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sábado, 16 de janeiro de 2016

"A Trança de Inês" de Rosa Lobato de Faria [Opinião]


"Amo-te mais do que nunca, dizia-te, agora que te amo em segredo."

A primeira opinião do ano refere-se ao último livro lido no ano passado; vem com algum atraso mas aqui está ela.

Este foi o primeiro livro que li da autora portuguesa Rosa Lobato de Faria. O primeiro aspeto interessante com que me deparei foi a escrita da autora: parece-me ser uma escrita muito própria e que me fez lembrar um pouco a escrita de José Saramago, com pouca pontuação e com os diálogos das personagens misturados na escrita corrente. Sinceramente, pensei que não me ia adaptar a uma escrita assim mas, para minha surpresa, não só me adaptei rapidamente, como também não me fez grande diferença.
Não sei se todos os romances da autora apresentam uma escrita semelhante a esta, mas a verdade é que gostei muito.

O enredo baseia-se na história trágica de Pedro e Inês de Castro, história esta que sempre me fascinou. A autora, contudo, adicionou outro pormenor interessante: sub-dividiu a narrativa em três tempos. Assim, temos uma história no passado, outra no presente e a terceira num futuro relativamente próximo. Penso que este livro consegue ser, simultaneamente, romance histórico, romance contemporâneo e ficção científica (distopia).

Estes três tempos misturam-se ao longo de toda a narrativa, não havendo nenhuma indicação de onde começa um e termina outro. Há apenas transições, na minha opinião muito bem conseguidas.
Em todas as histórias existe um Pedro, ligado a uma Constança, e que acaba por se apaixonar por uma Inês. Tal como na história original, todas estas terminam igualmente em tragédia.

Compreendo que a leitura possa ser confusa para alguns leitores, devido à mistura temporal e às transições. Para mim não foi confuso, rapidamente fui capaz de identificar cada uma das histórias e isso tornou a minha leitura mais agradável e ajudou-me a gostar ainda mais do livro.
A dica que posso dar aos leitores é a seguinte: identifiquem as personagens e o tempo a que cada uma deles pertence; assim que o conseguirem fazer, serão capazes de se situarem melhor quando surgir uma transição.

Por fim, posso dizer que este livro me parece ter mais que uma interpretação. Como o li numa leitura conjunta, consegui aperceber-me disso. Gostaria, sem dúvida, de reler este livro um dia, para tentar compreender melhor alguns pormenores que não ficaram bem assimilados com a primeira leitura.

O final está excelente e fez-me soltar uma exclamação de espanto! Gostei muito; é uma leitura que recomendo e pretendo continuar a ler outras obras da autora.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 26 de dezembro de 2015

"A Felicidade de Kati" de Jane Vejjajiva [Opinião]

Decidi ler este livro durante a maratona natalícia e escolhi-o porque tem uma criança como protagonista.

Esta é a história de Kati, uma menina tailandesa de nove anos que vive com os avós. A sua vida decorre a um ritmo suave, mas há algo que não a deixa ser completamente feliz: a saudade que sente da mãe. Por que é que a mãe está ausente há tanto tempo? E onde está o pai, que ela nunca conheceu?

A história é contada do ponto de vista de Kati, numa narrativa suave e fluida, algo poética e encantadora, quase como se fosse uma criança a falar. A autora explora um pouco da cultura tailandesa, do estilo da vida destas personagens e dos costumes do país, sempre com descrições muito vivas.

Aos poucos, acompanhamos Kati na sua viagem em busca do passado, tentando responder às questões que a preocupam. Essa viagem vai dar-lhe a compreensão que ela procura e irá pedir-lhe que tome decisões importantes.

Este é um pequeno livro que evoca as nossas emoções ao abordar temas profundos como o amor, a perda, a família, as escolhas, tudo na visão de uma criança. É um livro otimista que consegue transmitir-nos beleza, paz e esperança.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

"Contagem Decrescente" de Bruno Franco [Opinião]

Contagem Decrescente marcou a minha estreia com os romances policiais de Bruno Franco. Não conhecia o autor e, só após iniciar a leitura, é que compreendi que este é já o segundo livro protagonizado pelo detetive Rodrigo Tavares.
Quem acompanha frequentemente o meu blogue, sabe que um dos aspetos que mais prezo num livro é uma escrita cuidada, sem erros ortográficos e com um bom trabalho de revisão. A Chiado Editora tem-me dado algumas desilusões e agora sinto que fico sempre de pé atrás em relação aos seus livros. Contudo, quem me emprestou este livro garantiu-me que ficou impressionada com ele e foi isso que me fez apostar na sua leitura.

E ainda bem que o fiz! Logo no prólogo, pude constatar que o autor escreve bem e que fez um excelente trabalho de revisão, por isso devo desde já felicitá-lo por isso.

Este livro é uma verdadeira corrida contra o tempo. O detetive Rodrigo Tavares encontra-se a assistir ao fogo de artifício na passagem de ano, quando recebe um telefonema que mudará a sua vida por completo. Chegou o momento da concretização de uma ameaça proferida pelo assassino que mais lhe custara capturar no passado.
Rodrigo terá até ao dia 15 de janeiro para capturar um assassino impiedoso que mata as suas vítimas de uma forma terrível e desumana. Caso falhe, as consequências serão devastadoras.

Esta história cativou-me desde as primeiras páginas, com um prólogo bastante sombrio e que conseguiu provocar-me alguns arrepios. Depois a história decorre em capítulos curtos, muito dinâmicos e que nos vão mostrando os contornos deste caso. Achei muito interessante que as mortes estivessem ligadas a algumas personalidades da História de Portugal e penso que o autor conseguiu com sucesso incluir partes informativas ao longo da narrativa, sem nunca se tornar maçador.

A história principal permite-nos conhecer melhor a vida e os traumas do detetive Rodrigo, bem como do seu parceiro Fábio e do seu amigo Óscar, ambos com papéis relevantes no desenrolar da investigação.
Em paralelo surgem alguns capítulos que nos dão a conhecer um jovem tenista marcado pela tragédia desde muito cedo. O facto de não sabermos qual a ligação desta personagem com a trama principal torna tudo ainda mais enigmático.
No final as revelações são surpreendentes e tudo acaba por fazer sentido. Só houve um pormenor relacionado com a vida deste jovem, e que condicionou completamente o seu futuro, que não foi revelado. E aqui penso que o autor pecou um bocadinho, pois pareceu-me um pormenor demasiado importante para ter ficado esquecido. Possivelmente o autor vai guardar esta revelação para o terceiro volume, embora na minha opinião fizesse mais sentido ter sido abordada neste livro.

No geral, gostei muito deste livro. Um aspeto que considero menos positivo no livro é o facto de nos dar demasiada informação sobre a obra anterior, o que pode condicionar um pouco a sua leitura dado que já sabemos a identidade do assassino.
Em termos de melhorias, penso que o autor deveria trabalhar mais os diálogos, pois pareceu-me que se sente mais à vontade nas descrições.

Como conclusão, posso afirmar que este livro tem tudo o que eu procuro num policial: ação, suspense, crimes aterradores, revelações bombásticas, detetives com vidas imperfeitas e problemas emocionais e ainda uma narrativa muito envolvente. Dou os parabéns ao autor e fico ansiosamente a aguardar a publicação de uma nova obra, principalmente mais uma aventura do detetive Rodrigo Tavares.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 19 de dezembro de 2015

"Duas Meninas Vestidas de Azul" de Mary Higgins Clark [Opinião]

Peguei neste livro quando precisei de uma leitura para uma viagem de autocarro. Sabia que seria cativante e, dado que é um livro de bolso, é muito prático para transportar. E, desta forma, li mais um livro da minha estante.

Mary Higgins Clark é uma autora que consegue cativar rapidamente o leitor com os enredos das suas histórias. Este livro aborda um tema sensível: o rapto de duas meninas gémeas de três anos.

Para começar, acho que a sinopse revela de mais, isto é, resume o que acontece em um terço do livro. Eu tenho sempre por hábito ler as sinopses e, com este livro, senti que já sabia muito da história. Se quiserem desfrutar ao máximo da leitura, aconselho a não lerem a sinopse.

Apesar deste pequeno problema com a sinopse, o livro cativou-me imediatamente desde as primeiras páginas. A autora normalmente escreve capítulos pequenos, bastante dinâmicos, com uma grande variedade de personagens e onde o suspense predomina. Este enredo levou-me a ler quase compulsivamente e é isto o que eu mais admiro nos policiais/thrillers: esta capacidade de nos agarrarem às suas páginas.

A temática deste livro já de si é um pouquinho perturbadora e capaz de aterrorizar qualquer pai. Além disso, existe pelo menos uma personagem repugnante pela forma como trata as meninas e que deixa o leitor de coração nas mãos. O desfecho era previsível (para mim, dado que parti para a leitura esperando um final feliz) mas nem por isso deixou de ser satisfatório.

O que me fez mais confusão neste livro foi o facto da autora abordar a ligação telepática entre as gémeas; é verdade que não sei muito sobre este tema e talvez por isso me sinta mais cética em relação a ele. No entanto, acabou por ser abordado de forma suave, não prejudicando a minha leitura.

Em conclusão, é uma história dinâmica, arrepiante na medida em que poderia ser real e que proporciona algumas horas de entretenimento ao leitor.

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 12 de dezembro de 2015

"A Filha da Minha Melhor Amiga" de Dorothy Koomson [Opinião]

Este ano tenho-me dedicado a descobrir algumas obras de Dorothy Koomson, uma autora que me surpreende a cada livro seu. Consegui este livro emprestado e isso permitiu-me deliciar-me com mais uma das suas histórias.

A Filha da Minha Melhor Amiga retrata a amizade de duas mulheres - Kamryn e Adele - e como esta é arrasada por uma traição, da qual nasce uma criança. Anos depois, Adele está a morrer e implora a Kamryn que adote a sua filha, Tegan. A partir deste momento, a vida despreocupada de Kamryn muda completamente. Estará ela preparada para os desafios que a esperam?

É sempre bom voltar à escrita de Dorothy Koomson, uma escrita fluida que rapidamente cativa o leitor e lhe transmite emoções muito variadas. A autora escreve sempre com muito humor, embora não deixe de nos provocar lágrimas e sorrisos.

Esta história aborda um tema bastante doloroso: o cancro, nomeadamente a leucemia, uma doença que, infelizmente, é muito comum nos dias de hoje. Juntamente com a doença vem a devastação que esta provoca no próprio doente, nos amigos e nos familiares. É um tema duro que não consegue deixar ninguém indiferente.

Kamryn já tinha sofrido com a traição da amiga e agora está prestes a perder Adele pela segunda vez, desta vez para sempre, e ganhar uma nova responsabilidade: cuidar da sua filha Tegan. Nada disto será fácil para Kamryn que terá não só de lidar com a sua própria dor como também com a dor de uma criança que acabou de perder a mãe.
Além disso, isto mexe igualmente com os planos que Kamryn tinha para a sua vida, planos estes que envolviam a decisão de não ter filhos e poder dedicar-se inteiramente à sua carreira. Com a chegada de Tegan, tudo isto muda.

Achei Kamryn uma mulher com uma força extraordinária por tudo aquilo com que teve de lidar. Não foi fácil e teve os seus momentos de desespero, mas conseguiu ultrapassar todas as situações com muito coragem.

Gostei muito do final deste livro; acho que a autora conseguiu dar um desfecho muito bom e era aquele pelo qual eu estava a torcer.

Esta é uma história muito tocante, realista e com um enredo cativante. Quer sejam ou não fãs da autora, é uma leitura que eu recomendo vivamente.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

"Alexander" de Paullina Simons [Opinião]

Este livro é a conclusão do segundo volume original, que a ASA publicou como se fosse o terceiro volume. Achei desleal da parte da editora ter imprimido este livro com letra garrafal (para encher mais páginas) e vendê-lo como se fosse o fim da trilogia. Não é. Existe ainda um terceiro volume cujo título original é The Summer Garden e que possivelmente não será publicado em Portugal.

Pondo de parte estes aspetos, devo dizer que estes últimos capítulos foram os melhores de todo o segundo volume. Depois de ter sofrido tanto como leitora ao ver Tatiana e Alexander separados, queria a tudo o custo saber se eles se encontrariam finalmente. E estes capítulos revelaram-se um verdadeiro bálsamo para o meu coração.

Se há história de amor que eu nunca vou esquecer é a de Tatiana e Alexander e a forma como eles sobreviveram a tantas adversidades ao longo da guerra. É uma história tão intensa que chegamos ao fim sem perceber muito bem o que estamos a sentir; é uma leitura bela e impressionante, que deixa saudades e uma marca abismal no coração do leitor. É uma história de amor e ódio, de vida e morte, de luta e esperança.

Recomendo sem qualquer reserva a leitura desta magnífica e intemporal história de amor.

Classificação: 5/5 estrelas

terça-feira, 24 de novembro de 2015

"Tatiana" de Paullina Simons [Opinião]

Estreei-me nas obras de Paullina Simons com o livro O Grande Amor da Minha Vida que foi, para mim, uma história absolutamente maravilhosa, comovente e que me ficou gravada no coração. A minha vontade de ler o segundo volume era enorme.

Em Tatiana, é-nos contada a história de Alexander e Tatiana, separadamente.
Tatiana conseguiu fugir da União Soviética e encontra-se agora nos Estados Unidos, grávida e sozinha num país onde não conhece ninguém. Aos poucos, a jovem começa a construir uma nova vida, a fazer amigos e a trabalhar como enfermeira. Porém, em momento algum abandona a dor da perda do seu único amor, Alexander, que julga morto, embora a voz do coração lhe diga o contrário.

Alexander, que está vivo, foi capturado e é acusado de traição e espionagem pela polícia soviética. Enquanto tenta sobreviver um dia de cada vez, Alexander só consegue pensar em reencontrar Tatiana, de quem nada sabe. Será que o seu plano de a tirar da União Soviética correu bem? Estará Tatiana em segurança?

Enquanto o primeiro volume é mais centrado em Tatiana e na sua família, este dá um maior destaque a Alexander. Conhecemos a sua vida desde que este saiu dos Estados Unidos com os pais para se instalar na União Soviética. É-nos contado o presente e o passado, em paralelo, e desta forma ficamos a conhecer melhor Alexander. A autora mostra-nos a visão de Alexander daquele dia maravilhoso em que ele viu Tatiana pela primeira vez e confesso que essa é uma das partes de que eu mais gosto.

Este livro consegue ser ainda mais doloroso que o anterior devido às circunstâncias de vida de cada um. Apesar de separados, é o amor que sentem um pelo outro que os leva  a dar sempre mais um passo em frente, apesar de todas as incertezas. A situação de Alexander é a mais grave e são as partes mais angustiantes de ler, as dificuldades, as privações, a guerra, as dolorosas saudades de Tatiana... Contudo, nenhum deles baixa os braços perante qualquer adversidade, o que é inspirador para qualquer um de nós.
Além disso, o amor que sentem um pelo outro é qualquer coisa de extraordinário; é um amor verdadeiro, sem egoísmos e sem reservas, que me fez questionar-me se alguma vez serei capaz de experimentar um amor assim.

O final deste livro é bastante abrupto, nota-se que está incompleto; isto acontece porque a editora retirou os três últimos capítulos para os publicar num outro livro, ao qual chamou o terceiro da série. Na minha opinião, esta separação não faz qualquer sentido; apenas leva o leitor a sentir-se frustrado com a forma como o livro termina e a querer pegar no volume seguinte de imediato.

Este é mais um livro que, apesar do seu tamanho, se lê num ápice e que nos transporta para uma montanha russa de emoções. Recomendo vivamente!

Classificação: 5/5 estrelas

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"A Rapariga do Lago", um conto de Carina Rosa [Opinião]

Peguei neste conto porque me apetecia uma leitura leve e curta para intercalar  com os últimos calhamaços que tenho lido. E soube-me mesmo bem; a história descontraiu-me, cativou-me e ofereceu-me a tão desejada pausa de leituras mais intensas.

Nesta história conhecemos dois jovens que vão viver o primeiro amor. Ambos são apaixonados pela arte (ela pelo desenho e ele pela música) e têm mundos interiores semelhantes. Luísa está dividida entre o seu sonho de estudar artes e a carreira de medicina que os pais desejam para ela e, com o coração atormentado, passa os dias a desenhar ao som de uma inspiradora música de um violino.
Luís é invisual e vive dentro da música que toca. Ambos vão encontrar no outro um refúgio para a solidão e alguém com quem partilhar o amor à arte.

Numa escrita cativante e descontraída, Carina Rosa presenteia-nos com uma história romântica e muito fofa, descrevendo-nos a leveza e o carinho de um primeiro amor. Aborda temáticas como o preconceito, o talento e a importância da carreira.

Achei a história bem estruturada, com diálogos reais e que nos fazem sorrir e alguns momentos de maior dramatismo que facilmente cativam o leitor. Confesso que o final me trouxe algumas lágrimas marotas ao canto do olho.

Recomendo esta leitura a quem desejar uma história bem romântica e capaz de aquecer o coração!

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

"Encontro em Itália" de Liliana Lavado [Opinião]

Este livro veio-me parar às mãos de uma forma muito especial e divertida. O meu mais-que-tudo enfrentou a sua aversão a livros, entrou numa livraria e escolheu um livro "que eu certamente não teria" para me oferecer no meu aniversário. Quando fui ter com ele, a certa altura resolvi mostrar-lhe o livro que eu tinha levado para ler na viagem de autocarro, livro esse que me tinham emprestado uns dias antes. Ele ficou esquisito e começou a fazer-me perguntas acerca do livro, o que eu achei desde logo estranho dado que ele nunca me faz perguntas sobre livros. Não foi preciso muito para eu perceber que, de entre centenas ou milhares de livros existentes na livraria, ele tinha-me comprado exatamente o que eu estava a ler naquele momento.
Acabamos por decidir trocar e, desta vez, ficou a meu cargo escolher o livro. Assim, escolhi um que já queria desde a sua publicação e que certamente não me iria desiludir. E pronto, esta é a história de como Encontro em Itália ganhou um lugar especial na minha estante.

Passando agora à opinião propriamente dita, admito que parti para a leitura deste livro com expectativas elevadas. Tinha lido no ano passado Inverso e adorei a forma como a autora construiu aquele mundo mágico e personagens tão cativantes.

Encontro em Itália mistura um pouco de romance contemporâneo com uma pitada de fantasia urbana e parece-me adequado tanto para jovens como para adultos.
As personagens deste livro não são adolescentes, mas sim jovens adultos: Henrique terminou os estudos universitários em Literatura Inglesa e Sara é uma aspirante a escritora. Ambos chegaram a um período de indecisão e procuram qualquer pretexto que lhes permita adiar decisões importantes e contornar o futuro.

Depois de tantos anos separados, uma viagem a Itália volta a juntar estes dois amigos de infância. Porém, Sara está muito mudada, já não é a mesma criança e jovem doce que Henrique amou mas, apesar da sua rebeldia, o Henrique não desiste de tentar perceber o que se passa com a amiga.
É nesta viagem que ambos vão iniciar uma aventura que mudará as suas vidas e tudo começa quando encontram um livro misterioso e lhes aparece um gato falante e com um estranho sentido de humor.

Esta história está muito bem construída e a maior parte dos capítulos são curtos, o que leva o leitor a querer ler sempre mais um. A escrita da Liliana é fluida, cativante e bastante madura para uma escritora tão jovem. É uma escrita dinâmica, com suspense e emoção nos momentos certos.

A personagem que mais me cativou foi Henrique, pela sua personalidade ajuizada, por ser certinho e pela forma como reage ao ser apanhado no meio de um turbilhão de problemas. Sara é louca, temperamental, rebelde e conseguiu irritar-me diversas vezes, até que compreendi o porquê de toda aquele rebeldia. Sara vive atormentada, escondendo segredos das pessoas que mais ama, com esperança de que isso não as faça sofrer.
Depois temos Haari, a gata guardiã do Livro que eles encontram em Itália, e que é o animal mais fantástico que já conheci. Adorei o seu sentido de humor e todos os momentos em que ela aparecia na história. Eu adoro gatos e livros, portanto como poderia não adorar este romance?

Houve um pormenor que me deixou com alguma pena de não ter sido mais desenvolvido: o Livro concede habilidades ao seu portador, porém Henrique acabou por não explorar muitas dessas habilidades. Fiquei com pena; gosto bastante de fantasia e adorava ter descoberto mais algumas dessas habilidades.

No geral, e para concluir, foi uma leitura muitíssimo agradável e viciante. Neste livro encontramos amizade, amor, conflitos, ciúmes, reviravoltas, momentos doces e outros mais emocionantes, ação, humor e uma grande dose de fantasia. É um livro que recomendo, quer conheçam ou não as obras desta promissora autora portuguesa!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"O Colégio de Todos os Segredos" de Gail Godwin [Opinião]

Este livro cativou-me pela sinopse e, dado que me foi emprestado, achei que seria uma boa oportunidade para me familiarizar com uma autora que me era desconhecida. Uma história passada num prestigiado colégio interno pareceu-me minimamente interessante e assim me lancei na leitura.

Infelizmente, após iniciar a leitura, o livro não me cativou como eu esperava e alguns capítulos mostraram ser verdadeiramente aborrecidos. Por diversas vezes, estive tentada a desistir, mas continuei a dar mais uma oportunidade.
Nestes momentos, dou por mim a pensar que o problema é meu, que ando sem paciência para ler e acabo por ler pouco ou quase nada, enquanto espero que a vontade volte. No entanto, basta trocar de livro, escolher um autor de que goste ou pegar numa história mais entusiasmante, para que o prazer da leitura volte.
Isto fez-me compreender que não tenho de me massacrar por não gostar de um livro, é perfeitamente natural detestar uma história, dado que não somos obrigados a gostar de tudo.

Ao fim de duas semanas de insistência, consegui finalmente terminar a leitura. Assim que ultrapassei a primeira metade, ele tornou-se ligeiramente menos enfadonho e quis chegar ao fim para formar uma opinião mais correta.

Não gostei das exageradas divagações da freira que estava a recordar o "ano tóxico" em que deu aulas no colégio; achei o livro muito religioso, algo que pouco ou nada me cativa. Também achei a história muito parada e sem momentos entusiasmantes.
As alunas ou passavam o tempo a fazer birras ou a criar conspirações e, verdadeiramente, só gostei da personagem Madeline, que tinha um papel mais secundário. Gostei da Tildy apenas porque ela sofria de dislexia e a autora conseguiu prender a minha atenção quando descrevia as suas incapacidades.

A história por detrás do "ano tóxico" não me surpreendeu e, de certa forma, fez-me sentir enganada. A designação de "ano tóxico" e o facto da ação decorrer num colégio de freiras deixou-me logo a desejar algo escandaloso e muito mais chocante do que o que aconteceu verdadeiramente. Esta foi mais uma razão que me fez considerar o livro uma desilusão.

Não sei se voltarei a ler mais algum livro desta autora mas, por enquanto, não quero pensar nisso. Preciso é de uns livrinhos mais suculentos para me animar.

Classificação: 1/5 estrelas

sábado, 10 de outubro de 2015

"Porque Te Amo" de Guillaume Musso [Opinião]

Guillaume Musso é um autor francês que tem conquistado um lugar no meu coração e do qual já vos falei várias vezes. Os temas que aborda nos seus romances são um pouco fora do normal: anjos, experiências de quase morte e regresso à vida, viagens no tempo... são sobretudo temas que nos permitem sempre refletir.

Porque Te Amo foi um livro que comprei este ano e cuja sinopse atraiu a minha atenção. Dediquei-me a ele por ser um livro pequeno, que me ajudou a fazer uma pausa de leituras maiores e mais cansativas.

Este livro conta-nos a história de Nicole e Mark, um casal que perdeu a filha de 5 anos, quando esta desapareceu misteriosamente sem deixar rasto. Mergulhados na dor, os pais acabaram por se separar: Nicole entregou-se à carreira como violinista, e Mark desistiu de tudo e todos e tornou-se um sem-abrigo.
Tudo muda quando, cinco anos depois, a menina, Layla, reaparece tão misteriosamente como tinha desaparecido.Contudo, vem envolta num estranho mutismo. O que lhe terá acontecido? Onde e com quem esteve Layla durante os últimos cinco anos?

Porque Te Amo não se trata apenas de um livro sobre duas pessoas que perderam a filha, nem sobre o estranho desaparecimento de uma criança. Este é um livro que retrata várias facetas do sofrimento, da dor e das repercussões que esta tem na vida de cada um.

Nesta história, iremos encontrar várias personagens em sofrimento, personagens essas cuja vida se irá interligar e que precisarão de ajuda para se salvarem. Há dias ouvi na televisão a frase "ninguém se salva sozinho" e associei-a de imediato a este livro, pois penso que define muito bem a história.

As personagens que Guillaume Musso nos apresenta são cativantes e é impossível ficarmos indiferentes ao seu sofrimento. A juntar a isto, temos a escrita magistral do autor, comovente e com um toque de suspense que nos mantém agarrados ao livro.
Tal como tem acontecido nos anteriores romances, o autor deixa sempre uma mensagem que nos permite refletir acerca da nossa vida e dos comportamentos que temos perante ela.

Este não foi o meu romance preferido do autor, porém não deixou de me comover e de me cativar com aquele final absolutamente surpreendente. Penso que é um livro especial e cuja leitura recomendo a todos os apreciadores deste género literário.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Amores Secretos" de Kate Morton [Opinião]


Amores Secretos foi a minha segunda leitura de Kate Morton; já tinha lido anteriormente o romance As Horas Distantes.

Laurel é uma atriz famosa que está de regresso à casa da sua infância para festejar com os irmãos o nonagésimo aniversário da mãe, Dorothy, que sofre de Alzheimer. Este regresso traz-lhe à memória um acontecimento trágico que mudou a sua vida: aos 16 anos, viu a mãe matar um homem à porta de casa.
Agora, Laurel acha que chegou o momento de descobrir o que se passou na vida da mãe para a levar a cometer tal crime. A investigação vai transportá-la para Londres, durante a 2ª Guerra Mundial, e dar-lhe a conhecer o destino que uniu três pessoas: Dorothy, Jimmy e Vivien.

Sem querer desencorajar alguns leitores, devo dizer que os romances de Kate Morton não são bons para quem procura ação e dinamismo num livro. Como pude constatar em ambas as leituras que fiz, Kate Morton é muito descritiva e os seus livros dão a sensação de que os acontecimentos decorrem de forma extremamente lenta. Desta forma, não considero que sejam livros de leitura compulsiva.
Por outro lado, são ótimos para quem gosta de saborear a leitura e dar mais atenção aos pormenores da escrita.

Inicialmente, devo confessar que arrastei durante dias a leitura, dado que a falta de ação me diminuía o interesse. Após ultrapassar as duzentas páginas, comecei a interessar-me por uma personagem, assim que o meu radar começou a detetar indícios de uma perturbação psicológica. Pouco depois, a história ganhou emoção, a intriga intensificou-se e dei comigo completamente absorvida pela vida destas personagens.

Esta é uma história que, assim que nos cativa, permanece na nossa memória, devido às personagens e ao mistério que as envolve. É uma história triste mas simultaneamente bela e com um final inesperado e arrebatador.
É uma leitura que eu recomendo vivamente aos fãs da autora e a outros leitores que desejem entrar numa história repleta de segredos.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"Vila de Cobres", um conto de Olinda P. Gil [Opinião]

Segundo conto que leio da autora Olinda P. Gil e que foi a minha escolha para o desafio Português no Feminino.

Este conto retrata a história de um engenheiro inglês que vem trabalhar para Portugal e que acaba por se apaixonar por uma ruiva alentejana. Contudo, faz algo que o leva a fugir apressadamente do país.

Achei o conto muito bem escrito, percetível e bastante interessante a nível das informações históricas. Apresenta diversas analepses que nos ajudam a compreender o passado do protagonista e as razões da sua vinda para Portugal.
No entanto, senti falta de alguma ação e de mais desenvolvimento no episódio fulcral que levou o protagonista a fugir. Senti também que o final estava demasiado abrupto, repentino, e desejei que houvesse um pouco mais para ler.

Aproveito para agradecer novamente à autora por disponibilizar este e outros dos seus contos gratuitamente. Irei continuar a explorar os seus trabalhos!

Classificação: 2/5 estrelas

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Sonhos Proibidos" de Lesley Pearse [Opinião]

Este livro chegou cá a casa no âmbito do projeto Empréstimo Surpresa que partilho com a Silvana. Foi, assim, o terceiro livro que li da autora este ano e, como se costuma dizer, à terceira é de vez. A Silvana conseguiu acertar em cheio na escolha que fez, e enviou-me um livro que me conquistou e arrebatou as minhas emoções, fazendo-me rir, chorar e permanecer num constante estado de ansiedade quando não estava a ler.

Sonhos Proibidos conta-nos a história de Belle, uma jovem inglesa de 15 anos, que sempre teve uma vida protegida. Graças aos cuidados da ama, nunca se apercebeu de que a casa onde vive é, na realidade, um bordel gerido pela própria mãe.
A verdade acabará, no entanto, por se revelar da pior forma. Para Belle, será no terrível dia em que assiste ao assassinato de uma das raparigas da casa. Mais tarde, é raptada pelo mesmo criminoso, enviada para França e vendida a um bordel. É assim que se inicia a história desta jovem heroína, cuja vida seguiu um caminho que ela nunca imaginaria.

O tema da prostituição é um tema que considero fascinante e, em simultâneo, arrepiante. Este livro transporta-nos para o meio das redes de tráfico de seres humanos, neste caso especificamente o rapto de jovens raparigas para serem vendidas a bordéis.
A autora explorou muito bem esta temática, mostrando-nos uma realidade angustiante, episódios capazes de atormentar as nossas emoções e de nos deixar com o coração nas mãos. 

Belle é uma personagem maravilhosa e com quem rapidamente sentimos uma grande empatia. Apesar das dificuldades, ela luta todos os dias por fugir da situação em que está, pensando sempre na sua família e no enorme desejo de voltar para junto deles.

Ao longo do livro, vamos conhecendo inúmeras personagens que tornam a história dinâmica e com surpresas constantes. Gostei muito da Mog, pelo grande carinho que tinha pela Belle, e adorei o Étienne, uma personagem que me cativou e me deixou curiosa por conhecê-lo melhor.

A escrita da autora é, como habitualmente, muito fluida e dinâmica, transportando-nos rapidamente para dentro da história. Existe um grande teor dramático, aspeto já familiar aos fãs da autora. Com Lesley Pearse, sabemos que vamos ser surpreendidos ao virar de cada página, com reviravoltas que se mantêm até ao último capítulo.

Em conclusão, foi com este livro que a autora finalmente me conquistou! Posso dizer que Sonhos Proibidos se tornou no meu livro preferido de Lesley Pearse. É uma história maravilhosa, cativante e que deixará saudades. A novidade boa é que a história continua no livro A Promessa e espero lê-lo assim que a oportunidade surgir.

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"A Estranha Viagem do Senhor Daldry" de Marc Levy [Opinião]

Esta foi a minha estreia com Marc Levy, um autor do qual já tinha ouvido falar bastante bem e, devido a esta razão, peguei no livro com boas expectativas.

Quando li a sinopse com mais atenção, a minha curiosidade aumentou. A ideia do livro é interessante: Alice leva uma vida tranquila como criadora de perfumes, até que, durante um passeio a uma feira em Brighton, uma vidente prediz que ela terá de partir numa longa viagem, onde deverá encontrar as seis pessoas que a conduzirão ao seu destino.

Confesso que me custou um pouco a adaptar à escrita do autor que, embora tenha bastante humor nos diálogos entre as personagens, apresenta também algumas partes mais maçudas. Durante mais de meio livro, achei a leitura chata e com pouquíssima ação. Só nos últimos capítulos é que o meu interesse aumentou vivamente e acabei por ser surpreendida com os acontecimentos finais.

A narrativa decorre no ano de 1950, primeiramente em Londres e, mais tarde, em Istambul. Este foi um dos aspetos que mais me agradou: a oportunidade de visitar dois locais tão diferentes.
Outro aspeto de que gostei foi a grande ênfase dada ao sentido olfativo, visto que Alice é uma criadora de perfumes e, portanto, os cheiros desempenham um papel importante no seu dia-a-dia e até nas suas recordações.

Apesar deste livro e respetivas personagens não me terem cativado totalmente, posso dizer que a história apresenta um certo mistério e o final é bastante emotivo, bem como o passado de Alice. Irei procurar outros livros do autor e espero que surja algum que consiga conquistar-me.

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

"O Funeral da Nossa Mãe" de Célia Correia Loureiro [Opinião]

Esta foi a minha leitura do mês de agosto para o desafio Português no Feminino que, confesso, me está a correr muitíssimo bem.

Desta autora, já tinha lido em 2013 o romance Demência e, no ano passado, aproveitei para comprar em promoção O Funeral da Nossa Mãe. Guardei-o na estante e lá ficou por mais de um ano, até que decidi que teria obrigatoriamente de o incluir neste desafio de ler em português. E assim foi.

A história transporta-nos para o Alentejo rural, mais especificamente para Vila Flor, uma aldeia fictícia. Tudo começa com o suicídio de Carolina Alves, aos 58 anos, acontecimento que deixa toda a povoação perturbada e surpresa, pois não esperavam semelhante reviravolta na vida de Carolina.
Ao tomar esta decisão, Carolina deixa um último pedido às suas três filhas: que se reúnam e participem na festa em honra da padroeira da vila e recuperem os laços de sangue que as unem.

As três irmãs não podiam ser mais diferentes: Luísa, a mais velha, emigrou para Paris, e é a mais destemida e pragmática das três, sendo também pouco dada a sentimentalismos e demonstrações de afeto. Cecília é a irmã sonhadora, tal como a mãe; é uma pianista muito talentosa e refugia-se na música para escapar aos problemas. Finalmente, Inês, a mais nova e mais insegura, que anda constantemente mal-humorada e não consegue confiar em nenhum homem.

Durante estes dias em que se juntam para o funeral da mãe, vão descobrir, com a ajuda da tia Elisa, os segredos e os erros que assombraram o casamento dos pais.

Eu já tinha ficado admirada com a escrita da autora ao ler a sua obra Demência, e este segundo livro só veio confirmar que estamos perante uma escritora extremamente talentosa. A escrita é muito madura, cuidada, bem estruturada e sem qualquer erro ortográfico e de construção frásica. Este é um livro para ler e saborear cada palavra, cada linha; é como se existisse uma melodia escondida em casa frase.

A história cativou-me imenso; eu gosto de segredos, de descobrir pouco a pouco o passado das personagens e fico extasiada quando esse passado se revela, de certa forma, dramático. O passado de Carolina revela as suas fraquezas e a forma como os seus atos, mesmo tendo sido feitos por amor, acabaram por trazer sofrimento à própria e às pessoas que a rodeavam.
Não diria que esta é uma história de amor mas sim a história de um amor destrutivo, um amor egoísta.

A narrativa alterna entre o presente e o passado, onde nos é contada ao pormenor a história de Carolina e Lourenço. A autora também teve o cuidado de contextualizar a época em que as personagens viviam e de dar a devia atenção aos comportamentos, costumes e pensamentos associados a essa época, aspeto que resultou muito bem e enriqueceu a narrativa.

Esta é uma história maravilhosa, cativante e intensa (o próprio título do livro chama a atenção) que recomendo sem qualquer reserva. As personagens são credíveis, a escrita transborda sensibilidade e a história acaba por tocar o coração do leitor e alojar-se num cantinho da sua memória. Adorei aquele final ternurento e desejo que esta história possa chegar ainda a muitos leitores.

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 22 de agosto de 2015

"Apenas um Olhar" de Harlan Coben [Opinião]

Harlan Coben é um autor que dispensa apresentações. Se acompanham regularmente o meu blogue, sabem que é um dos meus escritores preferidos de thrillers.

Tinha este livro cá por casa desde que o comprei, o ano passado, numa promoção. Como precisava de uma leitura que me prendesse e, ao mesmo tempo, queria ler mais um livro da minha estante, resolvi dedicar-me a este. E devorei-o em pouco mais de duas tardes.

A história deste livro inicia-se quando Grace tira uma série de fotografias durante umas férias e, quando as manda revelar, encontra lá no meio uma fotografia diferente, com as cores esbatidas pelo tempo, onde figuram cinco pessoas. Uma delas, uma mulher, tem o rosto marcado por dois traços em cruz. Um dos homens é muito parecido com o marido de Grace, como ele poderia ter sido vinte anos atrás. Porém, quando Grace o confronta com a fotografia, John nega ser ele. Mais tarde, John sai na sua carrinha, levando consigo a estranho fotografia, e não regressa a casa.

É neste momento que o mundo seguro de Grace se desmorona como um baralho de cartas. Em busca do marido, Grace terá de enfrentar as trágicas recordações do passado, enquanto lida com ameaças reais e tenta proteger os filhos.

Esta é mais uma história em que os acontecimentos do passado voltam para assombrar o presente. Passe o tempo que passar, os erros e as mentiras do passado acabam sempre por vir à tona, trazendo muitas vezes consigo novos acontecimentos catastróficos.

Apenas um Olhar apresenta um enredo complexo, com boas doses de perigo, adrenalina e um assassino cuja técnica é arrepiante. Vemos a força e determinação de Grace, que faz tudo para proteger os seus filhos e encontrar o marido. E encontramos também um pai que, passados tantos anos, continua sem conseguir superar a morte do único filho e ainda age por vingança.

Os thrillers de Harlan Coben são muito dinâmicos, a ação é constante e as reviravoltas acontecem ao virar de cada página. Tal como está descrito na sinopse do livro, este é "um thriller intenso, de alta complexidade e que gera um suspense quase doloroso, sem deixar de desafiar a curiosidade do leitor" e, francamente, não encontro melhor descrição para ele.

Sem qualquer dúvida, recomendo a leitura deste thriller aos apreciadores do género. Harlan Coben é um autor a não perder!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 18 de agosto de 2015

"Sopro do Mal" de Donato Carrisi [Opinião]


Estamos ao lado de pessoas de quem pensamos saber tudo, mas de quem não sabemos nada...

Este autor já andava a chamar a minha atenção há bastante tempo, devido às críticas positivas que os seus livros recebiam. Tive oportunidade de ler Sopro do Mal graças a um empréstimo e assim se deu o meu primeiro contacto com os thrillers de Donato Carrisi.

O leitor inicia esta leitura deparando-se com o impressionante aparecimento de seis braços enterrados. Seis crianças estão desaparecidas.
Goran Gavila é um criminologista que auxilia a equipa de investigação na caça ao homicida. A esta equipa vem juntar-se Mila Vasquez, uma investigadora especializada em encontrar pessoas desaparecidas.

A ideia deste livro já de si é bastante arrepiante, não só porque o assassino mutila e assassina crianças, como também é baseado em factos verídicos.

O autor escreve de forma muito cativante e consegue prender o leitor ao máximo. Há muitas explicações acerca da natureza dos serial killers, aspeto que me agradou sobremaneira, e todas as pistas são investigadas a fundo pela equipa.

O serial killer presente neste livro é, talvez, um dos mais interessantes que encontrei nas minhas viagens literárias. É um assassino subtil, ardiloso, que "sussurra", levando outros a matar por si. Todo o seu plano é preparado ao pormenor, o que faz com que ele esteja sempre um passo à frente dos investigadores.

É muito difícil descobrir o que vai acontecer a seguir; quando julgamos que temos um palpite acertado, eis que surge o autor com mais uma reviravolta completamente impensável.

As personagens também estão muito bem construídas e todas apresentam os seus segredos. Agradam-me imenso estas personagens imperfeitas, com passados turbulentos, dado que são mais credíveis, aproximam-se mais da realidade. Afinal de contas, todos nós temos os nossos segredos.

Quero ainda destacar que este livro é sobretudo psicológico e muito visual, contendo mesmo algumas descrições aterradoras.

Em conclusão, este é um thriller viciante e perturbador que facilmente vai deixar os leitores agarrados às suas páginas pela noite dentro. Recomendo vivamente a sua leitura!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

"As Guardiãs do York - A Descoberta dos Poderes" de D. M. M. Ribeiro [Opinião]

Este livro foi-me cedido pela autora D. M. M. Ribeiro para eu ler no âmbito do desafio Português no Feminino. Naturalmente, fiquei entusiasmada pela possibilidade de conhecer uma nova autora portuguesa e rapidamente me debrucei sobre a leitura.

As Guardiãs do York – A Descoberta dos Poderes é um livro que se insere no género fantástico e que, na minha perspetiva, se adequa mais a um público juvenil.

A sinopse do livro não revela muito, o que leva a que o leitor parta para a leitura sem saber o que espera. Pessoalmente, gosto sempre de ler as sinopses dos livros, dado que me permitem ter um primeiro contacto com a história e, por vezes, me ajudam mesmo a decidir a próxima leitura.

A protagonista deste livro é Mary, uma jovem que, juntamente com três amigas, vai descobrir que é uma das Guardiãs do York. Cada uma das jovens controla um poder (água, terra, ar e fogo) e, juntas, terão de cumprir uma importante missão.

O espaço temporal desta história confundiu-me ligeiramente no início da leitura. Julguei que decorria nos dias de hoje, porém, alguns capítulos depois, surgiu a indicação de que as personagens viviam em meados do século XVIII. Fazia falta alguma contextualização histórica para o leitor não se perder no espaço temporal.

Este livro apresenta ainda dois aspetos que eu aprecio imenso nos livros de fantasia e não só: viagens do tempo e a existência de universos paralelos. A autora surpreendeu-me com a sua criatividade e só tenho pena que estes aspetos não tenham sido mais desenvolvidos, pois souberam a pouco.

A história, em termos de estrutura, encontra-se bem organizada e a autora conseguiu terminar os capítulos em pontos estratégicos para criar suspense. As analepses utilizadas para descrever momentos do passado das personagens deviam estar melhor assinaladas, talvez com um subtítulo, para que o leitor saiba que vai ser direcionado para o passado de determinada personagem.

As personagens, no meu parecer, necessitavam de ser mais trabalhadas, de ter uma personalidade mais vincada e também de apresentar comportamentos e reações mais apropriadas à sua idade e maturidade.

No geral, achei que a história demonstra bastante bem a criatividade da autora, tem ação e suspense, momentos mais dramáticos e lê-se muito bem. Contudo, precisava de mais trabalho, não só a nível das personagens, como também ao nível temporal e espacial.
Como se trata de um livro de fantasia, as descrições e os pormenores são fundamentais para que o leitor sinta que conhece este mundo e que, de certa forma, faz parte dele.

Um outro aspeto que devo ainda salientar é que este livro carecia de uma revisão aprofundada antes de ser publicado. Apresenta muitos erros a nível ortográfico e de construção frásica, o que pode perturbar a leitura. A mim perturba imenso, visto que sou muito rigorosa neste aspeto e considero que um texto bem escrito e cuidado faz toda a diferença.
Desilude-me que a Chiado Editora não se preocupe minimamente em rever as obras que publica, o que acaba por ser prejudicial não só para os autores como para a própria editora.

Em suma, esta história deixou-me com a curiosidade suficiente para querer ler a continuação, especialmente depois da forma como terminou.

Um conselho que dou à autora é que procure alguns leitores-beta que a ajudem com os próximos trabalhos. Penso que será benéfico ter esta ajuda exterior, ter alguém que dê sugestões de melhoria, que critique construtivamente e que vá acompanhando o processo de escrita.
Acredito que a autora tem potencial e criatividade e poderá vir a melhorar no futuro.

Antes de terminar, agradeço, mais uma vez, à autora D. M. M. Ribeiro, a oferta do livro e deixo aqui os meus votos de muito sucesso no seu percurso literário.

Classificação: 2/5 estrelas

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"Vermelho como o Sangue" de Salla Simukka [Opinião]

Os policiais nórdicos estão muito na moda atualmente, porém confesso que ainda sou pouco conhecedora dos livros do género. Além da trilogia Millennium, de Stieg Larsson, esta foi a segunda autora que tive oportunidade de conhecer.

Vermelho como o Sangue inicia uma trilogia intitulada Branca de Neve. Achei muito interessante este toque de conto de fadas num policial e estou curiosa por ver como a história vai evoluir nos volumes seguintes.

Este romance é dirigido a jovens adultos, embora seja suficientemente cativante para um público mais velho.

O primeiro capítulo apresenta-nos um cenário que tem tanto de gelado como de sangrento. Uma poça de sangue a alastrar-se na neve branca; o contraste do vermelho no branco dá um certo tom de cor ao livro. Nestes pormenores acho-o muito visual, dado que é fácil imaginar os cenários onde impera o branco, visualizar onde as personagens se movem.

Os capítulos são pequenos e bem estruturados, conjugando a ação e o suspense de forma a prender o leitor à medida que vira as páginas. Também a escrita da autora é interessante; apercebi-me de alguns aspetos peculiares, embora seja possível que isto se deva à tradução para português.

Lumikki foi a personagem que mais me surpreendeu devido à sua maturidade. É uma jovem de 17 anos bastante mais crescida que a maioria dos adolescentes da sua idade. Vive sozinha na cidade onde está a estudar e adora a liberdade que isso lhe proporciona. Impôs algumas regras a si própria, sendo que uma delas é não se meter naquilo que não lhe diz respeito. E é precisamente esta regra que vai ser posta à prova quando encontra uma grande quantia de notas de quinhentos euros a secar no laboratório fotográfico da escola. Essa descoberta vai envolvê-la, juntamente com mais três colegas, numa perigosa e sombria conspiração.

Em conclusão, gostei imenso de contactar com esta história e quero ler os volumes seguintes, dado que desejo conhecer melhor o passado de Lumikki, que ainda não foi completamente desvendado.
Recomendo este policial aos fãs de literatura nórdica; aqui encontraráo uma história com descrições cruas, suspense, ação, perigo, tudo isto rodeado por um cenário gélido que, apesar de tudo, também consegue transmitir alguma beleza. Espero que desfrutem da leitura!

Classificação: 3/5 estrelas