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domingo, 21 de fevereiro de 2021

"Lá, Onde o Vento Chora" de Delia Owens [Opinião]

 
«Através da história de Kya, Owens fala-nos da forma como o isolamento afeta o comportamento humano e o profundo efeito que a rejeição pode ter nas nossas vidas.»
Vanity Fair

Lá, Onde o Vento Chora é um daqueles livros tão amados pelos leitores que é impossível não ter as expectativas elevadas antes de iniciar a sua leitura. Era assim que eu me sentia, ansiosa por conhecer esta história.

Este livro dá-nos a conhecer Kya, uma menina que vive numa cabana junto a um pantanal e que é abandonada pela mãe. Mais tarde, os irmãos acabam também por sair de casa, bem como o seu pai. Ela fica então completamente sozinha.
Terá de aprender a sobreviver, a ser autossuficiente: arranjar comida, perceber como funciona o dinheiro e descobrir como o ganhar para adquirir bens necessários.

A história vai alternando entre a vida de Kya e a investigação de um crime, em diferentes épocas temporais que se vão aproximando. Os capítulos dedicados a Kya são de ação mais lenta, por serem mais descritivos. São muitas e belíssimas as descrições da natureza, e nem por uma vez me senti aborrecida. Antes pelo contrário, dava por mim a apreciar estas descrições, escritas pela mão de uma especialista no mundo animal. Acredito que a formação da autora tenha contribuído imenso para tornar estas descrições muito mais ricas. Ela transformou a natureza numa personagem deste livro.

À medida que acompanhamos o crescimento de Kya, vamos conhecendo uma menina muito isolada, esquiva e fugidia, com pouco contacto com pessoas e, de certa forma, com algum receio de se aproximar delas, excetuando uma ou duas com quem ela tem uma relação de confiança. A autora mostra-nos os efeitos de uma vida solitária e longe da sociedade.

[Fotografia da minha autoria]

A outra parte da história é a investigação de um crime, que aconteceu uns anos mais à frente. Senti-me um pouco desiludida com esses capítulos, cujos diálogos eram pobres e fabricados de forma a que os investigadores dessem a informação que o leitor precisava de conhecer. A segunda parte desta investigação, passada em tribunal, melhora substancialmente e, nessas páginas, senti-me presa à leitura.

Este livro acaba por ser uma mistura de ingredientes do drama, do romance e do policial. É uma história que emana uma aura de tristeza e solidão, é muito emotiva, deixando-nos com as emoções à flor da pele.

Achei a história muito coerente. A acção inicia-se em 1952, nos Estados Unidos, onde há zonas costeiras como Barkley Cove, a localidade fictícia descrita no livro. Há populações a viver junto a essas zonas e acredito que, numa época dessas, esta história poderia ter tido lugar. Kya era fugidia; por muito que os inspetores escolares tentassem levá-la para a escola, ela fugia sempre, e ninguém conseguiu colocá-la numa família de acolhimento.

Lá, Onde o Vento Chora é uma história poderosa e que vou recordar por muito tempo. Adorei a relação de Kya e Tate, tão genuína e mágica, e o final deixou-me completamente arrebatada e a tentar controlar as lágrimas.

Lê, experimenta! É um livro muito, muito bom!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 9 de janeiro de 2021

"A Amiga", de Dorothy Koomson [Opinião]


A Amiga é a história de cinco mulheres. Yvonne, uma das mães mais populares de uma escola privada em Brighton, foi brutalmente atacada e deixada às portas da morte. Semanas depois, Cece muda-se para aquela localidade e encontra tensão e nervosismo na escola onde acabou de matricular os filhos.
 
Mais tarde, conhece Maxie, Hazel e Anaya, três mulheres que a ajudam a ambientar-se e a não se sentir sozinha. Mas elas eram também amigas de Yvonne e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime.

Dorothy Koomson traz-nos uma história que nos faz refletir sobre o que é a amizade e de que forma a vemos: como um sentimento genuíno ou como algo que nos pode ajudar a retirar proveito próprio em situações que não alcançaríamos sozinhos.

Aprecio sempre bastante as personagens que a autora constrói. São personagens com as suas fragilidades, os seus medos, os seus problemas, os seus segredos, e por isso parecem muito reais.

Senti algumas dificuldades no início, uma vez que vamos acompanhando as perspetivas da Cece e das três amigas, enquanto também vamos conhecendo Yvonne através das memórias destas mulheres. Foi um início mais lento por serem muitas mulheres, todas casadas, com filhos, com histórias diferentes e, nas primeiras cem páginas, foi complicado distingui-las.

[Fotografia da minha autoria]

Entretanto, comecei a saber quem era quem e tudo mudou. A história ganhou um novo ritmo e vi-me desejosa de descobrir os segredos que Maxie, Anaya e Hazel guardavam. São todas mulheres com histórias de vida complicadas e com uma parte da sua vida que desejam manter escondida a todo o custo.
Mas o que seria assim tão terrível, e o que lhes teria feito Yvonne, para que uma delas a pudesse ter atacado quase até à morte?

A autora aborda ainda a temática do racismo (que é muito comum nos seus livros) e fala da falta de comunicação que por vezes afeta os casais e que promove desentendimentos durante anos e anos.

No final temos um gostinho de thriller, à medida que Cece se aproxima da verdade e tanto ela como os seus filhos podem ficar em perigo. Os últimos capítulos são muito empolgantes e adoro a conjugação que a autora faz entre romance e thriller.

Não foi o meu livro preferido da autora, mas sem dúvida que consta entre os preferidos e cuja história serei capaz de recordar. Fica a vontade imensa de continuar a descobrir os trabalhos desta escritora!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

"As Intermitências da Morte" de José Saramago [Opinião]


As Intermitências da Morte foi o segundo livro de Saramago que li este ano e estou muito satisfeita com a minha decisão de começar a conhecer a vasta obra deste autor.

Eu diria que este livro é uma espécie de distopia, passado num determinado país onde, de repente, as pessoas deixam de morrer. Achei a premissa extremamente interessante e, logo no primeiro capítulo, somos atirados para o meio deste estranho acontecimento. Bastaram alguns parágrafos para o autor me deixar a refletir.
A morte é um acontecimento natural; embora isto seja um gigante cliché, a morte é a única certeza que temos na vida. Por muito que doa e nos custe perder um ente querido, a verdade é que a morte é natural e importante. Estamos acostumados a ela, por isso não deixa de ser estranho imaginar o que aconteceria se de repente ninguém morresse.

O autor retrata esta situação de forma excelente: os hospitais ficariam completamente cheios de idosos e pessoas doentes que, por um lado, não recuperariam das suas doenças mas, por outro, também não morreriam, ficando eternamente a ocupar camas. Os lares de idosos passariam a ser poucos para a procura existente. As agências funerárias ficariam mergulhadas numa terrível crise. E nem a Igreja Católica escaparia, uma vez que sem morte não há ressurreição.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
A primeira metade do livro centra-se nestes aspectos, envolvendo também os políticos e a forma como eles têm de lidar imediatamente com esta situação de calamidade.
 
Sensivelmente a meio do livro há uma parte um pouco monótona e que me custou a ler. Pensei que o problema fosse meu (uma vez que tenho por hábito ler à noite e senti dificuldades em concentrar-me na escrita de Saramago) porém, após ler algumas opiniões, descobri que outros leitores relataram a mesma dificuldade. Há, de facto, uns capítulos mais chatos, mas vale totalmente a pena fazer um esforço e prosseguir até à segunda metade do livro.

Aqui surge uma personagem nova: a morte (que insiste em que o seu nome seja escrito com letra minúscula). Foi delicioso de se ler! Há muito humor, muita ironia, a forma magnífica como o autor fala da morte, nos mostra como ela é e como se comporta, até que, pouco a pouco, a vai tornando mais humana. O final é incrível e eu fiquei completamente embasbacada a olhar para o livro, sem saber como o interpretar. Comecei a formular teorias na minha cabeça mas ainda sinto necessidade de discutir aquele final com outros leitores.

Se leste este livro, partilha comigo os teus pensamentos em relação ao final!

Sem dúvida que tenciono continuar a explorar o mundo que Saramago nos deixou e só me arrependo de não ter começado mais cedo.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 8 de setembro de 2020

"O Evangelho Segundo Jesus Cristo" de José Saramago [Opinião]


Ler José Saramago foi uma forma de me desafiar. Sempre me senti um pouco envergonhada enquanto leitora por me ter mantido tão resistente a ler as obras deste autor. Concordo que devemos ler aquilo que nos dá prazer,  não interessando se algumas dessas leituras são mais fáceis; contudo, acredito que é enriquecedor sair da nossa zona de conforto e ler algo mais desafiante.

Deste autor, ainda só tinha lido o Claraboia — um dos seus primeiros trabalhos escritos e que surgiu antes de ele desenvolver o seu estilo — e O Conto da Ilha Desconhecida — um pequeno conto que me deu um cheirinho da sensibilidade da sua escrita.

Confesso que sempre embirrei um pouco com o autor e não foi por minha culpa. Quando estava na universidade, tive um professor de Literatura que, certa vez, nos trouxe um excerto de um livro de Saramago para fazermos um exercício de pontuação. Acredito que o professor não pretendia desencorajar-nos de ler o autor mas desde aí que cresceu em mim esta embirração injustificada.
 
Na verdade, Saramago utiliza pontuação nos seus trabalhos. Socorre-se unicamente da vírgula e do ponto final e, na verdade, nada mais é necessário. Após alguma estranheza e dificuldade inicial, a leitura flui muito melhor e o leitor é capaz de entender tudo o que lê e retirar prazer da leitura.

[Fotografia da minha autoria] 

Em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, o autor apresenta-nos a sua visão de como poderia ter sido a vida de Jesus. Ao longo destas páginas, vamos acompanhando diversos episódios bíblicos nossos conhecidos, contudo, eles apresentam um carácter mais humano e menos divino. As personagens demonstram todo o tipo de emoções humanas, como a alegria e a tristeza, a culpa e o remorso.
Neste livro, Deus é arrogante e pouco bondoso, sendo mais adepto de guerras e sofrimento.

Enquanto lia este livro senti imensa vontade de consultar a Bíblia, de forma a comparar o que está escrito nos evangelhos com o que o autor nos apresenta neste romance. Quanto do que lemos neste livro partirá da imaginação do autor?

A leitura acabou por ser mais agradável do que eu esperava e digo-vos, ainda bem que continuei a insistir comigo mesma e me desafiei a finalmente pegar neste livro. Estou muito surpreendida e desejosa de explorar um novo trabalho do autor.

Qual o teu livro preferido de Saramago? E qual me recomendas para ler a seguir?

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 1 de agosto de 2020

"Vidas Adiadas" de Dorothy Koomson [Opinião]


Vidas Adiadas é o mais recente trabalho de Dorothy Koomson. Dez anos depois, ela regressa com Poppy e Serena, as protagonistas de Um Erro Inocente.

Tratando-se de uma sequela, é fundamental que leiam o Um Erro Incente para conhecerem toda a história das Meninas do Gelado e poderem tirar o melhor proveito deste novo romance.

Eu li-o em 2015 e, uma vez que guardava poucas recordações e não queria estar a lê-lo de novo, encontrei uma leitora no instagram que o leu recentemente e se dispôs a fazer-me um pequeno resumo do final do livro e de como tinha ficado a vida das personagens.
Isso ajudou-me bastante a entrar na história. Além disso, há neste livro imensas referências ao livro anterior, pelo que a nossa memória está constantemente a ser refrescada.

Ler Vidas Adiadas foi o reencontro com duas personagens muito queridas. Poppy e Serena passaram por verdadeiros tormentos e adorei ver como prosseguiram as suas vidas dez anos após os acontecimentos do primeiro livro.

Além das perspectivas de Poppy e Serena, este livro traz-nos uma nova personagem principal: Verity, a filha de Serena. Assim, temos uma narrativa contada a três vozes, com acontecimentos que vão interligar as três mulheres e o passado das duas mais velhas.

[Fotografia da minha autoria]

Simpatizei de imediato com a Verity e com a sua personalidade. Confesso que adorei a forma como a autora iniciou o livro. Assim que li o primeiro capítulo da Verity, pensei "isto não vai correr nada bem" e, de facto, não correu.

Em Vidas Adiadas temos mentiras. Muitas mentiras. Verity mente, Serena mente desde sempre e Poppy vive ainda assombrada pelas mentiras. Assistimos à forma como as vidas de todos os envolvidos vão voltar a desmoronar-se devido às mentiras.

Com o talento a que a autora já nos habituou, neste novo romance, cujo título original — All my lies are true — me agrada muito mais do que o título português, poderemos encontrar uma dose bem generosa de dramas familiares, conjugada com a temática das relações abusivas e de como a justiça nem sempre é justa. Temos romance, mentiras e imensas reviravoltas.

O livro é extremamente bom, está estruturado de forma muito inteligente, cativando-nos e fazendo-nos desconfiar de tudo e de todos. No final, as personagens acabam por receber o consolo de que necessitavam para prosseguir de vez com as suas vidas, sem mais assombrações do passado, e quero acreditar que elas desta vez vão conseguir.
Uma sequela incrível e imperdível do romance Um Erro Inocente. Não deixem de ler!

Classificação: 4/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Conta-me o Teu Segredo" de Dorothy Koomson [Opinião]


Fiquei curiosa com esta novidade da Dorothy Koomson assim que a capa portuguesa foi divulgada. Gosto imenso dos livros da autora, mas tenho adorado principalmente a sua vertente mais direcionada para o thriller, ou não fosse este o meu género de eleição.

Neste romance encontramos duas personagens principais ligadas pelo mesmo homem: "O Assassino da Venda".
Pieta, há 10 anos, foi raptada por ele e conseguiu sobreviver a um fim de semana de abusos e maltratos. Nunca contou o seu segredo a ninguém, decidindo prosseguir com a sua vida como se nada tivesse acontecido.
Jody é polícia e, 15 anos antes, cometeu um erro que permitiu que esse criminoso continuasse em liberdade. Quando descobre que Pieta sobreviveu a um ataque desse homem, percebe que talvez tenha encontrado uma forma de finalmente o apanhar.

Se quiseres sobreviver, este fim de semana... terás de fazer apenas uma coisa: ficar de olhos fechados...
Esta é a frase de abertura do livro e também uma das primeiras frases que o assassino diz às suas vítimas. Uma frase arrepiante, que me deixou imediatamente presa à história.

[Fotografia da minha autoria]

A narrativa vai alternando entre Pieta e Jody, permitindo-nos acompanhar a perspetiva destas duas mulheres. Achei-as muito diferentes e incrivelmente bem caracterizadas. Por um lado, temos uma polícia que nunca se perdoou pelo seu erro e que está disposta a tudo para apanhar o assassino. Por outro, temos aquela que foi vítima e que, sabe-se lá como, arranjou forma de prosseguir com a sua vida.

Como é se que continua com a vida normal depois de se ser raptada e violada incontáveis vezes? Como é que se vive após um momento de tamanho terror?

A autora, com todo o seu talento, coloca-nos na pele destas duas personagens, fazendo-nos compreender os seus pensamentos, os medos e os receios, nomeadamente como se sente uma vítima quando o seu mundo organizado a muito custo está prestes a ser novamente abalado.

"Conta-me o Teu Segredo" é um thriller que aborda temas como a violação, o aborto, o bullying, a vingança e o racismo. Os capítulos pequenos e com uma boa dose de suspense transformam este livro numa leitura prazerosa e viciante, fazendo com que se torne muito difícil de pousar.
O final é surpreendente e angustiante, tendo-me mexido com as emoções ao ponto de me deixar vários dias a pensar na história.

Dorothy Koomson volta a surpreender. Uma leitura que recomendo sem reservas!

Classificação: 5/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 23 de julho de 2019

"A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson [Opinião]


Ler Dorothy Koomson é ter a certeza de que irei encontrar uma história cativante e envolvente.
E foi isso mesmo que aconteceu com este romance, que é já o oitavo que leio da autora.

Esta história começa em 1993, quando as adolescentes Nell e Jude descobrem o corpo de uma jovem abandonada na praia. Como ninguém consegue identificar esta vítima, ela passa a ser conhecida como A Sereia de Brighton.
Três semanas mais tarde, Jude desaparece e Nell fica ainda mais desamparada.

A narrativa vai alternando entre passado e presente. Nell, atormentada pelo passado, decide pedir uma licença no emprego para se dedicar unicamente a descobrir o que realmente aconteceu naquele fatídico verão, 25 anos antes.

Senti-me agarrada a este mistério logo desde os primeiros capítulos. Estes são curtos e, devido à alternância temporal, tornam-se muito apelativos e de leitura rápida. Eu gosto imenso de livros que nos fazem viajar entre o presente e o passado.

[Fotografia da minha autoria]

Gostei bastante da Nell, apesar da sua personalidade peculiar. Tanto ela como a irmã Macy foram muito afetadas pelo que sucedeu à sua família durante a adolescência e isso está bem patente na forma como elas se comportam na vida adulta. Nell é reservada e tem dificuldade em se abrir com as pessoas que lhe são próximas. Macy tem uma grande necessidade de ter a vida controlada, acabando por desenvolver um distúrbio obcessivo-compulsivo nos momentos de mais stress.

A autora é conhecida pelas suas histórias carregadas de drama, contudo, ultimamente tem vindo a adicionar-lhes um toque de mistério, o que me agrada sobremaneira, uma vez que o meu género atual de eleição é o thriller.

Um tema que adorei ver abordado neste livro foi o tema do DNA e das árvores genealógicas. Confesso que é algo que me desperta bastante curiosidade. São ainda abordadas as temáticas do racismo, preconceitos e problemas sociais, temas estes que são comuns praticamente a todos os seus romances.

A autora soube dosear muito bem o mistério e, a certa altura, começou a lançar as bombas e já não fui capaz de parar de ler. O final trouxe-me ainda umas lágrimas aos olhos.

Uma leitura que recomendo vivamente. Se por acaso ainda não leram nenhum livro da autora, deviam mesmo dar-lhe uma oportunidade!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 12 de maio de 2018

"Os Muitos Nomes do Amor" de Dorothy Koomson [Opinião]

De vez em quando gosto de pegar num romance de Dorothy Koomson, pois é uma daquelas leituras que nos dá realmente prazer. Este foi-me emprestado pela Silvana, no âmbito do projeto Empréstimo Surpresa.

Os Muitos Nomes do Amor aborda o tema da adoção, contando-nos a história de Clemency Smittson que foi adotada em bebé e a única lembrança que tem da sua mãe biológica é um berço de papel decorado com borboletas pintadas à mão.
Após uma grave traição, Smitty decide mudar de vida e voltar a Brighton, a cidade onde nasceu. Contudo, não imagina que é lá que vai descobrir a verdadeira história dos seus pais biológicos.

Além do tema da adoção, este interessante romance aborda outros temas, tais como a família, a traição, o racismo, a vida e a morte, a eutanásia e os recomeços.


Gostei muito de conhecer Clemency e a sua força, tendo em conta tudo o que lhe aconteceu. A autora mostrou muito bem todas as inseguranças, as dúvidas e curiosidades que certamente todas as pessoas adotadas vivenciam. Foi muito interessante conhecer as duas famílias de Clemency e ver como ela interagia com cada uma delas.

Gostei imenso do Tyler e estava a adorar a sua relação com Clemency, mas acabei por me sentir frustrada com o triângulo amoroso e a resolução que a autora lhe deu. Senti que o Tyler teve pouca importância e só serviu para conhecermos melhor Seth, e provavelmente teria sido tudo igual se ele não existisse nesta história.
Em contrapartida, adorei o papel da Nancy, embora me tenha sentido indignada com todas as maldades que ela fez a Clemency.

Este não foi um dos romances da autora que mais me prendeu, embora não saiba muito bem explicar a razão. Senti-me cativada pela história e apreciei até aquele bocadinho de suspense no final, mas não foi uma leitura que me tenha arrebatado.

O final acabou por ser pouco entusiasmante, se compararmos com o que a autora já nos presenteou em outros dos seus romances. Parece-me que ficou um bocado em aberto, com um final ainda pouco estável para Clemency.

Em conclusão, não foi o livro que mais me apaixonou, mas pretendo continuar a explorar com grande entusiasmo outros trabalhos da autora.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

"Convergente" de Veronica Roth [Opinião]


Convergente é o livro que conclui a trilogia Divergente, de Veronica Roth.

Depois de conhecermos o sistema de fações e de as vermos colapsar e entrar em guerra, neste terceiro volume ficamos a conhecer uma realidade diferente: a existência de um mundo para além da cidade onde vivem as nossas personagens.

Tris e Tobias têm oportunidade de ir explorar o mundo para lá da vedação, em busca de um lugar melhor para viver, um lugar livre de mentiras e complicações. Mas o que vão encontrar pode ser ainda mais assustador do que o lugar que deixam para trás.

Ao contrário do segundo livro, que não me entusiasmou tanto, este voltou a cativar-me. Gostei imenso de conhecer o lado de lá da vedação, descobrir como surgiram as fações e, sobretudo, ver Tris e Caleb a descobrirem a verdade sobre a mãe.

Este livro não pareceu tão cheio de adrenalina como os anteriores, mas a mim não me fez diferença; o ritmo mais calmo trouxe informações importantes.

O final não foi do agrado de muitos leitores, pelo que conseguir perceber através de opiniões no Goodreads. Para mim foi uma surpresa, sim, não esperava nada esse acontecimento, mas não desgostei. Penso que fez muito sentido e que a autora se manteve fiel à história que nos trouxe desde o início.

Qualquer apreciador de fantasia/distopias apreciará esta história sobre amor, amizade, sacrifício e o valor das nossas escolhas.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"Insurgente" de Veronica Roth [Opinião]


Insurgente é o segundo volume da série Divergente, de Veronica Roth.

Quatro anos após ter lido o primeiro volume, iniciei-me na leitura do segundo e talvez tenha sido por isso que senti que a leitura me custou mais. Já não me lembrava tão bem dos acontecimentos do final do primeiro livro e não me sentia tão próxima das personagens.

Este livro inicia-se com as problemas que surgiram após o livro anterior. As fações estão em choque, à procura de aliados, e a guerra aproxima-se.

Durante toda a confusão e os perigos que surgem, Tris tenta procurar o seu caminho, lidar com a culpa e a perda. É uma personagem que se mostra um pouco desprendida da vida, tendo atitudes que a colocam em risco. Por um lado, compreendo perfeitamente que ela se sentisse assim, mas por outro, gostava de ter visto mais daquela garra que a caracterizava no volume anterior e que, desta vez, só se manifestou nos últimos capítulos do livro.
O desenvolvimento do romance de Tris e Tobias foi uma parte importante da narrativa, tendo-se tornado algo mais maduro com a aproximação de ambos.

A escrita da autora continua impecável, super fluida e com bastante ação. Há sempre alguma coisa a acontecer, pelo que o livro é muito dinâmico. O que mais me entusiasmou foi poder saber mais acerca dos Divergentes e, principalmente, aquele final que me deixou mais curiosa e com as expectativas elevadas para o terceiro volume da série. Espero poder lê-lo brevemente!

Classificação: 3/5 estrelas

terça-feira, 4 de abril de 2017

"Os Aromas do Amor" de Dorothy Koomson [Opinião]


Este livro estava na minha estante há mais de um ano e finalmente achei que seria ótimo voltar aos romances de Dorothy Koomson.

Em Os Aromas do Amor conhecemos Saffron, uma mulher que viu a sua vida mudar de um dia para o outro com a morte do marido. Joel foi assassinado e o culpado nunca foi descoberto.
Passados 18 meses, a vida de Saffron recuperou alguma normalidade, até que uma revelação chocante vem abalar a sua relação com a filha de 14 anos. Ao mesmo tempo, começa também a receber cartas misteriosas que lançam novas pistas sobre a morte de Joel.

O romance cativou-me desde o início com o que a filha de Saffron revelou, e mais tarde, vi a minha curiosidade mais espicaçada com o mistério que a autora criou à volta do homicídio de Joel.

A autora misturou ingredientes tais como a dor pela morte de um ente querido, as complicações da adolescência, amor e bastante suspense. Enquanto assistimos às dificuldades da vida presente de Saffron, recebemos alguns vislumbres das alegrias que ela vivenciou no passado e tomamos conhecimento dos seus receios em relação ao futuro.

Relativamente às personagens, gostei muito do Joel, uma personagem muito importante no enredo; e diverti-me imenso com as peripécias da tia Betty. De resto, mais nenhuma personagem me ficou assim marcada de forma mais especial.

Não sei o que faltou neste livro, mas a verdade é que não me prendeu como outros que já li da autora. Cativou-me bastante no início, mas a certa altura senti que se estava a tornar bastante previsível. Conhecemos desde cedo a identidade do assassino do Joel, o que faz com que o mistério acabe por perder alguma da sua força, embora Saffron esteja em perigo e receba ameaças constantes.

Não gostei muito da forma como a autora resolveu a situação da filha de Saffron; senti que, como não eram capazes de tomar uma decisão, a autora escolheu um desfecho mais rápido.

No geral, foi uma leitura com bastante drama, como eu gosto, mas não o suficiente para me apaixonar. Não deixo de recomendar este livro e gostaria de saber as vossas opiniões em relação a ele.

Classificação: 3/5 estrelas

quarta-feira, 18 de maio de 2016

"O Ano mais estúpido do meu irmão mais novo" de Miguel Morais [Opinião]


Este foi o meu primeiro contacto com os trabalhos do autor Miguel Morais e agradeço à Silvana por me ter proporcionado esta oportunidade.

Tratando-se de um livro infanto-juvenil, foi naturalmente uma leitura bastante rápida para mim. A história consiste num diário escrito por uma criança de 10 anos, onde vai contando as peripécias do seu dia a dia. O facto de ter este formato de diário confere ao livro um tom mais informal e descontraído.

O livro é divertido, cativante, carregado de humor e de situações engraçadas, o que poderá certamente encorajar as crianças a ler, dado que se identificarão em alguns aspetos com o Gonzo e com as peripécias que ele narra.

As ilustrações estão originais e bem conseguidas, auxiliando a compreensão do texto. Serão úteis para as crianças mais novas que ainda não leem bem ou que possam não perceber algumas partes.

Gonzo é um miúdo muito divertido e que mostra um pouco como é um irmão mais novo. No entanto, não sei se o facto dele não gostar da escola, esquecer-se dos testes e ter más notas constantes será um bom exemplo para crianças. Mesmo assim, parece-me uma criança curiosa e brincalhona, como todas as outras. A particularidade de Gonzo é que ele está sempre metido em sarilhos.

No geral, esta é uma leitura que recomendo às crianças a partir dos 8/9 anos.
Quanto a mim, se tiver oportunidade, gostaria de ler os volumes seguintes e continuar a acompanhar as aventuras do Gonzo!

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 12 de dezembro de 2015

"A Filha da Minha Melhor Amiga" de Dorothy Koomson [Opinião]

Este ano tenho-me dedicado a descobrir algumas obras de Dorothy Koomson, uma autora que me surpreende a cada livro seu. Consegui este livro emprestado e isso permitiu-me deliciar-me com mais uma das suas histórias.

A Filha da Minha Melhor Amiga retrata a amizade de duas mulheres - Kamryn e Adele - e como esta é arrasada por uma traição, da qual nasce uma criança. Anos depois, Adele está a morrer e implora a Kamryn que adote a sua filha, Tegan. A partir deste momento, a vida despreocupada de Kamryn muda completamente. Estará ela preparada para os desafios que a esperam?

É sempre bom voltar à escrita de Dorothy Koomson, uma escrita fluida que rapidamente cativa o leitor e lhe transmite emoções muito variadas. A autora escreve sempre com muito humor, embora não deixe de nos provocar lágrimas e sorrisos.

Esta história aborda um tema bastante doloroso: o cancro, nomeadamente a leucemia, uma doença que, infelizmente, é muito comum nos dias de hoje. Juntamente com a doença vem a devastação que esta provoca no próprio doente, nos amigos e nos familiares. É um tema duro que não consegue deixar ninguém indiferente.

Kamryn já tinha sofrido com a traição da amiga e agora está prestes a perder Adele pela segunda vez, desta vez para sempre, e ganhar uma nova responsabilidade: cuidar da sua filha Tegan. Nada disto será fácil para Kamryn que terá não só de lidar com a sua própria dor como também com a dor de uma criança que acabou de perder a mãe.
Além disso, isto mexe igualmente com os planos que Kamryn tinha para a sua vida, planos estes que envolviam a decisão de não ter filhos e poder dedicar-se inteiramente à sua carreira. Com a chegada de Tegan, tudo isto muda.

Achei Kamryn uma mulher com uma força extraordinária por tudo aquilo com que teve de lidar. Não foi fácil e teve os seus momentos de desespero, mas conseguiu ultrapassar todas as situações com muito coragem.

Gostei muito do final deste livro; acho que a autora conseguiu dar um desfecho muito bom e era aquele pelo qual eu estava a torcer.

Esta é uma história muito tocante, realista e com um enredo cativante. Quer sejam ou não fãs da autora, é uma leitura que eu recomendo vivamente.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 18 de agosto de 2015

"Sopro do Mal" de Donato Carrisi [Opinião]


Estamos ao lado de pessoas de quem pensamos saber tudo, mas de quem não sabemos nada...

Este autor já andava a chamar a minha atenção há bastante tempo, devido às críticas positivas que os seus livros recebiam. Tive oportunidade de ler Sopro do Mal graças a um empréstimo e assim se deu o meu primeiro contacto com os thrillers de Donato Carrisi.

O leitor inicia esta leitura deparando-se com o impressionante aparecimento de seis braços enterrados. Seis crianças estão desaparecidas.
Goran Gavila é um criminologista que auxilia a equipa de investigação na caça ao homicida. A esta equipa vem juntar-se Mila Vasquez, uma investigadora especializada em encontrar pessoas desaparecidas.

A ideia deste livro já de si é bastante arrepiante, não só porque o assassino mutila e assassina crianças, como também é baseado em factos verídicos.

O autor escreve de forma muito cativante e consegue prender o leitor ao máximo. Há muitas explicações acerca da natureza dos serial killers, aspeto que me agradou sobremaneira, e todas as pistas são investigadas a fundo pela equipa.

O serial killer presente neste livro é, talvez, um dos mais interessantes que encontrei nas minhas viagens literárias. É um assassino subtil, ardiloso, que "sussurra", levando outros a matar por si. Todo o seu plano é preparado ao pormenor, o que faz com que ele esteja sempre um passo à frente dos investigadores.

É muito difícil descobrir o que vai acontecer a seguir; quando julgamos que temos um palpite acertado, eis que surge o autor com mais uma reviravolta completamente impensável.

As personagens também estão muito bem construídas e todas apresentam os seus segredos. Agradam-me imenso estas personagens imperfeitas, com passados turbulentos, dado que são mais credíveis, aproximam-se mais da realidade. Afinal de contas, todos nós temos os nossos segredos.

Quero ainda destacar que este livro é sobretudo psicológico e muito visual, contendo mesmo algumas descrições aterradoras.

Em conclusão, este é um thriller viciante e perturbador que facilmente vai deixar os leitores agarrados às suas páginas pela noite dentro. Recomendo vivamente a sua leitura!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 27 de julho de 2015

"O Outro Amor da Vida Dele" de Dorothy Koomson [Opinião]

Dorothy Koomson é uma autora cujos romances tenho vindo a explorar ultimamente. Embora tenha apreciado imenso os primeiros três livros dela que li - Bons Sonhos, Meu Amor; Amor e Chocolate; e Um Erro Inocente - ainda nenhum me tinha proporcionado aquela sensação de arrebatamento total. Até surgir a oportunidade de ler O Outro Amor da Vida Dele.

Este livro inicia-se com uma carta bastante enigmática que me deixou logo em alerta. Estavam lançadas as bases que me levariam para a vida de Libby e Jack, casados e a viver uma vida de sonho, não fosse o facto de Jack ainda não ter ultrapassado a morte da sua primeira mulher, Eve.
Quando o destino interfere na relação de ambos, Libby vai procurar conhecer melhor o homem com quem se casou e a aparentemente perfeita Eve. Contudo, acabará por descobrir uma verdade assustadora sobre aquela família.

Este romance retrata um tema forte e bombástico, tal como já vem sendo habitual nos livros da autora. Curiosamente, são estas temáticas duras as que mexem mais comigo e que acabam por me agradar mais.

A escrita da autora é fantástica, como já tive oportunidade de constatar nas minhas leituras anteriores e senti-me cativada logo nas primeiras linhas. Era impossível permanecer indiferente ao conteúdo daquela carta e, já com diversas ideias em mente, tudo o que quis foi lançar-me nesta história.

A autora alterna entre presente e passado para nos mostrar como Libby e Jack se conheceram. Mais tarde, surge ainda a voz de Eve, numa narrativa apaixonante em que ela nos conta como foi a sua vida.

Quanto às personagens, confesso que não simpatizei logo com Jack ao início, e isso deve-se em parte à tal carta enigmática que já referi. Durante bastante tempo, duvidei dele, e só mais tarde é que surgiu a compaixão, quando me apercebi de como ele sofreu com a morte de Eve.
Por sua vez, Libby é uma personagem interessante, lutadora e independente e que vê a sua vida ser virada do avesso quando o destino lhe prega uma partida. Contudo, Eve é, sem qualquer dúvida, a melhor personagem deste livro e, para mim, tornou-se mesmo numa personagem que não esquecerei facilmente.

Como referi mais acima, esta história cativou-me desde as primeiras páginas, viciou-me e deixou-me a pensar nela em todos os momentos em que não estava a ler. Emocionei-me, ri-me, espantei-me e ainda me senti esbofeteada quando a autora revelou um aspeto crucial da história. Fui tão surpreendida como a personagem que fez essa descoberta e, desde aí, o livro aumentou a minha ansiedade. O final foi mais calmo do que eu imaginava, mas satisfez-me plenamente.

Poderia continuar a escrever acerca deste livro, mas não quero revelar nada que possa estragar a leitura de outras pessoas. Recomendo absolutamente este livro, que acabou de se tornar o meu livro preferido da autora. Espero que apreciem tanto esta leitura como eu!

Classificação: 5/5 estrelas

quarta-feira, 3 de junho de 2015

"Um Erro Inocente" de Dorothy Koomson [Opinião]

Um Erro Inocente foi o terceiro romance de Dorothy Koomson que tive oportunidade de ler.
Tal como noutros livros da autora, neste encontramos novamente um tema bastante forte: a pedofilia.

Ao longo de capítulos que alternam entre presente e passado, vamos conhecendo a história de Poppy e Serena, duas mulheres que, na adolescência, caíram nos encantos de um professor que mudou completamente a vida de ambas. Nessa altura, foram as únicas testemunhas de um trágico acontecimento que continua a assombrá-las vinte anos depois. Poppy quer a todo o custo trazer a verdade ao de cima, enquanto Serena não tenciona que ninguém do seu presente desvende o seu passado.

A história é-nos contada na primeira pessoa, na voz de cada uma das protagonistas, o que permite que o leitor se envolva completamente. Eu senti-me cativada desde as primeiras páginas, não só pela fantástica escrita da autora, como também pelo mistério que se encontrava presente na história.

A caracterização das personagens está excelente; Poppy e Serena são completamente diferentes e muito disso se deve ao que aconteceu no passado e à forma como as vidas de ambas divergiram. Por sua vez, Marcus é uma personagem completamente repugnante e que conseguiu perturbar-me e deixar-me ligeiramente obcecada quando não estava a ler (tudo o que queria era pegar no livro novamente para descobrir o que aconteceria a seguir).

Além das vidas das personagens, este livro dá igualmente um grande destaque às relações, nomeadamente as familiares, que claramente foram muito afetadas com tudo o que sucedeu às duas jovens. Como a autora escreveu a certa altura do livro, uma decisão errada pode acabar por destruir, não apenas a vida da pessoa que a toma, como também a de todos à sua volta.

Por fim, gostava ainda de fazer referência ao final do livro. Houve um momento em que acreditei que as protagonistas iam descobrir a verdade e que se ia fazer justiça, mas depois comecei eu própria a desvendar o mistério e percebi que a autora possivelmente iria dar um final diferente à história. E foi isso mesmo que aconteceu; mesmo como uma leve ideia, não consegui evitar sentir-me fascinada com aquelas páginas finais onde tudo nos foi revelado.

Um livro que eu aconselho vivamente a quem já é fã da autora e aos leitores que apreciem histórias duras, perturbantes e com uma pequena dose de suspense.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 14 de julho de 2014

"Segredos para um Final Feliz" de Lucy Dillon [Opinião]

Em 2012 tive o primeiro contacto com as obras desta autora, com o romance Corações sem Dono, uma história repleta de ternura.

Neste romance, Michelle muda-se para Longhampton, onde deseja recomeçar a sua vida, investindo numa loja de decoração. Quando conhece Anna e se tornam boas amigas, decide convidá-la para gerir e fazer renascer a moribunda livaria de Longhampton, cargo que Anna aceita entusiasticamente.

Anna é uma sonhadora apaixonada por livros e sente que a livraria lhe trará alguns momentos de paz longe das suas enteadas problemáticas e do dálmata hiperativo.

As vidas destas personagens não têm nada de fácil; quando tudo parece estar a encaminhar-se, acabam por surgir mais contratempos.

Michelle terá de lidar não só com segredos do seu passado que voltam para a atormentar, como também com o marido, de quem se separou, mas que recusa dar-lhe o divórcio.
Por sua vez, Anna tenta construir uma relação com as suas enteadas, enquanto procura a todo o custo realizar o seu maior desejo: ter um bebé com o seu marido.

Este é um romance sobre o amor e a amizade, onde os livros também desempenham o seu papel. É reconfortante ler um livro sobre livros e sentir que nos identificamos com algumas características das personagens - nomeadamente Anna e a sua paixão pelas histórias de encantar.

Segredos para um Final Feliz oferece ao leitor horas de descontração, peripécias divertidas, contratempos surpreendentes e muitos momentos emocionantes. Ler este livro é como beber uma chávena de chá acompanhada de biscoitos: reconforta-nos e enche-nos o coração de doçura e calor. Uma leitura que recomendo às leitoras mais apaixonadas!

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"Amor e Chocolate" de Dorothy Koomson [Opinião]

O primeiro livro que li de Dorothy Koomson foi o Bons Sonhos, Meu Amor e agora tive oportunidade de experimentar outra obra da autora: Amor e Chocolate. Algumas opiniões que li referiam que este é um dos livros mais leves da autora, por não abordar temas mais profundos e dramáticos.
De facto, durante a leitura, constatei isso mesmo, é um livro descontraído, com imensas peripécias e uma generosa dose de humor.

Esta é a história de Amber Salpone que, contrariamente ao seu desejo, começa a sentir-se atraída pelo melhor amigo, Greg Walterson. Isto até poderia correr bem, não fosse ele um mulherengo e ela uma pessoa com fobia a compromissos. À medida que a relação avança e surgem algumas dificuldades, Amber vai perceber que nem sempre o chocolate é a solução para todos os males e que há momentos em que é preciso deixar de fugir.

Tal como já referi acima, esta é uma história descontraída e a autora cativou-me desde o início com a sua escrita. Estou a gostar imenso da forma como ela conta e estrutura as suas histórias.

Amber é uma personagem que se mantém divertida ao longo de todo o livro. Além disso, é muito insegura no que diz respeito a relacionamentos, o que está relacionado com o seu passado e com o facto dos seus pais se terem separado quando ela era criança.

Além de Amber e Greg, conhecemos igualmente a Jen (melhor amiga de Amber) e o seu namorado Matt (melhor amigo de Greg). Este casal vai proporcionar algumas surpresas que poderão afetar tanto a relação de Amber com Greg como de Amber com a sua melhor amiga.

Adorei a forma como o chocolate teve um papel importante na história, nomeadamente os momentos em que Amber comparava as pessoas que a rodeavam a diversos tipos de chocolate.
Culpo ainda este livro por me ter provocado uma vontade doida de comer chocolate!

Em conclusão, este é um romance com menos carga dramática do que aquela a que a autora tem habituado os leitores mas, mesmo assim, recomendo a leitura desta história divertida e muito doce!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Pensa num Número" de John Verdon [Opinião]

Adoro policiais e thrillers mas ultimamente a forma como organizo as minhas leituras tem fugido um pouco a este género, acabando por só pegar num policial de vez em quando. Este livro foi emprestado e chegou mesmo numa ótima altura!

A sinopse deixou-me imediatamente interessada: uma série de cartas perturbadoras chegam por correio, pedindo ao destinatário que pense num número qualquer até mil. Aqueles que decidem obedecer apercebem-se que o remetente previu com precisão o número que iria ser escolhido.
Dave Gurney é um inspetor de homicídios recém-reformado que irá ter contacto com este caso quando um amigo seu, que está a ser alvo das missivas, lhe pede ajuda.
O que ao início parece apenas um caso estranho, vai transformar-se num complicado quebra-cabeças e numa caçada a um pérfido assassino em série.

John Verdon iniciou-se na escrita com um policial empolgante e muito engenhoso, capaz de prender o leitor desde as primeiras páginas. O mistério das cartas, a perturbação que estas causam nos seus remetentes, os assassinatos que começam a acontecer, a estranheza dos locais dos crimes e a falta de qualquer tipo de pistas, indicam-nos que estamos perante um assassino que não será fácil de identificar. E na realidade não é! Esta personagem torna-se mais fascinante a cada capítulo, a cada passo que dá, sempre à frente de Gurney e da restante força policial.

O autor acrescentou à história também um lado emocional, nomeadamente na relação de Gurney com a sua mulher, Madeline, uma cativante apreciadora da natureza e da vida, que acabará por auxiliar o marido com a sua intuição.

Perto do final do livro, depois de todo o suspense e da identidade do assassino ter permanecido sempre um mistério, eis que finalmente surge uma reviravolta incrível quando o assassino se revela. Neste momento, é realmente impossível largar o livro, dado que todas as nossas questões (e as da polícia) serão finalmente respondidas. As motivações para estes crimes, os acontecimentos do passado e do presente, a relação entre as vítimas rapidamente fazem sentido para o leitor.

Este livro é realmente muito bom, inteligente, original e empolgante. Fiquei mesmo curiosa por conhecer os volumes que se seguem! Recomendo em absoluto este policial!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Incarceron" de Catherine Fisher [Opinião]

"E enquanto ardia dentro dele, falou no mais baixo dos murmúrios, como o sussurro do pó nos corredores desertos, o roçar das cinzas no coração do fogo." (pág. 182)

Incarceron foi a minha estreia com a autora Catherine Fisher. Este livro chamou-me a atenção pela sinopse e por se inserir no género da fantasia/ficção científica.

A história passa-se num mundo futurista; por um lado, temos a Prisão viva, que vê e controla tudo e que abrange galerias, masmorras, cidades em ruínas e bosques de metal; por outro lado, temos uma sociedade vigiada por um sofisticado sistema de inteligência artificial, mas concebida à semelhança de um cenário do século XVII.

Na Prisão encontra-se Finn, um prisioneiro sem memórias mas que não aceita pertencer àquele lugar. No Exterior, encontra-se Claudia, condenada a um casamento de conveniência que não lhe agrada. Ambos se vão conhecer quando encontram um dispositivo - uma chave - que lhes vai permitir comunicar e traçar um plano de fuga.

Gostei muito da escrita da autora, cativante, sem grandes descrições e usando alguma perícia com as palavras; agradou-me especialmente a frase que transcrevi mais acima!

Em relação a este mundo e à Prisão, o livro exige que o leitor esteja concentrado e faça um grande esforço, não só a tentar visualizar os locais, como a imaginar todas as cenas. Além disso, embora haja ação e o final tenha sido bastante emocionante, a autora deixou por explicar muitos aspetos importantes ao longo do livro. Por exemplo, a Prisão é composta por diferente alas onde vivem grupos de prisioneiros, como os Cívicros e os Comitatus. No entanto, estes e outros conceitos aparecem sem uma definição que nos permita perceber quem são e o que fazem, o que dificulta a compreensão deste mundo tão complexo.

Resumidamente, gostei da história e o final deixou-me com uma pontinha de curiosidade acerca do próximo volume. Espero ter oportunidade de o ler em breve!

Classificação: 3/5 estrelas