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sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

«O Meu Outro Marido» de Dorothy Koomson [Opinião]

 
«O suspense atingiu um novo nível.»
Black Girls Book Club
 
Gosto muito de ler Dorothy Koomson e fico sempre entusiasmada quando ela lança um novo thriller. O seu trabalho anterior, Eu Sei o Que Vocês Fizeram, não me encheu as medidas, por isso foi com muita satisfação que dei as boas-vindas a este novo thriller.

O Meu Outro Marido oferece-nos uma premissa incrível: uma mulher está a ser acusada de homicídio e não pode provar a sua inocência; para isso, teria de revelar a verdade sobre o seu outro marido.

Desta forma, vamos conhecer Cleo, uma romancista bestseller e também argumentista de uma série de grande sucesso.
 
Cleo decidiu afastar-se de tudo na sua vida, incluindo do seu marido, Wallace, de quem se quer divorciar.
É aqui que a narrativa se inicia e a ação vai alternando entre presente e passado. O passado é muito importante para percebermos como é que a Cleo chegou ao momento presente.
 
Diria que a primeira metade do livro é calminha, ainda sem contornos de thriller. Mais para a frente, conforme vão surgindo algumas revelações surpreendentes, a história ganha um novo ritmo, tornando-se de leitura compulsiva.

Dorothy criou uma teia complexa de mentiras envolvendo a nossa protagonista. Tudo se complica quando começam a ser cometidos homicídios baseados na série televisiva escrita por Cleo e ela parece ser a principal suspeita. Mas será mesmo?

O Meu Outro Marido surpreendeu-me por completo, prendeu-me às suas páginas e ofereceu-me momentos de grande tensão. Foi uma leitura mesmo boa, que só mostra o grande talento de Dorothy Koomson a navegar entre géneros literários diferentes.
Recomendo vivamente esta leitura e só posso ficar à espera do próximo trabalho da autora.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

«Violeta» de Isabel Allende [Opinião]


Há bem mais de dez anos que eu não lia nada de Isabel Allende. Trouxe Violeta da biblioteca e o livro revelou-se uma surpresa muito boa.
 
Não me recordava do estilo de escrita da autora; pelo que parece, as suas histórias são narradas com pouquíssimo diálogo. Por vezes, este aspeto pode tornar o livro denso para alguns leitores, e neste caso aconselho uma leitura mais pausada.
 
Este livro tem uma escrita maravilhosa, com algum sentido de humor que me fez soltar gargalhadas, bem como outras passagens que deixam o leitor emocionado. A escrita é tão boa que o leitor dá por si embalado numa história muito bonita.
 
Desta forma, numa narrativa contada na primeira pessoa, vamos conhecer a história de Violeta, uma jovem que nasce em 1920, numa família com cinco irmãos. Violeta dirige a sua história a Camilo, uma pessoa muito importante para ela.
Vamos acompanhando a sua vida durante a Grande Depressão, e de terem passado de uma vida boa para uma vida mais pobre, a viver numa região selvagem e remota. Vamos conhecer os amores e desamores de Violeta, os seus amigos, pessoas que a ajudaram e a quem ela também ajudou.
 
Esta história manteve-me entretida durante vários dias e soube-me muito bem. Geralmente, prefiro livros com mais ação, sinto necessidade de ser quase constantemente estimulada, mas este livro mais calmo e de leitura lenta cativou-me por completo.
 
Ficou, sem dúvida, a vontade de ler mais Isabel Allende num futuro próximo. E tenho sorte, a biblioteca da minha residência tem inúmeros livros da autora.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 5 de agosto de 2023

«O Meu Coração entre Dois Mundos» de Jojo Moyes [Opinião]

 
«A leitura deste livro fá-lo-á sentir-se enternecido e feliz.»
Look
 
Este é o terceiro volume da história de Louisa Clark, depois de Viver Depois de Ti e Viver Sem Ti.
 
Louisa vai viver para Nova Iorque, onde conseguiu um emprego novo, a trabalhar para uma família muito rica de Manhattan.
 
Quando chega a um novo país, uma nova cidade, está confiante e convencida de que conseguirá enfrentar todos os desafios, apesar da distância que se impõe entre ela e o seu novo namorado, Sam.
 
Este livro traz de novo a perspetiva da Louisa e a sua voz divertida e inocente a contar-nos todas as peripécias que lhe acontecem.
 
Louisa terá de se adaptar ao dia a dia de uma família muito rica e vai também ser inserida na alta sociedade nova-iorquina, na qual conhecerá um homem que lhe traz recordações do passado. Com tudo isso a acontecer na sua vida, Lou vai ter de descobrir quem ela é.
 
Gostei muito de acompanhar as novas peripécias da Louisa em Nova Iorque. Considero que este livro teve altos e baixos; tal como no livro anterior, houve momentos em que senti que havia algumas partes para encher a narrativa. Contudo, foi uma história com um rumo interessante e um final perfeito para a Louisa.
 
Se o segundo livro da série nos falava sobre como seguir em frente depois de se perder alguém que se ama, este continua a abordar esse assunto, mas também fala sobre a importância de percebermos quem realmente somos e de sermos fiéis a nós mesmos, ou seja, não alterarmos a nossa personalidade, os nossos comportamentos, a nossa maneira de ser, por causa de outra pessoa. Devemos respeitar e manter viva a nossa essência.
 
Em conclusão, esta é uma trilogia muito boa. Claro que nem o segundo nem o terceiro volume são tão bons como o primeiro — que foi incrível e inesquecível —, mas eu quis lê-los para saber como continuava a história da Louisa. Não me arrependo de todo!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 16 de agosto de 2022

«A Última Casa em Needless Street» de Catriona Ward [Opinião]


«Sensacional... Não me recordo de outro romance nos últimos anos que se tenha atrevido a tanto e conseguido tanto.»
A. J. Finn, autora de A Mulher À Janela
 
Falar deste livro só é possível sem dizer nada sobre ele, nada que prejudique a experiência de leitura das outras pessoas.
Por isso, podes ler esta opinião à vontade, porque não conterá nenhum spoiler.

A Última Casa em Needless Street é um thriller que me chamou a atenção assim que foi publicado e creio que o comprei logo nesses dias.
A própria sinopse, de facto, não diz grande coisa porque este livro deve ser lido sem se saber nada sobre ele.

Esta é a história de Ted, que vive com a filha Lauren e a gata Olivia. Paralelamente, desenvolve-se a história de uma criança desaparecida.

Nesta opinião, vou falar sobretudo do que eu senti ao ler este livro.
O livro é confuso. O início da leitura custa um pouco e posso dizer que vai demorar até começarmos a perceber o que se está a passar.
A história é contada de várias perspetivas: de Ted, da irmã da menina que desapareceu e de Olivia, que é a gata. Este foi o pormenor que achei mais estranho, porque nunca tinha lido nada que nos desse a perspetiva de um gato: ele a falar, os seus pensamentos, o que ele estava a fazer...

Este livro é mesmo estranho. Contudo, nunca me passou pela cabeça desistir da leitura, mas custou até isto começar a arrancar e a ficar mais interessante.
A sensação que eu tinha era que estava a ler, por mais que lesse não percebia nada, mas havia ali algo que me chamava e me fazia querer ler mais.

[Fotografia da minha autoria]

Vou referir apenas que este livro tem uma ideia muito ambiciosa. Já vi um filme que aborda esta temática, mas nunca tinha lido nada assim. Confesso que, em livro, eu nem saberia como abordar o tema.
Acredito que a autora tenha feito uma pesquisa enorme e está de parabéns por este trabalho!
Se esta é ou não a melhor forma de contar uma história deste género e com este tema, não sei. Gostei muito, mas não consigo dar as 5 estrelas, e não sei explicar bem porquê. Talvez por ter passado tanto tempo sem perceber nada e ter sentido ali alguma frustração.

O que recomendo a quem quer ler este livro: vai ser estranho e confuso, mas insistam. O final vale muito a pena. NÃO espreitem a parte do fim, a nota da autora e a bibliografia, porque isso dá logo o spoiler que é este livro.
A quem começou a ler e desistiu porque não estava a aguentar tanta confusão, posso dizer que tentem novamente, ofereçam ao livro uma nova oportunidade.

A experiência deste livro é boa se pegarmos nele sem sabermos nada. Prometo que vale a pena!

Sem dúvida, vou ficar atenta a novos trabalhos da autora. Mesmo não tendo sido, para mim, o melhor livro de sempre, tenho de admitir que é muito interessante e que é um livro que talvez venha a ler no futuro para ter uma compreensão diferente, agora que sei de que se trata.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 19 de julho de 2022

«Viver Sem Ti» de Jojo Moyes [Opinião]


«Jojo Moyes tem um especial talento para preencher as expectativas dos seus leitores evitando a previsibilidade.»
Wall Street Journal

Após ter lido, no ano passado, a história incrível da Louisa e do Will, ficou a vontade e a curiosidade em descobrir como teria continuado a vida da Louisa depois do final de Viver Depois de Ti.

É compreensível que, depois de uma história tão perfeita, e que poderia ter terminado ali, deixando o resto à imaginação do leitor, haja receio em ler a continuação.

Eu arrisquei e posso já afirmar que a leitura me soube muito bem. O livro não é de longe tão bom como o primeiro, mas adorei reencontrar algumas destas personagens tão queridas. Esta leitura não estragou as minhas memórias e sentimentos em relação ao primeiro livro.

Em Viver Sem Ti, Louisa está a começar a aprender a seguir em frente. Sente-se ainda um pouco perdida, sem saber o que fazer com a sua vida, e tudo muda quando um estranho acidente a faz voltar a casa dos pais. Pouco tempo depois, vai parar a um grupo de apoio e, mais tarde, conhece Sam Fielding, um paramédico que conseguirá compreendê-la.
Ao mesmo tempo, surge uma personagem do passado de Will, que virá alterar todos os planos a Louisa.

[Fotografia da minha autoria]

Mais uma vez, toda a narrativa é contada na perspetiva da Louisa e adorei voltar a ouvir esta voz tão inocente e divertida, com alguns momentos de tristeza.
A escrita é tão cativante, que fiquei agarrada logo desde o primeiro capítulo e todo o livro se leu muito bem. Ao contrário do primeiro volume, este não é tão intenso, não retrata temas tão perturbadores e considero que foi uma leitura bem mais refrescante.

Viver Sem Ti fala-nos de luto, de como se segue em frente depois de se perder alguém que se ama, de como se ultrapassa os sentimentos de culpa, a dor, o vazio... Depois de algo tão doloroso, como se constrói uma vida com um objetivo, com algo que valha a pena?

Gostei muito das sessões do grupo de apoio, de todo o leque de personagens que partilhavam os seus sentimentos, alegrias, tristezas, frustrações, esperança no futuro.
Contudo, o que mais gostei neste livro foi o crescimento da Louisa, de como, aos poucos, ela foi ultrapassando os sentimentos de depressão e recuperando alguma da sua personalidade tão viva.

Encontramos também muitas outras personagens do livro anterior, relacionadas direta ou indiretamente com o Will, e este livro mostra-nos como todas elas, com mais ou menos dificuldades, seguiram em frente com a sua vida.

Para terminar, volto a referir que este livro não conseguiu ser tão bom como o primeiro. Houve momentos em que achei que a autora estaria a exagerar no drama, mas, no final, o balanço foi positivo. Vou querer ler, em breve, o último volume da trilogia.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 28 de junho de 2022

«A Minha Avó Pede Desculpa» de Fredrik Backman [Opinião]

 
«Cheio de amor, esperança, perdão e compreensão das diferenças, a história de Elsa acompanhá-lo-á muito depois de ter virado a última página.»
Library Journal

Depois de ter adorado Gente Ansiosa, mal podia esperar pela oportunidade de voltar a ler outra obra do autor.

A Minha Avó Pede Desculpa conta-nos a história da Elsa, uma menina que adora a sua avó. Todas as noites, a avó conta-lhe histórias cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde é normal ser-se diferente.
Quando a avó morre de repente e deixa um conjunto de cartas a pedir desculpa às pessoas que magoou, Elsa dá início à sua maior aventura.

Confesso que me custou um bocadinho a adaptar-me a esta história. Achei-a descritiva e com uma grande ênfase no reino mágico criado pela imaginação da avó de Elsa. Contudo, ao fim de alguns capítulos fui finalmente capaz de apreciar toda a beleza desta história.

Elsa vive num prédio, onde também habitam outros moradores, cada um com a sua história. A menina acabará por ter de lhes entregar cartas da avó e, com isso, vai conhecer um pouco da vida dessas pessoas e da sua relação com a avó.
O que é engraçado é que a avó camuflou todos esses moradores nas histórias mágicas que sempre contou à neta.

A escrita do autor é ternurenta e embala-nos e, mais uma vez, senti vontade de ler este livro devagar, para viver por mais tempo nesta história.
O final é maravilhoso, quando todas as personagens se interligam e percebemos a ligação entre os moradores daquele prédio e os habitantes de Miamas. Há ainda um capítulo final que me emocionou e que achei brilhante, uma vez que interliga os nomes de todos os capítulos do livro. Achei esse pormenor delicioso.

A minha avó pede desculpa é uma história repleta de ternura e que nos fala de luto, de perdão, de amor e compreensão. Gostei mesmo muito e recomendo sem reservas!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 17 de maio de 2022

«Gente Ansiosa» de Fredrik Backman [Opinião]

 
«[Um] romance peculiar e rico [...] Irónico, sábio e muitas vezes engraçado, é uma história totalmente original que proporciona puro prazer.»
People
 
Gente Ansiosa foi o primeiro livro que li de Fredrik Backman e foi uma surpresa completa!
Tinha lido opiniões muito boas, tanto deste como de outros livros do autor, e por isso estava ansiosa por conhecer esta história.

Diria que Gente Ansiosa é diferente de tudo o que já li. É uma história sobre um assalto a um banco que corre mal, e o assaltante acaba por fazer reféns num apartamento que está à venda e a ser visitado naquele momento. Esta acaba por ser uma história de várias pessoas que se cruzam naquele apartamento, cada uma com as suas vivências, as suas preocupações, as suas dores, as suas ânsias.
 
São personagens muito humanas e com as quais facilmente nos vamos identificar. Mesmo o assaltante vai fazer-nos sentir empatia e torcer para que tudo corra bem nesta situação de reféns.

Adorei completamente a estrutura deste livro, a forma como o autor conta a história, como por vezes se dirige ao leitor. A escrita é simplesmente deliciosa; o autor conta esta história como se nos estivesse a embalar. Só queria ler devagar para apreciar cada palavrinha, cada frase.

[Fotografia da minha autoria]

O autor recorre a descrições e comparações originais, que eu achei não apenas lindas, como também interessantes de interpretar. Diria até que poderão ser úteis para escritores que por vezes não sabem como descrever de forma original algo totalmente comum.
Recordo-me de um exemplo em que o autor descrevia o tempo numa determinada manhã. Em vez de se limitar a dizer que o céu apresentava nuvens cinzentas, disse que a aparência do céu era como se alguém tivesse pegado fogo a fantasmas. Achei incrível!
Há outro momento em que o narrador descreve o inverno como alguém presunçoso, uma vez que é o outono que tem todo o trabalho de fazer as pessoas esquecerem-se dos dias de calor e depois o inverno simplesmente aparece com o frio e a neve e fica com o mérito.

Gostei tanto deste livro que nem queria terminá-lo. Queria conhecer o desfecho, mas não despedir-me das personagens, da escrita belíssima.

Gente Ansiosa é original na sua simplicidade. A história em si não é nada de especial. É uma história simples, com laços entre as personagens, entre o passado e o presente, e tudo acaba por fazer muito sentido no fim.

Trouxe este livro da biblioteca, mas é daqueles que gostava mesmo de ter na minha estante. Gostei tanto, tanto! Vale completamente a pena. Leiam!

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 22 de abril de 2022

«Eu Sei o Que Vocês Fizeram» de Dorothy Koomson [Opinião]


«Um thriller psicológico instantaneamente envolvente.»
Daily Telegraph

Tenho gostado imenso de ver Dorothy Koomson a explorar a sua vertente mais direcionada para os thrillers, não fosse este o meu género literário preferido.

Eu Sei o Que Vocês Fizeram despertou-me a curiosidade assim que soube do seu lançamento em Portugal.
A premissa é muito boa e tinha tudo para dar certo.
Imagina que chega às tuas mãos um diário que revela os segredos de todos os teus vizinhos. A mulher que o escreveu foi violentamente atacada e encontra-se às portas da morte. O que farias? Entregarias o diário à polícia? Ou tentarias descobrir quem a atacou?

Iniciei este livro com grandes expetativas e esperança de me surpreender. O início prendeu-me e, ao mesmo tempo, deixou-me um pouco confusa. São-nos apresentadas várias personagens e vamos acompanhando o ponto da vista de cada uma. Precisei de algum tempo até ser capaz de identificar quem era quem.

Fui avançando na leitura, mas sentia que não me estava a cativar o suficiente, não me prendia nem me deixava em ânsias de descobrir tudo como um bom thriller consegue fazer. Atribuí isso à possibilidade de me sentir ainda ressacada da minha leitura anterior. Porém, esta falta de algo que me cativasse manteve-se quase até ao final.

No geral, não gostei propriamente de nenhuma personagem, excetuando talvez a Rae, com quem me identifiquei um pouco. Achei que estava bem caracterizada e gostei especialmente que fosse uma personagem com problemas que se intensificaram devido à pandemia e ao confinamento.

A minha única motivação para ler o livro até ao fim foi descobrir quem atacara a dona do diário. Esse mistério acabou por conseguir manter-me curiosa ao longo da leitura. As últimas cem páginas acabaram por valer um pouco mais a pena e adorei a reviravolta final.

Apesar de tudo, acho que faltou qualquer coisa a este livro para ele funcionar comigo.

Eu Sei o Que Vocês Fizeram é um thriller que aborda aquilo que somos capazes de fazer para proteger quem amamos. A restante temática acaba por ser um pouco baseada na coscuvilhice, uma vez que toda a história se centra numa mulher que se dedicou a investigar todos os seus vizinhos e a descobrir os seus podres.
Todos podemos ter segredos, todos podemos ter algo no passado de que não nos orgulhamos, mas ninguém tem o direito de se intrometer na nossa vida e revelar os nossos segredos. Creio que o ensinamento que podemos retirar daqui é que, apesar de sermos naturalmente curiosos, devíamos aprender a respeitar um pouco mais os outros.

Embora não me tenha cativado tanto como outros livros da autora, não deixo de recomendar a sua leitura. Outros leitores poderão certamente apreciar esta história de forma diferente.

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

«A Dança das Estrelas» de Emma Donoghue [Opinião]


«Não acredita que a história se repete? Leia este livro. É um romance impressionante. A Dança das Estrelas passa-se quase inteiramente numa única sala e desenrola-se ao ritmo de um thriller
Karen Thompson Walker, New York Times
 
A Dança das Estrelas foi uma leitura completamente inesperada. Mesmo depois de ter lido a sinopse, não estava preparada para o que iria encontrar.

Este romance de Emma Donoghue transporta-nos para 1918, para Dublin, Irlanda, na altura em que o país é arrasado não só pela guerra como também pela doença, nomeadamente a influenza, a gripe espanhola.
A história acompanhava Julia Power, uma enfermeira que trabalha num hospital sobrelotado. Ela cuida de grávidas que contraíram a gripe e que estão em quarentena.

Este livro decorre ao longo de três dias e é tão intenso que se lê à velocidade de um thriller. O ambiente é aflitivo e não queremos parar de ler. Contudo, por outro lado, alguns leitores (como eu) precisarão de algumas pausas para digerir o que estão a ler.
A ação decorre sobretudo numa enfermaria minúscula, sem condições, onde várias mulheres vão lutar não só pela sua vida, como também pela vida que estão prestes a fazer nascer.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
O enredo situado durante a gripe espanhola foi a principal razão que me levou a querer ler este livro. A temática é extremamente atual, tendo em conta a pandemia que temos vivido. É arrepiante ver como o passado se repete.

Confesso que a temática da gravidez e dos partos não me agrada particularmente e este livro tem descrições arrepiantes. Em alguns momentos, fiquei mesmo agoniada e tive de parar de ler. Noutras alturas, dava comigo a pesquisar no Google alguns dos procedimentos mencionados, o que só contribuía ainda mais para a minha agonia.

As personagens que habitam este livro são sobretudo mulheres. Julia é uma enfermeira determinada, experiente e muito dedicada às suas doentes. A sua grande ajuda será Bridie, uma jovem ajudante voluntária, que é uma lufada de ar fresco. É ela que nos traz os melhores momentos do livro, ao mesmo tempo que nos angustia com os tristes acontecimentos da sua vida.
A Dra. Kathleen Lynn é uma personagem real: foi uma médica procurada pela polícia por ser uma líder revolucionária.

O final do livro deixou-me de coração nas mãos. Esperava tudo menos aquele final. Fiquei triste, depois de uma leitura tão intensa, mas também um pouco esperançosa.

Como conclusão, posso afirmar que foi uma leitura extremamente boa. Alerto apenas para o tema sensível que poderá incomodar alguns leitores. Se o queres ler, força, mas prepara-te porque é intenso!

Classificação: 4/5 estrelas

domingo, 11 de julho de 2021

"Viver Depois de Ti" de Jojo Moyes [Opinião]


Há muito tempo que eu queria ler este livro. Nunca tinha visto o filme porque não gosto particularmente de ver os filmes antes de ler os livros. Mas a curiosidade de conhecer esta história era imensa e, graças a um empréstimo, surgiu finalmente a oportunidade.

Dei comigo agarrada à história em apenas um ou dois capítulos. Conhecemos Louisa, uma jovem banal, que vive numa aldeia de onde nunca saiu, com uma vida completamente banal. Quando fica desempregada, e uma vez que a família está a passar dificuldades, aceita um emprego para cuidar de Will Traynor, um homem que ficou tetraplégico após um atropelamento.

Will é muito temperamental e autoritário, o que faz com que a relação de ambos não comece nada bem. Contudo, Lou tem uma forma muito própria de ver a vida, com uma certa alegria e ingenuidade, e recusa-se a tratá-lo com pena e complacência.

A narrativa é maioritariamente contada na perspetiva de Louisa e a verdade é que adorei a voz dela. Lou é muito humilde e ingénua e tudo o que nos conta tem essa aura de ingenuidade, de inocência, de divertimento. A sua personalidade é tão colorida como as roupas que utiliza e que são sempre tão estranhas e diferentes que Will as considera ridículas.
 
[Fotografia da minha autoria]


Creio que é impossível alguém ficar indiferente a esta história. São abordados temas importantíssimos e até um pouco controversos, como o direito à liberdade de escolha, quais as suas consequências e a forma como reagem as pessoas à nossa volta.
A autora abordou esta temática com muita humanidade, colocou-nos verdadeiramente a pensar (ou, pelo menos, a tentar) no que faríamos se estivéssemos nesta situação. O tema é tão complexo e sensível que eu não consigo ainda formular uma opinião. Entendo os pontos de vista de todos os intervenientes, mas é mesmo difícil colocar-me na pele de Will, tentar imaginar o que é ter uma vida ativa e, de um momento para o outro, ficar agarrada a uma cadeira de rodas, completamente dependente de alguém.

A relação que Lou e Will desenvolvem cresce de forma maravilhosa. Will ensina Lou a ver a vida de outra forma, mesmo que seja ela quem esteja a tentar mudar a visão dele. A verdade é que ele faz muito mais por ela, mostrando-lhe que existe mais vida e mais experiências para lá do pequeno mundo onde ela vive. Às vezes precisamos mesmo de viver com ousadia, arriscar, sair da nossa zona de conforto, mesmo que o desconhecido nos pareça terrível.

Em relação ao final do livro, acho que foi o mais adequado, talvez o mais realista. O leitor sabe desde cedo o que poderá acontecer, mas isso não impede o nosso coração romântico de desejar que o desfecho seja outro. Achei-o perfeito!

Viver Depois de Ti sobressaltou-me as emoções. Tinha receio de que me deixasse mergulhada numa ressaca mas a verdade é que estou grata pela oportunidade de conhecer esta lindíssima história. Vou recordar Lou e Will por muito tempo e é um daqueles livros que farei questão de comprar para ter na estante.
Embora muitos leitores tenham receio de ler a continuação (porque este livro é tão bom que podia ficar por aqui), a verdade é que sinto imensa curiosidade em saber como terá continuado a vida de Lou. Por isso, decidi que vou ler os dois livros que dão continuidade a esta história.

Um livro incrível, comovente, escrito com muita sensibilidade e que acredito que deveria ser lido por toda a gente. Esta temática é demasiado importante para ser ignorada. Leiam!

Classificação: 5/5 estrelas

domingo, 21 de fevereiro de 2021

"Lá, Onde o Vento Chora" de Delia Owens [Opinião]

 
«Através da história de Kya, Owens fala-nos da forma como o isolamento afeta o comportamento humano e o profundo efeito que a rejeição pode ter nas nossas vidas.»
Vanity Fair

Lá, Onde o Vento Chora é um daqueles livros tão amados pelos leitores que é impossível não ter as expectativas elevadas antes de iniciar a sua leitura. Era assim que eu me sentia, ansiosa por conhecer esta história.

Este livro dá-nos a conhecer Kya, uma menina que vive numa cabana junto a um pantanal e que é abandonada pela mãe. Mais tarde, os irmãos acabam também por sair de casa, bem como o seu pai. Ela fica então completamente sozinha.
Terá de aprender a sobreviver, a ser autossuficiente: arranjar comida, perceber como funciona o dinheiro e descobrir como o ganhar para adquirir bens necessários.

A história vai alternando entre a vida de Kya e a investigação de um crime, em diferentes épocas temporais que se vão aproximando. Os capítulos dedicados a Kya são de ação mais lenta, por serem mais descritivos. São muitas e belíssimas as descrições da natureza, e nem por uma vez me senti aborrecida. Antes pelo contrário, dava por mim a apreciar estas descrições, escritas pela mão de uma especialista no mundo animal. Acredito que a formação da autora tenha contribuído imenso para tornar estas descrições muito mais ricas. Ela transformou a natureza numa personagem deste livro.

À medida que acompanhamos o crescimento de Kya, vamos conhecendo uma menina muito isolada, esquiva e fugidia, com pouco contacto com pessoas e, de certa forma, com algum receio de se aproximar delas, excetuando uma ou duas com quem ela tem uma relação de confiança. A autora mostra-nos os efeitos de uma vida solitária e longe da sociedade.

[Fotografia da minha autoria]

A outra parte da história é a investigação de um crime, que aconteceu uns anos mais à frente. Senti-me um pouco desiludida com esses capítulos, cujos diálogos eram pobres e fabricados de forma a que os investigadores dessem a informação que o leitor precisava de conhecer. A segunda parte desta investigação, passada em tribunal, melhora substancialmente e, nessas páginas, senti-me presa à leitura.

Este livro acaba por ser uma mistura de ingredientes do drama, do romance e do policial. É uma história que emana uma aura de tristeza e solidão, é muito emotiva, deixando-nos com as emoções à flor da pele.

Achei a história muito coerente. A acção inicia-se em 1952, nos Estados Unidos, onde há zonas costeiras como Barkley Cove, a localidade fictícia descrita no livro. Há populações a viver junto a essas zonas e acredito que, numa época dessas, esta história poderia ter tido lugar. Kya era fugidia; por muito que os inspetores escolares tentassem levá-la para a escola, ela fugia sempre, e ninguém conseguiu colocá-la numa família de acolhimento.

Lá, Onde o Vento Chora é uma história poderosa e que vou recordar por muito tempo. Adorei a relação de Kya e Tate, tão genuína e mágica, e o final deixou-me completamente arrebatada e a tentar controlar as lágrimas.

Lê, experimenta! É um livro muito, muito bom!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 9 de janeiro de 2021

"A Amiga", de Dorothy Koomson [Opinião]


A Amiga é a história de cinco mulheres. Yvonne, uma das mães mais populares de uma escola privada em Brighton, foi brutalmente atacada e deixada às portas da morte. Semanas depois, Cece muda-se para aquela localidade e encontra tensão e nervosismo na escola onde acabou de matricular os filhos.
 
Mais tarde, conhece Maxie, Hazel e Anaya, três mulheres que a ajudam a ambientar-se e a não se sentir sozinha. Mas elas eram também amigas de Yvonne e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime.

Dorothy Koomson traz-nos uma história que nos faz refletir sobre o que é a amizade e de que forma a vemos: como um sentimento genuíno ou como algo que nos pode ajudar a retirar proveito próprio em situações que não alcançaríamos sozinhos.

Aprecio sempre bastante as personagens que a autora constrói. São personagens com as suas fragilidades, os seus medos, os seus problemas, os seus segredos, e por isso parecem muito reais.

Senti algumas dificuldades no início, uma vez que vamos acompanhando as perspetivas da Cece e das três amigas, enquanto também vamos conhecendo Yvonne através das memórias destas mulheres. Foi um início mais lento por serem muitas mulheres, todas casadas, com filhos, com histórias diferentes e, nas primeiras cem páginas, foi complicado distingui-las.

[Fotografia da minha autoria]

Entretanto, comecei a saber quem era quem e tudo mudou. A história ganhou um novo ritmo e vi-me desejosa de descobrir os segredos que Maxie, Anaya e Hazel guardavam. São todas mulheres com histórias de vida complicadas e com uma parte da sua vida que desejam manter escondida a todo o custo.
Mas o que seria assim tão terrível, e o que lhes teria feito Yvonne, para que uma delas a pudesse ter atacado quase até à morte?

A autora aborda ainda a temática do racismo (que é muito comum nos seus livros) e fala da falta de comunicação que por vezes afeta os casais e que promove desentendimentos durante anos e anos.

No final temos um gostinho de thriller, à medida que Cece se aproxima da verdade e tanto ela como os seus filhos podem ficar em perigo. Os últimos capítulos são muito empolgantes e adoro a conjugação que a autora faz entre romance e thriller.

Não foi o meu livro preferido da autora, mas sem dúvida que consta entre os preferidos e cuja história serei capaz de recordar. Fica a vontade imensa de continuar a descobrir os trabalhos desta escritora!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

"As Intermitências da Morte" de José Saramago [Opinião]


As Intermitências da Morte foi o segundo livro de Saramago que li este ano e estou muito satisfeita com a minha decisão de começar a conhecer a vasta obra deste autor.

Eu diria que este livro é uma espécie de distopia, passado num determinado país onde, de repente, as pessoas deixam de morrer. Achei a premissa extremamente interessante e, logo no primeiro capítulo, somos atirados para o meio deste estranho acontecimento. Bastaram alguns parágrafos para o autor me deixar a refletir.
A morte é um acontecimento natural; embora isto seja um gigante cliché, a morte é a única certeza que temos na vida. Por muito que doa e nos custe perder um ente querido, a verdade é que a morte é natural e importante. Estamos acostumados a ela, por isso não deixa de ser estranho imaginar o que aconteceria se de repente ninguém morresse.

O autor retrata esta situação de forma excelente: os hospitais ficariam completamente cheios de idosos e pessoas doentes que, por um lado, não recuperariam das suas doenças mas, por outro, também não morreriam, ficando eternamente a ocupar camas. Os lares de idosos passariam a ser poucos para a procura existente. As agências funerárias ficariam mergulhadas numa terrível crise. E nem a Igreja Católica escaparia, uma vez que sem morte não há ressurreição.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
A primeira metade do livro centra-se nestes aspectos, envolvendo também os políticos e a forma como eles têm de lidar imediatamente com esta situação de calamidade.
 
Sensivelmente a meio do livro há uma parte um pouco monótona e que me custou a ler. Pensei que o problema fosse meu (uma vez que tenho por hábito ler à noite e senti dificuldades em concentrar-me na escrita de Saramago) porém, após ler algumas opiniões, descobri que outros leitores relataram a mesma dificuldade. Há, de facto, uns capítulos mais chatos, mas vale totalmente a pena fazer um esforço e prosseguir até à segunda metade do livro.

Aqui surge uma personagem nova: a morte (que insiste em que o seu nome seja escrito com letra minúscula). Foi delicioso de se ler! Há muito humor, muita ironia, a forma magnífica como o autor fala da morte, nos mostra como ela é e como se comporta, até que, pouco a pouco, a vai tornando mais humana. O final é incrível e eu fiquei completamente embasbacada a olhar para o livro, sem saber como o interpretar. Comecei a formular teorias na minha cabeça mas ainda sinto necessidade de discutir aquele final com outros leitores.

Se leste este livro, partilha comigo os teus pensamentos em relação ao final!

Sem dúvida que tenciono continuar a explorar o mundo que Saramago nos deixou e só me arrependo de não ter começado mais cedo.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 8 de setembro de 2020

"O Evangelho Segundo Jesus Cristo" de José Saramago [Opinião]


Ler José Saramago foi uma forma de me desafiar. Sempre me senti um pouco envergonhada enquanto leitora por me ter mantido tão resistente a ler as obras deste autor. Concordo que devemos ler aquilo que nos dá prazer,  não interessando se algumas dessas leituras são mais fáceis; contudo, acredito que é enriquecedor sair da nossa zona de conforto e ler algo mais desafiante.

Deste autor, ainda só tinha lido o Claraboia — um dos seus primeiros trabalhos escritos e que surgiu antes de ele desenvolver o seu estilo — e O Conto da Ilha Desconhecida — um pequeno conto que me deu um cheirinho da sensibilidade da sua escrita.

Confesso que sempre embirrei um pouco com o autor e não foi por minha culpa. Quando estava na universidade, tive um professor de Literatura que, certa vez, nos trouxe um excerto de um livro de Saramago para fazermos um exercício de pontuação. Acredito que o professor não pretendia desencorajar-nos de ler o autor mas desde aí que cresceu em mim esta embirração injustificada.
 
Na verdade, Saramago utiliza pontuação nos seus trabalhos. Socorre-se unicamente da vírgula e do ponto final e, na verdade, nada mais é necessário. Após alguma estranheza e dificuldade inicial, a leitura flui muito melhor e o leitor é capaz de entender tudo o que lê e retirar prazer da leitura.

[Fotografia da minha autoria] 

Em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, o autor apresenta-nos a sua visão de como poderia ter sido a vida de Jesus. Ao longo destas páginas, vamos acompanhando diversos episódios bíblicos nossos conhecidos, contudo, eles apresentam um carácter mais humano e menos divino. As personagens demonstram todo o tipo de emoções humanas, como a alegria e a tristeza, a culpa e o remorso.
Neste livro, Deus é arrogante e pouco bondoso, sendo mais adepto de guerras e sofrimento.

Enquanto lia este livro senti imensa vontade de consultar a Bíblia, de forma a comparar o que está escrito nos evangelhos com o que o autor nos apresenta neste romance. Quanto do que lemos neste livro partirá da imaginação do autor?

A leitura acabou por ser mais agradável do que eu esperava e digo-vos, ainda bem que continuei a insistir comigo mesma e me desafiei a finalmente pegar neste livro. Estou muito surpreendida e desejosa de explorar um novo trabalho do autor.

Qual o teu livro preferido de Saramago? E qual me recomendas para ler a seguir?

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 1 de agosto de 2020

"Vidas Adiadas" de Dorothy Koomson [Opinião]


Vidas Adiadas é o mais recente trabalho de Dorothy Koomson. Dez anos depois, ela regressa com Poppy e Serena, as protagonistas de Um Erro Inocente.

Tratando-se de uma sequela, é fundamental que leiam o Um Erro Incente para conhecerem toda a história das Meninas do Gelado e poderem tirar o melhor proveito deste novo romance.

Eu li-o em 2015 e, uma vez que guardava poucas recordações e não queria estar a lê-lo de novo, encontrei uma leitora no instagram que o leu recentemente e se dispôs a fazer-me um pequeno resumo do final do livro e de como tinha ficado a vida das personagens.
Isso ajudou-me bastante a entrar na história. Além disso, há neste livro imensas referências ao livro anterior, pelo que a nossa memória está constantemente a ser refrescada.

Ler Vidas Adiadas foi o reencontro com duas personagens muito queridas. Poppy e Serena passaram por verdadeiros tormentos e adorei ver como prosseguiram as suas vidas dez anos após os acontecimentos do primeiro livro.

Além das perspectivas de Poppy e Serena, este livro traz-nos uma nova personagem principal: Verity, a filha de Serena. Assim, temos uma narrativa contada a três vozes, com acontecimentos que vão interligar as três mulheres e o passado das duas mais velhas.

[Fotografia da minha autoria]

Simpatizei de imediato com a Verity e com a sua personalidade. Confesso que adorei a forma como a autora iniciou o livro. Assim que li o primeiro capítulo da Verity, pensei "isto não vai correr nada bem" e, de facto, não correu.

Em Vidas Adiadas temos mentiras. Muitas mentiras. Verity mente, Serena mente desde sempre e Poppy vive ainda assombrada pelas mentiras. Assistimos à forma como as vidas de todos os envolvidos vão voltar a desmoronar-se devido às mentiras.

Com o talento a que a autora já nos habituou, neste novo romance, cujo título original — All my lies are true — me agrada muito mais do que o título português, poderemos encontrar uma dose bem generosa de dramas familiares, conjugada com a temática das relações abusivas e de como a justiça nem sempre é justa. Temos romance, mentiras e imensas reviravoltas.

O livro é extremamente bom, está estruturado de forma muito inteligente, cativando-nos e fazendo-nos desconfiar de tudo e de todos. No final, as personagens acabam por receber o consolo de que necessitavam para prosseguir de vez com as suas vidas, sem mais assombrações do passado, e quero acreditar que elas desta vez vão conseguir.
Uma sequela incrível e imperdível do romance Um Erro Inocente. Não deixem de ler!

Classificação: 4/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Conta-me o Teu Segredo" de Dorothy Koomson [Opinião]


Fiquei curiosa com esta novidade da Dorothy Koomson assim que a capa portuguesa foi divulgada. Gosto imenso dos livros da autora, mas tenho adorado principalmente a sua vertente mais direcionada para o thriller, ou não fosse este o meu género de eleição.

Neste romance encontramos duas personagens principais ligadas pelo mesmo homem: "O Assassino da Venda".
Pieta, há 10 anos, foi raptada por ele e conseguiu sobreviver a um fim de semana de abusos e maltratos. Nunca contou o seu segredo a ninguém, decidindo prosseguir com a sua vida como se nada tivesse acontecido.
Jody é polícia e, 15 anos antes, cometeu um erro que permitiu que esse criminoso continuasse em liberdade. Quando descobre que Pieta sobreviveu a um ataque desse homem, percebe que talvez tenha encontrado uma forma de finalmente o apanhar.

Se quiseres sobreviver, este fim de semana... terás de fazer apenas uma coisa: ficar de olhos fechados...
Esta é a frase de abertura do livro e também uma das primeiras frases que o assassino diz às suas vítimas. Uma frase arrepiante, que me deixou imediatamente presa à história.

[Fotografia da minha autoria]

A narrativa vai alternando entre Pieta e Jody, permitindo-nos acompanhar a perspetiva destas duas mulheres. Achei-as muito diferentes e incrivelmente bem caracterizadas. Por um lado, temos uma polícia que nunca se perdoou pelo seu erro e que está disposta a tudo para apanhar o assassino. Por outro, temos aquela que foi vítima e que, sabe-se lá como, arranjou forma de prosseguir com a sua vida.

Como é se que continua com a vida normal depois de se ser raptada e violada incontáveis vezes? Como é que se vive após um momento de tamanho terror?

A autora, com todo o seu talento, coloca-nos na pele destas duas personagens, fazendo-nos compreender os seus pensamentos, os medos e os receios, nomeadamente como se sente uma vítima quando o seu mundo organizado a muito custo está prestes a ser novamente abalado.

"Conta-me o Teu Segredo" é um thriller que aborda temas como a violação, o aborto, o bullying, a vingança e o racismo. Os capítulos pequenos e com uma boa dose de suspense transformam este livro numa leitura prazerosa e viciante, fazendo com que se torne muito difícil de pousar.
O final é surpreendente e angustiante, tendo-me mexido com as emoções ao ponto de me deixar vários dias a pensar na história.

Dorothy Koomson volta a surpreender. Uma leitura que recomendo sem reservas!

Classificação: 5/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 23 de julho de 2019

"A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson [Opinião]


Ler Dorothy Koomson é ter a certeza de que irei encontrar uma história cativante e envolvente.
E foi isso mesmo que aconteceu com este romance, que é já o oitavo que leio da autora.

Esta história começa em 1993, quando as adolescentes Nell e Jude descobrem o corpo de uma jovem abandonada na praia. Como ninguém consegue identificar esta vítima, ela passa a ser conhecida como A Sereia de Brighton.
Três semanas mais tarde, Jude desaparece e Nell fica ainda mais desamparada.

A narrativa vai alternando entre passado e presente. Nell, atormentada pelo passado, decide pedir uma licença no emprego para se dedicar unicamente a descobrir o que realmente aconteceu naquele fatídico verão, 25 anos antes.

Senti-me agarrada a este mistério logo desde os primeiros capítulos. Estes são curtos e, devido à alternância temporal, tornam-se muito apelativos e de leitura rápida. Eu gosto imenso de livros que nos fazem viajar entre o presente e o passado.

[Fotografia da minha autoria]

Gostei bastante da Nell, apesar da sua personalidade peculiar. Tanto ela como a irmã Macy foram muito afetadas pelo que sucedeu à sua família durante a adolescência e isso está bem patente na forma como elas se comportam na vida adulta. Nell é reservada e tem dificuldade em se abrir com as pessoas que lhe são próximas. Macy tem uma grande necessidade de ter a vida controlada, acabando por desenvolver um distúrbio obcessivo-compulsivo nos momentos de mais stress.

A autora é conhecida pelas suas histórias carregadas de drama, contudo, ultimamente tem vindo a adicionar-lhes um toque de mistério, o que me agrada sobremaneira, uma vez que o meu género atual de eleição é o thriller.

Um tema que adorei ver abordado neste livro foi o tema do DNA e das árvores genealógicas. Confesso que é algo que me desperta bastante curiosidade. São ainda abordadas as temáticas do racismo, preconceitos e problemas sociais, temas estes que são comuns praticamente a todos os seus romances.

A autora soube dosear muito bem o mistério e, a certa altura, começou a lançar as bombas e já não fui capaz de parar de ler. O final trouxe-me ainda umas lágrimas aos olhos.

Uma leitura que recomendo vivamente. Se por acaso ainda não leram nenhum livro da autora, deviam mesmo dar-lhe uma oportunidade!

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 12 de maio de 2018

"Os Muitos Nomes do Amor" de Dorothy Koomson [Opinião]

De vez em quando gosto de pegar num romance de Dorothy Koomson, pois é uma daquelas leituras que nos dá realmente prazer. Este foi-me emprestado pela Silvana, no âmbito do projeto Empréstimo Surpresa.

Os Muitos Nomes do Amor aborda o tema da adoção, contando-nos a história de Clemency Smittson que foi adotada em bebé e a única lembrança que tem da sua mãe biológica é um berço de papel decorado com borboletas pintadas à mão.
Após uma grave traição, Smitty decide mudar de vida e voltar a Brighton, a cidade onde nasceu. Contudo, não imagina que é lá que vai descobrir a verdadeira história dos seus pais biológicos.

Além do tema da adoção, este interessante romance aborda outros temas, tais como a família, a traição, o racismo, a vida e a morte, a eutanásia e os recomeços.


Gostei muito de conhecer Clemency e a sua força, tendo em conta tudo o que lhe aconteceu. A autora mostrou muito bem todas as inseguranças, as dúvidas e curiosidades que certamente todas as pessoas adotadas vivenciam. Foi muito interessante conhecer as duas famílias de Clemency e ver como ela interagia com cada uma delas.

Gostei imenso do Tyler e estava a adorar a sua relação com Clemency, mas acabei por me sentir frustrada com o triângulo amoroso e a resolução que a autora lhe deu. Senti que o Tyler teve pouca importância e só serviu para conhecermos melhor Seth, e provavelmente teria sido tudo igual se ele não existisse nesta história.
Em contrapartida, adorei o papel da Nancy, embora me tenha sentido indignada com todas as maldades que ela fez a Clemency.

Este não foi um dos romances da autora que mais me prendeu, embora não saiba muito bem explicar a razão. Senti-me cativada pela história e apreciei até aquele bocadinho de suspense no final, mas não foi uma leitura que me tenha arrebatado.

O final acabou por ser pouco entusiasmante, se compararmos com o que a autora já nos presenteou em outros dos seus romances. Parece-me que ficou um bocado em aberto, com um final ainda pouco estável para Clemency.

Em conclusão, não foi o livro que mais me apaixonou, mas pretendo continuar a explorar com grande entusiasmo outros trabalhos da autora.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

"Convergente" de Veronica Roth [Opinião]


Convergente é o livro que conclui a trilogia Divergente, de Veronica Roth.

Depois de conhecermos o sistema de fações e de as vermos colapsar e entrar em guerra, neste terceiro volume ficamos a conhecer uma realidade diferente: a existência de um mundo para além da cidade onde vivem as nossas personagens.

Tris e Tobias têm oportunidade de ir explorar o mundo para lá da vedação, em busca de um lugar melhor para viver, um lugar livre de mentiras e complicações. Mas o que vão encontrar pode ser ainda mais assustador do que o lugar que deixam para trás.

Ao contrário do segundo livro, que não me entusiasmou tanto, este voltou a cativar-me. Gostei imenso de conhecer o lado de lá da vedação, descobrir como surgiram as fações e, sobretudo, ver Tris e Caleb a descobrirem a verdade sobre a mãe.

Este livro não pareceu tão cheio de adrenalina como os anteriores, mas a mim não me fez diferença; o ritmo mais calmo trouxe informações importantes.

O final não foi do agrado de muitos leitores, pelo que conseguir perceber através de opiniões no Goodreads. Para mim foi uma surpresa, sim, não esperava nada esse acontecimento, mas não desgostei. Penso que fez muito sentido e que a autora se manteve fiel à história que nos trouxe desde o início.

Qualquer apreciador de fantasia/distopias apreciará esta história sobre amor, amizade, sacrifício e o valor das nossas escolhas.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"Insurgente" de Veronica Roth [Opinião]


Insurgente é o segundo volume da série Divergente, de Veronica Roth.

Quatro anos após ter lido o primeiro volume, iniciei-me na leitura do segundo e talvez tenha sido por isso que senti que a leitura me custou mais. Já não me lembrava tão bem dos acontecimentos do final do primeiro livro e não me sentia tão próxima das personagens.

Este livro inicia-se com as problemas que surgiram após o livro anterior. As fações estão em choque, à procura de aliados, e a guerra aproxima-se.

Durante toda a confusão e os perigos que surgem, Tris tenta procurar o seu caminho, lidar com a culpa e a perda. É uma personagem que se mostra um pouco desprendida da vida, tendo atitudes que a colocam em risco. Por um lado, compreendo perfeitamente que ela se sentisse assim, mas por outro, gostava de ter visto mais daquela garra que a caracterizava no volume anterior e que, desta vez, só se manifestou nos últimos capítulos do livro.
O desenvolvimento do romance de Tris e Tobias foi uma parte importante da narrativa, tendo-se tornado algo mais maduro com a aproximação de ambos.

A escrita da autora continua impecável, super fluida e com bastante ação. Há sempre alguma coisa a acontecer, pelo que o livro é muito dinâmico. O que mais me entusiasmou foi poder saber mais acerca dos Divergentes e, principalmente, aquele final que me deixou mais curiosa e com as expectativas elevadas para o terceiro volume da série. Espero poder lê-lo brevemente!

Classificação: 3/5 estrelas