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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"A Estranha Viagem do Senhor Daldry" de Marc Levy [Opinião]

Esta foi a minha estreia com Marc Levy, um autor do qual já tinha ouvido falar bastante bem e, devido a esta razão, peguei no livro com boas expectativas.

Quando li a sinopse com mais atenção, a minha curiosidade aumentou. A ideia do livro é interessante: Alice leva uma vida tranquila como criadora de perfumes, até que, durante um passeio a uma feira em Brighton, uma vidente prediz que ela terá de partir numa longa viagem, onde deverá encontrar as seis pessoas que a conduzirão ao seu destino.

Confesso que me custou um pouco a adaptar à escrita do autor que, embora tenha bastante humor nos diálogos entre as personagens, apresenta também algumas partes mais maçudas. Durante mais de meio livro, achei a leitura chata e com pouquíssima ação. Só nos últimos capítulos é que o meu interesse aumentou vivamente e acabei por ser surpreendida com os acontecimentos finais.

A narrativa decorre no ano de 1950, primeiramente em Londres e, mais tarde, em Istambul. Este foi um dos aspetos que mais me agradou: a oportunidade de visitar dois locais tão diferentes.
Outro aspeto de que gostei foi a grande ênfase dada ao sentido olfativo, visto que Alice é uma criadora de perfumes e, portanto, os cheiros desempenham um papel importante no seu dia-a-dia e até nas suas recordações.

Apesar deste livro e respetivas personagens não me terem cativado totalmente, posso dizer que a história apresenta um certo mistério e o final é bastante emotivo, bem como o passado de Alice. Irei procurar outros livros do autor e espero que surja algum que consiga conquistar-me.

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 28 de junho de 2014

"Senhor Monstro" de Dan Wells [Opinião]

Antes de mais, aconselho a que leiam primeiro Não sou um Serial Killer; estes livros pertencem a uma série e, embora o segundo volume faça sentido se for lido individualmente, também refere muitos acontecimentos do livro anterior que podem ser menos agradáveis para quem ainda não o leu.

Após os acontecimentos de Não sou um Serial Killer, a cidade de Clayton passa por um período tranquilo, sem mortes. O nosso já conhecido John Wayne Cleaver é que não anda tão tranquilo quanto isso: desde que provou o sabor da morte, a parte mais escura da sua personalidade, o seu demónio interior a que ele chama «Senhor Monstro», ameaça descontrolar-se e as consequências podem ser imprevisíveis.
Contudo, o desaparecimento do demónio que John matou atrai outro monstro a Clayton e as suas vítimas começam a aparecer em vários locais, levando John, mais uma vez, a tentar resolver o mistério.

Percebe-se que John está mais crescido, mais maduro e que continua a esforçar-se ao máximo para respeitar as suas regras de não fazer mal a ninguém.

O demónio assassino deste livro é ainda melhor do que o do livro anterior, pela sua capacidade de absorver as emoções das pessoas que o rodeiam, o que o torna mais perigoso mas também muito inconstante.

Dan Wells continua a presentear-nos com uma escrita apelativa e cativante, onde impera o humor negro. Este livro tanto nos faz dar boas gargalhadas como nos prende às suas páginas de olhos bem abertos e completamente viciados na leitura.

Recomendo vivamente esta leitura aos apreciadores de thrillers e suspense e mal posso esperar pelo momento de ler o terceiro e último volume da série, até porque o final deste livro deixou-me a implorar por mais!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 17 de junho de 2014

"O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares" de Ransom Riggs [Opinião]

Antes de mais, devo dizer que este livro tem um design espetacular: simultaneamente atraente e misterioso, desde as páginas que dividem os capítulos às diversas fotografias de estilo vintage presentes ao longo do livro.
Estas fotografias não foram colocadas ao acaso; elas inserem-se perfeitamente no decorrer da história, tornando-a mais viva e facilitando ao leitor a imaginação das personagens e dos acontecimentos.

Esta é a história de Jacob, um jovem de dezasseis anos que, após uma tragédia familiar, desloca-se a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde encontra as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.
Ao explorar a enorme casa abandonada, apercebe-se de que aquelas crianças, além de peculiares, podiam até ser perigosas. E, o mais surpreendente, é que elas podem ainda estar vivas...

Senti-me cativada logo desde o início da narrativa, não só devido à escrita do autor, como ao mistério que ele imprimiu em cada página. É impossível não sentir uma atmosfera sombria e, de certa forma, tensa, à medida que progredimos na leitura.

Adorei a mistura entre fantasia, sobrenatural e um toque de ficção científica, com a introdução das viagens no tempo, nomeadamente os vórtices temporais.

As personagens são ricas e credíveis e foi fantástico passar algumas horas na sua companhia, a conhecê-las.

Não achei que o livro fosse assustador ou provocasse medo, tal como o seu design mais dark pode sugerir, mas é, sem dúvida, extremamente empolgante e cuja leitura eu recomendo a quem aprecia suspense.

Espero que o próximo volume chegue rapidamente a Portugal, pois estou desejosa de ler a continuação desta história!

Classificação: 4/5 estrelas

domingo, 18 de agosto de 2013

"Não sou um Serial Killer" de Dan Wells [Opinião]

"Não sou um Serial Killer" é a primeira obra de Dan Wells e admito que me cativou desde o início, com a sua escrita simples e imensas passagens repletas de humor negro.

A história é contada na primeira pessoa por John Wayne Cleaver, um jovem de 15 anos bastante diferente dos outros miúdos da sua idade. Apesar de ser bem-comportado e muito tímido, é incapaz de sentir empatia e de compreender as pessoas que o rodeiam, apresentando alguns traços de sociopatia. Ele é um jovem potencialmente perigoso e está bem consciente das suas características invulgares, pelo que tenta a todo o custo impedir-se a si mesmo de matar.

Nos primeiros capítulos, compreendemos bem as regras que ele criou para se manter controlado. Mas estas regras vão ser postas à prova quando um assassino começa a aterrorizar a sua pacata vila.

Tal como já referi, a escrita do autor é muito apelativa, impelindo o leitor a não largar o livro, desejoso de saber o que vai acontecer a seguir. Dan Wells combinou ainda vários géneros, tais como o thriller, o mistério/crime e o sobrenatural.
Gostei igualmente que o autor tivesse incluído na história um psicólogo, que ajuda tanto o John como o leitor a compreender muitos dos seus comportamentos.

Existem mais dois livros que dão continuação a este e estou desejosa de ter oportunidade de os ler, de forma a conhecer o desenvolvimento desta história!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"Sangue Quente" de Isaac Marion [Opinião]

Sou uma fã assumida da série The Walking Dead, que trouxe novamente um grande destaque a estas criaturas, os zombies. Porém, a série centra-se mais na sobrevivência de um grupo de homens e mostra os zombies como criaturas esfomeadas, agressivas e violentas.

Isaac Marion pegou no mundo dos zombies e deu voz a um deles, permitindo-nos conhecer o seu ponto de vista. R é um jovem zombie em plena crise existencial: não sabe quem é, não tem memórias, só é capaz de pronunciar alguns monossílabos guturais, mas tem um grande desejo de compreender o mundo que o rodeia. Anseia por algo mais do que apenas devorar sangue quente.
Quando, durante um ataque, R devora o cérebro de Perry, um rapaz adolescente, fica com acesso às suas memórias. A partir desse momento, ele toma uma decisão invulgar e inesperada: proteger Julie, a namorada da sua vítima, e mantê-la a salvo dos outros zombies.

Achei muito interessante e original que o autor tenha criado uma história dando protagonismo a um zombie. No entanto, para mim, R é uma personagem pouco credível pois ainda me custa distanciar-me das imagens dos zombies violentos e sanguinários e imaginar um completamente diferente, com pensamentos, com desejos, com sentimentos. Parece-me demasiado fantasioso, e até caricato, que um zombie se possa apaixonar, mas este livro é mesmo isso, uma obra de fantasia.

Não quero com isto dizer que o livro não me agradou; antes pelo contrário. Estou sempre de mente aberta, pronta para ler novas temáticas e este foi o primeiro livro que eu li sobre zombies.

Logo desde o início, agradou-me imenso a escrita do autor; apesar de todos os pensamentos de R, o livro não se torna chato. Não me custou mesmo nada adaptar-me à narrativa do autor, que me pareceu muito madura.

Em suma, este livro aborda algumas questões muito interessantes, como a vida e a morte, a procura pela descoberta de si mesmo, a evolução e a aprendizagem de seres irracionais, a vontade de mudança e a esperança de reconstruir um mundo onde reina a morte.

Classificação: 3/5 estrelas