Mostrar mensagens com a etiqueta João Ventura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Ventura. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

"Tudo Isto Existe" de João Ventura [Opinião]


Tudo Isto Existe é uma coletânea de ficção curta de João Ventura. O livro foi apresentado no passado mês de outubro, durante o evento Fórum Fantástico.

A capa da autoria de Inês Pedro Borges é cativante e desperta o olhar. A edição interior do livro é igualmente simples e bem organizada, convidando o leitor a perder-se por entre estas páginas.

Tal como foi mencionado na sessão de lançamento, este livro pode comparar-se a uma refeição requintada.
A primeira parte apresenta-nos alguns contos muito curtos, que seriam as entradas, que pretendem começar por familiarizar o leitor com a escrita cuidada e, muitas vezes humorística, do autor. Aqui, destaco como meus preferidos: "As vírgulas perdidas de Saramago" e "A Guerra das Cores".

Seguidamente, na nossa analogia, surgem os pratos principais, um conjuntos de contos mais longos, que se estendem desde a fantasia à ficção científica. Posso destacar "A tertúlia dos que não viajam", "A Lagoa" e, o meu preferido de todos, "Leituras", que nos apresenta um mundo futurista onde os livros em papel são raros.


Por fim, encontramos as Fábulas Académicas - contos que podem ter sido inspirados na carreira académica do autor - e ainda as Hiper-curtas - pequenas ideias com sentido que culminam numa leitura leve e de grande satisfação.

Tive oportunidade de ler este livro antes de estar publicado e, mais tarde, já em papel, e das duas vezes me senti cativada pela escrita, imaginação e criatividade do autor. Alguns dos contos serão certamente do agrado dos fãs mais acérrimos de ficção científica.

Podem ainda encontrar um conto do autor na antologia O Resto é Paisagem.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Antologia | "O Resto é Paisagem" de Vários Autores [Opinião]


Já aqui vos tinha apresentado a Antologia de Fantasia Rural O Resto é Paisagem, na qual tive o prazer de ver um conto de minha autoria ser publicado. Foi uma satisfação enorme estar no meio de tantos autores, alguns com bastante mais experiência do que eu em escrita.

Li todos os outros contos e, como leitora, também formei uma opinião de todos eles e fiquei com os meus preferidos.
Partilho então aqui a minha opinião a cada um dos contos desta Antologia, excetuando o meu, cuja opinião deixarei para os leitores!

"Rogos e Mitos" de Inês Montenegro (4*)
Um conto que aborda a temática dos incêndios e da devastação que ele causa às populações e aos locais por onde passa. A autora utiliza uma linguagem que aproxima o leitor do ambiente e das gentes da aldeia. Desta forma, sentimo-nos próximos, como se estivéssemos mesmo lá a assistir aos acontecimentos e à angústia sentida pelas pessoas neste momento de aflição indescritível. O final maquiavélico, e onde encontramos o elemento de fantasia, deixou-me com um sorriso perverso nos lábios. Gostei muito!

"O Prego no Portão" de João Ventura (4*)
Três amigos, estudantes de Direito, vão passar uns dias à aldeia onde vivem os avós de um deles. Durante as pausas ao estudo, aproveitam para conhecer a aldeia e algumas histórias populares que correm de boca em boca. Uma delas é a história do Prego no Portão, um acontecimento trágico que aconteceu, anos antes, na aldeia.
Gostei do conto, João Ventura é um bom contador de histórias e senti-me cativada desde o início. Contudo, esperava algo um bocadinho mais assustador, tendo em conta a temática que o autor introduziu. Senti, também, que o final foi um pouco abrupto, tendo-me deixado com vontade de mais.

"O Poço" de Simão Cortês (5*)
Esta narrativa super cativante dá-nos a conhecer Marta, uma pré-adolescente que se considera uma colecionadora de histórias do paranormal, na Pampilhosa da Serra. Corajosa e aventureira, não tem medo da noite e adora os mistérios e as criaturas que ela esconde. Quando o seu amigo Cláudio é encontrado morto, num poço abandonado, Marta decide que tem de investigar. Mas será que está preparada para o horror que irá encontrar?
Um conto assustador, capaz de nos provocar um arrepio na espinha, e que não consegui parar de ler até à última palavra. Bem escrito e com descrições muito bem conseguidas, este conto é uma delícia para os amantes de terror. Preciso de ler mais trabalhos deste autor! Um dos meus contos preferidos da antologia.

"O Espírito do Vento" de Lívia Borges (4*)
Roberto é o filho do moleiro. Vive na ilha de Porto Santo, gosta de números e ambiciona por uma vida melhor que não inclua trabalhar num moinho. Um dia, com um amigo, descobre uma misteriosa caixa, que guarda consigo, na esperança de ser capaz de descobrir o que ela esconde. Contudo, só muitos anos mais tarde é que o segredo será revelado ao neto de Roberto.
Gostei particularmente da escrita da autora, convidativa e agradável, e que mantém o interesse do leitor até ao final. Achei, contudo, alguns dos últimos diálogos pouco naturais em pessoas adultas, mas talvez tenha apenas sentido a falta de algumas descrições dos comportamentos e sentimentos das personagens ao longo das falas. Vale a pena ler!


"A Última Missa" de Raquel Cal (3*)
O Padre Figueiroa chega a uma nova paróquia e, enquanto se instala, começa a aperceber-se de coisas cada vez mais estranhas que acontecem naquela igreja.
Confesso que, quando, nas primeiras linhas, percebi que a personagem deste conto seria um padre, o meu pensamento resvalou de imediato para exorcismos. Porém, não foi esse o tema escolhido pela autora. Posso dizer que o conto tem algum suspense que mantém o leitor preso a cada palavra, ansioso por descobrir a razão daqueles estranhos acontecimentos. Senti necessidade de mais algumas explicações e o final acabou por não ter o impacto que eu desejava, talvez porque estivesse a imaginar algo diferente. Apesar de tudo, é uma agradável leitura!

"Chegou ao seu Destino" de Rui Ramos (3*)
Estranho. Esta é a palavra que define a minha primeira sensação com este conto. Um homem perdido no meio de uma estrada, com o telemóvel e o automóvel avariados. Por momentos, tive medo que o autor entrasse nalgum sítio comum, mas acabei por ser surpreendida. Após ultrapassar a antipatia inicial que senti pelo personagem, acabei por ficar muito curiosa e agradada com a criatividade do autor. Acompanhamos o personagem numa viagem repleta de perigos e de criaturas fantásticas, até ao seu derradeiro destino. Será que conseguirá lá chegar? Vale a pena descobrir!

"Já Não se Pode Ter um Bixo" de Carlos Alberto Espergueiro (3*)
Este é o conto mais pequeno da antologia. E é pela voz do Sr. Salustiano Casimiro que ficamos a conhecer uns estranhos bixos que ele encontra num estranho buraco no chão. Quem serão eles? E de onde virão? Um conto extremamente bem-humorado que nos apresenta um personagem sem papas na língua. Só fiquei com pena por o conto ser tão curto; queria ler mais! Recomendo!

"A Solidão é um Deus Negro" de Ricardo Correia (5*)
Cecília deixou de sorrir no dia em que perdeu o seu amado, Manuel, doze anos antes. Mas Cecília deixou também de sentir o que quer que fosse dentro do seu peito e o seu luto deu origem a um buraco negro, um vazio que se estendia a toda a aldeia.
Achei este conto muito interessante e precisei de o ler mais de uma vez para ser capaz de fazer a minha interpretação. Devo dizer que a escrita é belíssima e merece que cada palavra seja saboreada. Além disso, a narrativa está tão impregnada com a dor de Cecília que dá a sensação de que esse vazio se estende até ao leitor, causando-lhe um certo mal-estar durante a leitura. O autor recorre a uma peste, uma epidemia que nasceu com o sofrimento de Cecília e se estende pela população, dizimando toda a vida em seu redor, para nos mostrar o poder da solidão. É um conto que convida à reflexão, mostrando como a solidão e a depressão podem afetar todos à nossa volta e alertando para a importância de fazer o luto corretamente. Um conto para ler e reler!

"Anátema" de Pedro Nuno Galvão (3*)
Para mim, este foi um dos contos mais difíceis da antologia. Trata-se de um monólogo bastante ambicioso, resultante de uma conversa entre dois indivíduos que estão longe da cidade, mas o conto dá-nos apenas as falas de um deles, aquele que está há mais tempo a viver na natureza. Confesso que me provocou alguma estranheza e nem depois da segunda leitura o achei mais fácil de compreender. Não deixa de valer a pena a sua leitura, mas talvez seja um conto que não conquiste facilmente todo o tipo de leitores.

Por fim, nesta Antologia, podem ainda encontrar o meu conto - A Maldição da Casa da Colina - cuja opinião deixarei a cargo dos leitores. Espero sinceramente que seja uma leitura prazerosa!

Faço um balanço muito positivo da Antologia e volto a mencionar a importância de lermos autores portugueses, de apoiarmos as pequenas editoras e de darmos uma oportunidade ao talento que existe no nosso país.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A minha primeira Publicação [Divulgação]

Caros leitores, já não dá para guardar mais segredo!

Hoje foi divulgada pela Editorial Divergência a capa da Antologia de Fantasia Rural onde vai ser publicado um conto da minha autoria. Serão 10 contos de 10 autores portugueses. E que orgulho que sinto por estar no meio de alguns nomes com bastante mais experiência do que eu em escrita!

Digam lá se não está uma capa super artística!



Carlos Alberto Espergueiro, Daniela Maciel, Inês Montenegro, João Ventura, Lívia Borges, Pedro Galvão, Raquel Cal, Ricardo Correia, Rui Ramos e Simão Cortês são os autores desta antologia, coordenada por Luís Filipe Silva, cuja capa foi desenhada por Leonor Macedo e composta por Ricardo Santos.

Sinopse:

É certo e sabido que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem.

Entrar neste Portugal implica esvaziar o espírito, atravessar a barreira da compreensão, ir além do além.

Descobrir as histórias que se escondem entre as linhas das histórias banais.

Desconfiar que no olhar manso do gado se esconde um mal antigo e inteligente à espera do momento certo.

Descodificar a mensagem insistente, repetitiva e enlouquecedora dos grilos quando cai a noite.

Hesitar diante da cerca derrubada e aparentemente esquecida.

Tentar sempre, e antes de tudo, partir... se possível.

O Resto é Paisagem tem lançamento marcado para o Fórum Fantástico deste ano.
Mais novidades em breve.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

"Tudo Isto Existe" de João Ventura [Divulgação]

Tudo Isto Existe, de João Ventura, é uma das novas apostas que a Editorial Divergência tem para este ano.

Esta é a capa, desenhada e composta por Inês Pedro Borges


O lançamento decorrerá durante a edição de 2018 do Fórum Fantástico.

Sinopse:

Reunida pela primeira vez num mesmo volume impresso, uma selecção da melhor ficção curta de João Ventura. Cultuador de narrativas acutilantes na tradição de Jorge Luís Borges, Italo Calvino e Julio Cortázar, João Ventura usa a linguagem não apenas como um jogo, mas muitas vezes como personagem, ou mesmo alma, das suas narrativas. Provando que o bom senso raramente é comum, as histórias que cria são habitadas pelos nossos desejos e pecadilhos banais, tornados extraordinários. Não se esqueça que “Tudo isto existe”! E que, parafraseando o adágio, se há aqui algo que não é verdade, pelo menos foi muito bem inventado…

Sobre o autor:

JOÃO VENTURA foi desde muito cedo um leitor omnívoro, percorrendo no Verão a Biblioteca Municipal de Elvas, de onde é natural, à razão de um livro por dia (incluindo tijolos com 500 páginas).

O primeiro choque com o formato conto aconteceu-lhe com “Fuga” de John Steinbeck. Ainda hoje se lembra do sentimento de descoberta!

O primeiro livro de ficção científica que leu foi “O Cérebro de Donovan” (Curt Siodmak, nº 13 da Colecção Argonauta). Um conto de FC que o marcou foi “Flores para Algernon” (Daniel Keyes), incluído no mítico nº 100 da mesma colecção.

Chegou ao fantástico pela “Auto-estrada do Sul”, de Júlio Cortázar e visitando “As ruínas circulares” de Jorge Luís Borges. Encontrou Ítalo Calvino na adolescência, no “Atalho dos ninhos de aranha”, perdeu-o depois e reencontrou-o muito mais tarde em “As cidades invisíveis” e noutros livros. Continua devoto desta Fantástica Trindade.

Atribui a responsabilidade pelo contágio do vírus da escrita à Dra. Odete Taborda, sua professora de português no secundário, cujos TPCs incluíam sempre uma composição (mínimo 8 linhas) sobre um assunto qualquer de que ela se lembrava ao tocar da campainha. Cinco por semana durante um ano lectivo! Cada cura tem sido (felizmente) sempre seguida de uma recaída.

Não acredita em horóscopos.