Mostrar mensagens com a etiqueta Editorial Caminho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Editorial Caminho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

"O Conto da Ilha Desconhecida" de José Saramago [Opinião]


Tinha este conto guardado no computador há alguns meses à espera que me surgisse a vontade de o ler.
No ano passado li, pela primeira vez, uma obra de Saramago - Claraboia - e decidi que precisava mesmo de conhecer outros trabalhos do autor.

Este pequeno conto já apresenta a escrita característica do autor, ou seja, a ausência de pontuação. Este era o principal aspeto que me fazia embirrar com a escrita do autor mas, curiosamente, é como se a pontuação não fosse assim tão importante, uma vez que o nosso cérebro consegue perfeitamente pontuar o texto e oferecer-nos uma narrativa com sentido.

Ultrapassada esta dificuldade, dei comigo a apreciar a leitura. O conto é bonito, há sensibilidade nas palavras do autor, assim como um convite à reflexão. Esta é uma história sobre a importância de seguir os nossos sonhos, de pensar de forma diferente, independentemente do que os outros dizem de nós.

Um conto que certamente irei reler e cuja leitura recomendo vivamente a qualquer leitor.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 26 de março de 2018

"Claraboia" de José Saramago [Opinião]


Hoje comemora-se o Dia do Livro Português e decidi assinalar a data trazendo-vos a opinião de um livro de José Saramago.

Esta foi a minha primeira aventura com as obras de José Saramago. Tenho de confessar que sempre tive reservas em relação a este autor porque me fazia confusão o facto de ele não usar pontuação.
Creio que esta minha "mania" começou há vários anos, numa aula de Literatura, na universidade, em que o professor nos levou um excerto de um livro de José Saramago e nos propôs, como exercício, que colocássemos a devida pontuação no texto. Certamente que o professor não teve intenção de nos desencorajar de ler Saramago, mas penso que foi nesse momento que começou a minha embirração com o autor.

Entretanto, passaram vários anos e senti que não fazia muito sentido ler tanto e, contudo, nunca ter lido nenhuma obra do único autor português a receber o Nobel da Literatura. Assim, achei que devia dar uma oportunidade ao autor.

Comecei pelo romance Claraboia, uma das primeiras obras que o autor escreveu (foi terminada em 1953) mas que só foi publicada pelos seus herdeiros após o seu falecimento.

Claraboia é a história de vários inquilinos que vivem no mesmo prédio e cujas vidas se entrelaçam sucessivamente num enredo.
O primeiro capítulo dá-nos a conhecer todos os inquilinos, passando de uns para outros, como se uma câmara de filmar fosse captando imagens de todos eles à medida que se movimentam no seu quotidiano. Posteriormente, cada capítulo é dedicado a um inquilino diferente.

Senti-me rapidamente cativada por estas diferentes personagens e pela forma como o autor nos descrevia o seu dia a dia e os seus pensamentos. Era como se estivesse dentro de casa de cada uma destas personagens. Foi muito interessante conhecer as suas vidas, os mexericos, os segredos, as aparências.
Achei especialmente interessantes as conversas entre Silvestre e Abel, que deixam lições de vida sobre as quais vale a pena refletir.

No que diz respeito à escrita do autor, este romance ainda tem pontuação, a característica que desaparece posteriormente nos trabalhos do autor. Por esta razão, parece-me que é um bom livro para quem desejar estrear-se nas obras de Saramago.
Quanto a mim, prometo que vou continuar a explorar as obras deste autor. Dentro de algumas semanas, talvez me aventure com o Memorial do Convento.

Classificação: 3/5 estrelas

sábado, 5 de novembro de 2016

"A Gorda" de Isabela Figueiredo [Divulgação e Apresentação]


Sinopse:

Maria Luísa, a heroína deste romance, é uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, voluntariosa e com uma forte personalidade. Mas é gorda. E isto, esta característica física, incomoda-a de tal modo que coloca tudo o resto em causa. Na adolescência sofre, e aguenta em silêncio, as piadas e os insultos dos colegas, fica esquecida, ao lado da mais feia das suas colegas, no baile dos finalistas do colégio. Mas não desiste, não se verga, e vai em frente, gorda, à procura de uma vida que valha a pena viver.
Este é um dos melhores livros que se escreveu em Portugal nos últimos anos.

Sobre a autora:

ISABELA FIGUEIREDO nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, hoje Maputo, em 1963. Após a independência de Moçambique, em 1975, rumou a Portugal, incorporando o contingente de retornados. Foi jornalista no Diário de Notícias e é professora de Português. Estudou Línguas e Literaturas Lusófonas, Sociologia das Religiões e Questões de Género. Publicou os seus primeiros textos no extinto suplemento DN Jovem, do Diário de Notícias, em 1983.

É autora de Conto É Como Quem Diz, novela que recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias, em 1988, e de Caderno de Memórias Coloniais, cuja primeira edição data de 2009. Escreve regularmente no blogue Novo Mundo. Desenvolve workshops de escrita criativa e participa em seminários e conferências sobre as suas principais áreas de interesse: estratégias de poder, de exclusão/inclusão, colonialismo dos territórios, géneros, corpo, culturas e espécies.

terça-feira, 7 de junho de 2016

"Sala de Espera" de Daniel Sampaio [Opinião]


Sala de Espera é o mais recente livro de crónicas de Daniel Sampaio. Antes de mais, quero agradecer à Editorial Caminho por me ter proporcionado a oportunidade de ler este livro, oferecendo-me um exemplar.

As crónicas que constituem este livro foram publicadas na «Revista 2», do jornal Público, durante os anos de 2014 e 2015.

Não tenho por hábito ler jornais, portanto não estava familiarizada com as crónicas do autor. Acabou por ser uma primeira experiência muito boa, pois senti que cada crónica me permitia pensar sobre o assunto e desenvolver a minha opinião acerca dos temas abordados.

Este é um livro que abrange temáticas muito diversificadas e grande parte delas surgem regularmente nas obras do autor. Desta forma, pode-se dizer que os temas gerais destas crónicas são as escolas, os problemas dos jovens, as famílias e os respetivos conflitos familiares. Dentro destes temas, são abordados outros mais específicos, tais como a alienação parental, a relação professor-aluno, a utilização excessiva dos computadores por parte dos mais novos, a violência doméstica, o problema da indisciplina na escola, entre muitos outros.

O autor demonstra uma grande preocupação pelo facto dos jovens atualmente lerem muito pouco, preocupação esta que eu também partilho. O autor inclui este tema em várias crónicas e concordo com ele: é urgente cativar os mais novos para o prazer da leitura!

Ao longo destas crónicas, encontramos ainda sugestões de livros e apreciações de filmes recentes.

No geral, senti-me cativada por esta leitura e sem dúvida que recomendo o livro ao público em geral. Qualquer que seja a área de interesse do leitor, estes pequenos textos prometem fazê-lo refletir e não o deixarão indiferente.

Classificação: 4/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

"Sala de Espera" de Daniel Sampaio [Divulgação]

Título: Sala de Espera
Autor: Daniel Sampaio
Edição: 2016
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 192
PVP: 12,90€

Sinopse:

Neste novo livro de Daniel Sampaio encontramos algumas respostas para temas dos nossos dias. Num conjunto de sábias crónicas, bem ao jeito do autor, são estas algumas das questões tratadas por Daniel Sampaio e para as quais encontrará propostas de solução:

- Como proceder perante a utilização excessiva dos computadores pelos mais novos.
- O que se entende por alienação parental, guarda partilhada e responsabilidades parentais em divórcios litigiosos.
- O que são pais tóxicos e como podem os filhos reagir.
- O padrasto pode fazer de pai ou não? O livro diz que sim.
- Por que razão está tão difícil a relação entre o professor e o aluno nas nossas escolas? Que poderemos melhorar?
- Vale a pena ensinar Os Lusíadas como se faz agora?
- Que atitude tomar perante os jovens que bebem em excesso?
- Que fazer com as recordações do Natal da nossa infância?
- Vale a pena acreditar na mentira do ranking das escolas? O autor diz que não.

Sobre o autor:

Daniel Sampaio escreve sobre as famílias, os casais e os jovens dos nossos dias. Nos seus livros, tem dado especial atenção aos comportamentos de risco na adolescência e as questões da escola.
Dos títulos que publicou destacam-se Ninguém Morre Sozinho (uma obra de referência sobre o suicídio adolescente), Inventem-se Novos Pais, A Arte da Fuga, Tudo o Que Temos Cá Dentro e Lavrar o Mar. A versão teatral do seu livro Vagabundos de Nós foi levada à cena em 2004 e galardoada com o Prémio de Teatro Marcelino Mesquita, da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos. Em 2008 publicou A Razão dos Avós, um livro oportuno sobre o diálogo entre gerações. Seguiram-se Porque Sim (2009), um conjunto de crónicas muito abrangentes sobre os jovens, a família e a educação, temáticas que retomou em 2011 com o novo livro de crónicas intitulado Da Família, da Escola, e Umas Quantas Coisas Mais e com a obra Memórias do Futuro, Narrativa de Uma Família (2010). Em 2011, em colaboração com Gonçalo Sampaio, publicou Crime na Escola, o seu primeiro livro para jovens. Em 2012 veio a publico Labirinto de Mágoas – as crises do casamento e como enfrentá-las e, em 2013, Diário dos Tempos de Crise e, de novo com a colaboração de Gonçalo Sampaio, Crime na Casa Abandonada. Em 2014 publicou O Tribunal É o Réu – As Questões do Divórcio. Sala de Espera é o seu último livro de crónicas.
Daniel Sampaio está editado no Brasil e em Itália.

sábado, 23 de janeiro de 2016

"Tudo o Que Temos Cá Dentro" de Daniel Sampaio [Opinião]


"O suicídio não existe apenas no momento em que se morre, começa muito antes."

Tudo o Que Temos Cá Dentro é o segundo livro que leio do psiquiatra Daniel Sampaio. Foi-me emprestado pela Silvana no âmbito do nosso projeto conjunto e desde já lhe agradeço.

Este é um romance que surge a partir de um caso clínico real. O tema central é o suicídio. Tudo começa com um jovem que perde uma amiga que se suicidou e, a pedido dos pais, começa a frequentar sessões de terapia com Daniel Sampaio.

A história vai-se dividindo entre o relato do terapeuta e os pensamentos do jovem. Estas duas perspetivas ajudam a compreender melhor o que o jovem sente e como foi abalado pelo suicídio da amiga. No final encontramos ainda uma espécie de carta pós-morte da suicida, que nos permite perceber alguns dos motivos que a terão levado a terminar com a própria vida.

Os constantes relatos e explicações do terapeuta permitem compreender o funcionamento da terapia e as estratégias que ele utiliza ao longo das sessões. Além da terapia individual, é ainda introduzida a terapia familiar, dado que muitas vezes, quando um jovem tem um problema, isso afeta todo o sistema familiar. Foi muito interessante ver como o terapeuta dava voz à família e procurava conhecer e compreender as suas dinâmicas.

Em conclusão, este é um livro muito interessante por abordar temas como o suicídio, as emoções na adolescência, o processo de luto e as relações interpessoais e familiares. É uma história por vezes perturbadora e que nos deixa, inevitavelmente, a refletir. Aconselho vivamente a sua leitura a todos os que se interessem por estas temáticas, quer sejam ou não profissionais que trabalhem na área.

Classificação: 4/5 estrelas