Mostrar mensagens com a etiqueta Alfaguara. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alfaguara. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de julho de 2025

«Uma Catastrófica Visita ao Zoo» de Joël Dicker [Opinião]


Um livro giríssimo, cheio de ternura e que me fez soltar umas quantas gargalhadas! Aborda temas como a democracia, a inclusão e a relação entre pais, professores e crianças.
A história é contada na perspetiva de uma criança, que nos narra todos os acontecimentos catastróficos que levaram a uma catastrófica visita ao zoo.
É um livro para todas as idades (dos 7 aos 120 anos, segundo palavras do autor).
 
Foi o primeiro livro que li deste autor e fiquei com vontade de ler as suas outras obras (que tenho vindo a adiar devido ao tamanho das mesmas!)

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 10 de março de 2023

«Canção Doce» de Leïla Slimani [Opinião]


«Uma força narrativa que seduz e permanece no leitor muito depois de terminar o livro.»
La République

Canção Doce inicia-se com um primeiro capítulo curto e de grande intensidade. A primeira linha, de apenas três palavrinhas, é perturbadora e desperta de imediato o interesse do leitor.
 
Leïla Slimani escreve de forma maravilhosa. A juntar a isto, uma tradução e revisão excelentes transformaram este livro numa delícia. Senti necessidade de o ler devagar para saborear devidamente a escrita.
 
No que diz respeito à história, esta centra-se numa família que contrata uma ama para cuidar dos seus filhos pequenos, uma vez que Myriam, mãe das crianças, deseja regressar ao trabalho.
Aos poucos, vamos percebendo como Louise começou a trabalhar para esta família e como rapidamente ganhou o coração das crianças e a admiração dos pais. Contudo, pouco a pouco são-nos dadas pistas de que algo não está bem, de que há ali uma perturbação, alguma loucura, que conduzirá à tragédia final que conhecemos no início do livro.
 
A autora não tem problemas em usar descrições gráficas, cruas, transformando esta numa leitura difícil pela temática que carrega.
São também abordados alguns aspetos da sociedade, a discrepância entre pobres e ricos, e como por vezes os seres mais frágeis são os que ficam mais vulneráveis.
 
Senti-me agarrada ao longo de toda a narrativa e só lamento que o final não tenha sido tão intenso como eu desejava. O livro merecia-o. Desta forma, senti-me frustrada com a falta de respostas, uma vez que as motivações deste crime não foram explicadas.
 
Embora, na minha opinião, o final seja um pouco incompleto, é uma leitura que vale a pena e que me deixou com a curiosidade suficiente para desejar explorar outros trabalhos da autora.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 11 de julho de 2022

«Olive Kitteridge» de Elizabeth Strout [Opinião]


«Perspicaz e profundamente empática, Olive Kitteridge é o eixo à volta do qual giram as narrativas deste romance, feito de histórias complexas e implacavelmente humanas.»
Oprah Magazine
 
Decidi trazer Olive Kitteridge da biblioteca depois de ter lido opiniões muito boas acerca dele.

Este livro é um conjunto de vários contos, cada um sobre um habitante de Crosby, uma pacata povoação costeira no Maine.
 
O que liga todas estas história é Olive Kitteridge, uma professora reformada que sempre foi conhecida por ser rezingona, irritante, ter muito mau feitio. É uma personagem deveras interessante e que vai evoluindo ao longo do livro. Apesar de tudo, ela é humana, tal como todos os outros, e tem os seus problemas e tristezas. Embora nos irrite, é fácil começar a sentir empatia por ela, compreendê-la, tolerá-la.

Gostei muito da escrita de Elizabeth Strout, embora admita que é um livro para se ler devagar.
Talvez este não tenha sido o momento certo para ler este livro, uma vez que me tenho sentido cansada e, sempre que pegava nele para ler mais um capítulo, sentia que não estava com a disponibilidade mental que ele merecia.
 
No entanto, dei comigo a apreciar estas personagens, a sentir empatia pelas suas histórias e alguma tristeza pelo fim que algumas delas tinham. De alguma forma, o livro foi-me cativando a cada novo conto.

Apesar de não ter sido uma leitura apaixonante, o balanço é positivo e fiquei com vontade de ler a continuação da história. Talvez não para já, mas tenciono trazê-la em breve da biblioteca.

E tu, já leste este livro? Leste algum outro da autora? Partilha comigo a tua opinião.

Classificação: 3/5 estrelas

terça-feira, 24 de maio de 2022

«A Outra Metade» de Brit Bennett [Opinião]

 
«Belissimamente escrito, provocador e envolvente. Com a sua premissa inteligente e as suas personagens fortes, é impossível parar de ler este romance altamente recomendado.»
Associated Press
 
A Outra Metade é uma saga familiar, que se inicia em Mallard, uma localidade retrógrada, onde ninguém gosta de pessoas negras. Nesta terra, ninguém se casa com pessoas de cor; as pessoas vão-se casando com pessoas brancas para tentar clarear, cada vez mais, o tom de pele.
Além disso, dizem que ninguém se vai embora dessa terra.

Este livro traz então a história de duas gémeas, Stella e Desiree Vignes, idênticas fisicamente, mas diferentes em personalidade, que vão contrariar esta profecia e fugir da pequena localidade onde vivem.
Vão para Nova Orleães, para iniciar uma vida nova, com melhores condições, e fugir aos estigmas que continuam a persegui-las. Contudo, será também aqui que as irmãs se vão separar e seguir cada uma o seu percurso.

Catorze anos depois, uma das irmãs regressa à casa materna, em fuga de um marido violento. A outra irmã, por sua vez, está na Califórnia, onde construiu uma vida assente numa mentira.

Este livro foi uma agradável surpresa. Trouxe-o da biblioteca num dos dias em que deparei com ele numa das estantes e me recordei de que já lera opiniões boas a seu respeito.
Desta vez, fugi um pouco ao meu género habitual, o thriller, e desafiei-me a ler algo diferente.

Gostei muito da escrita da autora. A tradução é de Tânia Ganho e parece-me também estar bem conseguida, assim como a revisão do livro.

A história destas irmãs acaba por tornar-se interessante, uma vez que se estende ao longo de várias gerações.Vamos avançando para trás e para a frente e conhecendo a sua história, desde a infância à vida adulta. Mais tarde, acompanhamos também as filhas de ambas e, por fim, o seu reencontro.

Não é uma história com grandes reviravoltas, mas vale a pena devido às ligações familiares e aos temas que aborda. Não se fala apenas de racismo, mas principalmente de identidade, de quem somos, de que forma o meio ao nosso redor nos pode moldar e das consequências das nossas mentiras.

Gostei muito e vou ficar atenta a mais obras desta autora. Recomendo!

Classificação: 4/5 estrelas