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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

«Cães Maus Não Dançam» de Arturo Pérez-Reverte [Opinião]


Este livro foi-me recomendado por uma colega do curso de Revisão de Texto, quando eu desabafei com ela sobre como raramente encontrava um livro cuja revisão me satisfizesse por completo.
 
Assim, este foi o meu primeiro contacto com o trabalho do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, que já foi repórter de guerra durante 21 anos e tem bastantes obras publicadas.
 
Cães Maus Não Dançam é um pouco diferente de tudo o que eu já li, porque é contado na perspetiva de um cão, o Negro.
 
É um livro com muito humor negro e com algumas lições de humildade que nos são dadas por estes animais. Por vezes, os humanos não tratam os animais tão bem como deveriam, ao contrário dos cães, que nos são sempre fiéis.
 
É igualmente um livro duro, na medida em que tem descrições de lutas de cães, pelo que deve ser lido com cuidado pelos leitores mais sensíveis que possam não se sentir bem com este tipo de temática.
 
Para mim, o livro foi uma completa surpresa. Inicialmente, li apenas três capítulos, e no dia seguinte li tudo ao fim, de tão agarrada que me sentia à história.
 
Cães Maus Não Dançam é uma história divertida, mas também muito triste, e com uma mensagem de esperança e de que devemos tratar melhor os animais.
 
Por fim, posso referir que foi uma surpresa tão boa que vou sem dúvida pesquisar outras obras de Arturo Pérez-Reverte para ler em breve.
 
E, sim, confirmo, a revisão deste livro está muito bem conseguida. Dou os parabéns à revisora! A escrita do autor é muito boa e acredito que a tradução também tenha ajudado a originar este resultado tão bom!

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 7 de julho de 2023

«Terra Americana» de Jeanine Cummins [Opinião]

 
«Um romance que acelera o nosso ritmo cardíaco e nos faz ficar acordados a ler até às três da manhã num acesso de adrenalina.»
Los Angeles Times

A família de Lydia é vítima de um massacre às mãos de narcotraficantes. Lydia e o filho de oito anos são os únicos sobreviventes e têm de fugir do México imediatamente.
 
Para proteger o filho, Lydia vai embarcar numa corrida contra o tempo, em que cada minuto conta. Vai pôr à prova a força que nem sabia que tem. Vai fazer coisas impensáveis. Vai passar por situações muito perigosas.
 
Uma narrativa poderosa, uma leitura aflitiva, sobre a situação dos migrantes no México. Terra Americana é um livro inesquecível!

Classificação: 5/5 estrelas

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

«Um Sonho só Nosso» de Nicholas Sparks [Opinião]


Um Sonho só Nosso é o mais recente romance de Nicholas Sparks, publicado em setembro de 2022.
 
Nele vamos acompanhar duas histórias em paralelo. A primeira é de Colby, um jovem que sempre acreditou que teria um futuro como músico, até uma tragédia se abater sobre a sua vida. Quando, num impulso, aceita tocar num bar na Florida, nunca imaginou que estaria prestes a conhecer Morgan, uma jovem com formação musical e com uma enorme paixão pela vida.
 
A segunda história que acompanhamos é a de Beverly, numa situação mais difícil. Fugiu de casa com o filho de 6 anos para escapar a um marido violento e tenta começar de novo num local tranquilo.
 
De ambas as histórias, a minha preferida foi a de Beverly. Os capítulos estão muito bem escritos e sentimos na perfeição a angústia desta mulher e o medo de que o marido a encontre. A situação acaba por ficar muito tensa e, por momentos, senti que estava a ler um thriller, de tão colada que me sentia à história.
 
Os capítulos de Colby e Morgan são mais relaxados, com um certo sabor a verão. Não me senti tão ligada a eles porque me pareceu que se apaixonaram demasiado depressa.
 
A surpresa deste livro acaba por ser a forma como a vida destas três personagens se vai interligar. Há uma informação no início do livro que me deixou com dúvidas, desconfiada, e embora estivesse a tentar formular uma teoria, sentia que não conseguia encaixar todas as peças. Talvez por essa razão senti mais o suspense ao longo do livro. Outros leitores poderão perceber mais facilmente a achar a história previsível.
 
O final acabou por ser bom, com algum drama, como é natural de Nicholas Sparks, mas também com otimismo. Senti que tudo foi bem explicado.
 
O melhor aspeto deste livro é a personagem Beverly e toda a situação de tensão à volta dela. Fez-me pensar que o autor teria capacidades para escrever um thriller e que gostaria muito de o ver nessa vertente.
 
Deixo só uma palavra em relação à tradução e revisão. Notei uma repetição excessiva da locução «de modo que»; possivelmente terá vindo assim da tradução e não foi corrigido na revisão. Era importante detetar estas repetições e minimizá-las, por isso considero que isto falhou na revisão. Este aspeto acabou por me prejudicar a leitura, dado que a repetição é mesmo excessiva e incomoda.
 
Em conclusão, foi uma leitura que me soube bem e que consegui ler relativamente rápido. Gostei bastante, mas não considero que tenha sido dos livros mais intensos do autor. Apesar das partes mais tristes, a história deixou-me também com um sorriso nos lábios.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

«O Sonho» de Nicholas Sparks [Opinião]

 
O Sonho, de Nicholas Sparks, foi publicado em 2021.
Quando era mais nova, tive um grande fascínio por este autor, talvez por ter sido o primeiro autor de livros mais «adultos» que comecei a ler depois de largar os livros de aventuras na adolescência. Hoje em dia, à medida que vou conhecendo outros autores e amadurecendo como leitora, sinto que muito desse fascínio desapareceu. Continuo a ler os livros do autor apenas por curiosidade.

Não vou dizer muita coisa sobre a história para não dar spoilers. O livro é interessante se o formos ler sem sabermos nada dele; podemos ler a sinopse, que não contém nada de mal.

Nicholas Sparks volta a trazer-nos uma história dentro de uma história. Começamos no tempo presente, e conhecemos Maggie, uma fotógrafa de renome que vive em Nova Iorque. A história passa-se uns dias antes do Natal e, conforme se aproxima a quadra natalícia, ela vai recordar uma época da sua juventude que mudou para sempre o rumo da sua vida.

Regressamos então ao passado, para conhecer a Maggie de 16 anos, que foi viver com uma tia que mal conhecia, numa vila costeira. Muito revoltada com a sua estada ali, ela vai conhecer Bryce, um dos poucos adolescentes da zona. Ele vai mostrar-lhe a beleza daquela ilha e despertar nela a paixão pela fotografia, que a acompanhará no futuro.

O Sonho é uma história muito bonita, embora triste. Gostei muito, tanto da parte do presente como da narrativa no passado. Gostei da relação de companheirismo que se foi estabelecendo entre Maggie e Bryce.
Mais uma vez, o autor abordou com muita sensibilidade um tema difícil e eu dei por mim completamente agarrada ao livro e li-o em poucos dias.

Não querendo revelar muito, posso dizer que este livro me fez soltar umas boas lágrimas (como é usual nos livros deste autor) e, embora com uma pitada de previsibilidade (sabemos logo desde o início o que poderá acontecer), o meu interesse não esmoreceu.

O Sonho é uma história cheia de ternura, que nos fala de perda, de descoberta e da importância de dedicarmos o nosso tempo às pessoas que amamos.
Mesmo sendo uma história triste, considerei-a muito realista, bem estruturada e bem fundamentada (tendo em conta a época em que se passava).
O autor conquistou-me com este livro; foi uma leitura que me soube mesmo bem. Sem dúvida que vou continuar a acompanhar os trabalhos de Nicholas Sparks.

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 13 de junho de 2022

«Segredos» de Lesley Pearse [Opinião]


Há mais de um ano que eu não lia nada da Lesley Pearse e então decidi trazer este livro da biblioteca.
Tal como é habitual na autora, ela escreve histórias de mulheres fortes e resilientes, que enfrentam com muita coragem as provações que a vida lhes dá.

Em Segredos, vamos conhecer a história de Adele. A narrativa inicia-se em 1931, quando a pequena Adele tem 12 anos. Ela é negligenciada em casa e, quando uma tragédia se abate sobre aquela família, a menina acaba por ser afastada da mãe e colocada numa instituição.
Mas os desgostos não ficam por aqui e rapidamente Adele vê-se obrigada a fugir da instituição. Acaba por encontrar abrigo junto da avó que vive nos pântanos de Rye. Chega cansada e doente e é a avó quem cuida dela.

Vamos vendo esta criança a crescer, a recuperar e a transformar-se numa mulher forte e trabalhadora. Também conhece Michael, um piloto por quem se apaixona, e tudo na sua vida parece estar a encaminhar-se.

Segredos acaba por ser uma história familiar, uma vez que vamos conhecer partes da história da avó da Adele e da sua mãe. Vamos perceber por que razão ela negligenciou a filha até àquele ponto.
Qualquer família tem segredos e nem sempre a verdade pode permanecer escondida. Quando a mãe de Adele regressa com os seus segredos, estes poderão arruinar a tão merecida felicidade da jovem.

Gostei bastante desta história. Por muitas vezes senti vontade de abraçar a pequena Adele e adorei a forma como ela e a avó se tornaram cada vez mais próximas.
Algo que não me cativou tanto foi a história de amor entre a Adele e o Michael. Não sei se consigo explicar muito bem, mas diria que não senti uma química forte entre os dois. Senti a amizade, o respeito, o companheirismo, mas não senti a paixão, o desejo carnal.

Lesley Pearse escreve dramas fortes e, uma vez que retratam sempre temas duros e complicados, considero que seja difícil ler vários livros da autora seguidos. São livros de uma grande densidade, que necessitam de ser intercalados com outras leituras.

No geral, foi uma leitura muito boa, embora não tenha entrado para as minhas histórias preferidas da autora. Não me arrebatou a esse ponto. Contudo, tenciono, sem dúvida, continuar a descobrir mais trabalhos de Lesley Pearse.

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 20 de março de 2021

"A Caminho do Altar" de Julia Quinn [Opinião]


Julia Quinn tem-me salvado as alturas em que me sinto desmotivada para a leitura e necessito de um livro mais descontraído, fofo e romântico.

A Caminho do Altar conta-nos a história do último dos irmãos Bridgerton, neste caso, o Gregory, e foi uma das que mais gostei de conhecer. Estava mesmo a precisar de ler algo assim!

Gregory é um romântico incurável. Cresceu a ver toda a sua família rodeada de amor. Todos os irmãos casaram por amor, por isso ele acredita de verdade que o amor existe.
Assim, no momento em que conhece Hermione Watson, ele sabe que se apaixonou perdidamente e que aquela é a mulher da sua vida. Contudo, a tragédia acontece: ele descobre que ela está apaixonada por outro. E é nesse momento que recebe a ajuda de Lucinda, a melhor amiga de Hermione, disposta a arranjar um casamento adequado para a amiga.

Esta premissa é um bocadinho óbvia, sabemos claramente que o nosso Gregory vai acabar por se apaixonar por Lucinda. O problema é que ela está noiva de outro...

Este livro está repleto de peripécias que me deliciaram e me provocaram gargalhadas, bom humor e até uma lágrima teimosa. O livro cumpriu na perfeição a sua promessa de entreter e ajudou a melhorar a minha disposição e até a vontade de ler.

Não me recordo com precisão dos finais de todos os outros irmãos, mas este foi um daqueles mais sofridos, ou seja, parece-me que este casal passou por imensas provações até por fim conseguir o felizes para sempre.
Gostei imenso da parte final com uma pitada de perigo e suspense, deu um toque especial ao livro.
E adorei o epílogo. Foi épico! Já não aguentava de tanto me rir e tive de ir ler segunda vez! Adorei!

Foi excelente ter acompanhado esta série ao longo de vários anos e poder conhecer estas histórias maravilhosas. São livros excelentes para descontrair, rir às gargalhadas e encher o coração de ternura com os seus finais felizes. Recomendo vivamente!

Classificação: 4/5 estrelas

Volumes anteriores:
Crónica de Paixões e Caprichos
Peripécias do Coração
Amor e Enganos
A Grande Revelação
Para Sir Philip, Com Amor
A Bela e o Vilão 
Aquele Beijo

sábado, 14 de novembro de 2020

"O Regresso" de Nicholas Sparks [Opinião]


Nicholas Sparks foi um dos primeiros autores que li na adolescência durante a minha transição das histórias juvenis para os romances dirigidos a adultos, sendo por isso um autor pelo qual nutro bastante carinho. Admito, contudo, que atualmente já não sinto o mesmo fascínio pelas suas histórias, embora continue a gostar de conhecer os seus novos trabalhos.

Este romance apresenta-nos Trevor Benson, um médico que ficou gravemente ferido no seguimento de uma explosão junto ao hospital onde trabalhava, no Afeganistão. Decide então ir recuperar para a velha casa que herdou do avô.

Naquela pequena localidade, ele conhece Natalie, a delegada do xerife, e uma química nasce entre ambos. No entanto, Natalie mantém uma distância inexplicável, é evasiva e Trevor admite que ela possa estar a esconder alguma coisa.

Ao mesmo tempo, Trevor anda também a tentar descobrir o que aconteceu com o avô antes de ele falecer, uma vez que a sua morte está envolta em alguma estranheza.

Existe ainda Callie, uma adolescente que parecia manter uma relação de amizade com o seu avô. Contudo, ela mostra-se igualmente reservada e Trevor não consegue sequer manter uma conversa com ela.

 
[Fotografia da minha autoria] 

Assim, temos uma parte inicial onde as personagens interagem e se conhecem, tendo sido a parte que considerei mais monótona, embora tenha adorado a personalidade de Trevor e as suas tentativas para conhecer melhor Natalie.
A segunda parte do livro torna-se mais apelativa e iremos descobrir os segredos de Natalie, Callie e do avô de Trevor, e como as suas vidas se interligam. O livro oferece então um mistério para desvendar, levando a uma leitura bastante mais dinâmica.

O Regresso não é um daqueles romances arrebatadores e devastadores, como outros que o autor já escreveu. Considero, sobretudo, que é um livro muito bonito, com uma mensagem de esperança. Fala-nos do verdadeiro significado do amor e do perdão. Mostra-nos que amar verdadeiramente alguém poderá significar deixar essa pessoa ir, seguir a sua vida, por muito que nos possa doer.

É um romance que poderá fazer-vos soltar uma lágrima teimosa, mas, no final, é uma história que nos aquece o coração e nos oferece alguma esperança, algo que até nos faz falta nos tempos que correm.

Gostaria de deixar um apontamento final de agrado pela edição dinâmica e interativa que este livro nos oferece, ou seja, ao longo do livro vamos encontrar três QR Codes com vídeos do autor com uma mensagem para os leitores! Gostei imenso!

Classificação: 4/5 estrelas

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

"Uma Mulher em Fuga" de Lesley Pearse [Opinião]


Lesley Pearse escreve sobre mulheres. Mulheres fortes e resilientes, capazes de enfrentar com coragem as situações mais difíceis.

Esta é a história de Rosie, uma criança negligenciada pelo pai e sujeita aos maus-tratos por parte dos irmãos mais velhos. Sem uma mãe para a proteger, um dia ela descobre uma terrível verdade acerca do pai e é obrigada a fugir, na tentativa de dar um rumo novo à sua vida.

Rosie é ajudada por uma assistente social e acaba por ir trabalhar para um hospital psiquiátrico. É neste local que se centra uma grande parte da ação do livro.
Os vários capítulos decorridos no hospital são extremamente duros. Há descrições terríveis de como os doentes eram tratados e houve um capítulo em particular que me deixou verdadeiramente agoniada com o tratamento que eles recebiam. Acredito que a autora tenha feito pesquisa e que muito do que aqui é retratado poderá ter sido verdadeiro na época em que decorre esta história.

Achei curioso a quantidade de personagens más e mesquinhas que encontrei neste livro. Há outros livros da autora em que as personagens passam por muitas desgraças, mas neste livro Rosie cruza-se com tantas personagens que a querem prejudicar que cheguei a pensar que a autora tinha reunido num só livro todas as personagens mesquinhas que foi capaz de construir.
Mas, apesar de tudo, Rosie é uma jovem de verdadeira fibra e consegue enfrentar com coragem e determinação todas as provações que a vida lhe dá, conseguindo até construir uma carreira de sucesso para si própria.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
Antes de o livro terminar, ainda temos uma pequena parte thriller, uma vez que Rosie é perseguida pelo seu irmão Seth, um homem completamente repugnante e que não descansa enquanto não obtiver vingança. Este momento de clímax acabou por não corresponder às minhas expectativas. Achei pouco, foi apenas um breve episódio descrito num pequeno capítulo e que passou muito depressa.
 
No fim, temos ainda uma boa descrição de como ficou a vida de Rosie dali para a frente. O final do livro é um pouco cliché mas era o esperado. Rosie sofreu muito e acabou por ser gratificante ler um final feliz, um final repleto de amor e esperança para esta personagem.

Penso que os romances de Lesley Pearse ainda provocam algum preconceito nos leitores. Os títulos portugueses e as capas são um pouco romantizados e, ainda por cima, são vendidos dentro de saquinhos super amorosos, levando muitos leitores a acreditar que se trata de histórias cor-de-rosa. Não é verdade. Lesley aborda quase sempre temas duros, desconcertantes. Posso afirmar que, de todos os livros que já li da autora, em nenhum encontrei uma história lamechas.

Não sendo este um dos meus romances preferidos da autora, não deixo de o recomendar a quem já é fã ou aos leitores sintam curiosidade em experimentar.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 14 de maio de 2020

"Aquele Beijo" de Julia Quinn [Opinião]


Tenho-me sentido carente e com vontade de leituras leves, divertidas e românticas, por isso, no espaço de um mês, já devorei dois livros da Julia Quinn.

Antes de mais, uma nota em relação a esta capa amorosa mas completamente aleatória, que me desagradou. Passei toda a história à espera que surgisse algum cãozinho e, chegando ao fim... nada! É uma capa bonita, sim, mas que nada tem a ver com a história!

Aquele Beijo é o sétimo livro da série Bridgerton e traz-nos a história de Hyacinth, a mais nova dos oito irmãos.
Tinha imensa curiosidade em conhecer melhor esta personagem, uma vez que é uma jovem que foge um bocadinho aos padrões da sociedade. É muito aventureira, teimosa e tem a língua afiada, o que desde logo prometia imensas peripécias.

Gareth St. Clair é um homem que tem uma relação conflituosa com o pai, que o odeia. Gareth nada sabe sobre o seu passado e, quando recebe um antigo diário, escrito pela avó paterna, percebe que este poderá conter as respostas que procura. O problema é que o diário está escrito em italiano, uma língua que ele não domina de todo.

Achei este livro muito doce e fiquei apaixonada pelas interações entre Gareth e Hyacinth. Adorei a Lady Danbury e a sua personalidade peculiar e fartei-me de rir com os diálogos entre Gareth e Gregory e o irmão mais velho, Anthony.

O diário e a sua tradução conferiram ao livro um certo tom de mistério, aventura e perigo, ingredientes que combinaram na perfeição com a personalidade de Hyacinth.
Agradou-me também ver como ela era tão despachada para umas coisas e tão desastrada e com falta de jeito para as questões relacionadas com o amor.

Creio que o livro cumpriu na perfeição o seu propósito: entreteve-me durante vários dias, fez-me rir e soltar algumas lágrimas, e deixou-me com aquela sensação de leveza e de esperança, fazendo-me acreditar, por momentos, que há um final feliz para todos nós.

Classificação: 4/5 estrelas


Volumes anteriores:
Crónica de Paixões e Caprichos
Peripécias do Coração
Amor e Enganos
A Grande Revelação
Para Sir Philip, Com Amor
A Bela e o Vilão

sábado, 25 de abril de 2020

"A Bela e o Vilão" de Julia Quinn [Opinião]


Desde 2016 que não lia nada desta autora e confesso que nem sei como aguentei tanto tempo, uma vez que tinha este livro na estante, conseguido através de uma troca.

Andava a passar por uma fase de desmotivação em que quase não me apetecia ler e senti que precisava de uma leitura mais ligeira, fofinha e com muito amor pelo meio. Este sexto volume da série dos Bridgertons chamou de imediato por mim e não lhe resisti.

De facto, o livro cumpriu na perfeição o seu propósito e conseguiu animar-me. Em apenas duas tardes, devorei 200 páginas, o que foi um progresso gigante tendo em conta a minha falta de vontade de ler.

Neste romance, conhecemos a história de Francesca, uma das irmãs mais reservada e que mais aprecia o sossego. Sabemos que ela ficou viúva e os capítulos iniciais mostram-nos como tudo isso aconteceu. Confesso que as lágrimas me começaram a dançar nos olhos neste início tão emotivo.

[Fotografia da minha autoria]

Depois é-nos dado a conhecer Michael Stirling, um sedutor libertino que nunca entregava o seu coração. Mesmo que quisesse, não podia, visto que se apaixonara completamente por Francesca quando a conhecera, dias antes do seu casamento com o seu primo John.

Michael tem uma personalidade muito interessante, embora na verdade ele pouco tenha de vilão. É apenas um homem que tem de esconder a toda a força os seus sentimentos por uma mulher que lhe é inacessível. E o segredo perverso que a sinopse revela acaba por não ser nada de tão perverso assim. Michael é apenas um homem que tem de lutar contra os seus demónios interiores e usa a fachada de devasso e libertino para proteger o seu coração.

Gostei imenso da relação e de todo o companheirismo entre estes dois. Terminei o livro com um grande sorriso nos lábios e a sensação de que passei uma boas horas.

Este livro pode perfeitamente ser lido em separado, embora seja muito mais interessante ler a série na sua ordem.
Falta-me apenas conhecer a história de mais dois irmãos Bridgerton e, desta vez, não vou deixar passar tanto tempo.

Se apreciam romances de época, Julia Quinn é uma autora imperdível!

sábado, 16 de março de 2019

"Segue o Coração - Não Olhes Para Trás" de Lesley Pearse [Opinião]


Fiquei fã de Lesley Pearse desde que a Silvana me começou a emprestar alguns dos livros da autora. Desde aí, tenho vindo a descobrir personagens e histórias maravilhosas.

Segue o Coração - Não Olhes Para Trás conta-nos a história de Matilda Jennings, uma pobre vendedora de flores que vive num dos bairros degradados de Londres. Um dia, uma boa ação mudará toda a sua vida. Matilda recebe a oportunidade de ir viver para a América, viver todas as aventuras que o Novo Mundo lhe proporciona e dar um rumo à sua vida.

Matilda é uma personagem inesquecível, assim como este romance, que acompanha todos os seus passos, desde que é uma jovem de 16 anos até ao fim da sua vida.
O tamanho do livro pode intimidar (afinal, são quase 800 páginas) mas a escrita de Lesley é tão cativante que bastam poucas páginas para o leitor se sentir transportado para o mundo destas personagens.

[Fotografia da minha autoria]

A história inicia-se em 1842 e, ao longo de todo o livro, somos brindados com algumas descrições do contexto histórico e social, o que torna a leitura bastante interessante. Nota-se o trabalho de pesquisa que a autora fez e acredito que não deve ser fácil escrever um livro deste género.

Matilda é uma mulher excecional e talvez uma daquelas personagens que nunca esquecerei. Ela passa por tantas tragédias, perdas, desilusões, e mesmo assim não perde a sua resiliência, não se deixa abater nem fica prostrada no chão a chorar. É realmente um exemplo a forma como ela encontra sempre uma forma de superar.

Apesar de se ler muito bem, é uma narrativa densa e com uma grande carga dramática, o que por vezes pode fazer com que o leitor se sinta um pouco cansado e deprimido com a leitura. A morte está muito presente ao longo de toda a trama e, embora seja doloroso dizer adeus a muitas personagens queridas, são estes acontecimentos que fazem a ação avançar e levam Matilda a dar sempre um passo em frente.

Foram imensas as personagens que me apaixonaram: o jovem Sidney e a forma exemplar como mudou de vida e esteve sempre ao lado de Matilda, Tabitha e a sua persistência em tornar-se médica, Giles, por ter dado uma vida nova a Matilda, Zandra e os seus valiosos conhecimentos, e o capitão James Russell, por tudo o que ele significou para Matilda. E estas são apenas algumas das que mais me marcaram.

Em conclusão, é uma leitura que vale realmente a pena para quem gostar de histórias dramáticas e que vos deixam de coração apertado. Mal posso esperar pela oportunidade de voltar a ler Lesley Pearse.

Classificação: 5/5 estrelas

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

"Cada Suspiro Teu" de Nicholas Sparks [Opinião]


Quem lê com frequência o meu blogue, sabe que tenho um grande carinho pelas obras de Nicholas Sparks. Como sempre, fiquei muito curiosa quando soube do lançamento do seu novo romance, desta vez inspirado numa história verídica.

Adoro a capa que a editora utilizou, bastante semelhante à original e bem diferente das capas demasiado cinematográficas dos outros livros do autor. Sempre gostei muito mais de capas sóbrias.

Cada Suspiro Teu conta-nos a história de Tru Walls, guia de safaris no Zimbabué, e Hope Andersen, nascida e criada na Carolina do Norte. Tru prepara-se para encontrar o pai que nunca conheceu e Hope está a viver um momento difícil. O destino junta-os numa praia - Sunset Beach - e a magia acaba por acontecer.

O facto de saber que este romance era inspirado numa história verídica fez-me acreditar que seria daqueles de chorar baba e ranho e possivelmente com um final não muito feliz, como por vezes o autor nos tem oferecido. Por isso, iniciei a leitura, preparando-me para isso.

[Fotografia da minha autoria]

A primeira metade do livro é, na verdade, muito semelhante a outros romances do autor, em que as personagens se conhecem e uma química começa a nascer entre eles. Contudo, neste romance tudo acontece bastante depressa, o que pode deixar de pé atrás os leitores mais céticos. Se a história não estiver bem construída, poderá ser difícil acreditar que eles se apaixonam em apenas um dia e meio.

O mais doloroso para mim foi a escolha que ambos tiveram de fazer, o que os levou a uma separação dilacerante. Mas a história não acabou aí e praticamente passei a metade restante do livro mergulhada em lágrimas.

A história não teve o final que eu esperava e estou grata por isso, por o autor nos ter mostrado que, por vezes, o destino tem mesmo uma voz, e que a esperança existe sempre até ao fim.

Quero destacar um pormenor interessantíssimo, que é a caixa de correio Alma Gémea, que o autor descreve na sua nota inicial, e cujo papel é fundamental ao longo do livro.
Há ainda uma nota final do autor, onde ele nos explica um pouco mais acerca destas personagens, o que conferiu mais riqueza à sua narrativa.

Apesar de não se ter tornado um dos meus livros preferidos do autor, é uma história de amor que vale a pena conhecer e que dará ao leitor algumas horas de leitura prazerosa, embora pautada por algumas lágrimas!

Classificação: 4/5 estrelas

sábado, 28 de julho de 2018

"És o Meu Destino" de Lesley Pearse [Opinião]


As obras de Lesley Pearse são sempre uma boa escolha para horas bem passadas e repletas de emoções. Foi a Silvana que me levou a começar a ler os livros desta autora e, graças a ela, já tive oportunidade de ler uns quantos.

És o Meu Destino é o terceiro volume da saga de Belle, uma das melhores personagens que já tive o prazer de encontrar na literatura. Os dois primeiro livros centram-se em Belle e, neste terceiro, conhecemos e acompanhamos a vida da sua filha Mariette.

Mariette é uma jovem irresponsável, desafiadora, egoísta e que está farta da pequena cidade onde vive, na Nova Zelândia. Devido aos seus comportamentos rebeldes, os pais consideram que será melhor enviá-la para Londres, onde ela poderá ter novas experiências e ganhar alguma maturidade.

Só não esperavam é que, pouco tempo depois, começasse a Segunda Guerra Mundial e, com ela, os violentos bombardeamentos nazis na cidade de Londres.


Ao longo desta páginas, assistimos a um gigantesco crescimento por parte desta personagem. Mariette passa de uma jovem fútil e egoísta a alguém corajoso, com vontade de ajudar os outros e até pronta a arriscar a própria vida para proteger os mais desfavorecidos.

É uma personagem que se fortaleceu pela tragédia e que não se deixou abater com os acontecimentos terríveis que teve de vivenciar.

Este é um livro bastante dramático embora, na minha opinião, não tão dramático como o segundo da série. Houve momentos em que chorei mas, na maior parte do tempo, senti-me mais fria, um pouco mais desvinculada de Mariette. Não significa que não tenha gostado dela, porque gostei. Apenas senti que por ser uma personagem mais fria, mais pronta a fazer o que tinha de ser feito sem se queixar e sem se deixar mergulhar na autocomiseração, talvez isso tenha passado também para mim e se tenha refletido na forma como aceitei esta personagem.

Recomendo absolutamente este livro, bem como toda a série. Existem já imensos livros da autora, é só escolher caso desejem experimentar. Prometo que serão leituras muito boas e repletas de emoções.

Classificação: 4/5 estrelas

sexta-feira, 2 de março de 2018

"Procuro-te" de Lesley Pearse [Opinião]


Procuro-te é já o quinto livro que leio de Lesley Pearse, uma autora que me tem cativado a cada novo romance.

Neste livro, conhecemos Daisy, uma jovem de vinte e cinco anos que sempre soube que foi adotada. Sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Quando a mãe morre, o luto vai dar origem a rivalidades domésticas. Devastada pela dor, Daisy parte em busca das suas raízes e do seu passado.

Os primeiros dois capítulos do livro centram-no no presente, na vida de Daisy. Seguidamente, a autora transporta-nos para o passado e, durante uma grande parte do livro, vamos conhecer Ellen, a mãe biológica de Daisy, e a sua irmã Josie.

Senti-me totalmente cativada pela vida destas duas jovens, tão diferentes entre si. A princípio, não entendi porque é que a autora estava a pormenorizar tanto a vida de Josie, quando Ellen era a pessoa que mais nos interessava, dado ser a mãe de Daisy. Contudo, as duas irmãs eram muito chegadas e as vidas de ambas encontravam-se interligadas. No final, fez todo o sentido e confesso que até me arrependi de ter duvidado do que a autora estava a fazer.


Curiosamente, gostei imenso de ler sobre Josie, cuja vida se mostrou bastante trágica. Aprecio bastante este tipo de temáticas e a autora soube mostrar na perfeição a evolução da vida decadente de Josie.

Este livro não tem grande ação mas a escrita é tão cativante que é muito difícil o leitor não se sentir agarrado a estas páginas. A minha curiosidade em descobrir o que tinha acontecido à família de Daisy era imensa. Não demorei muito a aperceber-me de qual seria o mistério, tendo em conta que já estou habituada às surpresas da autora e às suas histórias carregadas de drama.

No geral, foi uma leitura interessante e envolvente, da qual facilmente me lembrarei. Não tenho dúvidas de que quero continuar a ler romances desta autora.

Classificação: 4/5 estrelas

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

"O Espião Português" de Nuno Nepomuceno [Opinião]


(Atenção, esta opinião pode conter spoilers para quem ainda não leu o livro!)

O Espião Português foi o romance vencedor do Prémio Literário Book.it, em 2012, e que nos deu a conhecer o autor Nuno Nepomuceno.
Foi também a primeira obra do autor que tive oportunidade de ler.

Para começar, creio que nunca tinha lido nada sobre espionagem, não por não gostar da temática mas simplesmente porque, até hoje, nunca nenhum livro sobre o assunto me tinha vindo parar às mãos. E é ainda mais interessante ter sido escrito por um português.

Neste romance, conhecemos André Marques-Smith, um jovem de 27 anos, bom rapaz, dedicado à família e aos amigos. Tornou-se o mais jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo um profissional muito dedicado.
Contudo, André tem uma vida dupla. Ele é Freelancer, um espião que trabalha para a Cadmo, uma organização semigovernamental internacional.

O livro mostra-nos um André um várias facetas da sua vida: como funcionário do Ministério, como espião e como uma pessoa normal com a sua vida privada, com mais ou menos problemas.

Aquilo que mais gostei, sem dúvida, foi a sua atividade enquanto espião. Adorei as missões e achei-as muito bem estruturadas e desenvolvidas. Havia suspense e ação e fiquei com a sensação de que estava a ver um filme do 007.
Depois também apreciei a forma como ele cumpria, ao mesmo tempo, as suas funções como acompanhante do Ministro, e como se esquivava nos momentos necessários.

Porém, André é um jovem que esconde um coração destroçado pelo rompimento do namoro com a Mariana. A relação de ambos foi-nos contada por breves momentos, para que pudéssemos compreender de onde vem a sua dor. Confesso que não me senti muito empática com o seu sofrimento, pelo simples facto de que o autor nos contou pouco acerca do namoro e senti falta de mais. Pareceu-me uma relação superficial e repentina e que o abalou demasiado. Se calhar até compreendo mais o lado da Mariana, dado que o André queria apressar muito as coisas e ela sentiu que ele não respeitava o que ela desejava para a sua vida.
Por momentos, irritei-me um bocadinho com a choraminguice do André, sempre a lamuriar-se por ter 27 anos e continuar solteiro. Fez-me alguma confusão. É verdade que há muitos homens que querem constituir família, mas também há muitos que apreciam a sua independência. Achei que este aspeto não fazia muito sentido na personalidade do André, pelo menos foi o que fiquei a sentir à medida que progredia na leitura.

No geral, foi uma leitura bastante agradável, repleta de ação, reviravoltas, enigmas e traições. O ritmo rápido permite uma leitura viciante e difícil de pousar. Sem dúvida que fiquei com vontade de ler a continuação desta série, bem como o mais recente trabalho do autor: A Célula Adormecida.

Classificação: 3/5 estrelas

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"A Promessa" de Lesley Pearse [Opinião]


Tenho andado completamente preguiçosa no que diz respeito às opiniões dos livros, e por essa razão tenho três em atraso. Vou fazer os possíveis por publicá-las todas até ao Natal, quem sabe não serão boas sugestões para prendas.

A Promessa chegou cá a casa no âmbito do Empréstimo Surpresa. Este livro é a continuação da história de Belle, que se iniciou em Sonhos Proibidos. Caso ainda não tenham lido o primeiro volume, não partam já para esta leitura.

Na sua já habitual escrita fluida, Lesley Pearse transporta-nos novamente para o mundo de Belle, Jimmy, Mog, Garth e Étienne. É muito bom reencontrarmos estas personagens e viver com elas novas experiências.
A minha maior curiosidade prendia-se por conhecer melhor Étienne, queria saber mais dele, talvez ter uma visão diferente. Talvez ele não tenha aparecido tantas vezes como eu desejava, mas surgiu com um papel muito importante. Não quero dizer nada que vos estrague o prazer da leitura, mas posso prometer que o Étienne vos vai apaixonar!

Uma personagem nova que surgiu neste livro foi a Miranda, que se tornou uma boa amiga de Belle. Miranda tinha uma alma aventureira e tudo o que desejava era conhecer o amor e ser feliz. Foi uma personagem que me cativou muito e talvez aquela que mais me fez chorar.

Esta história passa-se durante a Primeira Guerra Mundial, uma época já de si devastadora. A autora mostrou-nos muitos desses acontecimentos, nunca de forma maçadora, e com alguma pesquisa anterior.

Confesso que este livro mexeu bastante comigo; houve acontecimentos muito maus e havia momentos em que eu não conseguia ler um único capítulo sem chorar. Contudo, houve também momentos doces e capazes de fazer palpitar os corações mais românticos.

No geral, é uma leitura que nos agarra e vicia e que seria, sem dúvida, uma ótima prenda para oferecerem a alguém neste Natal.
A história de Belle continua no livro És o Meu Destino, que espero poder ler num futuro próximo.

Classificação: 5/5 estrelas

domingo, 3 de setembro de 2017

"Sozinhos na Ilha" de Tracey Garvis Graves [Opinião]


Sozinhos na Ilha foi um livro que li em poucos dias e que rapidamente se tornou numa leitura compulsiva.

Conta-nos a história de Anna - uma professora que decide quebrar a rotina e passar o verão a dar aulas numa ilha tropical - e de T. J. - um jovem que só quer voltar a ter uma vida normal após lutar contra um cancro. Mas o impensável acontece quando o pequeno avião onde viajam se despenha no mar. Anna e T. J. conseguem-se salvar e chegam a uma ilha deserta, onde aguardam que alguém os vá procurar. À medida que os dias vão passando, os dois vão ter de aprender a sobreviver, sem perderem a esperança de alguma vez conseguirem sair da ilha.

A narrativa está muito bem estruturada e a história é contada de forma muito bonita e capaz de cativar o leitor. Assistimos aos primeiros passos das personagens na luta pela sobrevivência: a procura de alimentos, a falta de água, a construção do primeiro abrigo, a primeira fogueira. Mais tarde, vemos como enfrentam corajosamente perigos e obstáculos e como cuidam um do outro quando adoecem e quando o desespero toma conta deles.

Anna e T. J. são duas personagens carismáticas e adoráveis. Apesar de diferença de idades - T. J. tem 16 e Anna tem 30 - os dois desenvolvem uma relação que vai crescendo, passando da amizade ao amor. T. J. é um jovem bastante mais maduro do que os jovens da sua idade, que cresceu bastante mais rápido devido à experiência de ultrapassar um cancro. A relação de ambos vai crescendo a bom ritmo, de forma encantadora e apaixonante.

Foi um livro que me fez rir, chorar, sentir medo pelas personagens e arrepiou-me por diversas vezes. Em suma, um livro que me aqueceu o coração, me deixou feliz e que certamente recordarei durante muito tempo.

Classificação: 5/5 estrelas

terça-feira, 18 de julho de 2017

"Só Nós Dois" de Nicholas Sparks [Opinião]


Nicholas Sparks está de volta, mais uma vez, com um romance que foge ligeiramente à fórmula com que nos tem habituado, o que achei muito bom.

Só Nós Dois conta-nos a história de Russell Green, que tinha a vida perfeita - casado com Vivian, uma mulher linda e dedicada, com uma filha pequena e uma carreira de sucesso - até que um dia esta vida de sonho se desmonora, dando lugar a um pesadelo. Russ perde o emprego, perde a mulher e fica sozinho com a filha de cinco anos.

Russ é um homem pouco confiante e que obedece cegamente às ordens da mulher, tentando a todo o custo agradar-lhe. Vivian foi uma personagem com quem não simpatizei logo de início, achava que havia qualquer coisa de estranho na perfeição dela. Ela é muito exigente e, com o passar do tempo, estava sempre a arranjar discussões com o marido, fazendo-o sentir-se culpado por cada passo que dava.

Gostei imenso da forma como esta história se desenrolou e de ver como Russ superou cada obstáculo, esforçando-se imenso a criar um negócio próprio, ao mesmo tempo que lidava com as responsabilidades de ser pai solteiro. London é uma criança encantadora que me enterneceu por diversas vezes.

A família de Russ - os pais e a irmã Marge - são pessoas muito interessantes que também adorei conhecer. Gostei da dinâmica familiar e da forma como se apoiavam uns aos outros.

Só Nós Dois foge à fórmula da história de amor entre duas pessoas e centra-se, desta vez, num casamento perfeito, onde começam a surgir dificuldades. O livro retrata temas atuais como o divórcio, a custódia pelos filhos, a doença, a homossexualidade, os novos começos de carreira e a importância da família.

Não se trata apenas de um romance lamechas, mas de uma história enternecedora e cativante que nos mostra os desafios de ser pai solteiro, assim como a importância da família e dos laços familiares.

O final é muito comovente, com o toque especial do Nicholas Sparks para o drama, embora não possa dizer que seja exageradamente dramático. Além dos momentos de tristeza, este livro também nos dá esperança e força de superação.

Por fim, um pequeno apontamento à capa e ao título do livro: a capa está perfeita, ilustrando uma cena que acontece na história. Por sua vez, o título não me parece o mais apropriado, é um pouco minimalista dado que apenas faz referência à relação entre o pai e a filha, e o livro é muito mais que isso. Na minha opinião, o título Lado a Lado resultaria bem melhor neste romance e as frases finais mostram exatamente porquê.

Em suma, é um livro que recomendo vivamente por tratar temas atuais e onde o autor se aventurou, mais uma vez, a fugir à sua fórmula habitual.

Classificação: 5/5 estrelas

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"Morte em Palco" de Caroline Graham [Opinião]


Morte em Palco faz parte da coleção Crime à Hora do Chá e é o segundo livro da série protagonizada pelo Inspetor Barnaby.

O cenário deste livro é o palco de uma peça de teatro amador onde as emoções estão ao rubro. A autora leva o seu tempo a dar-nos a conhecer todas as personagens. São bastantes, o que torna o início da leitura um bocadinho complicado, contudo as suas personalidades são muito curiosas, e pouco a pouco o leitor vai-se situando.

Somos transportados para o meio das intrigas e invejas existentes entre os diversos atores e são-nos dadas algumas pistas ainda antes do crime acontecer. Quando, finalmente, o crime acontece, ficamos ansiosos por descobrir a identidade do assassino e as suas motivações.

Confesso que, para mim, o início do livro foi chato e demorado e cheguei a sentir-me exasperada por nunca mais haver mortes e sangue. No entanto, assim que o protagonista morreu, o livro ganhou uma nova vida. O conhecimento prévio das personagens já permitia ir formulando algumas teorias e pensar em suspeitos.

A resolução do caso não é totalmente surpreendente, mas no geral a leitura é agradável e com algumas doses de humor.

Recomendo a leitura a quem gostar de policiais do estilo Agatha Christie. Se procuram ação, sangue e suspense, talvez este não seja o livro mais adequado.

Classificação: 3/5 estrelas

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

"Só Nós Dois" de Nicholas Sparks [Divulgação]

Título Original: Two by Two
Edição: 2016
Páginas: 568
Editora: ASA

Nas livrarias a 8 de novembro.

Sinopse:

Por vezes, basta um segundo para mudar a nossa vida. E nesse instante avassalador, tudo aquilo que pensamos saber - e possuir - perde o seu valor.

Russell Green tem trinta e dois anos, é casado com Vivian, uma mulher lindíssima e dedicada; tem uma filha encantadora e uma carreira de sucesso. Dir-se-ia que a sua vida é de sonho. Mas o sonho vai dar lugar a um pesadelo… De um momento para o outro, Russ perde a mulher e o emprego e fica a sós com a filha de seis anos, London. Pela primeira vez, percebe que não pode entregar-se à sua própria dor pois London depende agora unicamente dele. Russ vai ter de se superar, de desbravar caminho, começar de novo…

Mas não é fácil cuidar de uma criança sozinho, fundar um negócio próprio, e lidar com um as emoções contraditórias que ameaçam paralisá-lo. O dia a dia com a filha é uma montanha-russa de escolhas, consequências e anseios. É muito mais difícil do que alguma vez imaginara. Mas é também infinitamente mais gratificante do que a correria de outrora. E quando o imprevisível destino abre novamente a porta ao amor, deixa entrar algo mais. Algo para o qual Russ – mais uma vez – não está preparado.

Só Nós Dois é um retrato da experiência simultaneamente aterradora e gratificante de ser pai solteiro: dos desafios aos riscos, e, claro, às recompensas. Relembra-nos a importância dos laços de família e do amor incondicional.

A capa lá fora