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quinta-feira, 4 de março de 2021

"A História de uma Serva" de Margaret Atwood [Opinião]


«Ferozmente político e negro, se bem que cheio de espírito e sabedoria, este romance é cada vez mais vital nos nossos dias.»
Observer
 
Andava com saudades de ler uma distopia, um género que adoro mas que exploro pouco, e decidi escolher A História de uma Serva, de Margaret Atwood.
Este livro foi uma surpresa total e, ao longo da leitura, várias vezes dei comigo a pensar "como é que eu nunca tinha lido este livro?".

Ele foi publicado originalmente em 1985, o que significa que é uma história com mais de 35 anos. O que é fascinante é ela apresentar uma temática assustadora, que não deixa de ser atual e plausível.
 
Extremistas cristãos de direita derrubam o governo americano e queimam a Constituição. Aquele país passa a chamar-se Gilead, um estado policial fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, servem unicamente para fins de procriação. São obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.

A primeira coisa que me chamou a atenção neste livro foi, sem margem para dúvidas, a escrita. Margaret Atwood escreve de forma irrepreensível. Ela consegue embalar e cativar o leitor com as suas palavras, notando-se também uma grande maturidade, que certamente advém da sua experiência enquanto autora de mais de 40 livros publicados.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
A escrita foi então o elemento que me agarrou desde o início. A seguir, foi o enredo. A história é narrada na perspectiva de Defred, uma Serva da República de Gilead. Esta narração é feita na forma de um relato e, posteriormente, no final do livro, ficamos a saber que de facto é um relato, como se alguém tivesse gravado a sua história em cassetes e elas tivessem sido transcritas.
Defred é crua e fria na sua narração, é alguém que sofreu tanto que o seu relato acaba por ser um pouco desprendido e em fragmentos da sua memória. Algumas passagens parecem nubladas, ela própria afirma que tem várias versões do mesmo acontecimento. É como se alguém nos contasse a sua história passados muitos anos.

O livro é bastante parado em termos de ação, porém está sempre a acontecer alguma coisa. O que é curioso é que eu sou uma leitora que precisa de dinamismo e adrenalina nas leituras, pois aborreço-me facilmente quando as histórias são mais paradas. E, embora este livro seja tudo menos enérgico, eu senti-me cativada de início ao fim.

Posso afirmar que me senti completamente chocada com algumas das cenas descritas neste livro, de tão gráficas que são. Por mais que tente, não consigo imaginar-me a ser obrigada a viver numa sociedade destas. Dou os parabéns à autora pela imaginação e criatividade na construção deste mundo. Gosto de livros que me choquem!

O final é daqueles que muitos leitores não gostam de encontrar porque é um final aberto. Termina de forma um pouco abrupta e sei que terei de ler brevemente a sequela, Os Testamentos, em busca das respostas de que necessito.
 
Recomendo vivamente esta leitura, não só aos fãs de distopias, como a qualquer leitor que queira embrenhar-se numa realidade assustadoramente possível.

Classificação: 5/5 estrelas

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

"Má" de Chloé Esposito [Opinião]


«Sexo, drogas e uma sede de sangue que nunca é satisfeita. Alvina é uma personagem que não esquecemos depressa: engraçada, com garra, fabulosa... os leitores vão chorar pelo próximo livro.»
Booklist
 
é a continuação do Louca, livros pertencentes a uma série cuja personagem principal é a Alvina Knightly. No primeiro volume, vemo-la a apoderar-se da vida da irmã gémea, quando esta morre acidentalmente. Depois de roubar a vida que queria, neste segundo volume surgem novos contratempos e novos perigos que ela terá de enfrentar.

Como referi, trata-se de uma trilogia (o terceiro ainda não está publicado em Portugal) e recomendo vivamente que leias os livros por ordem, caso contrário não irás perceber nada deste segundo volume.

Eu tinha adorado o sentido de humor desta personagem; ela é completamente tresloucada, diz e faz tudo sem qualquer censura. Tinha referido também que poderá não ser um livro para todos os leitores e continuo a manter essa opinião neste segundo volume: se não tens paciência para uma personagem maluca e cheia de sarcasmo, provavelmente não irás gostar da Alvie.

[Fotografia da minha autoria] 

Neste romance, Alvie acorda no Ritz (um hotel londrino), com a maior ressaca de sempre, e descobre que o seu novo namorado fugiu com todo o dinheiro que haviam roubado à sua irmã gémea. Sedenta de vingança, Alvie vai iniciar uma busca intensa para o encontrar. Está disposta a matá-lo ou a morrer a tentar.

Mas Alvie faz estragos por onde quer que passe e é por isso que este livro continua tão hilariante como o primeiro, repleto de peripécias, situações hilariantes e que deixam o leitor a rir às gargalhadas. Admiro muito a imaginação da autora e a capacidade de criar uma personagem como esta!

O final foi inesperado e deixou-me uma sensação levemente agridoce. Fiquei com alguma pena do que aconteceu, mas compreendi perfeitamente que aquilo tinha de acontecer para que a história possa continuar. Afinal, ainda haverá mais um livro e a Alvina precisa de se meter em novos sarilhos antes de nos ser dado a conhecer o seu final.

É um livro ótimo para ler numa só tarde. Prometo gargalhadas, boa disposição e, claro, uma vontade enorme de ter rapidamente nas mãos o terceiro volume!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

"Louca" de Chloé Esposito [Opinião]


«Chloé Esposito apresenta uma anti-heroína cativante e sem censura neste seu primeiro romance.»
US Weekly

Recordo-me de ter ficado muito curiosa acerca deste livro quando ele foi publicado em Portugal, no início de 2018. Acabei por não o comprar e, de certa forma, esquecer-me dele. Tive agora oportunidade de o ler, uma vez que me foi emprestado.

Antes de iniciar a leitura, reparei que a sua classificação no Goodreads é baixa, dado que tem uma grande percentagem de classificações de uma estrela. Pensei logo que seria um livro pouco consensual, que tanto podemos amar como odiar.
Mesmo assim, parti para a leitura sem qualquer preconceito.

E o que encontrei acabou por me surpreender. Este livro é completamente hilariante!

Trata-se de um thriller um pouco fora do normal e admito que poderá não agradar a todos os leitores. A sua principal característica é o humor, que está presente ao longo de toda a narrativa.

Nos capítulos iniciais, conhecemos Alvina Knightly e a sua vida completamente desinteressante. É uma personagem fútil, que bebe demais, não tem objetivos na vida e está prestes a ser despedida do emprego e a ficar sem casa.
É completamente diferente da sua irmã gémea, Beth, que, além de ser perfeita, é casada com um italiano lindo e rico e tem um bebé maravilhoso. Sempre foi a preferida da mãe de ambas.

[Fotografia da minha autoria] 

Esta personagem tem tudo para ser detestável mas, à medida que a conhecemos e soltamos gargalhadas a cada peripécia que lhe acontece, torna-se impossível não torcer por ela. 

Alvina tem inveja e ciúmes da irmã, o que até se torna compreensível, uma vez que ela passou toda a infância a ser menosprezada pela mãe de ambas. Os flashbacks que recebemos da sua infância ajudam-nos a conhecer melhor estas circunstâncias e a sentir alguma empatia por ela, embora nada disto justifique as suas atitudes.

Confesso que, durante toda a leitura, só consegui fazer duas coisas: ou rir à gargalhada ou ficar estupefacta com a quantidade de situação caricatas, mirabolantes e rebuscadas em que esta personagem estava metida. A ironia, o sarcasmo e o humor negro são constantes e foi uma das coisas que mais me agradou neste livro. Alvina é completamente louca e temos acesso a todos os seus pensamentos, mas mesmo todos, sem qualquer tipo de censura.

Para além do humor, este livro tem um pouco de tudo: drogas, romance, violência, suspense, crime, sexo explícito... É um livro ousado e que entretém na perfeição.

Tal como referi acima, não será do agrado de todos os leitores. Se não têm paciência para personagens tresloucadas, possivelmente vão detestá-lo. Mas se adoram sarcasmo e querem dar uma boas gargalhadas, então apostem nele.

Eu adorei e, se tivesse nas minhas mãos a continuação, já estaria a devorá-lo com toda a certeza!!

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

"O Filho de Thor" de Juliet Marillier [Opinião]


Esta é a minha segunda experiência com as obras de Juliet Marillier depois de ter lido, há dois anos, Danças na Floresta.

Consigo encontrar diversas diferenças entre esse livro e este - O Filho de Thor - que dá início à Saga das Ilhas Brilhantes.

Logo desde o início dá para perceber que este é um romance mais duro, com uma aura mais sombria.
Segundo a nota da autora, ela explica que se inspirou nas Ilhas Órcades e no guerreiro do seu tempo, o berserk, um guerreiro nórdico feroz que prestava vassalagem ao deus Odin.
Neste romance, contudo, os guerreiros que a autora criou - os Pele-de-Lobo - prestam vassalagem a Thor, um deus de natureza mais honesta.

Este romance conta então a história de dois rapazes que se tornam irmãos de sangue devido a um juramento que fazem na infância. Eyvind deseja tornar-se um grande Pele-de-Lobo e servir Thor no campo de batalha. Somerled é um rapaz estranho, mas muito inteligente, que deseja vir a tornar-se rei. Juntos, vão viajar até às Ilhas Brilhantes, onde um acontecimento trágico mudará para sempre as suas vidas.

O Filho de Thor oferece-nos uma história incrível, recheada de tantos pormenores, que se torna mesmo necessário dedicar ao livro o tempo que ele merece. A escrita da autora é bastante descritiva, muitas vezes densa, daí que este não seja um daqueles livros de devorar numa tarde. Eu demorei um mês a lê-lo e, ao contrário de outros livros que ao fim de algum tempo começam a cansar, adorei descobrir cada pormenor desta história repleta de misticismo e magia.

Como referi acima, este livro apresenta uma aura sombria, que começa com os guerreiros viquingues e com a sua natureza violenta e sede de sangue. Porém, assim que as nossas personagens desembarcam nas Ilhas Brilhantes, há algo poderoso que nos agarra ainda mais a esta história. Há acontecimentos dramáticos e cruéis que nos deixam de coração nas mãos, mas existe também a esperança de que se faça justiça para as personagens.

Eyvind é uma personagem fascinante e adorei acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento, desde o seu desejo de tornar-se um Pele-de-Lobo, a sua sede pelas batalhas, até ao momento em que descobre que uma vida tem afinal muito mais valor. Por sua vez, Somerled provocou-me sentimentos muito confusos, desde uma certa admiração ao ódio.
Nessa é igualmente uma personagem forte, querida e muito ligada à natureza.
Todas as personagens secundárias estão igualmente bem construídas e conseguem destacar-se de alguma forma.

Em suma, esta é uma história realmente boa e habilmente contada. Estou mesmo desejosa de ler o outro volume da saga - A Máscara da Raposa - e, desta forma, poder voltar a embrenhar-me neste mundo fantástico que a autora construiu.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 15 de outubro de 2019

"Como Publicar o Seu Livro" de Rita Canas Mendes [Opinião]


Como Publicar o Seu Livro é um livro que nos dá a conhecer, de forma muito acessível, o mundo editorial por dentro e por fora.
Rita Canas Mendes trabalha há vários anos no mundo dos livros, tendo ocupado diferentes cargos em editoras de referência. Atualmente trabalha em regime independente como consultora e tradutora.

Este livro encontra-se dividido em cinco partes. A primeira apresenta-nos os principais Prémios e Concursos para Obras Inéditas, fazendo menção às vantagens e desvantagens destes prémios e apresentando ainda a experiência de três autores.
A segunda parte aborda a Edição Tradicional, explicando como é uma editora por dentro, qual o percurso de um livro desde que é proposto à editora até chegar às mãos do público, como o autor se deve preparar, como preparar o original, as vantagens e desvantagens da edição tradicional e a experiência de três autores.
A terceira parte trata da Autopublicação, mencionando os quatro grandes tipos de autopublicação, os cuidados a ter, a forma como se deve proceder, vantagens e desvantagens e, por fim, a experiência de três autores.
A quarta parte faz referência ao mundo Para lá da Publicação, abordando as temáticas do marketing e da comunicação, da relação com o público e com os parceiros.
Por fim, a quinta parte apresenta os Direitos e Deveres do autor.

Achei este livro bastante interessante e informativo. É sobretudo aconselhável a quem nunca publicou e gostaria de conhecer um pouco mais o mercado editorial.

Publicar um livro pode ser um processo muito empolgante mas, por vezes, a falta de informação leva as pessoas a escolher as vias que nem sempre são as mais adequadas para o seu caso. Enquanto na edição tradicional, o autor tem o acompanhamento de uma equipa, na autopublicação quase tudo fica ao critério do autor. Contudo, para quem opta por este tipo de publicação, é muito importante ponderar todos os prós e contras e investir no seu livro, ou seja, contratar profissionais que o ajudem, nomeadamente revisores de texto.

A autora apresenta dicas e conselhos importantes para que não sejamos ingénuos em relação a estas questões. Publicar um livro na realidade não acontece tal como a ideia romantizada que temos dele.

Uma leitura que recomendo, independentemente da fase de escrita do livro em que se encontrem.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

"O Retrato de Rose Madder" de Stephen King [Opinião]


Foi no ano passado que comecei a conhecer as obras de Stephen King. Depois de ter tido uma experiência fantástica com Misery, fiquei com vontade de ler o máximo possível de livros do autor.

O Retrato de Rose Madder fala-nos de uma mulher que foge ao marido, depois de catorze anos de violência doméstica. Dá início a uma vida nova noutro local, enquanto faz algumas amizades e encontra um novo amor. Mas o medo de que o marido volte a encontrá-la está sempre presente...

O livro inicia-se com um capítulo bastante chocante, mostrando-nos logo ali que o marido de Rose é extremamente violento. Isto é comprovado ao longo da narrativa, à medida que vamos conhecendo mais aspetos do casamento de ambos.

Foi uma situação de dimensão inferior que levou Rosie a decidir fugir ao marido. Todos os seus medos e angústias estão muito bem descritos; penso que o autor fez um excelente trabalho.

Por sua vez, Norman, o marido de Rosie, é uma personagem completamente asquerosa e, se o autor fez um bom trabalho a caracterizar a personagem feminina, conseguiu-o ainda melhor a caracterizar este vilão. Norman é bem capaz de ser um dos vilões mais sádicos e arrepiantes que já encontrei.

[Fotografia da minha autoria]

Este romance poderia ser uma história sobre violência doméstica, como tantas outras. Contudo, o autor introduziu uma componente de fantasia que tornou este livro um pouco diferente. Sinceramente, não apreciei tanto esta vertente. Sendo o tema que é, gostava que toda a história se tivesse passado no mundo real e que não tivesse o seu clímax no mundo de fantasia que o autor criou.

Um outro aspeto interessante é que neste livro foi mencionado Paul Sheldon (personagem de Misery) e alguns dos seus romances.
Devo dizer que, a cada novo livro que leio do autor, adoro procurar referências a personagens ou elementos de obras passadas.

No geral, o livro é bastante bom pela caracterização das personagens e pelo exemplo de coragem e superação que oferece a todas as mulheres vítimas de violência.
Não é, na minha opinião, um dos mais assustadores do autor, embora apenas possa comparar com os outros dois que li.
Sem dúvida que desejo continuar a explorar as inúmeras obras do autor.

Classificação: 3/5 estrelas

terça-feira, 4 de setembro de 2018

"As Instruções de Pitonisa" de Erik Axl Sund [Opinião]


É com um sentimento agridoce que termino o último livro da trilogia As Faces de Victoria Bergman.

Foi uma leitura dura, por vezes arrepiante e que nem sempre decorria com a rapidez que eu queria. Havia momentos em que não conseguia ler muito, e outros em que desejava ler de forma compulsiva.

Neste livro, Jeanette continua a investigação, tentando finalmente unir todas as pontas soltas. Por sua vez, Sofia Zetterlund continua o processo de se compreender a si própria.

Embora o primeiro livro tenha sido aquele que mais me surpreendeu, devido a uma revelação importante, os volumes seguintes não deixaram de se manter estruturados e com algumas surpresas. Este terceiro volume voltou a surpreender-me, com a descoberta do verdadeiro culpado pelas mortes dos meninos investigados no início da trilogia. Foram descrições cruas, difíceis de ler mas, ao mesmo tempo, fascinantes pela maldade de que o ser humano é capaz.

Os autores conseguiram desconstruir as certezas que fomos criando desde o primeiro volume, e gostei muito disso.
Apesar de toda a mestria inquestionável que os autores revelaram, não sei ainda se me sinto satisfeita com o final dado à trilogia. Compreendi o final, contudo fiquei com uma sensação estranha, como se algo permanecesse inacabado. Parece-me que ainda havia tanto a ser explorado, daí o meu sentimento agridoce.

No geral, o balanço é extremamente positivo e recomendo sem reserva a leitura desta trilogia a todos os amantes de policiais e thrillers negros. Vale muito a pena!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

"Fome de Fogo" de Erik Axl Sund [Opinião]


Depois de A Rapariga-Corvo, Fome de Fogo da continuação à trilogia As Faces de Victoria Bergman.

No primeiro volume, fomos acompanhando a investigação do caso dos meninos mortos, investigação essa que acabou por ser posta de parte, devido ao aparecimento de um novo homicídio para investigar: o de um homem de negócios. À medida que Jeanette Kihlberg investiga, vai-se apercebendo que afinal os dois casos podem estar relacionados e têm um ponto em comum: Victoria Bergman.

Torna-se mais premente investigar esta mulher e o seu passado, contudo, as informações referentes a ela são confidenciais.

Gosto muito do facto de, neste momento, o leitor já saber mais sobre Victoria Bergman do que Jeanette. Depois da revelação surpreendente que recebemos no primeiro volume, é impossível permanecer indiferente. Por um lado, quero que Jeanette descubra tudo e consiga concluir a investigação mas, por outro lado, não deixo de pensar que final terão os autores reservado para Victoria Bergman, umas das personagens mais aterradoras e fascinantes que já encontrei na literatura.

Este livro mantém a mesma atmosfera negra que já caracterizou o primeiro volume e intensifica as sensações do leitor, à medida que revela mais pormenores chocantes.

Como é natural num segundo volume de uma trilogia, o final é repentino e deixa ainda muitas perguntas por responder.
Estou com grandes expectativas em relação ao último volume, onde o cerco ficará ainda mais apertado e terei, certamente, um maior conhecimento em relação à figura central da história.

Não percam o segundo volume desta trilogia intrigante, perturbadora e difícil de esquecer!

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 19 de julho de 2018

"A Rapariga-Corvo" de Erik Axl Sund [Opinião]


Comprei este livro o ano passado na Feira do Livro e acabei por emprestá-lo à minha melhor amiga antes de eu própria o ler. Quando mo devolveu, ela disse-me que já tinha lido toda a trilogia e que eu teria de o ler o mais depressa possível e que iria precisar dos outros dois volumes com urgência.

Decidi então embrenhar-me na leitura deste thriller, o primeiro volume da série As Faces de Victoria Bergman.

A história vai-se centrando em Jeanette Kihlberg, uma polícia que investiga uma série de homicídios macabros de meninos em Estocolmo. São casos difíceis, com poucas pistas, e, quando surgem suspeitos, nem o procurador autoriza a que essas pessoas sejam investigadas.

Paralelamente, conhecemos também Sofia Zetterlund, uma psicoterapeuta que trata de casos difíceis, trabalha maioritariamente com pessoas traumatizadas. Neste momento, tem dois pacientes desafiantes: Samuel Bai, uma criança-soldado, e Victoria Bergman, uma mulher com um profundo trauma de infância.

Ambos os pacientes de Sofia sofrem de transtorno dissociativo de personalidade, um tema sobre o qual muito me agradou ler. Já tinha visto esta temática explorada em filmes, mas creio que foi a primeira vez que li algo do género. Senti-me fascinada com um capítulo em que Sofia explora as várias personalidades de Samuel Bai e só fiquei com pena de ter achado pouco.

Victoria Bergman é uma mulher estranha, que sofreu horrores na sua infância. Mesmo com os capítulos que nos transportam para o passado, ainda ficou muito por contar acerca desta mulher.

Os capítulos são pequenos, o que torna a leitura bastante dinâmica. No início, estava a custar-me adaptar-me à leitura porque me parecia haver pouca ação e muitas informações acerca da vida pessoal das protagonistas. Mais para o fim, compreendi que tal era necessário para o desenrolar dos acontecimentos.

Este é um livro duro, sombrio, que explora o tema da pedofilia e do tráfico de crianças. É um livro onde a maldade está muito presente, nos arrepia e nos faz revolver o estômago.
Perto do final, surge uma reviravolta completamente inesperada. Foi isso que me fez terminar o livro a uma velocidade estonteante, tal era o meu desejo de compreender.
Cheguei ao fim a desejar poder ler de imediato o volume seguinte, tal como a minha amiga bem me avisou.

Recomendo vivamente este thriller extraordinário e estou desejosa de ler a continuação da trilogia.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 14 de abril de 2018

"Em Parte Incerta" de Gillian Flynn [Opinião]


Li este livro por recomendação da Silvana que, de vez em quando, lá me começava a falar dele muito entusiasticamente.

O livro inicia-se com o desaparecimento de Amy, a esposa de Nick, no dia em que comemoram 5 anos de casamento. Nick começa a ser visto como o principal suspeito e, com a pressão da polícia, desata a mentir e a comportar-se de forma desadequada, o que em nada abona a seu favor. Será ele realmente um assassino? E se não é ele o culpado, onde está a sua mulher?

Este não é um livro que cative logo desde o início. A primeira metade do livro é aborrecida, decorre muito lentamente e, por vezes, a leitura mostra-se custosa.
Eu li-o em formato e-book, no computador, o que já de si é cansativo e me provoca impaciência. Assim, é provável que o aborrecimento que senti na parte inicial do livro tenha sido exacerbado pelo facto de ler em suporte digital.

A primeira parte provocou-me vários sentimentos: não consegui sentir pena de Nick, ele apenas me dava vontade de rir porque era tão tótó, tão sem ação, tão incapaz de fazer alguma coisa que não fosse incriminar-se ainda mais. Cada comportamento dele, por mais pequeno que fosse, fazia crescer as suspeitas.
A Amy, que conhecemos através das páginas do seu diário, irritou-me por ser mimada a infantil. Achei-a tão desinteressante que cheguei mesmo a desejar que ela estivesse morta algures numa valeta.
Senti tudo isto à medida que combatia o tremendo aborrecimento por a história não avançar.

Assim que chegamos à segunda metade do livro, a história sofre uma enorme reviravolta e a autora deixa o leitor de boca aberta. Afinal, tudo o que lêramos até então não passou de uma preparação, um contexto para justificar o que verdadeiramente aconteceu.
Conhecemos uma nova Amy ou, mais especificamente, a verdadeira Amy, já que a anterior, a do diário, era apenas ficção. Esta nova Amy é muito mais maquiavélica do que se pode imaginar.

Neste momento, senti que a leitura melhorou muito e a minha vontade de descobrir mais fez-me virar as páginas com mais rapidez.
Se decidirem ler este livro, tenham paciência com a primeira parte; por muito aborrecida que vos pareça, garanto que vale a pena continuar.

O livro está muito bem construído, tem diálogos interessantes e uma parte policial bastante coerente. As atitudes de Amy surpreendem-nos sempre, mesmo quando parece que ela não pode fazer pior. Gostei mesmo muito de toda esta maldade.

Apenas o final deixou algo a desejar e acabou por saber a pouco. Agora que reflito sobre isso, penso que o final fez sentido, embora tenha sido dececionante. A autora foi tão minuciosa, espicaçou tanto a minha curiosidade que esperava algo realmente estrondoso no fim.

No geral, a experiência foi muito positiva e recomendo vivamente esta leitura. Fiquei curiosa por ler outros trabalhos da autora, onde também existem personagens perturbadas. Vou tentar dedicar-me a eles brevemente.

Classificação: 4/5 estrelas

terça-feira, 13 de junho de 2017

"Danças na Floresta" de Juliet Marillier [Opinião]


Danças na Floresta é um romance inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas e foi a minha primeira experiência com as obras de Juliet Marillier.

Nunca tinha lido nada da autora, embora ouvisse falar muito bem dela, e confesso que me senti cativada desde as primeiras páginas. Soube-me bem fugir um pouco das leituras mais contemporâneas e dedicar-me a um livro de fantasia pura.

Adorei a forma como a autora construiu um mundo de magia repleto de personagens interessantes. Gostei muito das irmãs, principalmente da Jena. Pareceram-me personagens muito humanas e bastante maduras para a sua idade.

Esta é uma história de magia, de dança, de alegria e tristeza, medo e coragem, de amor e aventura. As personagens passam por momentos de sofrimento, cometem erros, vivem injustiças e imensas peripécias.
Adorei o sapo Gogu e enterneci-me com a amizade que Jena tinha por ele. Claro que rapidamente percebi que aquele sapo tão amoroso não era apenas um sapo, e achei bem interessante a forma como a autora deu uma interpretação diferente a esta parte da história.

Foi uma leitura cativante, com uma escrita fluida e repleta de magia, que recomendo aos apreciadores de contos de fadas. Irei certamente procurar ler outras obras da autora, nomeadamente a trilogia Sevenwaters, uma das mais referidas pelos fãs da autora.

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 27 de julho de 2016

"O Assassínio de Cinderela" de Mary Higgins Clark e Alafair Burke [Opinião]


O Assassínio de Cinderela é o mais recente trabalho de Mary Higgins Clark, em parceria com a autora Alafair Burke.

Como a autora explica numa nota inicial, a ideia de escrever este livro surgiu do seu editor, que lhe propôs que escrevesse uma série de romances em coautoria, baseados nas personagens principais de O Azul dos Teus Olhos.

Laurie Moran é a personagem principal desta série, uma produtora televisiva delirante com o sucesso do seu programa Sob Suspeita. Este programa recria crimes que, passados muitos anos, continuam por resolver. Para tal, são reunidos testemunhas, amigos e familiares, que possam ajudam a encontrar pistas que escaparam das investigações iniciais.

Antes de mais, este romance contém muitos spoilers de acontecimentos do livro O Azul dos Teus Olhos, por isso, caso queiram evitar estes spoilers, recomendo que leiam primeiro o livro referido.
Ainda não tive oportunidade de ler O Azul dos Teus Olhos mas, apesar de já saber o que acontece, continuo curiosa em relação livro e espero lê-lo no futuro.

O Assassínio de Cinderela retrata o caso de uma jovem universitária que foi encontrada morta num parque, longe da universidade. O caso levantou muitas suspeitas mas nunca chegou a ser resolvido. Vinte anos depois, a sua mãe continua à procura de um desfecho para esta tragédia e aceita participar no programa de Laura Moran. O drama deste caso é perfeito para o pequeno ecrã, mas será que o assassino está pronto para um grande plano?

Mary Higgins Clark escreveu mais um thriller empolgante e repleto de suspense e penso que a parceria com Alafair Burke resultou lindamente. Mantêm-se os capítulos curtos, a escrita fluida, a ação e o suspense a que a autora já nos habituou.

Um aspeto interessante deste livro é percebermos como estão as personagens deste caso vinte anos depois e conhecer as suas motivações para participarem no programa: algumas desejam claramente que se faça justiça, enquanto outras podem ter segundas intenções.
Há muitos segredos envolvidos que deixam a imaginação do leitor a fervilhar. Este é um livro para ler compulsivamente até se chegar à identidade do assassino.

Muita intriga e suspense em mais um livro de uma das minhas autoras preferidas de thrillers. Recomendo vivamente esta leitura e vou certamente continuar atenta à continuação da série.
Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 13 de fevereiro de 2016

"A Segunda Vez" de Mary Higgins Clark [Opinião]


Sou fã de Mary Higgins Clark, autora apelidada de «Rainha Americana do suspense», e já tive oportunidade de ler alguns dos seus romances.

Naturalmente, gostei mais de uns do que de outros e, embora seja difícil eleger o meu preferido, devo dizer que este se revelou uma boa surpresa.

A história inicia-se com o desaparecimento de Nicholas Spencer quando o seu avião particular se despenha. Ele é o diretor de uma empresa que está a desenvolver uma vacina contra o cancro e que contou com o investimento de muito dinheiro, não só por parte de outras empresas como também de várias pessoas que apostaram as suas poupanças no êxito desta vacina.
Simultaneamente com o desaparecimento de Spencer, surge a terrível notícia de que milhões de dólares terão sido desviados da empresa. Será Nicholas Spencer um burlão? Ou será também ele uma vítima?

A personagem principal deste romance é Carley, uma jornalista igualmente lesada com a situação e que vai investigar a fundo este caso. Apesar das dificuldades e da sua ligação pessoas ao caso, Carley terá de ser objetiva para se mostrar útil na investigação e apresentar os verdadeiros factos.

O desvio de dinheiro da empresa deixou, obviamente, muitas pessoas furiosas e com desejo de vingança. Ned é uma dessas pessoas, um homem perturbado que está disposto a ir atrás de todos aqueles que, na sua opinião, foram culpados pela morte da sua mulher.

Assim, para além da investigação de Carley, acompanhamos em simultâneo os passos de Ned e os crimes que este começa a cometer. Sabemos o que ele planeia a cada momento e sentimos medo pelas personagens de quem ele deseja vingar-se.

A história torna-se muito intrigante à medida que se avança na leitura e o ritmo de escrita da autora cativa o leitor, impelindo-o a ler capítulo atrás de capítulo. O mistério do desaparecimento de Nicholas só é desvendado mesmo no fim.

Em suma, este livro consegue perfeitamente entreter-nos e manter-nos atentos e à procura de respostas. É misterioso e empolgante e recomendo a sua leitura a qualquer apreciador de thrillers.

Classificação: 4/5 estrelas

quarta-feira, 15 de maio de 2013

"E Depois..." de Guillaume Musso [Opinião]

Estreei-me nas obras de Guillaume Musso no ano passado, com o romance "Salva-me", que me deixou agradavelmente surpreendida e desejosa de conhecer os seus restantes livros.

Assim, não hesitei quando me deparei com este título na biblioteca.
A sinopse é, desde logo,  muito cativante, apresentando-nos Nathan, um dos advogados mais brilhantes de Nova Iorque, que teve uma experiência de quase-morte aos 8 anos e agora a sua vida está prestes a mudar pela segunda vez.
Um certo dia, Nathan é abordado por um reputado médico que se diz capaz de prever a morte e que tem a missão de acompanhar aqueles que vão morrer, ajudando-os a deixar a vida em paz consigo mesmos.
Perturbado, Nathan compreende que os seus dias de vida estão a chegar ao fim e tentará, numa corrida contra o tempo, reparar os erros do passado e reconquistar o amor da sua vida.

Guillaume Musso brinda-nos com uma escrita agradável, sem grandes divagações e capaz de conquistar o leitor logo desde os primeiros capítulos. Devido ao facto de a escrita ser muito fluida, o livro lê-se compulsivamente.

Este romance aborda, como já vem sendo hábito nas obras do autor, o tema da vida e da morte. A grande questão que este livro coloca é: por que razão estamos nós aqui? E de que forma aproveitaríamos os últimos dias da nossa vida? Creio que, independentemente do leitor gostar mais ou menos desta leitura, não deixará de meditar neste tema e de se colocar no papel da personagem principal.

Confesso que o livro não me cativou tanto como eu esperava, principalmente depois de me ter sentido arrebatada com o anterior romance que li do autor. A história é muito bonita e, apesar do suspense constante e das reviravoltas que me surpreenderam imenso, esperava emocionar-me mais com este livro.

No entanto, a minha vontade de continuar a acompanhar este autor não esmoreceu e, assim que for possível, tenciono embrenhar-me em mais uma das suas histórias!

Classificação: 3/5 estrelas

quinta-feira, 18 de abril de 2013

"Onde Estarás?" de Mary Higgins Clark [Opinião]

"Onde Estarás?" é um dos livros mais recentes de Mary Higgins Clark, tendo sido publicado em 2008.

Esta história aborda o desaparecimento de Charles MacKenzie (Mack), que há dez anos saiu do apartamento que partilhava com colegas e, desde aí, nunca mais foi visto. Contudo, todos os anos obedece ao mesmo ritual: telefonar à mãe no Dia da Mãe.
Carolyn, irmã de Mack, agora com vinte e seis anos, terminou o seu estágio em Direito e está determinada a encontrar o irmão, pois sente que não será capaz de seguir a sua vida enquanto não descobrir o paradeiro dele. Mas estará ela preparada para o segredo que vai descobrir?

Antes de mais, este é um livro que explora bastante o lado emocional, dado que temos uma família Carolyn e a mãe ainda muito transtornada com o desgosto de não saber onde se encontra o Mack, mesmo após dez anos. Para elas, todos os anos, o Dia da Mãe é uma tortura, pois ficam agarradas ao telefone na expectativa de ouvir a voz dele, embora sempre com medo que ele tenha desistido do telefonema habitual.

Carolyn inicia então a sua investigação, decidindo dar os mesmo passos que foram dados há dez anos, e entrevistando novamente as mesmas pessoas, de alguma forma relacionadas com Mack, na esperança de que lhe possam fornecer novas pistas.

Algum tempo depois, num dia à noite, desaparece uma jovem à saída de um bar. Mas esta rapariga não foi a única a desaparecer nos últimos anos. Assim, a investigação policial vai-se intercalando com a de Carolyn.

A autora criou uma grande variedade de personagens que, no início, me confundiu um pouco, pois estavam a ser apresentadas isoladamente. As relações entre elas só mais tarde é que se tornaram percetíveis e, por esta razão, o livro não me cativou muito durante as primeiras cem páginas.
A história tornou-se muito mais viciante à medida que iam surgindo as relações entre as personagens. Além disso, a autora foi distribuindo o suspense ao longo do livro e só explicou tudo mesmo no fim. Fiquei surpreendida com o final, que não era bem o que eu esperava, mas gostei imenso da forma como a autora arquitetou toda a história.

Em conclusão, recomendo vivamente, não só este livro, como também a sua autora que é obrigatória para quem é fã de policiais.

Classificação: 4/5 estrelas

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Temos de Falar Sobre o Kevin" de Lionel Shriver [Opinião]

Há algum tempo que queria ler este livro devido à sua temática e também por saber que já foi adaptado para filme. Gosto de ler sobre crianças e adolescentes problemáticos; aprecio os romances de escritoras como Torey Hayden e Jodi Picoult e, assim, surgiu a vontade de conhecer mais esta autora.

Este romance está narrado em formato epistolar; Eva escreve cartas ao marido ausente, onde conta a história do filho Kevin e expõe todas as suas dúvidas e receios no que concerne à maternidade.
Poucos dias antes de completar dezasseis anos, Kevin matou sete colegas da escola, um funcionário do bar e uma professora. Até que ponto Eva se poderá culpabilizar pela influência que pode ter tido no desenvolvimento da personalidade do filho?

Temos de Falar Sobre o Kevin é uma narrativa dura, cruel, arrepiante, que perturba e prende o leitor e o deixará a pensar no que leu, mesmo depois de percorrer as últimas páginas.

As cartas de Eva estão estruturadas em duas partes: primeiro, ela conta alguns aspetos da sua vida no presente e no período após aquela fatídica Quinta-Feira; de seguida, ela vai contando toda a história de Kevin, desde antes do seu nascimento, mais especificamente desde que tomou a decisão de engravidar.

No início, custou-me um pouco a adaptar-me à escrita da autora; parecia-me que as cartas não passavam de divagações, que não havia forma de a história começar e, portanto, o início foi um pouco aborrecido. Mas assim que li a descrição do nascimento do Kevin, a minha admiração por este livro e pela escrita da autora cresceu e prossegui a leitura com bastante mais entusiasmo. Na verdade, o nascimento do Kevin foi uma das cenas que mais me chocou neste livro, só sendo ultrapassada em brutalidade pela descrição do massacre na escola.

Este não é um romance fácil de ler; é demasiado perturbador e angustiante; arrepia-nos até ao extremo com a sua carga dramática, mas é por esta razão que considero que foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos.

Kevin é uma personagem tão magnífica que nem encontro palavras para o descrever. É um miúdo cruel, com uma maldade inesgotável. No entanto, é extremamente inteligente e manipulador, conseguindo desde os primeiros dias colocar os pais um contra o outro. Com a mãe, ele faz de tudo para a deixar furiosa; já na presença do pai, o seu comportamento é igual ao de qualquer criança normal. Esta ambivalência de comportamentos deixa Eva frustrada dado que o marido a acusa de querer culpar o filho por tudo o que de mau acontece.

O final deste livro acabou por ser mais extraordinário do que eu esperava, tão cruel e intenso que devo ter deixado de respirar algures entre as últimas páginas.

Lionel Shriver criou uma obra que merece absolutamente ser apreciada, tal é o impacto que provoca no leitor. Recomendo sem qualquer reserva a sua leitura, principalmente aos leitores mais corajosos. Aqui poderão encontrar uma narrativa intensa que facilmente se tornará inesquecível.

Classificação: 5/5 estrelas

sábado, 8 de dezembro de 2012

"Psicanálise dos Contos de Fadas" de Bruno Bettelheim [Opinião]

Esta é uma obra resultante de uma extensa investigação e que analisa com profundidade os contos de fadas e o seu significado, a partir da vertente psicanalítica.

As explicações e análises detalhadas mostram a importância que os contos de fadas assumem para a criança; ao invés de serem prejudiciais por serem demasiado fantasiosos, eles promovem o desenvolvimento da criança, estimulando-a e ajudando-a a libertar as suas emoções.

A escrita de Bruno Bettelheim acaba por não ser tão acessível para quem não está familiarizado com determinados termos da psicologia e da psicanálise, pelo que este livro é mais aconselhado a profissionais destas áreas e de outras profissões onde se trabalhe com crianças. No entanto, é uma obra muito boa para qualquer leitor que deseje compreender um pouco mais acerca do significado dos contos de fadas.

Por ser um livro muito informativo, não é de leitura compulsiva, mas sim um livro para ler aos poucos, pensar, refletir e aprender.

Classificação: 3/5 estrelas

domingo, 12 de agosto de 2012

"Fortaleza Digital" de Dan Brown [Opinião]

Dan Brown é um autor que dispensa apresentações. Já tinha lido anteriormente "O Símbolo Perdido", o qual adorei, e decidi retomar as leituras deste autor.

Neste thriller, a ação passa-se na agência NSA e no seu Departamento de Criptografia, onde aparece um código que o ultra-secreto e invencível descriptador da NSA não consegue decifrar.
Assim, o diretor de operações recorre a Susan Fletcher, uma brilhante criptógrafa, e ao seu noivo, David Becker, professor de Literatura, para o ajudarem a desvendar este mistério.

Enquanto Susan tenta descobrir qual a natureza deste terrível código, David parte para Espanha em busca de um misterioso anel que poderá ser a chave para a segurança universal.

Por muitos motivos, este foi mais um livro que adorei e que li num ápice. Dan Brown tem um estilo único, conseguindo prender o leitor desde as primeiras páginas. Redige capítulos muito pequenos e todos terminam com uma simples frase que nos deixa loucos por continuar a ler.

Os ingredientes de que este livro é feito são vários: um difícil mistério, especialistas brilhantes, segredos, mentiras, perseguições... e tudo isto num ritmo alucinante, em que é impossível parar de ler. Estas centenas de páginas oferecem-nos uma viagem numa montanha russa repleta de altos e baixos.

Vou, sem dúvida, continuar a acompanhar as obras de Dan Brown; é imperdoável que ainda não tenha devorado todos os seus livros.

Classificação: 5/5 estrelas