Durante a leitura de A Sombra do Vento, tive curiosidade em ler algumas opiniões e constatei que curiosamente em muitas delas os leitores referiam que este livro precisava de uma altura certa para ser lido.
Isto fez-me pensar que devo ter escolhido o momento mais errado para o ler. E porquê? Porque foi necessário quase um mês e muita insistência da minha parte para o conseguir terminar.
Logo de início, deparei-me com a escrita maravilhosa do autor, escrita esta que deixa qualquer um a sentir-se impotente na forma como utiliza as palavras. Uma escrita riquíssima e, por essa razão, densa, dificultando o avançar da leitura.
A primeira parte do livro foi a mais complicada, avancei tão devagar que cheguei a sentir-me desesperada. A par disso, foi muito difícil manter-me motivada, embora aquele mistério me tivesse deixado curiosa desde as primeiras páginas.
Passada a primeira metade do livro, a leitura começou a correr melhor, apesar de eu nunca conseguir avançar muito de cada vez.
Senti-me cativada pela história dramática de Julian Carax, magnificamente bem contada. Por sua vez, gostava de ter visto mais da relação de Daniel e Bea, mas fiquei contente pela forma como acabou. Foi um final reconfortante.
Quero ainda dar destaque a Fermín, uma das personagens mais divertidas que encontrei na literatura nos últimos tempos. Posso mesmo afirmar que ele foi de uma grande ajuda quando o meu aborrecimento ameaçava vir ao de cima, fazendo-me rir nos momentos em que mais precisava.
Uma leitura que recomendo, mas tenham em conta que é um livro denso e que talvez tenham de procurar a melhor altura para se perderem nele.
Vou certamente procurar mais obras do autor, mas apenas quando sentir que tenho mais disponibilidade mental para isso.
Classificação: 4/5 estrelas



