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sexta-feira, 2 de abril de 2021

"O Papagaio de Papel" de Marcelino Rodrigues [Opinião]


Tive a oportunidade de trabalhar com o Marcelino Rodrigues na revisão deste conto. Recordo-me de lhe ter dedicado várias horas e de não ter sido um trabalho nada aborrecido, pelo contrário, embora precisasse de olhar para cada palavra e cada frase com uma atenção redobrada, senti aquela excitação de querer ler a história toda de uma só vez para descobrir como terminaria.

Fiquei sensibilizada quando o autor desejou oferecer-me um exemplar de O Papagaio de Papel na sua versão final. Esta edição de capa dura, com ilustrações a cores, está apelativa e cativante, um trabalho muito bem conseguido e no qual se nota o cuidado do autor e o esforço que dedicou a este projeto.

O Papagaio de Papel é um conto para adultos. Certamente esta capa será cativante para crianças, mas deixo a advertência de que o conto contém cenas e ilustrações de nudez, bem como outras cenas de violência, desadequadas para crianças.

[Fotografia da minha autoria]
 
É uma história de fantasia com uma pitada de terror, ambientada no contexto atual em que vivemos. O autor situou a narrativa no início da pandemia de COVID-19 em Portugal e, posteriormente, adicionou-lhe elementos da mitologia e do bestiário tradicional português.

Um pai e um filho vão passar o confinamento domiciliário num casebre isolado em Santo Tirso mas, à medida que a quarentena se prolonga, eles vão ver-se no meio de situações surreais, a enfrentar criaturas perigosas, bem como o receio e a incerteza de um isolamento forçado. Ambos acabarão por aprender que, muitas vezes, temos de enfrentar os nossos medos se quisermos salvar aqueles que amamos.

Gostei muito de reler esta história, acompanhada pelas belíssimas ilustrações, onde por vezes me demorava de forma a observar todos os pormenores.
A escrita de Marcelino é cuidada e agradável de ler. Os capítulos curtos combinam muito bem o mistério, surpresa e suspense, pelo que é difícil largar este pequeno livro antes de descobrirmos como termina.

Recomendo vivamente o trabalho deste autor que, na minha opinião, ainda tem imenso talento a mostrar dentro do género de fantasia e terror.

Classificação: 4/5 estrelas

domingo, 31 de janeiro de 2021

"Correria dos Pássaros Presos" de Ana Gil Campos [Opinião]


Correria dos Pássaros Presos é o quarto trabalho publicado de Ana Gil Campos, desta vez em edição de autor. A capa não é muito apelativa, é verdade, e o título também não sugere de imediato o que poderemos encontrar dentro destas páginas.

Muito resumidamente, esta é a história de Cândida, uma mulher insatisfeita com o que a rodeia e que decide deixar de utilizar as redes sociais. Quer encontrar-se e estar mais presente na sua vida e na dos outros.

O livro acaba por transportar-nos para uma espécie de mundo futurista onde as pessoas são extremamente agarradas à tecnologia, à internet, ao telemóvel e às redes sociais. Dito desta forma, não parece nada futurista, uma vez que a nossa relação com a tecnologia já está próxima deste nível de exagero.
Contudo, a história tem uns pequenos pormenores que se aproximam da ficção científica.

A autora apresenta-nos diversas personagens e, com elas, faz uma forte crítica à sociedade, à forma como estamos dependentes da comunicação através das tecnologias e em como, muitas vezes, temos mais facilidade de criar laços virtuais em vez de presenciais. Ela refere também que apregoamos a necessidade de privacidade e depois acabamos por partilhar toda a nossa vida nas redes sociais. Não seremos os primeiros a violar a tão desejada privacidade?

[Fotografia da minha autoria]
 
Neste livro, as personagens não precisam de usar a memória; têm um chip implantado no braço onde ficam registadas todas as informações. Se encontram um conhecido na rua, basta aceder à aplicação no telemóvel e ficarão a saber que esse conhecido é afinal o seu melhor amigo.

As pessoas não sabem estar em silêncio, não sabem desfrutar da sua própria companhia, e é por isso que existe à venda na internet uma espécie de kit para aprender a estar em silêncio.

Este livro proporciona de facto reflexões muito interessantes e cheguei até a dar algumas gargalhadas devido ao ridículo de certas situações.

A escrita da Ana é muito bonita e bem trabalhada, tal como já constatei em dois livros anteriores da autora. Ela fez um excelente trabalho de revisão, pois praticamente só encontrei duas ou três coisinhas que eu corrigiria.

A minha maior dificuldade foi conseguir estabelecer uma relação com as personagens. Não sei se isso se deve à dimensão do livro ou à forma como a história é contada. Li com interesse, queria sempre saber mais, mas não me liguei às personagens.

No geral, o balanço é positivo. A leitura é agradável e vale a pena conhecer esta autora portuguesa.
 
Deixo aqui o link do seu blogue, onde se encontram diversos contactos, para o caso de desejares encomendar o teu exemplar.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Inverso" de L. C. Lavado [Opinião]

Há já algum tempo que tinha curiosidade em ler algum trabalho da Liliana Lavado e isso agora foi possível graças à Silvana, do blog Por detrás das palavras, que muito generosamente me emprestou este livro.

Inverso trata-se de um romance de fantasia destinado ao público jovem-adulto.
Dois mundos tocam-se numa pequena vila costeira do norte do país. Ivana é uma adolescente sonhadora que está apaixonada por Bernardo desde sempre e está prestes a viver esse amor. Porém, tudo muda quando ela se cruza com Gabriel, uma figura de negro envolta em mistério, que traz consigo a magia.
O amor de Gabriel por Ivana vai reacender uma guerra no seio do seu povo, os Hekat, uma sociedade nómada que tem vindo a evoluir à margem do resto do mundo.

Esta história foi uma surpresa inesperada! Eu já sabia, pelas opiniões que tenho lido, que esta autora tem vindo a conquistar os leitores desde que começou a promover os seus livros, e que isso levou a que uma editora tenha decidido apostar nela. Contudo, fiquei ainda mais surpreendida pela forma como esta história me cativou.

A escrita de Liliana é extremamente fluida, muito divertida e cada capítulo nos deixa com vontade de continuar a ler.
Achei a história fascinante e adorei, aos poucos, ir ficando a saber mais acerca do mundo de Gabriel, o qual me pareceu muito bem estruturado e com imensas informações para os leitores.

Este livro está repleto de personagens cativantes, umas mais divertidas, outras mais sombrias, mas todas com o seu papel no decorrer dos acontecimentos. Não é fácil decidir qual foi a minha personagem preferida, mas definitivamente adorei o Gabriel, por tudo o que ele fez pela Ivana, e adorei a Lia, pelo seu excelente sentido de humor e por ser uma pessoa muito racional, procurando explicações para tudo. E, claro, adorei toda a comunidade Hekat e as habilidades que eles possuíam.

Confesso que me emocionei em algumas partes da história e me doeu o coração naqueles momentos mais tristes, onde as reviravoltas pareciam querer tomar o controlo do livro. O final foi inesperado e perfeito e deixou-me com um grande e sonhador sorriso nos lábios.

Podia perfeitamente ter atribuído 5 estrelas a este livro, que bem o merecia, mas depois achei que seria mais sensato guardar a pontuação mais alta para outro livro da autora do qual poderei vir a gostar ainda mais!
Vou, sem qualquer dúvida, continuar a acompanhar esta autora que merece ser lida e ver o seu trabalho valorizado. Recomendo vivamente a leitura de Inverso e espero que desfrutem tanto como eu!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"A Imagem" de Joel G. Gomes [Opinião]

Antes de mais, quero agradecer ao autor por me ter disponibilizado o livro em formato ebook para eu ler. Foi assim que conheci o autor Joel G. Gomes e que contactei pela primeira vez com um dos seus trabalhos.

A Imagem  é o segundo romance do autor e trata-se da sequela de Um Cappuccino Vermelho, ambos pertencentes à série intitulada Intersecção.
Este romance inicia-se com a apresentação de Lucas, que vive preso à sua rotina e que vive com medo que o menor deslize atraia atenções indesejadas, tanto para si como para os segredos que esconde. Um dia, vê uma imagem aparecer do nada e, embora seja uma imagem bizarra, o que mais o inquieta é o que ela representa. É aqui que a vida rotineira de Lucas vai mudar completamente pois enquanto existirem perguntas sem resposta, ele não conseguirá ter paz.

A primeira impressão que tive ao iniciar esta leitura foi que existiam demasiadas personagens, o que me deixou bastante confusa enquanto lia os primeiros capítulos. Rapidamente percebi que algumas eram personagens de Um Cappuccino Vermelho e, como eu comecei pelo segundo livro, não estava familiarizada com elas.
Apesar de neste livro o autor ir contextualizando o que aconteceu no romance anterior, eu senti que precisava de ter lido os livros pela ordem correta. É esta a recomendação que faço desde já aos leitores: se puderem e tiverem curiosidade em ler este autor, comecem por ler Um Cappuccino Vermelho e só depois A Imagem.

Ultrapassada este dificuldade inicial, comecei a prestar atenção a outros aspetos e gostaria de salientar dois que considero positivos: as descrições e o suspense. Começando pelas descrições, estas são muito reais e bastante pormenorizadas, por exemplo: uma personagem ia comprar uma bebida e uns parágrafos mais à frente, começava a bebê-la. Pode parecer demasiado pormenorizado e que não acrescenta nada de mais à história, mas esta atenção que o autor dá às ações das personagens acaba por tornar a narrativa bem interessante. Felizmente, a escrita do autor é cativante e leva-nos a querer ler sempre mais. Aqui surge o suspense, que é colocado tanto no final dos capítulos como durante os capítulos, quando o autor alterna entre as personagens.
Estas mudanças entre personagens e entre passado e presente só são confusas até conhecermos bem as personagens (já expliquei acima a dificuldade que tive); depois de nos sentirmos mais à vontade, a leitura torna-se bastante fluida.

Gostaria ainda de mencionar outros aspetos que considero menos positivos: a construção das personagens e os diálogos. Penso que o autor precisa de trabalhar e desenvolver melhor as personagens e as suas caraterísticas. A minha dificuldade com as personagens também se prendeu pelo facto de me parecerem todas semelhantes e de não haver muitos aspetos a distingui-las.
Pareceu-me também que os diálogos por vezes eram um pouco rudes, que as personagens eram mal educadas umas com as outras. Os acontecimentos do livro levavam as personagens a não se sentirem realmente muito contentes, mas eu fiquei com a sensação de que elas andavam sempre mal humoradas. Penso que os diálogos precisam de mais atenção e sensibilidade nos próximos trabalhos do autor.

No geral, posso afirmar que o balanço foi positivo e, após ponderar os vários aspetos que mencionei na minha opinião, decidi atribuir 3 estrelas a este romance do género fantástico (embora para mim se enquadre melhor no género de fantasia urbana). A ideia do autor é boa, há suspense e reviravoltas ao longo da história e apenas alguns pontos precisam de ser mais trabalhados no futuro.
Vou continuar atenta às obras do Joel G. Gomes e deixo aqui os meus votos de muito sucesso a nível profissional!

Classificação: 3/5 estrelas

domingo, 12 de outubro de 2014

"A Imagem" de Joel G. Gomes [Divulgação]

A Imagem é o segundo romance de Joel G. Gomes e trata-se da sequela de Um Cappuccino Vermelho, primeiro livro da série intitulada Intersecção.
Fui convidada pelo autor a ler este romance do género fantástico, para depois dar a minha opinião, e agradeço desde já a oportunidade de conhecer um autor português do qual até hoje não tinha lido nenhum trabalho.

Título: A Imagem
Autor: Joel G. Gomes
Série: Intersecção
Edição: 2014, Edição de Autor
Páginas: 436
ISBN: 9781301979653

Data de lançamento: 25 de outubro

Sinopse:
Lucas vive preso à sua rotina, sempre receoso de que o menor deslize atraia atenção indesejada para si e para os segredos que esconde. Durante muito tempo, Lucas consegue manter um perfil discreto, mas tudo ameaça mudar quando se depara com uma imagem surgida do nada.

Apesar do modo bizarro como a imagem aparece, aquilo que o inquieta realmente é o que esta representa. Ignorando os presságios, Lucas tenta retomar a sua rotina, mas as perguntas estão colocadas e enquanto não encontrar as respostas que precisa não conseguirá ter paz.