quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Palavras Sentidas


"― Não me entendas mal ― disse ela. ― Eu também gosto de ler. Mas não digo a ninguém.
Até que enfim, pensei, uma pessoa que diz a verdade. Perguntei-lhe por que não dizia ela nada a ninguém.
― Não sei. As pessoas que leem, escondem-se. Escondem quem são. E as pessoas que se escondem nem sempre gostam daquilo que são."

Chama-me pelo Teu Nome
André Aciman

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

"O Filho de Thor" de Juliet Marillier [Opinião]


Esta é a minha segunda experiência com as obras de Juliet Marillier depois de ter lido, há dois anos, Danças na Floresta.

Consigo encontrar diversas diferenças entre esse livro e este - O Filho de Thor - que dá início à Saga das Ilhas Brilhantes.

Logo desde o início dá para perceber que este é um romance mais duro, com uma aura mais sombria.
Segundo a nota da autora, ela explica que se inspirou nas Ilhas Órcades e no guerreiro do seu tempo, o berserk, um guerreiro nórdico feroz que prestava vassalagem ao deus Odin.
Neste romance, contudo, os guerreiros que a autora criou - os Pele-de-Lobo - prestam vassalagem a Thor, um deus de natureza mais honesta.

Este romance conta então a história de dois rapazes que se tornam irmãos de sangue devido a um juramento que fazem na infância. Eyvind deseja tornar-se um grande Pele-de-Lobo e servir Thor no campo de batalha. Somerled é um rapaz estranho, mas muito inteligente, que deseja vir a tornar-se rei. Juntos, vão viajar até às Ilhas Brilhantes, onde um acontecimento trágico mudará para sempre as suas vidas.

O Filho de Thor oferece-nos uma história incrível, recheada de tantos pormenores, que se torna mesmo necessário dedicar ao livro o tempo que ele merece. A escrita da autora é bastante descritiva, muitas vezes densa, daí que este não seja um daqueles livros de devorar numa tarde. Eu demorei um mês a lê-lo e, ao contrário de outros livros que ao fim de algum tempo começam a cansar, adorei descobrir cada pormenor desta história repleta de misticismo e magia.

Como referi acima, este livro apresenta uma aura sombria, que começa com os guerreiros viquingues e com a sua natureza violenta e sede de sangue. Porém, assim que as nossas personagens desembarcam nas Ilhas Brilhantes, há algo poderoso que nos agarra ainda mais a esta história. Há acontecimentos dramáticos e cruéis que nos deixam de coração nas mãos, mas existe também a esperança de que se faça justiça para as personagens.

Eyvind é uma personagem fascinante e adorei acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento, desde o seu desejo de tornar-se um Pele-de-Lobo, a sua sede pelas batalhas, até ao momento em que descobre que uma vida tem afinal muito mais valor. Por sua vez, Somerled provocou-me sentimentos muito confusos, desde uma certa admiração ao ódio.
Nessa é igualmente uma personagem forte, querida e muito ligada à natureza.
Todas as personagens secundárias estão igualmente bem construídas e conseguem destacar-se de alguma forma.

Em suma, esta é uma história realmente boa e habilmente contada. Estou mesmo desejosa de ler o outro volume da saga - A Máscara da Raposa - e, desta forma, poder voltar a embrenhar-me neste mundo fantástico que a autora construiu.

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Palavras Sentidas


"Consegue ver-se tudo nos olhos de uma pessoa: as qualidades, os defeitos, a dor, as verdades e as mentiras. E a outra pessoa consegue ver o mesmo em nós."

Conta-me o Teu Segredo
Dorothy Koomson

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

"A Rapariga no Gelo" de Robert Bryndza [Opinião]


Este livro foi-me emprestado pela minha melhor amiga, que desde logo que me deixou bastante entusiasmada. Já tinha ouvido falar imenso deste autor nas redes sociais e creio que estão publicados em Portugal seis livros dele, tendo o sétimo saído muito recentemente.

Houve um grande hype em torno desta obra e eu também quis perceber o que tinha ela de tão especial. No entanto, devido a algumas más experiências, tenho tendência a ficar um pouco de pé atrás em relação a estes livros que recebem imensa publicidade.

Agora que terminei a leitura, tenho de dizer com sinceridade que não encontrei nada de especial, nada de verdadeiramente impactante neste romance policial que justifique todo o hype em torno dele.

A capa é realmente chamativa, o que é uma grande ajuda para despertar a curiosidade do leitor. Apenas não faz sentido num pequeno pormenor: vemos um olho fechado quando, ao longo da narrativa, é várias vezes referido que a personagem assassinada tem os olhos abertos, como se quisesse dizer alguma coisa.

O livro inicia-se com um homicídio logo no prólogo, que será o ponto de partida da investigação que iremos encontrar. Erika Foster é a inspetora escolhida para liderar a investigação. Enquanto lida com os seus próprios dramas pessoais, Erika vai precisar de muita determinação para enfrentar todas as dificuldades que lhe surgem.
A vítima é uma jovem rica da alta sociedade londrina, pelo que a investigação vai ser condicionada por esta família influente que faz tudo para que a inspetora não se intrometa demasiado na sua vida.

Ao longo da leitura, encontrei imensos clichés que me desconcertaram e me provocaram irritação. Quase todas as personagens femininas são caracterizadas como tendo "seios grandes", a personagem principal tem de lutar contra a discriminação por parte dos seus colegas masculinos e há momentos em que determinadas personagens e pistas aparecem no momento certo, tornando certas partes da narrativa um pouco forçadas.


Confesso que embirrei com pormenores que possivelmente passam despercebidos à maior parte dos leitores mas, como leitora ávida que sou, sinto que me tenho tornado mais crítica e exigente em relação ao que leio. Além disso, tenho feito alguns trabalhos de revisão de texto, o que me tem treinado a estar mais atenta aos pormenores.

Um aspeto que achei interessante foi o facto de o autor ter introduzido dois casais homossexuais na sua narrativa. Isto mostra uma grande abertura em abordar um tema que aparece pouco neste tipo de livros, contudo, ao mesmo tempo, a personagem principal farta-se de ser discriminada no trabalho só porque é mulher.

Apesar dos aspetos mais clichés, tenho de concordar que o livro tem velocidade, dinamismo e que serve perfeitamente para entreter durante uma tarde. Os capítulos pequeninos (que resultam muito bem neste género literário) tornam a leitura viciante. A escrita do autor é fresca, sem descrições demasiado maçudas, e por isso lê-se muito bem.

Tal como referi acima, a história não é impactante e não traz nada de novo que justifique ter-se tornado num fenómeno literário. Tenho esperanças de que o autor possa ter evoluído nos romances seguintes que escreveu, pelo que irei certamente dar-lhe uma nova oportunidade.

Classificação: 3/5 estrelas