudo à volta parece estar pintado de preto.»
Library Thing

O Tatuador de Auschwitz conta-nos a história real de Lale Sokolov que chega ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau em 1942 e se torna tatuador: tem de tatuar os seus colegas prisioneiros.
 
No meio de todos os horrores, Lale vai conhecer Gita e apaixonar-se por ela.
 
É um livro baseado em entrevistas que a autora fez ao longo de vários anos a Lale e que nos mostra a força de um homem a fazer tudo para sobreviver naquele que foi um dos acontecimentos mais terríveis da História mundial.
 
A escrita é acessível a qualquer leitor, não há floreados nem grande densidade de informação. É um livro curto e conciso, tendo-me feito apenas desejar que alguns capítulos ou cenas fossem mais desenvolvidos.
 
Esta é uma história de humanidade, de compaixão e de luta pela sobrevivência, que certamente conseguirá cativar o leitor e tocar-lhe no coração.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 14 de abril de 2023

«Win» de Harlan Coben [Opinião]

 
«Reviravoltas atrás de reviravoltas. Não se vai desiludir.»
The Sun
 
Harlan Coben foi um dos autores que me fez apaixonar-me por thrillers. Desde então, faço questão de acompanhar o seu trabalho e ler todos os seus livros.
Este é o 17.º livro que leio do autor.
 
Este livro é centrado em Win, uma personagem dos seus livros anteriores, nomeadamente da série do Myron Bolitar.
Win (ou Windsor Horne Lockwood III) ganha finalmente um livro só seu.
 
Tudo começa quando um homem é encontrado morto com dois objetos importantes ao seu lado: um quadro roubado de Vermeer e uma mala de viagem com as iniciais WHL3. Sendo as iniciais do nome de Win, ele vai ser interrogado pela polícia, uma vez que estas provas apontam para que ele esteja relacionado de alguma forma.
 
Como é natural nos livros de Harlan Coben, é uma personagem comum quem começa a investigar. Neste caso, Win é tudo menos comum. Ele é um homem riquíssimo, com todos os meios ao seu dispor e com uma visão única de justiça. É claro que ele vai começar a investigar por conta própria.
Tudo isto está também relacionado com uma prima sua, que foi sequestrada há mais de vinte anos e que conseguiu fugir dos seus captores.
Por fim, há ainda outra ponta que se vai misturar aqui no meio: um ato de terrorismo que aconteceu também há muitos anos.
 
Devo dizer que este livro me cativou no início, depois teve uma fase em que abrandou um pouco e, por fim, a segunda metade do livro li-a num ápice, devorei-a.
 
Win é uma personagem única e cheia de humor (adoro o humor que o autor insere sempre nos seus livros).
Harlan Coben é exímio a criar uma trama com pontas por todo o lado, oferecendo-nos reviravoltas atrás de reviravoltas. É difícil perceber onde a história vai dar. Quando achamos que já desvendamos tudo, descobrimos que afinal não. No fim, temos uma teia incrível muito bem explicada.
 
Gostei do final; surpreendeu-me. De facto, o autor não desilude no que diz respeito à trama, ao suspense, às reviravoltas surpreendentes.
 
Ainda tenho livros por ler deste autor na estante e é sempre bom voltar a ele, nem que seja uma vez por ano.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

«O Menino de Cabul» de Khaled Hosseini [Opinião]


«Um romance maravilhoso... uma história admirável da cultura afegã. É um romance ao estilo de outros tempos que nos arrebata completamente.»
San Francisco Chronicle
 
O Menino de Cabul foi a minha primeira experiência com Khaled Hosseini, um autor afegão, cujas histórias nos dão a conhecer um pouco da cultura e da realidade afegãs.

Esta história inicia-se em 1975, em Cabul, e é contada por Amir, na altura um menino de 12 anos, que lutava para ganhar o afeto do pai. Nunca sentiu que o pai se orgulhasse verdadeiramente dele, por isso, tudo o que ele quer é ganhar um concurso anual de papagaios de papel, para impressionar o pai.

Hassan é o seu amigo mais chegado, e é também o criado da família, logo pertence a uma classe social inferior. Hassan é muito fiel, muito doce e verdadeiro para com Amir.
Contudo, a forma como Amir se sente em relação ao pai acabará por lhe moldar a personalidade e ter um efeito menos positivo na forma como acabará por tratar Hassan.

Esta é, portanto, a história de duas crianças que acabarão por ser separadas.

Ao longo desta narrativa, há inúmeros momentos de injustiça e passagens duras de ler, de uma crueldade indescritível. Algumas vêm da parte de Assef, um miúdo violento, tirano, um autêntico bully. Esta personagem mostra-nos como por vezes os miúdos conseguem ser cruéis uns com os outros. Odiei-o de início ao fim.

Fui surpreendida com as reviravoltas presentes nesta história (embora um bocadinho previsíveis), porém, é interessante como a vida muitas vezes nos conduz pelos caminhos da redenção. Quando fazemos mal a alguém, é sempre possível mostrar arrependimento e provar que somos capazes de ser bons, de dar um pouco de nós ao outro.

A escrita da autor é bela e cativante e, depois de ultrapassar a metade do livro, li o resto quase de uma só vez porque me sentia completamente envolvida pela narrativa.

O Menino de Cabul é uma história triste, com contornos muito duros, mas que encerra uma grande beleza. A certa altura, no livro, uma das personagens diz: «As histórias tristes dão bons livros», e só posso concordar plenamente.
Uma narrativa angustiante e que nos deixa de coração apertado, mas maravilhosa e que recomendo a quem aprecia um bom drama.
Fiquei fã do autor e vou, com toda a certeza, continuar a ler os seus romances.

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

"O Rapaz do Bosque" de Harlan Coben [Opinião]


«Quando pensamos que Harlan Coben não pode superar as nossas expectativas, ele escreve um novo thriller ainda melhor. Não conseguimos parar de ler.»
San Francisco Chronicle
 
O Rapaz do Bosque é uma das mais recentes novidades de Harlan Coben publicadas em Portugal. Em setembro, será publicado o Win.
Este é já o 16.º livro que leio do autor!

Neste thriller conhecemos Wilde, um homem com um passado misterioso. Quando era criança, ele foi encontrado na floresta, onde aparentemente viveu sozinho durante um período de tempo desconhecido. Após ser resgatado, conseguiu de certa forma adaptar-se à vida em sociedade, embora se tenha tornado num homem reservado, com um grande fascínio pela floresta. Contudo, nunca se conseguiu descobrir nada acerca dele.

Quando a jovem Naomi Pine desaparece, é-lhe pedido que colabore nas buscas, uma vez que não há quem conheça a floresta melhor do que ele.

[Fotografia da minha autoria]

Este livro dá bastante destaque a Hester Crimstein, uma advogada que já apareceu noutros livros do autor. Foi bom poder conhecê-la em mais profundidade. Temos acesso à sua história pessoal, a acontecimentos do seu passado, aos sentimentos e dúvidas do presente e até a uma nova tentativa de seguir em frente com a sua vida.

Tal como é habitual em todos os trabalhos do autor, este livro tem uma boa dose de ação, suspense, algumas reviravoltas interessantes e segredos do passado que voltam sempre para massacrar as personagens.

O bullying é um dos temas presentes neste livro, nomeadamente o bullying entre adolescentes.

Gostei bastante desta leitura, embora não tenha sido para mim um dos melhores livros do autor.
No final, senti-me um pouco desiludida porque terminamos o livro sem saber mais acerca de Wilde, ou seja, não é desvendado praticamente nada acerca do seu passado. A parte positiva é que o livro vai ter, com toda a certeza, uma continuação onde encontraremos respostas.
Por este motivo, apesar de ter sido uma leitura empolgante, acabou por saber a pouco, uma vez que o passado da personagem principal permanece envolto em mistério.

Não deixo de recomendar este livro de um dos meus autores preferidos de thrillers!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 13 de maio de 2021

"O Dilema" de B. A. Paris [Opinião]


«Um drama familiar que nos provoca uma tensão quase palpável. Só queremos descobrir o que acontecerá a seguir.»
Sunday Mirror
 
Aflitivo.
Angustiante.
 
A pessoa que mais amas está a realizar o seu maior sonho. Queres que ela tenha um dia perfeito. Porém, quando recebes uma notícia terrível, sabes que tens de lhe contar... e que essa notícia vai devastar por completo as vossas vidas. O que serias capaz de fazer para lhe dares mais algumas horas de felicidade?

O sonho de Livia é dar uma festa de arromba nos seus 40 anos, para compensar a festa de casamento que nunca teve. Li algumas opiniões em que os leitores referiam que dar uma festa é o sonho mais fútil de sempre. Sim, até pode ser, mas eu li este livro de mente aberta, sem julgar as personagens pelos seus sonhos e desejos, sejam eles fúteis ou não.
No dia da festa, Adam recebe uma notícia terrível e tem de a contar a Livia. Não pode deixar a festa acontecer. Mas ela está tão feliz! Será ele capaz de lhe dar a notícia que vai destruir toda esta felicidade?

Este livro passa-se ao longo de um dia. A história é contada na voz de Livia (a viver o seu sonho) e de Adam (a viver um inferno pessoal). Hora a hora vamos acompanhando todas as emoções e acontecimentos deste dia, alternando com alguns episódios do passado, de forma a conhecermos toda a dinâmica desta família.

[Fotografia da minha autoria]

O Dilema é um livro tanto para fãs de thrillers emocionais como para fãs de dramas. É uma história com uma carga dramática muito forte que mexe com as emoções. Por isso, é importante que o leitor tenha isto em conta, para mais tarde não dizer que o livro não era bem o que esperava.

B. A. Paris escreve thrillers psicológicos de leitura compulsiva. Geralmente as premissas dos seus livros são simples, mas o suspense está tão bem doseado que é impossível parar de ler. Tenho lido todos os seus livros quase sem respirar e este é mais um capaz de nos deixar os nervos em franja.

Confesso que passei toda esta leitura incrédula com o que estava a acontecer. Sabemos logo nas primeiras páginas o que aconteceu, isto não é surpresa, e conseguimos imaginar que o livro não terá um final feliz. O que precisamos urgentemente de saber é quando será feita a revelação.
 
Não é um livro com um final surpreendente, não aparece nenhuma reviravolta que nos vai deixar boquiabertos. Mas todo o livro é um murro no estômago. É angustiante. É aflitivo. É intenso. É de partir o coração.
Este livro deixou-me mesmo triste. Mesmo depois de o ter terminado, continuei a sentir-me como se aquela nuvem negra ainda pairasse acima de mim.

A narrativa na primeira pessoa permite-nos vestir a pele daquelas personagens, pensar "e se fosse eu, o que faria?". É um ótimo livro para treinar a empatia. Gostei mais de ler os capítulos na perspetiva de Adam. Foi terrível acompanhar a sua aflição enquanto pai e vê-lo mergulhado naquele inferno.

Um drama familiar muito bem construído e contado à velocidade de um thriller. É um livro sobre escolhas, sobre segredos, sobre o que fazer quando estamos perante uma escolha impossível.

Em conclusão, creio que posso afirmar que nunca li nada assim. Recomendo sem qualquer reserva. Prepara-te para uma montanha-russa de emoções!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 8 de agosto de 2020

"A Paciente Silenciosa" de Alex Michaelides [Opinião]

 
«Impossível parar de ler, profundamente impressionante e intenso, com uma imprevisibilidade tal que mesmo o leitor mais familiarizado com livros de suspense sentirá suores frios.»
Booklist

Este thriller despertou a minha curiosidade no momento em que foi lançado em Portugal. O mistério de uma personagem que mata o marido e nunca mais diz uma palavra encheu-me de imediato as medidas.

Alicia Berenson tem tudo para ser feliz. É uma pintora jovem e famosa, vive numa casa sublime com o marido, Gabriel, um fotógrafo de moda. Uma noite, quando ele chega a casa, ela mata-o com cinco tiros e nunca mais diz uma palavra.

A sua recusa em falar transforma-se num mistério para a comunicação social. E para o leitor, claro!

O que aconteceu realmente naquela noite? Por que razão Alicia assassinou o marido? E por que razão se recusa a falar?

Passados seis anos, Theo Faber entra em cena. É um psicoterapeuta curioso pelo caso e que há muito desejava trabalhar com esta paciente. Está determinado em fazê-la falar e conseguir, por fim, desvendar todo este misterioso assassínio.

Não sabia muito bem o que esperar deste livro mas devo confessar que não esperava que a história se centrasse tanto em Theo. É ele quem nos conta toda a história de Alicia e é na sua perspectiva que acompanhamos o desenrolar dos acontecimentos desde que ele chega à clínica.
De Alicia vamos tendo alguns vislumbres através de um diário que ela foi escrevendo algum tempo antes da data do crime.

A primeira metade do livro não é propriamente empolgante. A história desenvolve-se a um ritmo mais lento e é ainda muito cedo para desvendar o mistério. Contudo, a nossa curiosidade mantém-se e garanto-vos que o livro cumpre o que promete na premissa.

A terapia acaba por ter um papel menos relevante na história e é como se tivesse sido moldada para se enquadrar nos propósitos do autor.

[Fotografia da minha autoria]
 
Theo é uma daquelas personagens com quem formamos uma empatia um pouco estranha. À medida que vamos tendo conhecimento da sua tragédia pessoal, vamos percebendo que ele é um homem cheio de fantasmas, ainda com alturas da sua vida em que se sente muito inseguro e fragilizado. Está a passar por problemas no casamento, porém, a forma como se comporta também não é das melhores.
Em variadas alturas cheguei a pensar que ele não era a pessoa ideal para tratar Alicia e que ele próprio também deveria estar internado. Acredito que, quando todo o livro se passa numa clínica psiquiátrica, seja difícil manter a sanidade!

O autor soube dosear muito bem o suspense ao longo de toda a narrativa. Nada neste livro é o que parece e chegamos até a duvidar da culpabilidade de Alicia, uma vez que ela estava rodeada de gente estranha: um cunhado assustador, um primo mentiroso e um ganancioso dono de uma galeria de arte. Ou seja, todos teriam motivos legítimos para assassinar Gabriel e culpar Alicia.

O final do livro é completamente imprevisível. Aquele parágrafo final, a alguns capítulos do fim, é como levar uma bofetada. É um balde de água fria que nos cai em cima. É a reviravolta alucinante que nos permite compreender de imediato tudo o que não fomos capazes de ver ao longo do livro.
Já li muitos thrillers, estou familiarizada com este género que adoro e posso afirmar que esta terá sido uma das melhores reviravoltas finais que encontrei neste género de livros. Incrível!

Se ficaram curiosos, leiam! Desafio-vos a tentar desvendar o mistério antes de este vos ser revelado. 

Alex Michaelides é um autor que pretendo continuar a acompanhar. A Paciente Silenciosa é a sua obra de estreia e mal posso esperar por ter nas mãos mais livros deste autor!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 13 de julho de 2020

"A Corrente" de Adrian McKinty [Opinião]


«Uma leitura arrepiante, intensa e viciante, que irá querer devorar.»
People Magazine, Book of the Week

E SE A ÚNICA FORMA DE VOLTAR A VER O SEU FILHO FOSSE RAPTAR OUTRA CRIANÇA?

Esta foi a frase que recebi num e-mail da WOOK nos dias que antecederam o lançamento do livro. Fiquei completamente doida com esta premissa e soube que teria de o ler, por isso não demorei muito a comprá-lo.

Por muito que nos pareça alucinante que alguém consiga ter imaginação para tanta maldade, a verdade é que o autor se inspirou num conceito mexicano de raptos por troca.

A ideia do livro está muito interessante e fez-me lembrar aqueles e-mails corrente que estavam na moda aqui há uns anos e que prometiam verdadeiras desgraças a quem não os reenviasse a um determinado número de contactos. No conceito de corrente deste livro, a desgraça acontece primeiro: o rapto de um filho.

Assim, tudo começou quando a filha de Rachel foi raptada. Foi-lhe dito que, para a reaver, teria de pagar um resgate e raptar outra criança. Apenas quando os pais dessa segunda criança raptassem uma terceira é que a filha de Rachel seria devolvida. Isto fazia com que as ações de um único membro da corrente tivessem influência nos outros e pusessem em risco a vida de outras crianças e famílias.

[Fotografia da minha autoria]

Acredito que esta história consiga mexer verdadeiramente com os nervos de quem tem filhos, principalmente crianças pequenas. Eu não tenho filhos, por isso só posso limitar-me a tentar imaginar o que será esse sentimento inexplicável de se fazer tudo por um filho. Segundo os cérebros por detrás da corrente, não se podia raptar um cônjuge ou outro membro da família porque não podemos ter a certeza de que alguém vá fazer tudo por um marido ou um irmão... mas, no que toca a filhos, as pessoas fazem o inimaginável.

Senti alguma estranheza inicial na leitura. Só após bastantes páginas lidas é que percebi porquê. A narrativa está construída com os verbos no presente ("Ela está sentada na paragem de autocarro...", "O carro avança com rapidez...", "Olha para a grande caixa de cartão."). É possível que esta forma de narrar tenha sido propositada, dado que ficamos com a sensação de que tudo está a acontecer neste preciso momento e isso torna a leitura muito mais empolgante.

O livro é de leitura compulsiva, isso não posso negar. A primeira parte está incrível, o desespero da personagem, todo o funcionamento da corrente, o medo incutido nos participantes.
Por outro lado, a segunda parte é mais morna, mais previsível e confesso que achei demasiado fácil a forma como eles encontram os responsáveis por tudo isto. Mesmo assim, apesar de o ritmo se quebrar um pouco, continuamos agarrados e desejosos de descobrir como tudo termina.

Já sentia saudades de um livro como este, que não me desse descanso, cheio de tensão e adrenalina e que acabei por devorar em poucos dias.
Uma leitura que recomendo a todos os apreciadores de thrillers!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 13 de abril de 2020

"Não Fujas Mais" de Harlan Coben [Opinião]



«O regresso do rei dos thrillers de grande suspense. Uma leitura que justifica ter o seu telemóvel desligado.»
Closer

Passei umas semanas um pouco desmotivada com a leitura e, para tentar animar-me, agarrei-me ao mais recente thriller de Harlan Coben, publicado em Portugal no início deste ano. Harlan Coben é um autor seguro. É aquele escritor que não deixo de admirar e que consegue agarrar-me à ação e às reviravoltas que imprime nos seus enredos.

Não Fujas Mais conta-nos a história de Simon Greene, um pai desesperado em busca da sua filha. Paige já não é a menina de quem ele se lembra. É uma mulher à beira do abismo, agarrada às drogas e a um namorado abusivo. Para Simon, só há uma coisa que ele pode fazer: percorrer o mundo em busca dela, não interessando se esse caminho é negro e perigoso.

Tenho de confessar que, embora tenha adorado o capítulo inicial (que é sempre fulcral para prender a atenção do leitor), tive alguma dificuldade em prosseguir nos capítulos seguintes, devido à desmotivação que me assolava. Contudo, após alguma insistência, a curiosidade intensificou-se e a história começou realmente a agarrar-me.

[Fotografia da minha autoria]

Há várias razões pelas quais eu admiro este autor. Uma delas é o humor e o sarcasmo que estão sempre presentes nos seus thrillers. Encontrei algumas personagens já familiares, nomeadamente o detetive Nap Dumas, protagonista do anterior romance do autor - Não Desistas.

Tal como acontece em todos os seus trabalhos, também aqui Simon terá de investigar o passado, de forma a descobrir o que fez a sua filha mudar e enveredar por um caminho tão perigoso. Assim, o autor conduz-nos habilmente por uma jornada em busca dos segredos do passado, passado esse que nunca fica enterrado.

Este livro aborda temas muito interessantes, tais como a genética, os testes de ADN, os cultos religiosos e a forma como estes se tornam perigosos para aqueles que acreditam cegamente.

Este foi o 15º thriller que li do autor e, apesar de não ter sido um dos preferidos, creio que conseguiu empolgar-me e devolver-me alguma da motivação para a leitura. Gostei especialmente do final e de conhecer a verdadeira identidade de uma personagem.
Não posso deixar de recomendar este livro aos fãs de thrillers e a quem procura ação, adrenalina e imensas reviravoltas.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 26 de outubro de 2019

"Não Desistas" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é aquele autor que consegue pôr-me a ler quando passo semanas desanimada com os livros e sem vontade de olhar para letras.

Este é o seu mais recente thriller traduzido para português, comprei-o no início do mês e não esteve sequer dez dias na estante antes de me apetecer pegar nele. Aliás, foi o próprio livro que chamou por mim. Nunca tiveram a sensação de que, por vezes, não são vocês que escolhem os livros, mas sim eles que vos escolhem a vós?

E foi assim que eu mergulhei nesta empolgante história e consegui vencer a apatia literária que me andava a consumir.

Neste thriller, conhecemos Nap Dumas, um detetive de Nova Jérsia que, no final da adolescência, perdeu o irmão gémeo. Ao mesmo tempo, a sua namorada Maura também desapareceu sem qualquer explicação. Passaram-se 15 anos, mas Nap nunca deixou de procurar Maura nem de tentar perceber por que morreu o seu irmão. Agora irá finalmente descobrir a verdade...

[Fotografia da minha autoria]

Este livro inicia-se com um prólogo cativante, escrito em terceira pessoa. Posteriormente, todo o restante livro é narrado em primeira pessoa, na voz de Nap, dirigindo-se ao irmão que perdeu, Leo. É como se o livro fosse uma grande carta ao irmão.

O autor tem uma mão de mestre em conduzir-nos pelo meio de toda a investigação, dos segredos, das descobertas e de intermináveis reviravoltas. E há sempre a viagem ao passado, típica de todos os livros do autor. Todas as suas histórias se baseiam em acontecimentos que marcaram o passado das personagens.

Gostei imenso de Nap e da sua personalidade. Por vezes é um pouco bruto, mas tem o coração bondoso e, claro, ainda sofre com a perda do irmão e da mulher que amava. Gosto muito da sensibilidade que o autor tem para abordar os temas da perda e da saudade.

Pelo meio do livro, ainda encontramos Myron Bolitar, uma personagem que tem toda uma série de livros só sua, e a investigadora Loren Muse, que já apareceu noutros romances do autor.

Em conclusão, se procuram um livro empolgante para devorar em duas tardes, este é uma ótima escolha. É já o 14º thriller que leio do autor, por isso já podem ter uma ideia do quanto o aprecio como escritor.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Invasão de Privacidade" de Harlan Coben [Opinião]


Harlan Coben é outro daqueles autores seguros em cujos livros pego quando estou indecisa relativamente ao que ler a seguir. Este foi já o 13º thriller que li do autor!

Invasão de Privacidade dá-nos a conhecer Mike e Tia Baye, um casal que se sente tentado a invadir a privacidade do filho adolescente, uma vez que este tem demonstrado um comportamento distante e irreconhecível desde o suicídio do seu melhor amigo. Assim, instalam um programa no computador de Adam para vigiar todos os seus passos. Mas será que estariam preparados para o que iriam encontrar?

Tenho de admitir que o forte de Harlan Coben não são as personagens, mas sim os enredos inteligentemente arquitetados e repletos de reviravoltas inesperadas.
Nos seus livros, não vamos encontrar daquelas personagens memoráveis e que nos ficam no coração por muito tempo. Claro que isto poderá ser uma desvantagem para aqueles leitores que procuram personagens com as quais se possam identificar emocionalmente.

Certa vez li uma entrevista do autor, em que ele explicava que procurava sempre criar personagens comuns, iguais a qualquer um de nós, e iniciava os seus livros com um acontecimento que poderia facilmente acontecer na realidade.

[Fotografia da minha autoria]

A adolescência é um período complicado tanto para os pais como para os próprios adolescentes. Há certamente conflitos em todas as famílias. Desta forma, quantos pais não tentam vigiar os filhos mais de perto? Quantos pais não desejam saber em mais pormenor o que os filhos andam a fazer? Será legítimo invadir desta forma a sua privacidade se acharmos que os estamos a proteger?

Esta é a temática principal que é abordada neste livro, no meio de uma narrativa repleta de ação e reviravoltas.
Isto é o que eu mais gosto nos livros do autor. Não tanto se as personagens me vão ficar na memória, mas sim de toda a adrenalina que os seus livros me provocam. São quase todos de leitura compulsiva e muitas vezes é mesmo de um livro assim que precisamos, que nos distraia e nos ofereça uma história realmente dinâmica.

Já sabem que sou fã do autor e, portanto, os livros dele estão mais que recomendados para os fãs de thrillers!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 6 de junho de 2019

"Traz-me de Volta" de B. A. Paris [Opinião]


Traz-me de Volta é o terceiro livro de B. A. Paris, autora que fez bastante sucesso com o seu romance Ao Fechar a Porta e me cativou completamente desde esse momento.
O seu segundo livro, À Beira do Colapso, não foi tão intenso como o primeiro, contudo, continuei com grandes expectativas assim que este foi publicado.

Antes de mais, deixo-vos um aviso: não leiam os agradecimentos da autora, uma vez que há lá uma frase que contém um pequeno spoiler que poderá fazer-vos adivinhar o final do livro e estragar-vos o prazer da leitura. Não sejam curiosos como eu!

A narrativa centra-se em Finn, um jovem cuja namorada, Layla, desapareceu. Passados 12 anos sem qualquer pista, Finn refez a sua vida e está prestes a casar com Ellen, irmã de Layla. No entanto, quando surgem pistas de que Layla poderá afinal estar viva, a vida de Finn é virada do avesso e ele é obrigado a confrontar os acontecimentos do seu passado.

Ao contrário dos livros anteriores, que foram escritos sob a perspetiva da protagonista feminina, desta vez a autora conta-nos a história através da visão de Finn, embora, a partir de uma determinada fase da narrativa, vá alternando com alguns capítulos que nos dão a perspetiva de Layla.
A narrativa alterna-se também entre o passado e o presente, o que nos permite conhecer melhor como toda a história se desenrolou. Admito que gosto imenso de encontrar estes saltos temporais nos livros, pois acredito que as histórias se tornam muito mais dinâmicas.


[Fotografia da minha autoria]

Este livro revelou-se um verdadeiro page-turner; li-o precisamente num momento em que os livros não me estavam a cativar e este veio dar-me ânimo. Ou, mais concretamente, fez-me ler como uma tola pela noite dentro. E quando um livro consegue distrair-me desta forma, permitindo-me ler compulsivamente, só por isso já merece pontos!

A narrativa apresenta alguns momentos de grande tensão. Ao mesmo tempo que Finn começa a receber uns e-mails estranhos, encontra também objetos simbólicos relacionados com Layla. Estes acontecimentos instalam um clima de desconfiança nas nossas personagens e isso acaba por passar também para o leitor.
Outro aspeto que adorei neste livro foi o facto da autora me conseguir fazer duvidar de todas as personagens.

Gostei bastante do final que não se mostrou totalmente inesperado para mim, uma vez que há uma frase nos agradecimentos da autora que me fez desconfiar do rumo que esta história levaria. Mesmo assim, não deixei de me sentir surpreendida com as últimas páginas.

Não posso dizer que este livro seja tão bom como o Ao Fechar a Porta, embora a comparação seja inevitável. Uma palavra que o caracteriza na perfeição é viciante; o livro é mesmo muito viciante e lê-se quase de uma assentada. Se apreciam thrillers psicológicos, não deixem de experimentar este livro!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 20 de outubro de 2018

"À Beira do Colapso" de B. A. Paris [Opinião]


Depois do grande sucesso do seu primeiro livro, Ao Fechar a Porta, B. A. Paris regressa com um novo título bem chamativo. Mal soube da sua publicação em Portugal, não resisti a comprá-lo de imediato.

Numa noite de tempestade, Cass vê uma mulher dentro de um carro estacionado no bosque. No dia seguinte, descobre que essa mulher foi assassinada e que ela nada fez para a ajudar. Agora, atormentada pela culpa, Cass vai viver momentos bem difíceis...

Gostei imenso da forma como a autora construiu a Cass. A história é toda contada na perspectiva dela e por isso temos acesso a todas as suas preocupações, aflições e ao sentimento de culpa que a consome à medida que o tempo passa.
A par disso, ficamos a saber que a mãe dela teve demência e morreu muito jovem. Cass tem medo de vir a sofrer da mesma doença que a mãe e, de facto, o seu receio aumenta quando ela começa a esquecer-se das coisas mais básicas.

Este foi um dos aspetos que considerei mais interessantes no livro. Não é uma personagem em quem possamos facilmente confiar tendo em conta que a vemos fazer determinada coisa e, mais tarde, percebemos que aconteceu algo diferente e ela esqueceu-se. É difícil acreditar nela perante tantas incongruências.

[Fotografia da minha autoria]

O mistério deste livro não é tão surpreendente como o do anterior mas, para mim, manteve-se viciante desde o início. Não cheguei a suspeitar do final, o que tornou a leitura ainda mais atrativa para mim, no entanto, quando tudo foi revelado, percebi que até não era nada de extraordinário. Ou seja, com uma ideia aparentemente simples, a autora conseguiu estruturar o livro de forma bem interessante.

É possível que alguns leitores descubram rapidamente o final e o achem muito óbvio, daí que muitas opiniões considerem que este livro não é tão bom como o anterior. De facto, é muito difícil a autora conseguir igualar o seu romance de estreia.

Apesar de tudo, é um excelente thriller psicológico que não deixo de recomendar, quer conheçam ou não o trabalho anterior da autora. Espero que gostem!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Sorrisos Quebrados" de Sofia Silva [Opinião]


Foram várias as razões que me levaram a adquirir este livro logo após o seu lançamento: primeira, acho importante apoiar o trabalho dos autores nacionais; segunda, Sofia Silva conquistou os leitores brasileiros e teve mais de um milhão de leituras no Wattpad; e por fim, o livro foi publicado em Portugal pela Editorial Presença, uma editora que geralmente nos costuma trazer livros de qualidade.

Infelizmente, não encontrei qualidade neste livro e é por isso que esta opinião está a ser bastante difícil de escrever.
Confesso que me apaixonei pela capa do livro, que é uma das mais maravilhosas que já vi.
As minhas expectativas eram elevadas e iniciei a leitura poucos dias depois de ter recebido o livro em casa.

Sorrisos Quebrados apresenta-nos Paola, uma mulher fragilizada pela violência que sofreu no passado às mãos do homem que amava. Mas Paola decide viver e será no mais improvável dos lugares que irá descobrir que é possível voltar a amar.

O prólogo do livro está bastante bem conseguido, na medida em que prende de imediato o leitor. São páginas de grande violência, aflitivas e arrepiantes.

Logo desde o início nota-se que a escrita da autora é bastante simples, mas a mim pareceu-me simples de mais e pouco caprichada. Encontrei várias frases com problemas de sintaxe e que não teriam perdido se fossem melhoradas ou modificadas. Encontrei palavras escritas em português do Brasil, o que me fez acreditar que este livro não teve uma correta revisão por parte da editora.

Os diálogos foram o aspeto que mais me fez confusão neste livro. Estão repletos de metáforas, são forçados, demasiado ensaiados e não consigo sequer imaginá-los como reais. Nem sequer imagino pessoas a falar assim na vida real, muito menos em livros.
Contudo, é através de muitos desses diálogos que a autora passa a mensagem do livro, uma mensagem de força e de que é possível superar as dificuldades. Esta é uma mensagem muito importante, e que certamente resultaria com diálogos diferentes.

As intervenções da Sol e as interações que as personagens têm com ela, por sua vez, pareceram-me bem mais reais. A Sol é uma criança amorosa e encantadora, que trouxe luz e alma a este livro. Notou-se o carinho com que a autora construiu esta personagem pois também a escrita, nesses momentos, era muito carinhosa.

O romance está escrito na primeira pessoa e vai alternando entre a perspetiva de Paola e a de André. O que senti, por diversas vezes, foi que nos eram dadas mais informações do que aquelas a que a primeira pessoa teria acesso. Era como se o narrador quisesse aproveitar as observações e pensamentos de determinada personagem e introduzir informações acerca daquilo que a rodeava.

Um outro aspeto que falhou neste livro foi o contar vs. mostrar. Este romance foi quase todo contado ao leitor, quando devia ter sido mostrado. O que é que acham que cativa mais um leitor: uma personagem contar a outra como sofreu com o seu passado ou o leitor ser levado ao passado para ver com os próprios olhos o sofrimento que ela vivenciou?
Este é um dos aspetos mais importantes numa narrativa e que faz a diferença entre o leitor sentir empatia pelas personagens ou não se preocupar minimamente com elas.

O que aconteceu comigo foi que não me consegui prender nem à Paola nem ao André. Não senti aquela química entre eles nem o crescer dos sentimentos e acho que a Paola se deixou envolver muito depressa, tendo em conta o estado fragilizado em que se encontrava.
As partes eróticas foram uma surpresa. Claro que esperava encontrar romance, mas houve momentos em que desesperei porque havia demasiadas cenas quentes para um livro tão pequeno.

Em suma, sinto-me defraudada. Estou triste por não ter apreciado este livro tanto como gostaria e por não ter sido capaz de perceber o que tem de tão especial, além da mensagem de força.
Sinto que fui enganada pela publicidade e estou arrependida de o ter comprado.
Não vou desaconselhar a sua leitura. Acho que devem lê-lo e formular a vossa própria avaliação. Talvez consigam encontrar nele o encanto que eu não encontrei.

Não sei se tenho curiosidade em conhecer as outras histórias desta série. Talvez dê outra oportunidade a um futuro livro da autora se o conseguir emprestado, mas certamente não voltarei a comprar.

Classificação: 2/5 estrelas

segunda-feira, 9 de abril de 2018

"Falta de Provas" de Harlan Coben [Opinião]


E eu lá continuo na companhia do meu querido Harlan Coben. Como ia fazer uma viagem longa de autocarro, não hesitei em levar comigo um livro dele para me manter desperta em vez de dormitar durante a viagem.

Esta história inicia-se com um telefonema que tem tudo para destruir a vida de Dan Mercer, o alvo mais recente de Wendy Tynes, uma jornalista que desmascara predadores sexuais no seu programa de televisão. Dan é acusado de estar envolvido no desaparecimento de Haley McWaid, uma adolescente que nunca se mete em sarilhos.
Contudo, o instinto de Wendy diz-lhe que algo não bate certo neste caso. E se tiver denunciado o homem errado?

Ao contrário do seu último thriller - Sinto a Tua Falta - que não me cativou da forma que esperava, este agarrou-me desde as primeiras páginas. Começou tudo a acontecer muito depressa e a minha curiosidade levou-me a ler página atrás de página, a um ritmo vertiginoso.

À medida que Wendy procura investigar o passado de Dan e perceber se ele estará efetivamente envolvido no desaparecimento de Haley, vê-se no meio de uma teia de escândalos que remotam ao passado.

O passado é um tema recorrente nos thrillers de Harlan Coben. Penso até que está presente em todos os seus livros, pelo menos em todos os que já tive o prazer de ler. O passado nunca fica quieto, antes pelo contrário, arranja sempre uma forma de voltar a assombrar a nossa vida, passe o tempo que passar.

Esta é uma história que aborda temas como a perda e o luto, o papel dos pais na educação dos seus filhos, o alcoolismo na adolescência, o sensacionalismo televisivo e a justiça pelas próprias mãos. É também uma história sobre o perdão e a importância de sabermos perdoar os outros e a nós próprios.

Harlan Coben não deixa de me surpreender com a sua mestria, com a forma como surpreende e agarra o leitor, como une de forma excelente todas as peças do puzzle.
Uma leitura recomendada a quem apreciar thrillers de ação rápida e reviravoltas surpreendentes!

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

"Sinto a Tua Falta" de Harlan Coben [Opinião]


É com grande orgulho que anuncio que este é já o 10º livro que leio do autor americano Harlan Coben. É um dos meus autores preferidos da atualidade e, sem dúvida, aquele que mais gosto dentro do género thriller.

Sinto a Tua Falta acompanha a história de Kat Donovan, uma mulher marcada pelos acontecimentos do seu passado: foi abandonada pelo noivo e o seu pai foi assassinado.
Passados 18 anos, esses acontecimentos ainda a assombram. O homem condenado pelo assassinato do pai está prestes a morrer e Kat duvida da sua culpa. Ao mesmo tempo, quando observa os perfis de um site de encontros amorosos, depara-se com a fotografia do noivo que a abandonou.

É assim que se inicia uma investigação que vai envolver Kat numa conspiração terrível. Embora esteja disposta a fazer tudo para descobrir a verdade, Kat pode não estar preparada para remexer no passado.

(adoro o contraste do preto e do vermelho na capa)

Este talvez não tenha sido o livro do autor que mais me cativou e me fez virar páginas, porém confesso que tenho andado cansada e com pouca disposição para leituras, e talvez isso tenha influenciado.

O enredo é cativante e a escrita muito dinâmica, como Coben já nos habituou. Há uma procura por segredos que não permaneceram enterrados no passado e, enquanto vasculha, Kat vai ver-se rodeada de problemas.

Paralelamente, existe uma rede criminosa que opera através da Internet e que acabará por se atravessar no caminho da personagem principal.

O final é extremamente bom, contado na perspetiva de várias personagens, o que aumenta no leitor a sede de desvendar tudo. Houve uma cena particularmente violenta que me deixou boquiaberta e, em simultâneo, enojada, de tão bem descrita que estava.

E, tal como também é hábito neste autor, quando pensamos que a história terminou e suspiramos de alívio, eis que surge mais uma reviravolta mesmo no final do último capítulo. Para mim, esta já não foi surpresa, pois já tinha pensado nessa possibilidade, mas apreciei a explicação.

Em suma, parece-me uma excelente escolha para fãs de thrillers. Caso ainda não conheçam o autor, experimentem!

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

"A Escada de Corda" de Nigel Richardson [Opinião]


Comprei este livro numa promoção principalmente porque a sinopse me pareceu interessante. O livro prometia um "romance surpreendente que mistura na perfeição fantástico, ficção-científica, thriller psicológico e universos paralelos". Fiquei curiosa por o livro conter a temática dos universos paralelos.

A história centra-se em Mungo, um adolescente de quinze anos que vive em Londres com os pai. Um dia, quando o pai morre, Mungo e a mãe ficam numa situação financeira difícil e têm de se mudar para o campo. Mas Mungo detesta o campo. E sozinho, sem o pai, sem os amigos, sente-se miserável.
Tudo muda no dia em que conhece outro rapaz chamado Mungo e que é semelhante a si em tudo. Quem será ele? E o que quer: ajudá-lo ou aumentar o caos em que a sua vida de tornou?

Este é um livro de leitura leve e bastante apropriado para o público juvenil. Tem bastante humor, ajudou-me a descontrair, embora não me tenha cativado completamente.

Achei as atitudes de Mungo um bocadinho infantis para a idade, mesmo tendo em conta que era um jovem que estava com dificuldades em aceitar a morte do pai e que detestava viver no campo.

A chegada do outro Mungo trouxe mais surpresas, acontecimentos estranhos e que foram despertando a minha curiosidade. A temática dos universos paralelos está, de facto, presente, e deixou-me com vontade de mais. Apesar de tudo, é uma história que nos faz pensar nos "ses", nas escolhas que fazemos para a nossa vida e como ela poderia ser diferente se tivéssemos escolhido outro caminho.

Gostei, foi uma leitura que deu para entreter e que recomendo ao público mais jovem.

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

"Ao Fechar a Porta" de B. A. Paris [Opinião]


Ouvi tantas coisas boas acerca deste livro que a minha curiosidade ficou espicaçada e tentei adquiri-lo assim que me foi possível.

Este é um daqueles livros que se lê de uma assentada. Eu não o fiz, mas vontade não me faltou. Ainda assim, despachei-o em três ou quatro noites.

A história inicia-se com um jantar de convívio entre amigos, onde ficamos a conhecer Jack e Grace, um casal aparentemente perfeito. Mas neste livro nada é o que parece. Ao fim de poucas páginas, o leitor começa a aperceber-se de que algo não está bem e rapidamente entra no horror que é a vida de Grace.

A história alterna entre presente e passado, sempre contada na voz de Grace. Vamos conhecendo como Jack e Grace se conheceram, como foi o início do casamento de ambos e como pretendiam tomar conta de Millie, irmã de Grace e portadora de Síndrome de Down.
Milli teve um papel muito importante nesta história e sempre foi quem deu força e esperança a Grace. Gostei imenso de ver como elas se davam tão bem e como Grace era maternal para com a irmã.

Este livro não é gráfico, não há cenas violentas de sangue nem mutilação de cadáveres. O terror é todo psicológico, e consegue ser tão ou mais perturbador quanto a violência física.

É um livro que não dá descanso ao leitor. Não há momentos parados, não há tempo para pausas. Assim que começa a ganhar intensidade, mantém-se intenso até à última página, impossível de largar.

Durante a leitura, senti-me entusiasmada, surpreendida, repugnada e até aterrorizada com a violência que Grace estava a sofrer. Torci durante todo o tempo para que ela se conseguisse soltar, embora fosse difícil imaginar como.

O final está muito bom e deixou-me com um sorriso um nadinha perverso. Aliás, tudo neste livro está perfeito, adorei mesmo e recomendo absolutamente a sua leitura. Foi, sem dúvida, uma das minhas melhores leituras de 2017.

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

"Estrada Vermelha, Estrada de Sangue" de Moira Young [Opinião]


Já andava com saudades de ler algo do género distopia, um género que me agrada imenso. Na verdade, adoro tudo o que seja futurista e, quanto mais criativo, melhor.

Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é o romance de estreia de Moira Young e passa-se num período pós-apocalíptico e muito violento. Saba é uma jovem que sempre viveu numa zona inóspita e deserta. A sua vida muda quando uma tempestade de areia traz consigo um bando de criminosos, que lhe matam o pai e raptam Lugh, o irmão gémeo que tanto adora. Sozinha com a irmã mais nova, Saba parte numa perigosa viagem, em busca do irmão.

O primeiro aspeto que chama a atenção neste livro é o estilo de escrita, com a ausência de pontuação nos diálogos e uma linguagem estranha, quase com erros ortográficos e como se estivéssemos na presença de pessoas sem escolaridade.
No início, estranha-se um pouco, contudo, ao fim de quarenta páginas, já conseguia ler de forma totalmente fluida. À medida que ia conhecendo este mundo, fui percebendo que esta forma de falar é característica das personagens, que vivem num mundo destruído, com grandes áreas desertas e onde os livros e saber ler é considerado algo "antigo". Além disso, as personagens têm uma espécie de sotaque que só é percetível na edição inglesa, na nossa tradução perdeu-se esse pormenor.
A falta de pontuação dos diálogos, embora pareça confusa no início, não perturba em nada a leitura.

A narrativa está bem estruturada e conduz o leitor numa viagem por um mundo violento. A ação é constante, está sempre alguma coisa a acontecer, pelo que este é um livro extremamente empolgante e de leitura compulsiva.

Apesar da autora não explicar como é que o mundo chegou a este estado, toda a história é bastante original e rica em criatividade. As minhas partes preferidas, que me deixaram mesmo agarrada ao livro, foram as cenas passadas na jaula, as lutas e a fuga; assim como a grande luta com os vermes no enorme lago seco.

Há personagens cativantes e outras que nos provocam ira e nojo. Gostei da coragem de Saba, embora achasse que ela andava irritada o tempo todo; adorei o Jack e gostei ainda mais da evolução da relação de Saba com a irmã.

No geral, foi uma leitura extremamente positiva, e só não atribuo 5 estrelas porque não gostei do vilão, achei-o demasiado louco, estúpido e não me convenceu.

Tenho pena que os volumes seguintes da série não estejam publicados em Portugal, pois adoraria poder ler a continuação. Infelizmente, quando determinado livro não vende tanto, as editoras desistem de publicar a restante série, para tristeza dos leitores que apreciaram o início da história.

Se gostam de ficção científica e distopias, não percam a oportunidade de ler este livro. Tenho a certeza de que se vão sentir  cativados do início ao fim.

Classificação: 4/5 estrelas