quinta-feira, 4 de março de 2021

"A História de uma Serva" de Margaret Atwood [Opinião]


«Ferozmente político e negro, se bem que cheio de espírito e sabedoria, este romance é cada vez mais vital nos nossos dias.»
Observer
 
Andava com saudades de ler uma distopia, um género que adoro mas que exploro pouco, e decidi escolher A História de uma Serva, de Margaret Atwood.
Este livro foi uma surpresa total e, ao longo da leitura, várias vezes dei comigo a pensar "como é que eu nunca tinha lido este livro?".

Ele foi publicado originalmente em 1985, o que significa que é uma história com mais de 35 anos. O que é fascinante é ela apresentar uma temática assustadora, que não deixa de ser atual e plausível.
 
Extremistas cristãos de direita derrubam o governo americano e queimam a Constituição. Aquele país passa a chamar-se Gilead, um estado policial fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, servem unicamente para fins de procriação. São obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.

A primeira coisa que me chamou a atenção neste livro foi, sem margem para dúvidas, a escrita. Margaret Atwood escreve de forma irrepreensível. Ela consegue embalar e cativar o leitor com as suas palavras, notando-se também uma grande maturidade, que certamente advém da sua experiência enquanto autora de mais de 40 livros publicados.
 
[Fotografia da minha autoria]
 
A escrita foi então o elemento que me agarrou desde o início. A seguir, foi o enredo. A história é narrada na perspectiva de Defred, uma Serva da República de Gilead. Esta narração é feita na forma de um relato e, posteriormente, no final do livro, ficamos a saber que de facto é um relato, como se alguém tivesse gravado a sua história em cassetes e elas tivessem sido transcritas.
Defred é crua e fria na sua narração, é alguém que sofreu tanto que o seu relato acaba por ser um pouco desprendido e em fragmentos da sua memória. Algumas passagens parecem nubladas, ela própria afirma que tem várias versões do mesmo acontecimento. É como se alguém nos contasse a sua história passados muitos anos.

O livro é bastante parado em termos de ação, porém está sempre a acontecer alguma coisa. O que é curioso é que eu sou uma leitora que precisa de dinamismo e adrenalina nas leituras, pois aborreço-me facilmente quando as histórias são mais paradas. E, embora este livro seja tudo menos enérgico, eu senti-me cativada de início ao fim.

Posso afirmar que me senti completamente chocada com algumas das cenas descritas neste livro, de tão gráficas que são. Por mais que tente, não consigo imaginar-me a ser obrigada a viver numa sociedade destas. Dou os parabéns à autora pela imaginação e criatividade na construção deste mundo. Gosto de livros que me choquem!

O final é daqueles que muitos leitores não gostam de encontrar porque é um final aberto. Termina de forma um pouco abrupta e sei que terei de ler brevemente a sequela, Os Testamentos, em busca das respostas de que necessito.
 
Recomendo vivamente esta leitura, não só aos fãs de distopias, como a qualquer leitor que queira embrenhar-se numa realidade assustadoramente possível.

Classificação: 5/5 estrelas

2 comentários:

  1. Já quero ler esse livro há tempos! Nunca vi a serie. mas também apenas quero assistir depois de ler o lviro :)

    jiaescreve.blogspot.com (Sou nova neste mundo dos Blogs, por isso quando tiveres algum tempinho livre faz-me uma visita e deixa uma opinião)

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    1. Olá, Jia!
      Bem-vinda!
      O livro vale muito a pena, tens de ler. :) Ainda não consegui começar a ver a série, mas estou ansiosa por ter uns bocadinhos livres para o fazer!

      Boas leituras!

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Obrigada pelo teu comentário e pelo tempo que dedicaste a ler o que escrevi!